Disco VIII [(1967)]: Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band \\|// Sarja Péppers & os Lou Nílli Rértz clube/banda #thebeatlesemportugues

 

 

 

 

08 A-01 Sal Pimenta
Já faz mais de vinte anos atrás
Sarja Pépper ensinou a uns rapaz
Eles tinham problema com o progresso
e era o que pagava o ingresso
[Deixe-me trazer para a gente agora
[o número muito nosso conhecido do
[Sal Pimenta &t Os Lou Nílli Rérz clube/banda

É o Sarja Pepper &t Os Lou Nílli Rérz clube/banda
tomara que gostem do show
É o SP&LNRC/B
Relaxe e deixe a Sol se pôr
SP&LN, SP&LN, SP&LNRC/B

Foi ótimo poder vir
Dá um certo arrepio
Vocês são um público especial
Queremos levar vocês pra casa conosco
Queremos levar vocês ((conosco))

Não quero mesmo ter que estragar o som
Fica pra vocês mais esta informação
Nesta nossa próxima canção
É pra todos, juntos, cantarem o refrão
É isso o que vai anunciar
o primeiro e único Billy Shears
dos Sarja Pépper &t Os Lou Nílli Rérz clube/banda

08 A-02 Com uma mãozinha de todos meus irmãozões
O que ia parecer             cantar desafinado
Se levantem e                me deixem falando sozinho aqui?
Se me permitem               vou cantar para a gente
Vou tentar ser meu melhor    e o mais competente

Só vai dar certo        com uma mãozinha dos meus irmãos
Só chego longe          com uma mãozinha dos meus irmãos
Se tem um jeito é       com aquela mãozinha dos meus irmãoszãos

O que eu faço                sem meu amor por perto?
Se me queima as fuça         ficar completamente só?
O que eu penso               quando o dia acaba?
É a depressão                por estar completamente só?

Não, eu sempre tenho    uma mãozinha dos meus irmãos
Só chego longe          com uma mãozinha dos meus irmãos
Se tem um jeito é       aquela mãozinha dos meus irmãoszãos

De quem você      sente falta?
Preciso de alguém       para amar
Pode ser          qualquer pessoa?
Só quero alguém         pra eu amar

Você ainda acredita          em amor de primeira?
Tenho certeza                de que é o que acontece sempre
E o que você vê              quando a luz se apaga?
Não sei o que é isso         mas eu sei que é meu

Só vai dar certo        com uma mãozinha dos meus irmãos
Só chego longe          com uma mãozinha dos meus irmãos
Vou tentar assim        com uma pequena, uma ajudazinha de todos
meus grandes irmãoszãos

08 A-03 Lúzia do Céu Diamantes
Imagine que desce um caiaque a vereda
Árvores tangerina e céu de marmelada
Alguém lhe chama, devagar atende
É a garota de caleidoscópio n’olhar

Flores celofane verdes&amarelas
Deslizam na tua cabeça
Cadê a garota com a Sol nos olhos
Já foi

Lúzia do Céu Diamantes!

A segue até a ponte bem perto da fonte onde
Cavalos de pau manjam mexericas
Todos te sorriem e navega entre as flores
Que crescem a perder de vista

Táxis de papelão estacionam na costa
Querem te levar com eles
Aceita a carona a cabeça nas nuvens
Partiu

Imagine que está em um trem numa estação
Dos porteiros de plástico com gravatas borboleta
De repente nota alguém lá na catraca
É a garota de caleidoscópio n’olhar

08 A-04 A vida é só melhora
A vida é só melhora

Passava os dias em mau humor
(reclamar de nada!)
Na escola só tinha gente ruim
(reclamar de nada!)
Repetir de ano, te virar do avesso
te forçar a engolir seus malignos planos
(malignos planos!)

Eu vou te admitir, é melhor assim
(melhor!)
Melhor um pouquinho de cada vez

Tenho que admitir, a vida é só melhora
(melhor!)
Desde que estamos juntos

A vida é só melhora desde que estamos juntos
A vida é só melhora

Mim sempre nervoso, velhinho
Mim dorme co’a cabeça dentro do oco
Quando me chamou, pude te ouvir
Demos o nosso melhor de si

😐

Eu já fui ruim com mulher
As humilhei e afastei do que lhes importava
Eu já fui covarde, mas me entendi
Estamos aqui para dar o melhor de si

08 A-05 Tampando um buraco
Tampando um buraco           onde o vento faz a curva
Me enerva e me interrompe                o raciocínio
Pra onde vou

Fechando umas fendas         o rangido da porta
Corta minha brisa            de imaginar
Pra onde vai

E não faz mais nenhum sentido
Se foi bola dentro ou fora
Daqui não vou-me embora
Daqui não vou…

Ali ficam as pessoas
que só discordam e não dão as mãos
e ainda reclamam que nunca as convido à discussão

Pintando as paredes do       meu colorido quarto
Foi quando eu                pude imaginar
Prá lá que vou

😐

E não faz mais nenhum sentido
Se foi bola dentro ou fora
Daqui não vou embora
Daqui não vou…

Pessoas ocupadas
e estabanadas me metem medo
e me fazem pensar aonde é que este mundo vai parar

Dedicando meu tempo          a mais de um bilhão de coisas
Que ainda ontem              me eram bem fúteis
Ainda vou

08 A-06 Indo embora de casa
Quarta-feira o dia começou de manhã bem cedo
Fez nenhum barulho, arrumava o quarto
Deixou num bilhete o endereço novo

E desceu, pra cozinha e deixou o molho de chaves na parede
Tinha também um lenço de mão
Saía de casa e da prisão

Ela
(Demos nossa vida por ela)
vai deixar
(Sacrifício de planos por ela)
o lar
(Lhe demos tudo do bom e do que era melhor)
Ela vai nos deixar depois de morar sozinha desde sempre
(Já vai)

O pai chorava no quarto, foi ele quem encontrou a carta
A mãe entra e deita ao seu lado
Abraça o marido e soluça seu choro

Se recompõe e diz, “viu, meu pai o que sua filhinha aprontou?
Como ela pôde ser tão egoísta?
Não é isso o que ensinamos aqui!”

Ela
(Ela sempre em primeiro lugar)
vai deixar
(Não sobrava nenhum tempo para nós)
o lar
(Ralamos muito para chegar até onde chegamos)
Ela vai nos deixar depois de morar sozinha desde sempre
(Já vai!)

Sexta-feira, tarde da noite ela já está lonjão
Torcia para na sua nova vida correr tudo muito bem
Ela e um amigo que conheceu no trem

Ela
(Onde foi que nós erramos)
vai deixar
(Ainda não sabemos aonde erramos)
o lar
(A paz é algo que o dinheiro não pode comprar)
Talvez fosse algo dentro dela que ela quisesse fazer desde sempre
(Já vai)
Vai deixar seu lar
Já vai!

08-07 Em homenagem ao Senhor Vagem

 

08-08 sem você mas com
a conversa              era do espaço que nos envolve
e das pessoas que se escondem por entre barreiras de enganação,
sem suportar ao outro        até quando for muito tarde
a gente morre de repente

a conversa              era do amor que nos rodeia
que se descobre              e que se tenta ao máximo manter para só você
e com o amor,     isto muda o mundo,      a gente vai aprender

tente entender que tudo já está dentro de si
parte de entender que tudo está em si mesmo
só se muda a si mesmo
é quando aprende o tamanho da partícula pequena
que a vida flue         por dentro de           e até sem ti

😐

a conversa              era do amor que adormece
e das pessoas do mundo da troca que corrói
eles não sabem nem entendem, qual destes é você?
quando se vê o contexto,           além de si está

a paz de espírito                  é ali que habita
e vai vir o tempo                  que saberá estar só
já viu que a vida flue       por dentro de     e até sem ti

08-09 Quando eu tiver Sessenta e quatro
Quando eu virar velho              sem nenhum mais cabelo
O futuro                           daqui a algum tempo
Será que vai lembrar               além do dia em que nasci
Com cartão de lembrança            ou garrafa de vinho?

Quando eu for para uma festa       não voltar até as seis horas
Vai trancar                        a nossa casa?
Ainda vai se importar,             vai me dar comida
quando um velhote                  eu virar?

Ficar velho é normal
E só converse comigo
Se eu moro com você

Eu sei fazer várias coisas         já construí usinas
quando você                        estava na escola

Eu sei fazer várias coisas         trocar um fusível queimado
Ir pagar                           suas contas

Você lê o jornal                   quieto de manhazinha
Todo dia de manhã                  ir andar com os cachorros

Faço o jardim
Quem poderia querer mais?

08-10 Louve-lhe Rita
Louve-lhe Rita               minha Leide
Não existe nada              que vá nos separar
Mesmo muito longe eu sei dizer      que você está bem

Pondo moedas em um parquimétro
Foi lá que eu vi a minha Rita
Escreve bilhetinhos na caderneta de mão!

Usa um chapéu com óculos escuros
Carteira de couro e mala de rodinhas
Ela adora fingir que é da Polícia Federal!

Louve-lhe Rita, minha leide
Será que posso fazer uma pergunta de cunho pessoal?
Será que está livre para tomar um café comigo?

A convenci, saímos juntos
Tiramos um sarro, comemos juntos
E quando estava no fim eu disse que queria ter mais

Na hora da conta, ela pagou tudo
Lhe dei carona, e o gol foi quase
Estava eu no sofá com ela os gatos e as irmãs

Louve-lhe Rita, minha leide!
Nunca ia ter feito sem você
Me mande um beijinho pra saber que se lembra de mim

08-11 Um bom dia, um dia bom
Não vai mais ter como salvar este aqui, podem levar embora
Não vai ter o que se dizer, além de “olha que bom, meu, foi tudo bem!”
Não vai ter o que se fazer, é só você
Não tenho nada pra ti, mas é isso aí

Depois de um tempo, é que sentiu, bateu o vento
Foi aí que lembrou, ia ser bom andar por lá de novo
Nada mudou, e o tempo parou
to sem nada pra ti, mas é isso aí

Porque alguém tinha que saber da hora, por isso eu vim junto
E pra ver umas coxas, a dessas moças, cara isso faz bem!
E se está aqui, é porque ela quer curtir!
Não tenho nada pra ti, mas é isso aí

08-13 Um dia numa vida
Tenho uma triste, irmão                  agora
Daquele outro meu irmão                  que cavou a própria cova
Esta não é nenhuma                       boa nova
Não vai ter como                         não sofrer
Já vi essa imagem                        acontecer

Eu vi o carro                            se espatifar
Ninguém nunca que viu                    sinal fechado
O mundaréu de gente                      que foi lá olhar
Ele achavam o conhecer mas ninguém nunca lembrava quem era
o cara do Jornal das Nove

É hora do filme agora                   irmão
Estavam lá todos os cáubóis              de cús nas mãos
O mundaréu de gente                       que desistiu
Eu estava lá pra olhar
Era minha mão jurando, parada,           em cima do livrão
Eu estou aqui           só    pra         vo    cê

De pé                                    caiu do catre
Levava a kombi                           e mais badulaques
Descobre um atalho para casa             e ganha mais uns tragos
Foi bem na hora que notei                já era a minha vez
Acha o casaco                      toma o chapéu

Lembrei do trampo                  que escarcéu!
Lembra onde foi que guardou a escada     e fuma mais um cigarro
Alguém mais falou                  e eu caí dentro de um sonho

😐

Ouvi ao jornal, irmão                    agora
4mil covas em                            Blackburn, Lancashire
As covas eram bem rasas                  e cada foi cavada
Agora eles já sabem quantos mortos       enchem o Albert Hall
Fui eu quem             te                de                dou

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dylanniversário, uma tradução: Blonde on blonde \\|// Cara a cara (16 de Maio de 1966)

01.MULH3R36 D3 D145 CHUV0505 #12 & 35
Eles te pilham se você tenta ser do bem
eles te pilham, já disseram que iriam
eles te pilham se você volta pra casa
eles te pilham quando você está sozinho
mas eu não me sinto tão sozinho
todo mundo devia chapar só um pouquinho

Eles te pilham se você anda pela rua
eles te pilham se você guarda um lugar
eles te pilham se você não sabe qual é o andar
eles te pilham quando voc~e tentar ir embora
mas eu não me sinto tão sozinho
todo mundo devia chapar só um pouquinho

Eles te pilham se você toma um café
eles te pilham se você está jovem e sozinho
eles te pilham se você está dando duro
eles te pilham e só então te dão um “boa sorte”
mas eu não me sinto tão sozinho
todo mundo devia chapar só um pouquinho

Eles te pilham e dizem que isso é o fim
eles te pilham e voltam para mais uma vez
eles te pilham se você dirige o carro
eles te pilham quando você toca a guitarra
mas eu não me sinto tão sozinho
todo mundo devia chapar só um pouquinho

Eles te pilham mesmo se você está só andando
eles te pilham quando você parte pra casa
eles te pilham e depois dizem que você tem coragem,
eles te pilham com você quietinho na sua cova
mas eu não me sinto tão sozinho
todo mundo devia chapar só um pouquinho

04. UM D3 NÓ5 V41 V3R (C3D0 0U T4RD3)
eu nunca quis te tratar mal assim
não era pra você ter levado pro lado da emoção
eu nuynca quis te deixar mal assim
coincidiu de você estar lá e foi só isso
quando eu vi, você deu tchau” pro teu camarada e sorriu
isto pra mi já era sinal de cumplicidade
voê ia dar uma volta, já voltava rapidinho
nem imaginava que era um “tchau” pra nunca mais voltar

cedo ou tarde um de nós vai ver
você foi embora fazer o que tinha que fazer
é questão de tempo pra um de nós saber
você nem imagina o que eu fiz pra chegar até você

05.T3 QU3R0
Carrascos quase se arrependem
O piano de sopro é o que suspende
O saxofone é claro e me diz pra te recusar
Sinos rachados e tubas partidas
Jogam na minha cara a verdade
Não é pra ser assim
Eu não nasci pra te perder

te quero, te quero
te quero demais mesmo
benzinho, como te quero

Políticos bêbados saltam de um lado
ao outro nas ruas em que mães secam seu pranto
e os sábios que são os primeiros a dormir, esperam por ti
eu só espero a interrupção
do gole do drinque na minha mão
eles vão vir e pedir pra eu
abrir os portões pra ti

          Igual aos meus antepassados, todos eles falharam
          passar por uma vida inteira sem um amor de verdade
por que as suas filhas todas, nunca me escolheram
eu não queria nem saber

Agora voltei pra Rainha de Espadas
no quarto cozinhava marmelada
ela sabe que não vou achá-la esquisita
Ela é muito boa pra mim
e não existe nada que ela não saiba ver
ela entende onde eu queria estar
e isso não importa

Sua cria criativa, de crina chinesa
ralhou comigo, lhe tomei a flauta
com isso mostrei a quantas andava minha educação
Só fiz isso porque ele é um mentiroso
ele te levou para comer miojo
Ainda mais porque o tempo lhe foi vantajoso
Ainda…

 

06.F1C4R PR350 D3NTR0 D0 C4RRO 0UV1ND0 A0 MEMPHIS BLU35 T0C4R
O andarilho anda em círculos
De um lado ao outro da quadra
Até lhe perguntaria qual é o problema
Eu já sei, ele não sabe falar
E as garotas me tratam com candura
E me floreiam com adesivos
Lá bem dentro de mim
Já entendei, não tem mais jeito

Ai, minha mamãe, será que o fim é mesmo assim?
ficar preso dentro de um carro
ouvindo ao Memphis Blues tocar

Então Shaguespear, ele fica nas ruelas
Vestes sapatos pontudos & harpas
Falando com uma francesinha
Ela diz me conhecer muito bem
Até que enviava uma carta
Para saber que ela dedurou agora
Mas os correios sofreram um roubo
A caixa de cartas está lacrada

Mona tentou me avisar
fique longe dos trilhos do trem
Ela disse que todos os operários
Bebem todo seu sangue, igual a um vinho
Daí eu disse, “olha só, eu não sabia disso
então tem só um deles que eu conheci
ele fumou minhas duas pálpebras
e socou minha cigarrilha”

Vovô morreu na última semana
e agora está enterrado sobre as pedras
mas todo mundo ainda só fala sobre
o quanto mal isso lhes fez
Pra mim, só esperava isso acontecer
eu já sabioa que ele ia surtar
antes de ele atear fogo na rua inteira
ficando lá, com suas armas a descarregar

Hoje o senador veio aqui pra baixo
mostrou a todo mundo usas armas
ele entregou um monte de entrada grátis
pro casamento de seu filho
Foi quando eu quase fui pra prisão
e nem para ter nenhuma sorte
de estar sem nenhum bilhete
ser encontrado embaixo de um caminhão

Hoje o padre parecia sem fôlego
quando lhe perguntei porque ele vestia
vinte quilos de manchetes
carimbados em seu peito
Mas ele me jogou um xingo quando eu provei
e depois sussurrei “Nem mesmo você pode se esconder
já viu, você é igual a mim
espero que isso lhe satisfaça”

Agora o pajé me dá duas curas
e depois disse ”Cai bem dentro”
um era remédio dos Texanos
o outro era só dos trilhos, um gim
Inocentemente misturei as duas
e isso estrangulou minha mente
e agora as pessoas só ficam mais feias
e eu perdi a noção das horas

Quando Ruthie me pediu para ir ter com ela
no meio de seu pesqueiro caipira
ir lá pra assistir suas danças grátis
bem ao lado do Panamá, e da Lua
E eu disse, “Ah, mas qualé agora!
você deve ter ouvido da minha debutante”
E ela, “Sua debutante só sabe do que você precisa,
já eu, sei do que você gosta”

Colocaram paralelepípedos pela Grand Street
onde os malucos de neon escalam
eles todos caem de lá com perfeição
até parece estão ensaiados
E eu fico aqui, sentado pacientemente
para adivinhar quanto é que custa
para conseguir sair daqui
depois de passar por tudo, duas vezes

08. 16U4L 4 UM4 MULH3R
Ninguém sente dor nenhuma
É hoje que me benzo nessa chuva
O mundo já percebeu
Como você cresceu
E já faz tempo que as presilhas&os elásticos
Abandonaram os teus cachos
      Ela aceita igual a uma mulher
      Ela ama igual a uma mulher
      Ela se ressente igual a uma mulher
      Mas ela briga igual a uma garotinha

Queen Mary, esta é uma amiga
Vamos sair de novo, dá até pra acreditar
Ninguém ia adivinhar
O padre não quis casar
E ela entendeu que faz parte de um grande resto
com sua imprecisão, suas anfentas&suas bolinhas
      Ela aceita igual a uma mulher
      Ela ama igual a uma mulher
      Ela se ressente igual a uma mulher
      Mas ela briga igual a uma garotinha

De começo foi uma chuva, e eu lá
Morrendo de sede e não
Conseguia beber.
E tua cicatriz antiga ainda não sarou
Vai ver até que piorou
Tudo o que dói em mim
Não posso ficar aqui!
E ainda não sei se…

Eu não sirvo, não!
Acho que chegou a hora da nossa separação
Se nos vermos de novo
Talvez um amigo em comum
Vê se não vai agir como se não me conhecesse
Era só fome e era do teu mundo
      Fingida! Igual a uma mulher
      Tú até faz amor igual a uma mulher
      E até se ressente igual a uma mulher
      Mas daí briga igual a uma menininha.

13. Ó8V105 C1NC0 CR3NT35
Cedo manhãzinha
cedo manhãzinha
te chamo para
te chamo para
ir lá em casa
Acho que não preciso de você,
mas não gosto nem um pouco dessa solidão

Não me deixe mal
não me deixe mal
não vou te deixar
não vou te deixar
passar mal
Eu também posso se você também pode
mas não me faça isso amor benzinho nunca, não

Meu cachorro preto late
o cachorro preto late
está lá fora
ele está lá fora
no meu quintal
Só de ouvir dá para entender o que ele diz
mas tem muita gente que não cansa de nem querer saber, não!

Tua mãe no trampo
tua mãe no parto
ela chora por ti
ela tenta por ti
é melhor ir embora
Sei te dizer bem o que ela quer
mas não sei por onde começar a te dizer tudo isso agora, não!

Quinze 171
quinze 171
cinco dos crentes
cinco dos crentes
vestidos de gente
Diz pra sua mãe não precisa cabeça quente
cada um dos meus amigos me têm quase que nem a um irmão

Duas canções, duas traduções

“POR UNA CABEZA”, de Carlos Gardel e Alfredo de La Pera

I.
Por una cabeza de un noble potrillo
Que justo en la raya afloja al llegar
Y que al regresar parece decir
No olvides, hermano
Vos sabes, no hay que jugar

II.
Por una cabeza metejón de un día
De aquella coqueta y risueña mujer
Que al jurar sonriendo el amor que está mintiendo
Quema en una hoguera
Todo mi querer

rI.
Por una cabeza
Todas las locuras
Su boca que besa
Borra la tristeza
Calma la amargura

rII.
Por una cabeza
Si ella me olvida
Qué importa perderme
Mil veces la vida
Para qué vivir

III.
Cuántos desengaños, por una cabeza
Yo juré mil veces no vuelvo a insistir
Pero si un mirar me hiere al pasar
Su boca de fuego
Otra vez quiero besar

IV.
Basta de carreras, se acabo la timba
Un final reñido ya no vuelvo a ver
Pero si algún pingo llega a ser fija el domingo
Yo me juego entero
Qué le voy a hacer

\\|//

“POR UMA CABEÇA”, de Gardel & La Pera, versão de r.l.almeida

1.
Por uma cabeça de um nobre potrinho
Bem perto da raia afrouxa o chegar
E que ao regressar parece até dizer
Não se esqueça irmão, ninguém tem que jogar

2.
Por uma cabeça decidi um dia
Ter com aquela coquete risonha mulher
Que jura sorrindo o amor que está mentindo
Queima em uma fogueira todo o meu querer

r1.
Por uma cabeça
Todas essas loucuras
Sua boca que beija
Apaga a tristeza
Acalma a margura

r2.
Por uma cabeça
Se ela me esquece
Não me importa perder
Mil vezes a vida
Para que viverei?

3.
Quantos desencantos por uma cabeça
Me jurei mil vezes não mais insistir
Quando um só olhar me fere ao passar
Sua boca de fogo outraa vez quero beijar

4.
Basta de jogatina, não tem mais cachaça
Um final sonhado não quero mais ver
E quando um dos pinguços chega em casa, fim de domingo
Eu me jogo inteiro, é só o que sei fazer!

 

 

 

“ALEGRIA, ALEGRIA”, de Caê

I.
Caminhando contra o vento
Sem lenço e sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou

II.
O sol se reparte em crimes
Espaçonaves, guerrilhas
Em Cardinales bonitas
Eu vou

III
Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bomba e Brigitte Bardot

IV
O sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia
Eu vou

V
Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores
Vãos

r.
Eu vou
Por que não?
Por que não?

VI.
Ela pensa em casamento
E eu nunca mais fui à escola
Sem lenço e sem documento
Eu vou

VII.
Eu tomo uma Coca-Cola
Ela pensa em casamento
E uma canção me consola
Eu vou

VIII.
Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome, sem telefone
No coração do Brasil

IX.
Ela nem sabe até pensei
Em cantar na televisão
O sol é tão bonito
Eu vou

X.
Sem lenço, sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo
Amor

\\|//

“JOY, JOY”, versão de r.l.almeida

1.
We all walk against the winds
No tissue, no paper in my hands
It is summer, look at the sun
I go

2.
The Sun is parted by crimes
Spaceshuttles, guerrilas
And so handsome Cardinales
I go

3.
It is my dear president
So huge kisses with love
My flag, my leg and my teeth
Nuke and Brigitte Bardot

4.
The Sun is shinning crazy diamonds
Fullfill me with joy and lazyness
Who care with what the news says
I go

5.
Inbetween names and pictures
My eyes are fullfilled with them colors
My chest is fullfilled with a disdained
Love

r.
I go
And why not?
And why not?

6.
She thinks she is going to get marry
I never more saw my school
No tissue, no paper in my hands
I go

7.
I drink a coca-cola
She thinks she is going to get marry
A little song makes me merry
I go

8.
Among the pictures and names
No thing to read nor to aim
No thing to eat nor to say
We are inside my home land

9.
She does not know, I have already figured out
I know I got to make a living
The Sun it is so very beautiful
I go

10.
No tissue, no papper in my hands
Nothing in pockets or arms
I only want to live my life
With love

 

 

 

 

 

 

 

Dois contos, duas traduções

          salve, salve, minha maturada & famigerada bloguesfera nossa de cada dia. mais um “Duas tradussas” no ar, hoje transvertendo contos curtos do inglês para o português e o costumeiro caminho inverso, do português ao inglês.

          o primeiro convidado é nascido em Oak Park, estado de Illinois, nos EUA, no dia 21 de Julho de 1899: Ernest Miller Hemingway foi habilidoso contista, romancista, jornalista, espião, apaixonado por touradas, boxe, pescaria & uma boa birita. foi homenageado com o Nobel de Literatura em 1954, bem perto do fim da vida: o escritor já tinha legado suas mais importantes obras (por exemplo, o libelo libertário de “Por quem os sinos dobram”; & também a canção da solidão de “O velho e o mar”), andado o mundo inteiro (à serviço & por diversão), lutado nas duas Guerras Mundiais, casado quatro vezes, pai de três filhos, além de ser tutor de inumeráveis cães & gatos que viviam em uma de suas casas, num sítio em Cuba. é mais um exemplo do literato autodidata que leu mais do que escreveu, criado longe das eiras do academicismo!

          a vida do jovem escritor começa no idílico estado de Illinois, entre nativos-americanos, cachoeiras & montanhas. seu pai foi o médico da vila, & a mãe era professora de piano – os pais são dois dos pilares em que Ernest vai erguer sua obra: é o pai, Clarence, quem ensina ao jovem garoto a pesca, a natação, a caça, nas férias que passavam em família no Lago Wallon, no Michigan. esta formação está bem presente em tudo que escreveu: retratos da natureza, da vida selvagem, uma paixão por aventuras & a busca de uma vida mais simples em partes remotas ou ermas do mundo. o jovem Ernest editou o jornal da sua escola, “O trapézio”, &, depois de terminar o equivalente em terras brasilis ao Ensino Médio, aos 14 já trabalhava pelo jornal The Kansas City Star como repórter honorário. assim como outro ícone estadunidense da literatura, Mark Twain, e talvez um ou dois da brazileña, talvez Lima Barreto ou Dom Machadão, o caso é que Ernest Hemingway também passou pela imprensa enquanto primeira formatação de seu estilo. veio do guia de estilo do Kansas City os principais fundamentos que nortearão sua vida de escritor: “usar frases curtas. usar primeiros parágrafos curtos. usar um idioma vigoroso. seja positivo, & não negativo”

          talvez seria esta a vida que Ernest levaria até o fim de seus dias, pescar no Waloon e escrever para o jornal, não tivesse o mundo enlouquecido de vez em 1914 & rebentado a Primeira Guerra Mundial. o jovem Ernest tenta se alistar pelo exército de seu país para lutar, mas é preterido por causa de sua miopia – fraca, mas ainda miopia. bate então à porta da Cruz Vermelha, que não se faz de rogada em enviar o jovem Ernest para a Europa, para lutar na guerra como motorista de ambulância.

          Ernest Hemingway fez a guerra por alguns meses, até que foi ferido por estilhaços na perna, e enviado de volta para casa. essa primeira experiência nas Zooropas vira livro, um romance de fôlego que estréia somente em 1929, “Adeus às armas” (seu terceiro romance). porque mesmo de volta pra casa, o jovem já não é mais tão inocente depois das demandas de uma guera. em 1919 escreve o conto “O rio gigante de dois corações”, onde surge pela primeira vez seu outro eu nas histórias curtas, Nick Adams. vive por algum tempo no Canadá, onde escreve o cotidiano para o The Toronto Star Weekly, primeiro como freelancer & depois como parte do time. em 1921, casa-se pela primeira vez & vai morar em Paris, como correspondente do Toronto Star e até mesmo com textos publicados pelo Morning Post de Londres. a França foi indicação de seu amigo em Chicago, o editor & escritor Sherwood Anderson, que afirmava que depois do conflito mundial, as taxas de câmbios fizeram de Paris um lugar nada caro de se morar.

          Ernest vai criar a técnica do iceberg (uma história é tudo aquilo que está para baixo da água: o que o escritor coloca em palavras, a parte acima da água); para Hemingway trabalhar, aprimora em seu período às margens da rive gauche do rio Sena suas ferramentas básicas: um lugar limpo & bem iluminado. vivendo Paris até 1928, este é considerado o período mais frutífero do escritor. nesses tempos, aproxima-se de Gertrude Stein, Ezra Pound, Sylvia Beach. Gertrude e Ezra ainda começavam suas carreiras, mas Sylvia já tinha uma livraria em Paris, que cobrava preços irrisórios por algumas diárias de aluguel de uma obra (((uma livro-loucadora!!!))): a livraria Shakespeare & Company, acho que você deve tê-la visto no filme de Richard Linklater, “Antes do pôr-do-sol” (2003) (se não viu, mas me lê, corre lá porque ainda dá tempo!!). essa livraria era ponto de encontro de pintores & poetas, modernistas ou dadaístas, da boemia em geral, no que ficou conhecido como “Geração perdida” – a geração que lutou a primeira grande guerra & viveu para contar os loucos anos 20 até a Grande Depressão.

          é em Paris que Ernest consegue se organizar para organizar seu primeiro livro: “Três estórias e dez poemas” (1923), trazia além dos dez poemas (que hoje ninguém mais se lembra), os contos “Lá em Michigan”, “Meu velho” e “Fora de temporada”, em 300 cópias. no ano seguinte, publica “In our time”, com 14 contos (e duas das mais famosas aventuras de Nick Adams, “Acampamento índio”, trabalho inédito, e “O rio gigante de dois corações”, pela primeira vez em livro, em 170 cópias). em 1926, alça vôos maiores com romances, lançando no começo do ano “As correntes da primavera” (uma sátira ao universo literato, escrito em dez dias) & depois, em Outubro, “O sol também se levanta”, romance com tiragem de 5090 cópias para sua primeira edição, o primeiro pela editora dos filhos de Charles Scribner, de Nóva Úorque. o livro acompanha um bando de expatriados em tournée pela Espanha, para pescar, beberem vinho, acompanhar as touradas – um guia para quem pretende seguir caminhos peregrinos, o que fazer para se ficar vivo: planos são importantes! Foi com “O sol também se levanta” que transformou o autor conhecido do dia para a noite, já que dois meses depois veio a segunda tiragem (7000 cópias), e a cada ano, até 1983, tiragens em seqüência, tornando esta a obra mais traduzida & comentada do autor. publica em 1927 mais um livro de estórias curtas, “Men without women” com 14 contos (10 dos quais publicados anteriormente, em outros veículos). foi o primeiro livro de Ernest Hemingway a ter uma tiragem de 7600 cópias para sua primeira edição.

          o conto que trago para apresentar uma versão em português está nesse livro, que também contém outras pérolas como “Colinas iguais elefantes brancos” & “Em outro país”. aqui no Brëzyl, os quase 70 contos curtos foram permeados em edições trincadas, inicialmente pela editora Civilização Brasileira (Rio de Janeiro), e os romances pela Companhia Editora Nacional (São Paulo), em traduções de Monteiro Lobato, Antonio Veiga Fialho e Ênio Silveira.

          tinha preparado uma primeira versão dele para uma aula de teoria da narrativa com o saudoso Luis Gonzaga Marchezan, @FCLar/UNESP, idos de 2005. atualizei o texto para os dias de hoje, Brëzyl, um país de ninguém, e ficou beeeem mais fluído do que na minha primeira tentativa. me considero mais ousado nos dias de hoje, por exemplo, ao comentar uma das polêmicas do texto: trazer uma tradução do nome da cidade. porque uma das regras que preza o manual é que nomes não se traduzem – nem de pessoas, nem de lugares. mas tivesse deixado no original, “Summit”, essa palavra parece com simplesmente nenhuma outra do idioma português. arrisquei um “Do Alto” na vez & a hora que chegou a menção à cidade, porque “Do Alto” é o nome dumas quarenta e& quinze localidades neste nosso Brëzyl grande, rico, insano por aqui adentro.

“The killers”, de Ernest Hemingway. in: “Men without women”. Editora Scribner´s & Sons, 1927, New York, EUA.

          The door of Henry’s lunchroom opened and two men came in. They sat down at the counter.
          “What’s yours?” George asked them.
          “I don’t know,” one of the men said. “What do you want to eat, Al?”
          “I don’t know,” said Al. “I don’t know what I want to eat.”
Outside it was getting dark. The streetlight came on outside the window. The two men at the counter read the menu. From the other end of the counter Nick Adams watched them. He had been talking to George when they came in.
          “I’ll have a roast pork tenderloin with apple sauce and mashed potatoes,” the first man said.
          “It isn’t ready yet.”
          “What the hell do you put it on the card for?”
          “That’s the dinner,” George explained. “You can get that at six o’clock.”
George looked at the clock on the wall behind the counter.
          “It’s five o’clock.”
          “The clock says twenty minutes past five,” the second man said.
          “It’s twenty minutes fast.”
          “Oh, to hell with the clock,” the first man said. “What have you got to eat?”
          “I can give you any kind of sandwiches,” George said. “You can have ham and eggs, bacon and eggs, liver and bacon, or a steak.”
          “Give me chicken croquettes with green peas and cream sauce and mashed potatoes.”
          “That’s the dinner.”
          “Everything we want’s the dinner, eh? That’s the way you work it.”
          “I can give you ham and eggs, bacon and eggs, liver—”
          “I’ll take ham and eggs,” the man called Al said. He wore a derby hat and a black overcoat buttoned across the chest. His face was small and white and he had tight lips. He wore a silk muffler and gloves.
          “Give me bacon and eggs,” said the other man. He was about the same size as Al. Their faces were different, but they were dressed like twins. Both wore overcoats too tight for them. They sat leaning forward, their elbows on the counter.
          “Got anything to drink?” Al asked.
          “Silver beer, bevo, ginger-ale,” George said.
          “I mean you got anything to drink?”
          “Just those I said.”
          “This is a hot town,” said the other. “What do they call it?”
          “Summit.”
          “Ever hear of it?” Al asked his friend.
          “No,” said the friend.
          “What do they do here nights?” Al asked.
          “They eat the dinner,” his friend said. “They all come here and eat the big dinner.”
          “That’s right,” George said.
          “So you think that’s right?” Al asked George.
          “Sure.”
          “You’re a pretty bright boy, aren’t you?”
          “Sure,” said George.
          “Well, you’re not,” said the other little man. “Is he, Al?”
          “He’s dumb,” said Al. He turned to Nick. “What’s your name?”
          “Adams.”
          “Another bright boy,” Al said. “Ain’t he a bright boy, Max?”
          “The town’s full of bright boys,” Max said.
          George put the two platters, one of ham and eggs, the other of bacon and eggs, on the counter. He set down two side dishes of fried potatoes and closed the wicket into the kitchen.
          “Which is yours?” he asked Al.
          “Don’t you remember?”
          “Ham and eggs.”
          “Just a bright boy,” Max said. He leaned forward and took the ham and eggs. Both men ate with their gloves on. George watched them eat.
          “What are you looking at?” Max looked at George.
          “Nothing.”
          “The hell you were. You were looking at me.”
          “Maybe the boy meant it for a joke, Max,” Al said.
          George laughed.
          “You don’t have to laugh,” Max said to him. “You don’t have to laugh at all, see?’
          “All right,” said George.
          “So he thinks it’s all right.” Max turned to Al. “He thinks it’s all right. That’s a good one.”
          “Oh, he’s a thinker,” Al said. They went on eating.
          “What’s the bright boy’s name down the counter?” Al asked Max.
          “Hey, bright boy,” Max said to Nick. “You go around on the other side of the counter with your boy friend.”
          “What’s the idea?” Nick asked.
          “There isn’t any idea.”
          “You better go around, bright boy,” Al said. Nick went around behind the counter.
          “What’s the idea?” George asked.
          “None of your damned business,” Al said. “Who’s out in the kitchen?”
          “The nigger.”
          “What do you mean the nigger?”
          “The nigger that cooks.”
          “Tell him to come in.”
          “What’s the idea?”
          “Tell him to come in.”
          “Where do you think you are?”
          “We know damn well where we are,” the man called Max said. “Do we look silly?”
          “You talk silly,” Al said to him. “What the hell do you argue with this kid for? Listen,” he said to George, “tell the nigger to come out here.”
          “What are you going to do to him?”
          “Nothing. Use your head, bright boy. What would we do to a nigger?”
          George opened the slit that opened back into the kitchen. “Sam,” he called. “Come in here a minute.”
          The door to the kitchen opened and the nigger came in. “What was it?” he asked. The two men at the counter took a look at him.
          “All right, nigger. You stand right there,” Al said.
          Sam, the nigger, standing in his apron, looked at the two men sitting at the counter. “Yes, sir,” he said. Al got down from his stool.
          “I’m going back to the kitchen with the nigger and bright boy,” he said. “Go on back to the kitchen, nigger. You go with him, bright boy.” The little man walked after Nick and Sam, the cook, back into the kitchen. The door shut after them. The man called Max sat at the counter opposite George. He didn’t look at George but looked in the mirror that ran along back of the counter. Henry’s had been made over from a saloon into a lunch counter.
          “Well, bright boy,” Max said, looking into the mirror, “why don’t you say something?”
          “What’s it all about?”
          “Hey, Al,” Max called, “bright boy wants to know what it’s all about.”
Why don’t you tell him?” Al’s voice came from the kitchen.
What do you think it’s all about?”
I don’t know.”
What do you think?”
Max looked into the mirror all the time he was talking.
I wouldn’t say.”
          “Hey, Al, bright boy says he wouldn’t say what he thinks it’s all about.”
I can hear you, all right,” Al said from the kitchen. He had propped open the slit that dishes passed through into the kitchen with a catsup bottle. “Listen, bright boy,” he said from the kitchen to George. “Stand a little further along the bar. You move a little to the left, Max.” He was like a photographer arranging for a group picture.
          “Talk to me, bright boy,” Max said. “What do you think’s going to happen?”
George did not say anything.
          “I’ll tell you,” Max said. “We’re going to kill a Swede. Do you know a big Swede named Ole Anderson?”
          “Yes.”
          “He comes here to eat every night, don’t he?”
          “Sometimes he comes here.”
          “He comes here at six o’clock, don’t he?”
          “If he comes.”
          “We know all that, bright boy,” Max said. “Talk about something else. Ever go to the movies?”
          “Once in a while.”
          “You ought to go to the movies more. The movies are fine for a bright boy like you.”
          “What are you going to kill Ole Anderson for? What did he ever do to you?”
          “He never had a chance to do anything to us. He never even seen us.”
          And he’s only going to see us once,” Al said from the kitchen:
          “What are you going to kill him for, then?” George asked.
          “We’re killing him for a friend. Just to oblige a friend, bright boy.”
          “Shut up,” said Al from the kitchen. “You talk too goddamn much.”
          “Well, I got to keep bright boy amused. Don’t I, bright boy?”
          “You talk too damn much,” Al said. “The nigger and my bright boy are amused by themselves. I got them tied up like a couple of girl friends in the convent.”
          “I suppose you were in a convent.”
          “You never know.”
          “You were in a kosher convent. That’s where you were.”
          George looked up at the clock.
          “If anybody comes in you tell them the cook is off, and if they keep after it, you tell them you’ll go back and cook yourself. Do you get that, bright boy?”
          “All right,” George said. “What you going to do with us afterward?”
          “That’ll depend,” Max said. “That’s one of those things you never know at the time.”
          George looked up at the dock. It was a quarter past six. The door from the street opened. A streetcar motorman came in.
          “Hello, George,” he said. “Can I get supper?”
          “Sam’s gone out,” George said. “He’ll be back in about half an hour.”
          “I’d better go up the street,” the motorman said. George looked at the clock. It was twenty minutes, past six.
          “That was nice, bright boy,” Max said. “You’re a regular little gentleman.”
          “He knew I’d blow his head off,” Al said from the kitchen.
          “No,” said Max. “It ain’t that. Bright boy is nice. He’s a nice boy. I like him.”
          At six-fifty-five George said: “He’s not coming.”
          Two other people had been in the lunchroom. Once George had gone out to the kitchen and made a ham-and-egg sandwich “to go” that a man wanted to take with him. Inside the kitchen he saw Al, his derby hat tipped back, sitting on a stool beside the wicket with the muzzle of a sawed-off shotgun resting on the ledge. Nick and the cook were back to back in the corner, a towel tied in each of their mouths. George had cooked the sandwich, wrapped it up in oiled paper, put it in a bag, brought it in, and the man had paid for it and gone out.
          “Bright boy can do everything,” Max said. “He can cook and everything. You’d make some girl a nice wife, bright boy.”
          “Yes?” George said, “Your friend, Ole Anderson, isn’t going to come.”
          “We’ll give him ten minutes,” Max said.
Max watched the mirror and the clock. The hands of the clock marked seven o’clock, and then five minutes past seven.
          “Come on, Al,” said Max. “We better go. He’s not coming.”
          “Better give him five minutes,” Al said from the kitchen.
In the five minutes a man came in, and George explained that the cook was sick.
Why the hell don’t you get another cook?” the man asked. “Aren’t you running a lunch-counter?” He went out.
          “Come on, Al,” Max said.
          “What about the two bright boys and the nigger?”
          “They’re all right.”
          “You think so?”
          “Sure. We’re through with it.”
          “I don’t like it,” said Al. “It’s sloppy. You talk too much.”
          “Oh, what the hell,” said Max. “We got to keep amused, haven’t we?”
          “You talk too much, all the same,” Al said. He came out from the kitchen. The cut-off barrels of the shotgun made a slight bulge under the waist of his too tight-fitting overcoat. He straightened his coat with his gloved hands.
          “So long, bright boy,” he said to George. “You got a lot of luck.”
          “That’s the truth,” Max said. “You ought to play the races, bright boy.”
The two of them went out the door. George watched them, through the window, pass under the arc-light and across the street. In their tight overcoats and derby hats they looked like a vaudeville team. George went back through the swinging door into the kitchen and untied Nick and the cook.
          “I don’t want any more of that,” said Sam, the cook. “I don’t want any more of that.”
          Nick stood up. He had never had a towel in his mouth before.
          “Say,” he said. “What the hell?” He was trying to swagger it off.
          “They were going to kill Ole Anderson,” George said. “They were going to shoot him when he came in to eat.”
          “Ole Anderson?”
          “Sure.”
          The cook felt the corners of his mouth with his thumbs.
          “They all gone?” he asked.
          “Yeah,” said George. “They’re gone now.”
          “I don’t like it,” said the cook. “I don’t like any of it at all”
          “Listen,” George said to Nick. “You better go see Ole Anderson.”
          “All right.”
          “You better not have anything to do with it at all,” Sam, the cook, said. “You better stay way out of it.”
          “Don’t go if you don’t want to,” George said.
          “Mixing up in this ain’t going to get you anywhere,” the cook said. “You stay out of it.”
          “I’ll go see him,” Nick said to George. “Where does he live?”
          The cook turned away.
          “Little boys always know what they want to do,” he said.
          “He lives up at Hirsch’s rooming-house,” George said to Nick.
          “I’ll go up there.”
          Outside the arc-light shone through the bare branches of a tree. Nick walked up the street beside the car-tracks and turned at the next arc-light down a side-street. Three houses up the street was Hirsch’s rooming-house. Nick walked up the two steps and pushed the bell. A woman came to the door.
          “Is Ole Anderson here?”
          “Do you want to see him?”
          “Yes, if he’s in.”
          Nick followed the woman up a flight of stairs and back to the end of a corridor. She knocked on the door.
          “Who is it?”
          “It’s somebody to see you, Mr. Anderson,” the woman said.
          “It’s Nick Adams.”
          “Come in.”
          Nick opened the door and went into the room. Ole Anderson was lying on the bed with all his clothes on. He had been a heavyweight prizefighter and he was too long for the bed. He lay with his head on two pillows. He did not look at Nick.
          “What was it?” he asked.
          “I was up at Henry’s,” Nick said, “and two fellows came in and tied up me and the cook, and they said they were going to kill you.”
It sounded silly when he said it. Ole Anderson said nothing.
          “They put us out in the kitchen,” Nick went on. “They were going to shoot you when you came in to supper.”
          Ole Anderson looked at the wall and did not say anything.
          “George thought I better come and tell you about it.”There isn’t anything I can do about it,” Ole Anderson said.
          “I’ll tell you what they were like.”
          “I don’t want to know what they were like,” Ole Anderson said. He looked at the wall. “Thanks for coming to tell me about it.”
          “That’s all right.”
          Nick looked at the big man lying on the bed.
          “Don’t you want me to go and see the police?”
          “No,” Ole Anderson said. “That wouldn’t do any good.”
          “Isn’t there something I could do?”
          “No. There ain’t anything to do.”
          “Maybe it was just a bluff.”
          “No. It ain’t just a bluff.”
          Ole Anderson rolled over toward the wall.
          “The only thing is,” he said, talking toward the wall, “I just can’t make up my mind to go out. I been here all day.”
          “Couldn’t you get out of town?”
          “No,” Ole Anderson said. “I’m through with all that running around.”
He looked at the wall.
          “There ain’t anything to do now.”
          “Couldn’t you fix it up some way?”
          “No. I got in wrong.” He talked in the same flat voice. “There ain’t anything to do. After a while I’ll make up my mind to go out.”
          “I better go back and see George,” Nick said.
          “So long,” said Ole Anderson. He did not look toward Nick. “Thanks for coming around.”
          Nick went out. As he shut the door he saw Ole Anderson with all his clothes on, lying on the bed looking at the wall.
          “He’s been in his room all day,” the landlady said downstairs. “I guess he don’t feel well. I said to him: ‘Mr. Anderson, you ought to go out and take a walk on a nice fall day like this,’ but he didn’t feel like it.”
          “He doesn’t want to go out.”
          “I’m sorry he don’t feel well,” the woman said. “He’s an awfully nice man. He was in the ring, you know.”
          “I know it.”
          “You’d never know it except from the way his face is,” the woman said.
They stood talking just inside the street door. “He’s just as gentle.”
          “Well, good night, Mrs. Hirsch,’ Nick said.
          “I’m not Mrs. Hirsch,” the woman said. “She owns the place. I just look after it for her. I’m Mrs. Bell.”
          “Well, good night, Mrs. Bell,” Nick said.
          “Good night,” the woman said.
          Nick walked up the dark street to the corner under the arc-light, and then along the car-tracks to Henry’s eating-house. George was inside, back of the counter.
          “Did you see Ole?”
          “Yes,” said Nick. “He’s in his room and he won’t go out.”
          The cook opened the door from the kitchen when he heard Nick’s voice.
          “I don’t even listen to it,” he said and shut the door.
          “Did you tell him about it?” George asked.
          “Sure. I told him but he knows what it’s all about.”
          “What’s he going to do?”
          “Nothing.”
          “They’ll kill him.”
          “I guess they will.”
          “He must have got mixed up in something in Chicago.”
          “I guess so,” said Nick.
          “It’s a hell of a thing!”
          “It’s an awful thing,” Nick said.
          They did not say anything. George reached down for a towel and wiped the counter.
          “I wonder what he did?” Nick said.
          “Double-crossed somebody. That’s what they kill them for.”
          “I’m going to get out of this town,” Nick said.
          “Yes,” said George. “That’s a good thing to do.”
          “I can’t stand to think about him waiting in the room and knowing he’s going to get it. It’s too damned awful.”
          “Well,” said George, “you better not think about it.”

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“Os assassinos”, de Ernest Hemingway. tradução de r.l.almeida.

          A porta do restaurante do Henry abriu e dois homens entraram. Sentaram-se ao balcão.
          “O que vai ser?” George perguntou-lhes.
          “Eu não sei”, um dos homens disse. “O que você quer comer, Al?”
          “Não sei”, disse Al. “Ainda não sei o que quero comer.”
          Escurecia lá fora. Adentravam as luzes dos postes pela janela. Os dois homens no balcão liam o cardápio. Na outra parte do balcão Nick Adams só observava. Ele e George conversavam, quando os dois entraram.
          “Vou comer o porco grelhado no molho de maçãs e purê de batatas,” disse o primeiro homem.
          “Não está pronto ainda.”
          “Por que diabos você coloca isto no cardápio, então?”
          “Isso é para a janta,”, George explicou. “Você pode comer isso às seis horas.”
          George olhou para o relógio na parede atrás do balcão.
          “São cinco horas.”
          “O relógio diz cinco horas e vinte minutos,” disse o segundo homem.
          “Quase vinte minutos.”
          “Ora, para os diabos com o relógio”, o primeiro homem disse. “O que
você tem aqui para mastigar?”
          “Eu posso fazer qualquer tipo de sanduíches,” George disse. “Vocês podem comer presunto e ovos, bacon e ovos, fígado e bacon, ou um bife.”
          “Quero croquetes de frango com ervilhas verdes e creme apimentado, e purê de batatas.”
          “Isto é para a janta.”
          “Tudo o que nós queremos é para jantar, certo? É assim que vocês trabalham aqui.”
          “Eu posso oferecer a vocês presunto e ovos, bacon e ovos, fígado – “
          “Escolho presunto e ovos,” disse o homem de nome Al. Vestia um chapéu escuro e uma casaca negra com botões, cruzando o peito. Sua face era pequena e branca, seus lábios finos. Usava cachecol de seda e luvas.
          “Dê-me bacon e ovos,” disse o outro homem. Ele era quase do mesmo tamanho de Al. Rostos bem diferenciados, mas vestidos quase idênticos. Os dois com sobrecasacas muito pequenas para cada um. Sentavam-se inclinados para a frente, com os cotovelos no balcão.
          “Tem alguma coisa para beber?” Al perguntou.
          “Cerveja clara, refris, pinga de gengibre,” disse George.
          “Eu perguntei se você tem alguma coisa para beber?”
          “Apenas estes que eu disse.”
          “Esta é uma cidade quente,” disse o outro. “Como eles chamam aqui?”
          “Do Alto.”
          “Já ouviu dizer daqui?” Al pergunta ao amigo.
          “Não,” responde o amigo.
          “Sabe o que eles fazem nas noites?” Al perguntou.
          “Eles comem a janta,” seu amigo disse. “Todos vêm aqui e manjam uma grande janta.”
          “Só é,” disse George.
          “Então você acha que é isso mesmo?” Al pergunta a George.
          “Com certeza.”
          “Você é bem espertinho, não é verdade?”
          “Com certeza,” disse George.
          “Bem, você não é,” disse o outro pequeno homem. “Ele é, Al?”
          “Ele é estúpido,” disse Al. Ele se volta para Nick. “Qual é teu nome?”
          “Adams.”
          “Outro menino de ouro,” disse Al. “Ele não é uma gracinha, Max?”
          “A cidade é cheia de espertinhos,” Max disse.
          George pousa as duas bandejas, uma de presunto e ovos, a outra com bacon e ovos, sobre o balcão. Ele sentou dois pratos de fritas e fechou a portinhola da cozinha.
          “Qual é o teu?” pergunta a Al.
          “Não se lembra?”
          “Presunto e ovos.”
          “Só mais um menino de ouro,” disse Max. Inclinando-se para a frente pega o presunto e ovos. Os dois homens comeram vestindo as luvas. George observava-os a comer.
          “O que é que está olhando?” Max olhava George.
          “Nada.”
          “O inferno que era. Você estava olhando para mim.”
          “Talvez o rapaz tenha feito uma brincadeira, Max,” Al disse.
          George riu.
          “Você não tem que rir,” Max lhe disse. “Você não tem que rir disso, entende?”
          “Tudo bem,” disse George.
          “E agora ele pensa que está tudo bem.” Max se volta para Al. “Ele pensa que está tudo bem. Essa é muito boa.”
          “Ora, mas é um pensador,” Al disse. Eles continuaram comendo.
          “Qual o nome do menino de ouro do outro lado do balcão?” Al perguntou a Max.
          “Ei, meninão,” Max disse a Nick. “Você vai para o outro lado do balcão com o seu amiguinho.”
          “Qual é a idéia?” Nick perguntou.
          “Não existe nenhuma.”
          “É melhor você ir para o outro lado, menino de ouro,” Al disse. Nick foi para trás do balcão.
          “Qual é a idéia?” George perguntou.
          “Não interessa aos teus negócios,” Al disse. “Quem está lá atrás, na cozinha?”
          “O negrão.”
          “Como assim, o negrão?”
          “O negrão cozinheiro.”
          “Mande-o vir para cá.”
          “Qual é a idéia?”
          “Mande-o vir para cá.”
          “Aonde vocês acham que estão?”
          “Nós sabemos muito bem aonde estamos,” disse o homem de nome Max. “Nós parecemos loucos?”
          “Você que fala engraçado,” Al disse. “Pra que diabos você conversa com esses moleques? Ouça,” ele disse para George, “diga ao negrão para vir aqui fora.”
          “O que você vai fazer com ele?”
          “Nada. Use sua cabeça, menino de ouro. O que faríamos com um negrão?”
          George abriu a portinhola de acesso à cozinha. “Sam,” ele chamou. “Venha até aqui rápido.”
          A porta da cozinha abriu e o negrão entrou. “O que foi?” ele perguntou. Os dois homens no balcão deram uma olhada nele.
          “Pois bem, negrão. Você fica bem aí,” Al disse.
          Sam, o negrão, parado em avental, olha para os dois homens sentados ao balcão. “Pois não, senhor,” ele disse. Al desce da cadeira.
          “Vou voltar para a cozinha com o negrão e o menino de ouro aqui,” ele disse. “De volta pra cozinha, negrão. Você vai com ele, menino de ouro.” O pequeno homem andou atrás de Nick e Sam, o cozinheiro, de volta para a cozinha. Fecha a porta depois que somem. O homem de nome Max sentou-se do lado oposto a George no balcão. Não mirava George, mas o espelho que corria ao longo do balcão. Henry tinha adaptado seu bar antigo para o atual restaurante.
          “Pois bem, menino de ouro,” Max disse, através do espelho, “por que não diz algo?”
          “O que está acontecendo aqui?”
          “Ei, Al,” Max chamou-o, “o menino de ouro quer saber o que está acontecendo aqui.”
          “Por que não conta pra ele?” vinha da cozinha a voz de Al.
          “Sobre o que você acha que é tudo isso?”
          “Eu não sei.”
          “O que você acha?”
          Max olhava através do espelho o tempo todo em que conversava.
          “Eu nem imagino.”
          “Ei, Al, o espertinho disse que nem imagina o que está acontecendo aqui.”
          “Dá para ouvir vocês daqui, entendi,” diz lá de dentro o tal do Al. Ele manteve aberta a portinhola pela qual os pratos chegam da cozinha com uma garrafa de catchup. “Olha aqui, menino de ouro,” ele disse da cozinha para George. “Fique um pouco mais para o meio do bar. E você um pouco mais para a esquerda, Max.” Ele era como um fotógrafo preparando uma foto de grupo.
          “Fale comigo, espertinho,” Max disse. “O que acha que vai acontecer?”
          George não disse nada.
          “Eu te conto,” Max disse. “Viemos assassinar um sueco. Você conhece um sueco grandalhão, de nome Ole Anderson?”
          “Sim.”
          “Todas as noites ele vem aqui para a janta, não vem?”
          “Quando vem.”
          “Nós sabemos de tudo isso, espertinho,” Max disse. “Diga-me sobre outra coisa qualquer. Costuma ir ao cinema?”
          “De vez em quando.”
          “Você deveria ir mais ao cinema. O cinema é bom para um menino de ouro como você.”
          “Por que vão matar Ole Anderson? O que ele já fez contra vocês?”
          “Ele nunca nem teve a chance de fazer nada contra nós. Ele que nunca nem nos viu.”
          “E só vai ver uma única vez,” Al disse da cozinha.
          “Por que matar, então?” George perguntou.
          “Nós vamos assassiná-lo para um amigo. Apenas para agradar a um amigo, menino de ouro.”
          “Cala a boca,” diz da cozinha o tal do Al. “Você fala demais.”
          “Bem, eu preciso manter o menino de ouro aqui interessado. Não preciso, espertinho?”
          “Você fala por demais,” Al disse. “O negrão e o meu espertinho aqui estão interessados por eles mesmos. Tenho os dois amarrados igual duas amiguinhas do convento.”
          “Falou o cara do convento.”
          “Nunca se sabe.”
          “Você fez convento kosher. É num desses que você esteve.”
          George olha para o relógio.
          “Se alguém entrar você diz que o cozinheiro está de folga, e se eles continuarem depois disso, você diz que vai lá atrás e cozinhar você mesmo. Entendeu até aqui, espertinho?”
          “Tudo bem,” George disse. “O que vão fazer conosco depois de acabar?”
          “Isso vai depender,” Max disse. “É uma daquelas coisas que só se sabe na hora.”
          George olha para o relógio. Eram seis e quinze. A porta da rua abriu. Um taxista entrou.
          “Olá, George,” ele disse. “Já está pronto o jantar?”
          “Sam sumiu,” George disse. “Deve voltar daqui a uma meia hora.”
          “É melhor pegar a pista,” o motorista disse. George olhou para o relógio. Já eram vinte minutos depois das seis.
          “Isso foi bonito, menino de ouro,” Max disse. “Você é o perfeito cavalheiro do dia a dia.”
          “Ele sabia que eu ia explodir sua cabeça,” disse o tal do Al, lá da cozinha.
          “Não,” disse Max. “Não foi assim. O menino de ouro é educado. É um rapaz educado. Gosto dele.”
          Às seis e cinqüenta e cinco George disse: “Ele não vem.”
          Outras duas pessoas estiveram na lanchonete. E uma vez só George teve de entrar na cozinha e preparar um sanduíche com presunto-e-ovos “para viagem” que um homem queria levar consigo. Dentro da cozinha, viu Al, seu chapéu escuro levantado, sentado numa cadeira ao lado da janelinha com a boca de uma espingarda de cano serrado à espera, ao seu lado. Nick e o cozinheiro estavam de costas um para o outro no canto, uma toalha amarrando cada boca. George cozinha o sanduíche, embrulha num papel oleoso, para viagem numa sacola, trouxe para a frente, e o homem pagou pelo lanche e foi embora.
          “O menino de ouro faz mesmo de tudo,” disse Max. “Sabe cozinhar e tudo o mais. Você faria qualquer garotinha se sentir uma boa esposa, meninão.”
          “Acha mesmo?” George disse. “Seu amigo, Ole Anderson, não parece que vai vir, não.”
          “Daremos dez minutos a ele,” disse Max.
          Max olhava o espelho e o relógio. Os ponteiros do relógio marcaram sete horas, e depois, mais cinco minutos.
          “Vamos embora, Al,” disse Max. “Melhor nós irmos. Ele não vem.”
          “Melhor lhe darmos cinco minutos,” disse o tal do Al, da cozinha.
          Nestes cinco minutos um homem entrou, e George explicou que o cozinheiro estava doente.
          “E você não tem um cozinheiro reserva?” o homem perguntou. “Como você gerencia esta lanchonete?” Ele saiu.
          “Vamos embora, Al”, disse Max.
          “E os dois espertinhos e o negrão?”
          “Eles estão bem.”
          “Você acha mesmo?”
          “Claro. Nós já passamos por isso.”
          “Eu não gosto disso,” disse Al. “É bobeiragem. Você fala demais.”
          “Ora, mas que diabos,” disse Max. “Nós temos que deixá-los interessados, não temos?”
          “Você fala demais, sempre assim,” Al disse. Ele voltou da cozinha. Os canos serrados da espingarda fazia uma pequena saliência sobre o peito de sua apertada sobrecasaca. Ele ajustou a casaca com as mãos que ainda vestiam luvas.
          “Até mais, menino de ouro,” ele disse a George. “Você tem muita sorte.”
          “Isso é uma verdade,” disse Max. “Você deveria tentar apostar nos cavalos, meninão.”
          Os dois saíram porta afora. George observava-os, através do espelho, passando o arco de luz cruzando a rua. Com suas casacas apertadas e chapéus escuros os dois pareciam uma trupe de atores itinerantes. George foi para trás, atravessando a portinhola sanfonada, dentro da cozinha desamarrou Nick e o cozinheiro.
          “Nunca mais quero isso,” disse Sam, o cozinheiro. “Eu não quero nunca mais nada disso.”
          Nick ficou de pé. Ele nunca tinha tido uma toalha dentro da boca, antes desta vez.
          “Diga,” disse ele. “Mas com que diabos?” Ele estava tentando entender a situação.
          “Vieram aqui para matar Ole Anderson,” George disse. “Iam atirar nele assim que viesse comer.”
          “Ole Anderson?”
          “Com certeza.”
          O cozinheiro sentia os cantos de sua boca com seus dedos.
          “Eles foram embora mesmo?” ele perguntou.
          “Sim,” disse George. “Foram embora agora.”
          “Eu não gosto disso,” disse o cozinheiro. “Eu não gosto de nada disso mesmo.”
          “Olha,” George disse a Nick. “É melhor irmos ver Ole Anderson.”
          “Tudo bem.”
          “É melhor vocês não terem nada que ver com isso,” Sam, o cozinheiro, disse. “É melhor ficarem bem longe disso.”
          “Não vá se você não quiser,” George disse.
          “Se envolver nisso não vai levar vocês a lugar nenhum,” o cozinheiro disse.           “Fiquem fora disso.”
          “Eu irei vê-lo,” Nick disse a George. “Aonde ele mora?”
          O cozinheiro se virou.
          “Rapazinhos sempre sabem o que querem fazer,” ele disse.
          “Ele mora na sobre-loja do Hirsch,” George disse a Nick.
          “Vou até lá.”
          Fora, o arco de luz brilhava através dos galhos nus de uma árvore. Nick andou rua acima, seguia os trilhos quando virou a rua lateral no arco de luz seguinte. Três casas acima, naquela rua, ficava a sobre-loja do Hirsch. Nick subiu dois andares e tocou a campainha. Uma mulher veio à porta.
          “Ole Anderson está?”
          “Você quer vê-lo?”
          “Sim, se ele estiver.”
          Nick seguiu a mulher em mais um lance de escadas e até o final do corredor. Ela bateu na porta.
          “Quem bate?”
          “É alguém que veio vê-lo, Sr. Anderson,” disse a mulher.
          “Eu sou Nick Adams”
          “Entre.”
          Nick abriu a porta e adentrou a sala. Ole Andreson estava deitado na cama, completamente vestido. Ele já tinha sido premiado lutador peso-pesado e estava há muito na cama. Pousava a cabeça em dois travesseiros. Ele não olhou para Nick.
          “O que foi?” ele perguntou.
          “Eu estava no Henry,” Nick disse, “ e dois companheiros entraram e me amarraram e ao cozinheiro, dizendo que tinham vindo para assassiná-lo.
Soou como uma brincadeira quando ele disse. Ole Anderson nada disse.
          “Eles nos colocaram na cozinha,” Nick continuou. “Eles iam atirar em você assim que entrasse para comer.”
          Ole Anderson olhava a parede, nada disse.
          “George achou melhor que eu viesse, e lhe contasse o que aconteceu.”
          “Não há nada que eu possa fazer sobre o que aconteceu,” Ole Anderson disse.
          “Posso lhe dizer como eles eram.”
          “Eu não quero saber como eles eram,” disse Ole Anderson. Ele olhava a parede. “Obrigado por vir me contar.”
          “Não tem de quê.”
          Nick olhou para o homenzarrão deitado na cama.
          “Não quer que eu vá e chame a polícia?”
          “Não,” Ole Anderson disse. “Isso não faria nada de bom.”
          “Não há algo que eu possa fazer?”
          “Não. Não há nada a fazer.”
          “Talvez fosse só um blefe.”
          “Não. Não foi só um blefe.”
          Ole Anderson rolou-se para perto da parede.
          “A única coisa é que,” ele disse, falava enquanto se aproximava da parede, “eu só não consigo me convencer a sair. Estive aqui dentro o dia todo.”
          “Você não poderia sair da cidade?”
          “Não,” Ole Andreson disse. “Eu estou cheio dessa correria toda por aí.”
Ele olhava a parede. “Não há mais nada a fazer, agora.”
          “Você não poderia consertar isso de algum jeito?”
          “Não. Eu venci no erro.” Ele falou com a mesma voz plana. “Não há nada a fazer. Daqui a algum tempo, eu consigo sair.”
          “É melhor eu voltar e ir ver George,” Nick disse.
          “Até mais,” disse Ole Anderson. Ele não olhou para Nick. “Obrigado por ter vindo.”
          Nick saiu. Enquanto fechava a porta, viu uma vez mais Ole Anderson completamente vestido, deitado numa cama olhando para uma parede.
          “Ele esteve aí dentro o dia inteiro,” disse lá embaixo a senhoria. “Acho que não se sentia bem. Disse a ele: ‘Sr. Anderson, o senhor devia sair, dar uma andada em um dia lindo de Outono igual hoje’, mas ele não ficou com vontade.”
          “Ele não quer sair.”
          “Sinto muito que ele não esteja bem,” a mulher disse. “Ele é um homem terrivelmente bom. Ele esteve nos ringues, você sabe.”
          “Sei, sim.”
          “Você nunca adivinharia, não fosse pelo jeito que o rosto ficou,” a mulher disse. Eles falavam parados na frente da porta da rua. “Ele é tão educado.”
          “Bem, boa noite, Sra. Hirsch,” disse Nick.
          “Eu não sou a Sra. Hirsch,” a mulher disse. “Ela é a dona do lugar. Eu apenas cuido daqui para ela. Eu sou a Sra. Bell.”
          “Bem, boa noite, Sra. Bell,” disse Nick.
          “Boa noite,” a mulher disse.
          Nick andou a rua escura até a esquina embaixo do arco de luz, e então junto dos trilhos até a cantina do Henry. George estava dentro, atrás do balcão.
          “Encontrou Ole?”
          “Sim,” disse Nick. “Ele está em seu apartamento e não vai sair.”
          O cozinheiro abriu a porta da copa quando ouviu a voz de Nick.
          “Eu não estou ouvindo isso,” ele disse e fechou a porta.
          “Contou-lhe o que aconteceu?” George perguntou.
          “Com certeza. Contei, mas ele sabe sobre o que é tudo isso.”
          “O que ele vai fazer?”
          “Nada.”
          “Irão matá-lo.”
          “Eu acho que sim.”
          “Ele deve ter se envolvido em alguma coisa em Chicago.”
          “Também acho,” disse Nick.
          “É uma coisa dos diabos!”
          “É uma coisa terrível,” disse Nick.
          Depois disseram mais nada. George abaixou-se procurando uma toalha e limpou o balcão.
          “Eu me pergunto o que ele fez?” Nick disse.
          “Deu um cruzado duplo em alguém. Por isso que vieram matar.”
          “Eu vou sair dessa cidade,” Nick disse.
          “Sim,” disse George. “Esta é uma coisa esperta de se fazer.”
          “Eu não aguento pensar nele, esperando no quarto e sabendo o que vai acontecer. É muito terrível isso.”
          “Bem,” disse George, “então é melhor parar de pensar nisso.”

 

hemingway-guima

          direto de Do Alto, Illinois, EUA, de volta ao Brëzyl, para oferecer um autor tupiniquim ao mundo que lê, pensa, fuma & come em inglês do tio Sam, o Agente Laranja, inglês assemelhante ao do bardo de Stratford-Lá-Do-Alto-Do-Rio-Avon. o caso de hoje é nascido em Cordisburgo, Minas Gerais, no vigésimo sétimo dia de Junho de 1908: João Guimarães Rosa, humanista, médico, diplomata &, por fim mas desde cedo, escritor – diga-se rapidamente: um dos poucos críveis brasileiros com know-how para o Nobel em Literatura. a minha versão em inglês deve ser a 300ª deste texto; enfim: vamos lá!

          porque Guimarães Rosa escreve como se estivesse dentro de sua pequena cidade natal, falando de igual para igual com todo e qualquer cidadão do mundo. Guimarães Rosa é universal, sendo particular. foi indicado para a Academia Brasileira de Letras em 1963, & postergou sua posse por quase 4 anos, tremetemendo o rótulo de “imortal” – tremeu até três dias depois da posse da cadeira de número dois, quando foi pimba!, no átrio esquerdo do miocárdio!, lá se vai mais um João!

          Guimarães Rosa ainda menino vai com a família para Belo Horizonte, depois para São João Del Rey, mais uma vez de volta à capital mineira: cursa Medicina, na Universidade Federal de Belo Horizonte, aos 16 anos. no mesmo ano em que se forma, 1930, também contrai o primeiro matrimônio, com Ligia Cabral Penna – com quem terá duas filhas. depois de formado, passa algum tempo em Itaguara, depois em Barbacena, e, quando chega a Revolução Constitucionalista de 1932, alista-se primeiro como voluntário à Força Pública e depois presta a prova, sendo admitido como doutor da infantaria do 9o batalhão. Guimarães já tinha visto muito do Sertão. do Cangaço. do Banditismo Por Necessidade. a este tempo de itinerância o escritor recordará como período vital à forma & sentido de sua escrita.

          em 1934, mais um concurso lhe permite adentrar outra carreia, agora a diplomática, onde permanecerá como funcionário público até o fim da vida: em 1938 está assistente do consulado em Hamburgo, na Alemanha, encarregado da seção de vistos em passaportes, da assistência aos concidadãos na terra do Führer, de representar o embaixador & de manter contatos com autoridades ou personalidades em cidades onde não está situada a embaixada, o que fomenta relações cultura-comerciais. para Guimarães Rosa, o trabalho de embaixada é diferente de tudo o que já tinha tentado – é aí que conhece Aracy de Carvalho, funcionária da embaixada que vai entrar para a História como a única mulher (& o segundo cidadão brasileño) a figurar no Jardim dos Justos Entre as Nações, memorial em Israel para lembrar as vítimas judaicas do Holocausto. Casa-se com Aracy em 1940.

aracydecarvalho

          Guima começa escrevendo poesia -anonimamente, codinome “Aviator” -para um concurso da ABL (premiado em 1934!), mas seu único volume de versos só chega ao público postumamente, em 1997, pela Editora Nova Fronteira, na coleção “Magma”. Guima presta um outro concurso, oferecimento da Livraria José Olympio, em 1938, onde propõe “Sagarana” quase como o conhecemos da publicação de 1946 (excluídos três contos, & de novo pelo codinome “Aviator”): escrito dos seus anos loucos do período 1926~1931. a publicação só vem em 1946, depois de várias revisões, & com ela, Guimarães Rosa inicia sua travessia no meio literário. neste primeiro trabalho já se faz notar o regionalismo enquanto experiência universal. entremeado ao trabalho institucional, que lhe põe novamente em contato com as particularidades de cada uma das entranhas do país, continua sua escrita.

          publica em 1956 “Corpo de baile” (7 contos um pouco mais longos, quase novelas), & algumas semanas depois, o inegüalável “Grande Sertão: Veredas”. uma travessia: dois tomos da mesma única & grande história de um Universo (na verdade, em três tomos, porque o “Corpo de bale” já tinha saído em dois livros, na sua primeira edição, quase 400 páginas). o pano de fundo onde acontece a ação, no entanto, é o mesmo etéreo espaço universal, mas “Veredas” é estrelado pelo jagunço Riobaldo, & no outro livro, vários personagens protagonistas em seus afazeres particulares, entrecortados simultaneamente.

          para fechar o caleidoscópio, “Primeiras estórias” (com 21 contos curtos) chega em 1962, & revela-se novamente uma guinada na escrivinhagem de Guima: porque, se no alto de suas mais de 500 páginas “Grande Sertão: Veredas” é um grande parágrafo, sem divisões de capítulos, contado vivido através da fala jagunça & simples de Riobaldo ao seu interlocutor, nunca nominado mas sempre referenciado, as “Primeiras estórias” é um volume denso, pouco mais de 150 folhas, às vezes em um narrador personagem, outras vezes com um narrador em 3a Pessoa: onde a forja de palavras chega ao seu ápice, o que envolve um complicado processo de origens das palavras, nos quase doze idiomas em que era fluente o autor. mais um ápice, lá de Do Alto, também.

          “Grande Sertão: Veredas” é seu máximo, digno a Thomas Mann & “A montanha mágica”, James Joyce & “Ulisses”, Homero & a “Ilíada”, livros em que o significado está sempre em rotação, onde cada experiência de leitura é uma nova experiência porque a experiência de vida está necessariamente ligada à experiência de texto. tijolos essenciais na construção do repertório literário, densos em sua prosa igual a uma boa poesia, que carrega a densidade nas palavras, soltas & vivas. uma prosa ainda, e ainda igual à necessidade do poeta: comunicar; culturalmente; socialmente; visceralmente. belo, belo: belo – – – infinitamente.

“A terceira margem do rio”, de João Guimarães Rosa. in: “Primeiras estórias”. 4a. impressão, Editora Nova Fronteira, RJ, 2005.

          Nosso pai era homem cumpridor, ordeiro, positivo; e sido assim desde mocinho e menino, pelo que testemunharam as diversas sensatas pessoas, quando indaguei a informação. Do que eu mesmo me alembro, ele não figurava mais estúrdio nem mais triste do que os outros, conhecidos nossos. Só quieto. Nossa mãe era quem regia, e que ralhava no diário com a gente —minha irmã, meu irmão e eu. Mas se deu que, certo dia, nosso pai mandou fazer para si uma canoa.
          Era a sério. Encomendou a canoa especial, de pau de vinhático, pequena, mal com a tabuinha da popa, como para caber justo o rem ador. Mas teve de ser toda fabricada, escolhida forte e arqueada em rijo, própria para dever durar na água por uns vinte ou trinta anos. Nossa mãe jurou muito contra a idéia. Seria que, ele, que nessas artes não vadiava, se ia propor agora para pescarias e caçadas? Nosso pai nada não dizia. Nossa casa, no tempo, ainda era mais próxima do rio, obra de nem quarto de légua: o rio por aí se estendendo grande, fundo, calado que sempre. Largo, de não se poder ver a forma da outra beira. E esquecer não posso, do dia em que a canoa ficou pronta.
          Sem alegria nem cuidado, nosso pai encalcou o chapéu e decidiu um adeus para a gente. Nem falou outras palavras, não pegou matula e trouxa, não fez a alguma recomendação. Nossa mãe, a gente achou que ela ia esbravejar, mas persistiu somente alva de pálida, mascou o beiço e bramou: — “Cê vai, ocê fique, você nunca volte!” Nosso pai suspendeu a resposta. Espiou manso para mim, me acenando de vir também, por uns passos. Temi a ira de nossa mãe, mas obedeci, de vez de jeito. O rumo daquilo me animava, chega que um propósito perguntei: — “Pai, o senhor me leva junto, nessa sua canoa?” Ele só retornou o olhar em mim, e me botou a bênção, com gesto me mandando para trás. Fiz que vim, mas ainda virei, na grota do mato, para saber. No sso pai entrou na canoa e desamarrou, pelo remar. E a canoa saiu se indo — a sombra dela por igual, feito um jacaré, comprida longa.
          Nosso pai não voltou. Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais. A estranheza dessa verdade deu para estarrecer de todo a gente. Aquilo que não havia, acontecia. Os parentes, vizinhos e conhecidos nossos, se reuniram, tomaram juntamente conselho.
          Nossa mãe, vergonhosa, se portou com muita cordura; por isso, todos pensaram de nosso pai a razão em que não queriam falar: doideira. Só uns achavam o entanto de poder também ser pagamento de promessa; ou que, nosso pai, quem sabe, por escrúpulo de estar com alguma feia doença, que seja, a lepra, se desertava para outra sina de existir, perto e longe de sua família dele. As vozes das notícias se dando pelas certas pessoas — passadores, moradores das beiras, até do afastado da outra banda —descrevendo que nosso pai nunca se surgia a tomar terra, em ponto nem canto, de dia nem de noite, da forma como cursava no rio, solto solitariamente. Então, pois, nossa mãe e os aparentados nossos, assentaram: que o mantimento que tivesse, ocultado na canoa, se gastava; e, ele, ou desembarcava e viajava s’embora, para jamais, o que ao menos se condizia mais correto, ou se arrependia, por uma vez, para casa.
          No que num engano. Eu mesmo cumpria de trazer para ele, cada dia, um tanto de comida furtada: a idéia que senti, logo na primeira noite, quando o pessoal nosso experimentou de acender fogueiras em beirada do rio, enquanto que, no alumiado delas, se rezava e se chamava. Depois, no seguinte, apareci, com rapadura, broa de pão, cacho de bananas. Enxerguei nosso pai, no enfim de uma hora, tão custosa para sobrevir: só assim, ele no ao – longe, sentado no fundo da canoa, suspendida no liso do rio. Me viu, não remou para cá, não fez sinal. Mostrei o de comer, depositei num oco de pedra do barranco, a salvo de bicho mexer e a seco de chuva e orvalho. Isso, que fiz, e refiz, sempre, tempos a fora. Surpresa que mais tarde tive: que nossa mãe sabia desse meu encargo, só se encobrindo de não saber; ela mesma deixava, facilitado, sobra de coisas, para o meu conseguir. Nossa mãe muito não se demonstrava.
          Mandou vir o tio nosso, irmão dela, para auxiliar na fazenda e nos negócios. Mandou vir o mestre, para nós, os meninos. Incumbiu ao padre que um dia se revestisse, em praia de margem, para esconjurar e clamar a nosso pai o ‘dever de desistir da tristonha teima. De outra, por arranjo dela, para medo, vieram os dois soldados. Tudo o que não valeu de nada. Nosso pai passava ao largo, avistado ou diluso, cruzando na canoa, sem deixar ninguém se chegar à pega ou à fala. Mesmo quando foi, não faz muito, dos homens do jornal, que trouxeram a lancha e tencionavam tirar retrato dele, não venceram: nosso pai se desaparecia para a outra banda, aproava a canoa no brejão, de léguas, que há, por entre juncos e mato, e só ele conhecesse, a palmos, a escuridão, daquele.
          A gente teve de se acostumar com aquilo. Às penas, que, com aquilo, a gente mesmo nunca se acostumou, em si, na verdade. Tiro por mim, que, no que queria, e no que não queria, só com nosso pai me achava: assunto que jogava para trás meus pensamentos. O severo que era, de não se entender, de maneira nenhuma, como ele agüentava. De dia e de noite, com sol ou aguaceiros, calor, sereno, e nas friagens terríveis de meio-do-ano, sem arrumo, só com o chapéu velho na cabeça, por todas as semanas, e meses, e os anos — sem fazer conta do se-ir do viver. Não pojava em nenhuma das duas beiras, nem nas ilhas e croas do rio, não pisou mais em chão nem capim. Por certo, ao menos, que, para dormir seu tanto, ele fizesse amarração da canoa, em alguma ponta – de – ilha, no esconso. Mas não armava um foguinho em praia, nem dispunha de sua luz feita, nunca mais riscou um fósforo. O que consumia de comer, era só um quase; mesmo do que a gente depositava, no entre as raízes da gameleira, ou na lapinha de pedra do barranco, ele recolhia pouco, nem o bastável.
          Não adoecia? E a constante força dos braços, para ter tento na canoa, resistido, mesmo na demasia das enchentes, no subimento, aí quando no lanço da correnteza enorme do rio tudo rola o perigoso, aqueles corpos de bichos mortos e paus-de-árvore descendo — de espanto de esbarro. E nunca falou mais palavra, com pessoa alguma. Nós, também, não falávamos mais nele. Só se pensava. Não, de nosso pai não se podia ter esquecimento; e, se, por um pouco, a gente fazia que esquecia, era só para se despertar de novo, de repente, com a memória, no passo de outros sobressaltos.
          Minha irmã se casou; nossa mãe não quis festa. A gente imaginava nele, quando se comia uma comida mais gostosa; assim como, no gasalhado da noite, no desamparo dessas noites de muita chuva, fria, forte, nosso pai só com a mão e uma cabaça para ir esvaziando a canoa da água do temporal. Às vezes, algum conhecido nosso achava que eu ia ficando mais parecido com nosso pai. Mas eu sabia que ele agora virara cabeludo, barbudo, de unhas grandes, mal e magro, ficado preto de sol e dos pêlos, com o aspecto de bicho, conforme quase nu, mesmo dispondo das peças de roupas que a gente de tempos em tempos fornecia.
          Nem queria saber de nós; não tinha afeto? Mas, por afeto mesmo, de respeito, sempre que às vezes me louvavam, por causa de algum meu bom procedimento, eu falava: — “Foi pai que um dia me ensinou a fazer assim…”; o que não era o certo, exato; mas, que era mentira por verdade. Sendo que, se ele não se lembrava mais, nem queria saber da gente, por que, então, não subia ou descia o rio, para outras paragens, longe, no não-encontrável? Só ele soubesse. Mas minha irmã teve menino, ela mesma entestou que queria mostrar para ele o neto. Viemos, todos, no barranco, foi num dia bonito, minha irmã de vestido branco, que tinha sido o do casamento, ela erguia nos braços a criancinha, o marido dela segurou, para defender os dois, o guarda- sol. A gente chamou, esperou. Nosso pai não apareceu. Minha irmã chorou, nós todos aí choramos, abraçados.
          Minha irmã se mudou, com o marido, para longe daqui. Meu irmão resolveu e se foi, para uma cidade. Os tempos mudavam, no devagar depressa dos tempos. Nossa mãe terminou indo também, de uma vez, residir com minha irmã, ela estava envelhecida. Eu fiquei aqui, de resto. Eu nunca podia querer me casar. Eu permaneci, com as bagagens da vida. Nosso pai carecia de mim, eu sei — na vagação, no rio no ermo — sem dar razão de seu feito. Seja que, quando eu quis mesmo saber, e firme indaguei, me diz-que-disseram: que constava que nosso pai, alguma vez, tivesse revelado a explicação, ao homem que para ele aprontara a canoa. Mas, agora, esse homem já tinha morrido, ninguém soubesse, fizesse recordação, de nada mais. Só as falsas conversas, sem senso, como por ocasião, no começo, na vinda das primeiras cheias do rio, com chuvas que não estiavam, todos temeram o fim-do-mundo, diziam: que nosso pai fosse o avisado que nem Noé, que, por tanto, a canoa ele tinhaantecipado; pois agora me entrelembro. Meu pai, eu não podia malsinar. E apontavam já em mim uns primeiros cabelos brancos.
          Sou homem de tristes palavras. De que era que eu tinha tanta, tanta culpa? Se o meu pai, sempre fazendo ausência: e o rio- rio – rio, o rio — pondo perpétuo. Eu sofria já o começo de velhice — esta vida era só o demoramento. Eu mesmo tinha achaques, ânsias, cá de baixo, cansaços, perrenguice de reumatismo. E ele? Por quê? Devia de padecer demais. De tão idoso, não ia, mais dia menos dia, fraquejar do vigor, deixar que a canoa emborcasse, ou que bubuiasse sem pulso, na levada do rio, para se despenhar horas abaixo, em tororoma e no tombo da cachoeira, brava, com o fervimento e morte. Apertava o coração. Ele estava lá, sem a minha tranqüilidade. Sou o culpado do que nem sei, de dor em aberto, no meu foro. Soubesse — se as coisas fossem outras. E fui tomando idéia.
          Sem fazer véspera. Sou doido? Não. Na nossa casa, a palavra doido não se falava, nunca mais se falou, os anos todos, não se condenava ninguém de doido. Ninguém é doido. Ou, então, todos. Só fiz, que fui lá. Com um lenço, para o aceno ser mais. Eu estava muito no meu sentido. Esperei. Ao por fim, ele apareceu, aí e lá, o vulto. Estava ali, sentado à popa. Estava ali, de grito. Chamei, umas quantas vezes. E falei, o que me urgia, jurado e declarado, tive que reforçar a voz: — “Pai, o senhor está velho, já fez o seu tanto… Agora, o senhor vem, não carece mais… O senhor vem, e eu, agora mesmo, quando que seja, a ambas vontades, eu tomo o seu lugar, do senhor, na canoa!…” E, assim dizendo, meu coração bateu no compasso do mais certo.
          Ele me escutou. Ficou em pé. Manejou remo n’água, proava para cá, concordado. E eu tremi, profundo, de repente: porque, antes, ele tinha levantado o braço e feito um saudar de gesto — o primeiro, depois de tamanhos anos decorridos! E eu não podia… Por pavor, arrepiados os cabelos, corri, fugi, me tirei de lá, num procedimento desatinado. Porquanto que ele me pareceu vir: da parte de além. E estou pedindo, pedindo, pedindo um perdão.
          Sofri o grave frio dos medos, adoeci. Sei que ninguém soube mais dele. Sou homem, depois desse falimento? Sou o que não foi, o que vai ficar calado. Sei que agora é tarde, e temo abreviar com a vida, nos rasos do mundo. Mas, então, ao menos, que, no artigo da morte, peguem em mim, e me depositem também numa canoinha de nada, nessa água que não pára, de longas beiras: e, eu, rio abaixo, rio a fora, rio a dentro — o rio.

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at the river’s third margin, by João Guimarães Rosa. Translate by r.l.almeida

          Our father, he were an under compliance, systematic, positive man; and has been ever since tiny kid and boy, such as the testify of a bunch of good old sensitive folks, when I have inquired for this info. From wich I myself remember, he did not looked like the sloppiest neither the saddest person, within our circle. Only very quietful. It was our mother who reign, who was with us in the everydays chides – – – my sister, my brother, and myself. Happened that, one certain day, our father indented himself a canoe.
          It was serious. Because he asked for a special canoe, a one with planthymenian woods, and small, severius with just a smidge of wood on the aftersails, it was meant to fit only the oarsman. Indeed it was personalized from the beginning, choosed strong and fit to arches, thought to last over the seas for twenty maybe thirty years. Our mother, she swoared against his deeds. Could it be that he, no fool in such domains, was about to go huntings and fishings? And our father, no thing he said. Our home, there in time, was still so close to that river, not even a quarter mile from our house: and then the river, it begun its large extension, deep, mute as ever. Broad and ample, could not be sawn the other reach even if you tried. And forget I can not, from the day the canoe finally was ready.
Without happiness nor careful, our father he shove his hat on and shoar
ed us a goodbye. He did not said anything else, he did not make a bag, neither a case, and he did not gave us any recommendation, surely. Our mother, we thought she was going mad, but there she stood pale and white, chewed them lips and then in simple lines: – – – “U go, you shall stay, never come back!”. Our father, he retarded his answer. Sent me some coverage eyes, nodding me to step aboard, for only a few steps. I have feared my mother’s rage, but obeyed, once and indeed. The way the things passed by, that encouraged me, I have carved my way and ask him: – – – “Dad, can you carry me too, in that canoon of yours?” He glanced me back a look, gave me his blessings, in the end it send me back. I have pretended to be in it, made a U-turn, crouched inside the woods, wanting to see. Our father, he entered his canoe and untied it, went on to roaring. And the canoe went away – – – it’s shadow always the same, likewise an alligater, narrow wide.
Our father, he never came back. He did not went any where. Was only playing as if he was going to be in there, among rivers, in between the middles, always aboard his canoe, from it he never departed, never more. The strangeness in this story stirred all of the people. That what can not be, it was happening. Our relatives and
neighbors and acquaintancèes got together, forged a joint council.
Our mother, she was so ashamed, beared herself very
guilelessness; and that is why they all thought of our dad what nobody wanted to say: lunaticness. There where a few who thought it was payment for some promisse; or it may be, that our father, who knows, fearing some ugly disease, whatever it may, Hansen’s, he was leaving for another path he should walk by, near and away from his family. And then it was the news through the voices of certain persons – – – the passing bys, the riverines and even the people living in the shelters across our lines – – – descrybing how our father, he was so sure about not to step the ground, not in here, neither in there, not by days, neither by nites, that’s the way he was across the river, alone and unattached. And then, it happened, our mother and our families, ashured: it would happen that his food, hidden inside the canoe, it would decay; and perhaps, he would disengage his canoe and travel for the far aways, into the ever, and this it was what it was the more certain, or perhaps he would regret, once and for all, back home.
In this no wrong can I be. I myself gave me the task to bring him, every single day, portions of burglarized food: an idea I have felt, in the very first nite, when our people lit watchfires along the
rears of the river, thus enlightening the prayers and the summons. Then, in the following, I have showed myself, with some brown sugar, loaf of bread, bananas in a bunch. I could see our father already passed one hour, so irksome to pass; alike alone, he into the fars, sat at the back of his canoe, hanged over the smooth river. He saw me, did not roared towards, did not saluted. I revealed him what to eat, placing it on an empty stone, safe from the beast intervention and dry from the rain and the mist. Is this, what I did, and did again, always, by and into the ages. Surprised me a little later: my mother, she knew this job of mine, disguising herself to not to know about it; herself she was spearing, making easy, the leftovers, for my success. Our mother, she so much not demonstrate her self.
Sent a uncle of ours, her brother, to aid into farm and bussines. Sent a tutor, to we, the kids. Entrusted the vicar to one day revet, at the beach in the margin, to cast away and to supplicate that
our father could give up his duty of so sad mulishness. And then one time when, she herself had arranged to, just for the scary, the two soldiers passed by. Everything it had not worked for anything. Our father just wandered along, sometimes in sight and other times waterish and scattered, he crossing his canoe, never allowing no one ever to be near or to be heard. Even in the time when, not so long ago, the people from the news, they have came in big large boats saying they would shot him, they did not won: our father simply vanishes into other plains, stern his canoe onto the marshes, lasting long leagues of it, among grass an lawn, he alone has the know how to, kilometers away, into the darkness of that.
We had to get used to that. Well, for the sake of honey and beans: with that, we never became used with, if I may tell the truth. I can say this for myself, because it never really mattered if I was willing for or not, I could only be found when I was with my father: a matter that torn away my thoughts. It was cruelty, because we could not understand, in any comprehensive way, how could he manage it. Day in, nite out, it may be raining or may be sun, heat, fog,
even when those cold and awful winter mornings, no nothing, only his old hat on the head, the weeks passing by, and months, and the years and you do not know what it is to make a living. He never set foot any of the margins, neither on the islands or on the gulfs from the river, he never more stand over the ground or the grass. It was certain, at least, that, only while he slept, that’s when he parks his canoe, somewhere outlining the borders, in a glimpse. But he did not set fires on the beach, also did not had artificial lights, never more stoke another match. What he could eat, this also was only a smidge of: from the piles he got from us, among the roots from the trees, or inside a stone in the cliffs, he used to take very few from it, not the enough.
How could not got sick? And the ever strong arms, always hovering the cano
e, in resistance, even when the tides were high, think to cross up, that’s when everything is more dangerous, those bodies from the beasts and also the branches from the trees that go down – – – to surprise to stumble. And he never spoke no more word, to no one. Us, we too, we spoke about him no more. Only in thoughts. No, our father could not be forgotten; and, if, when rapidly forgotten, in our pretends, it was only for a new awake, sudden, in a memoir, along side other interesting twists.My sister got married; our mother wanted no party. We were with him in thinking, in the days we got a more delicious supper; just alike, in the nites we were sacked, in those helplessness nites of lots of rain, cold and bulky, our father only his hand and a mug to empty his canoe from the water of the stormy winds. There where times when, among our friends someone said I was every day much more alike our father. But I knew that now he wore long hair, bear, with long finger nails, insane and thin, going brown with the sun and very hairy, like a beast, virtually naked, even with all the clothing provided by us every now and then.
He did not care about us anymore; had no more affection? But, by affection indeed, and respect, whenever I got a compliment, due to some of my fine procedure, I always answered: – – – “It was my father who taught me s
o…”; and this was not so certain, precise; but, it was a lie meant to be a true. And the thing is, if he did not remember, and if he did not care about us anyways, why, then, to live up in the river, or perhaps down the river, no any other place, away, inside the untraceable? Only he can answer. But my sister had a little boy, and she herself put in her minds go and show him his grandson. Everybody, we went, standing in the cliff, it was a beautiful day, my sister wears a white dress, the wedding dress, she lifts her little kid up within her arms, and her husband holds, protecting them all, the sun umbrella. All of us, we all called him, waited for him. Our father, he did not showed up. My sister cried, we all cried in there, among in embrace.
My sister moved, and her husband, way yonders. And then my brother made his mind and went, to a city. The times were in a change,
that is the slow speedness of times. And then our mother, she also went away, once and for all, to live with my sister, she was deeply aged. I rested in here, a remain. I would never want marry. I have remained, along with the luggages of live. Our father needed me, I am sure – – – in his wander along the quiet river – – – without ever agreeing about what he chosed to do. It happened once, when I really wanted to know, and went steady inquiring, to me said someone as someone told: as the story has it our father, only once, had revealed an explanation, and it was to the man who set his canoe. Only, for now, this man was already deceased, so no one knew, nor could have a slight remembrance, no thing, no more. Only senseless conversations, fake, just like, with the river’s early tides, in the beginning, arose all those never stopping rains, everybody feared the apocalipse, saying: it was our father a chosen one like Noah, and that, therefore, is because he advanced with his canoe; just now I can barely interremember. My father, I could not maligne him. And already signing my first early grey hairs.
I am a man of constant sorrow and sad spoke. What gave me so much, many guilt?
If my father, always marking his absence: and the river-river-river, the river endless stepping. I suffered the early elderness – this life was only about decayness. I myself had aches, anxieties, in my bottoms, fatigue, fringes of rheumatism. What about him? And why? He should be in a terrible pain. He was so old, could not avoid, it will happen today or tomorrow, a weak in his strength, the canoe goes overturned, perhaps floating no directions, onto the mood of the river, a few more hours he will crash, topsy, turvy, down the waterfall, who is mean, filled with boil and death. That ached me heart. Because he was in there, not in my companion. I do not know why but i am guilty, maybe an unsolved grief, from my inners. Only if he knew – – – if the things were different. And I begun to think about it.
          Without any preparation. Am i crazy? No. In our home, the word crazy it was not spelled, has not ever been spelled, in all those years, no one was claimed crazy. No one is crazy. Or, may be, we all are. What I did, just went there. I carried a handtissue, may this wave carry me more. I was my own master. Waited. When finally, he appeared, in here but still in there, so shadow. There he was, sitting by the rear. There he was, in a scream. Called, like fourty times. And saying, what was more urgent for me, sweared and declared, I carried some strength to my voice: – – -“Dad, you have became old, already worked what you should…For now, you may come here, there is no more need to. . .You may come here, and I, right now, whenever you feel like it, to both our wishes, I can replace your spot, yours, in the canoon! . . .” And by saying this, my heart begun a more confortable beat.
And he listened to me. Stood over his feets. Man
ished his oar hover the waters, heading towards me, agreeded. And I was shaking, frightened, so suddenly: because, before, he raised his arms and wave me a salute within his face – – – the first, after so many years that passed by! And I simply could not. . . In a fringe, horrified, I have runned away, to hide, in a foolish behavior. It was because he seemed to me: as sent way yonders. And here I am asking, asking, asking for forgiveness.
I have suffered a severe cold of the fears, f
ell ill. I know that no one else ever listened from him. Am I still a man, now that I have weakened? I am the one who was not, the one that will keeps his mouth shut. I know that now it’s too late, and I fear my life shall soon be ceased, a shallow plain. But, only, if you may, for my obituary, take me, place me inside a shallow and petty little canoe, that will
never stops, with wide spreads: and, I, down the river, up the river, river run – – – the river.

 

14.xicara

          fechando mais um “Domando os dragões pelo lombo”, diz aí se não é este o nome dessa sessão!!

floydniversário, uma tradução: [{1975}] THE DARK SIDE OF THE MOON \\|// O LADO ESCURO DA LUA

          salve, salve minha aquosa & transtornada bloguesfera nossa de cada dia. no artigo de hoje, uma tradução em homenagem ao aniversário de lançamento de disco dos Pink Floyd.

          “The dark side of the moon” é o oitavo e maior sucesso de vendas em disco de estúdio do grupo (mais de 7 milhões à época do lançamento). já contabilizavam seis anos trabalhando pela gravadora EMI & oito anos de banda se apresentando ao vivo, com apenas uma perturbação na sua formação original. o mentor do grupo, responsável pela primeira vestimenta, foi mesmo Syd Barret: rapaz inquieto que no calor dos 19 anos conseguiu inovar a música & o próprio conceito de performance musical.

          Syd é o nome de escritor de Roger Keith Barret, nascido em Cambridge, na Inglaterra, ao sexto dia de Janeiro de 1946. aos 17 anos de idade, viu um novo horizonte se abrir primeiro com os The Beatles, depois com os The Rolling Stones, e finalmente com Bob Dylan. Multiinstrumentista desde pequeno (com passagens pelo piano & o ukulelê), foi o próprio Syd que construiu seu primeiro amplificador quando ganhou sua primeira guitarra elétrica, aos 12 anos. aos 19 anos foi admitido na Camberwell Escola de Artes, de Londres, para estudar pintura. & foi lá que juntou-se definitivamente ao grupo, que já conhecia desde moleque, em apresentações esporádicas utilizando nomes variados, até conseguirem se definir como os Pink Floyd.

          inicialmente tocando clássicos do cancioneiro r&b estadunidense, aos poucos o grupo foi adicionando letras de Syd a um ritmo que corria natural & acidentalmente, do caos à improvisação numa mistura de jazz & roquenrou, os elementos embrionários da banda rumo ao rock progressivo. junto de Syd, estavam Roger Waters (baixo), Nick Mason (bateria) & Richard Wright (teclado), que tinha um amigo com um estúdio de som, que gentilmente concedeu algumas horas de gravação para que o quarteto pudesse gravar algumas faixas. foi neste fabuloso Verão de 1966 que uma nova casa de shows abriu em Londres, a UFO. de lá emanava para o mundo a cena psicodélica da cidade, e os Floyd, carne nova no mercado, eram presenças quase constantes no palco principal. por mais seis meses iriam fazer apresentações que misturavam as sensações da escuta & da visão (em projeções sobre a banda com filmes em 16mm recheados de imagens experimentais & abstratas das aulas da faculdade de Syd), enquanto procuravam um contratinho para assinar o primeiro disco de longa duração. Firmaram com a EMI, que os levou para os estúdios de Abbey Road, onde gravaram entre Fevereiro & Julho de 1967 o material para o primeiro disco, que seria lançado em Agosto de 1967, “The piper at the gates of dawn” \\|// “O flautista nos portais da alvorada”.

          o problema é que nestes seis meses a performance de Syd no palco, & fora dele, começou a deteriorar, em virtude do artista estar se dedicando cada vez mais às suas pesquisas de cosmonauta psíquico com drogas lícitas (cimbalina & mandrax)  e ilícitas (LSD & peiote). não se sabia se Syd apareceria para o show; se aparecesse, não se sabia se Syd saberia o que estava fazendo, nem se seria capaz de seguir o roteiro, nem se conseguiria segurar a própria palheta. um segundo guitarrista foi trazido para suprir as eventuais necessidades de guitarra: entra David Gilmour. Syd esteve na tournée pelos EUA, mas relatos dizem que ele apenas vagava pelo palco: a gota d´água veio em uma apresentação em que Barret desafinou seu instrumento, vagarosamente & sempre derretendo. os fãs pareciam adorar este tipo de comportamento, mas a banda ficava sem saber o que fazer.

          uma primeira decisão, tomada em comum acordo com a gravadora e os membros ativos da banda, foi para manter Syd na banda, similar ao estado que Brian Wilson tinha dentro dos The Beach Boys: mentor & produtor, às vezes letrista. mas essa decisão durou apenas 20 dias, já que Syd não dava sinais de melhora de seu estado visivelmente debilitado, nem de gratidão aos amigos. o segundo disco veio em Junho de 1968, & embora tenha tido uma recepção menos entusiasta da crítica, colocou definitivamente a banda no panteão dos gigantes da música, & deixou claro que Syd tinha um lugar importante no grupo, mas estava afastado desde Janeiro de 1968.

          viriam depois ainda várias contendas entre os membros, fundadores & agregados, entre si mesmos & com a sociedade que os contorna. viriam vivências com a indústria do Cinema, para fazer trilhas sonoras (como em “More”, de 1969, e em “Obscured by clouds”, de 1972, ambos para filmes de Barbet Schroeder, e na participação no “Zabriskie point”, de Michelangelo Antonioni, em 1970). ainda no Cinema, duas homenagens que a banda não assume & nem rechassa: a faixa incidental no último capítulo do “2001, uma Odisséia no espaço” (1968), de Stanley Kubrick, e a trilha alternativa para “O mágico de Oz” (1939), de Victor Flemming. viriam também demandas mundiais pela liberdade, como a crítica ao muro de Berlim e a situação no Leste Europeu com “The wall” \\||// “O muro” (Novembro de 1979), e o próprio “The dark side of the Moon” \\|// “O lado escuro da Lua”, talvez uma homenagem ao pessoal da Apollo XVII, a missão de Dezembro de 1972 que encerra o programa espacial do governo dos EUA.

          o disco já estava pronto desde o ano anterior, & vez ou outra tinha sido apresentado. o grande tema é a passagem do tempo pela vida das pessoas: cada lado do disco começa & termina com o pulsar de um coração, & em cada faixa encontra-se resquícios da música concreta, a saber: mistura da musica instrumental com a musica cantada; ruídos em aparente desconexâo com silêncios, e esta dupla utilizada enquanto recurso melódico. Refroes longos, repetidos sequencialmente para, um pouco mais a frente, transmutarem em milhões de tons.

 

Pink Floyd - The Dark Side Of The Moon - Book p.2

 

[{1975}] THE DARK SIDE OF THE MOON \\|// O LADO ESCURO DA LUA

 

A.1 F4L3 C0M1G0 (Mason)
instrumental

A.2 R3SP1R4 (Waters, Gilmour, Wright)
I.
Respira, respira esse ar
Sem medo em se importar
Vai, mas não me deixe
Olha em volta, escolha sua origem
          Se é pra viver ou alto voar
          Se pra sorrir tem que fazer chorar
          O que é sólido mas não se vê
          É só isso o que restou pra viver

II.
Foge, coelho corre
O chão cavoca, esquece o que é iluminação
Quando achar que acabou o trabalho
Descanse não, pode cavocar de novo
          Se é pra viver ou alto sonhar
          De adestrar as marés tem que manjar
          Balançar sobre as maiores ondas
          Assim só se cavoca a rasa cova

 

A.3 N0 C0RR3-C0RR3 (Waters, Gilmour)
instrumental

 

A.4.i 73MP0 (Mason, Waters, Gilmour, Wright)
I.
Mandando ir embora os momentos que fazem um dia ruim
A bagaceira das horas desperdiça de uma maneira nada comum
Um vadio à toa, ele anda só por onde nasceu
Quer achar algo ou alguém que lhe mostre o caminho
          Cansado de esperar respostas, ficar em casa, a rua olhar
          Você está jovem, a vida é longa, vamos fazer a hora passar
          Daí um dia, já viu, dez anos passam voando,
          Ninguém avisa a hora da partida, foi perder logo a largada

Correndo você foge, tenta alcançar o Sol que se esconde
Vai dar mais uma volta e surgir atrás de você outra vez
Porque o Sol ainda é o mesmo, e você cada dia mais velho
Cada vez mais sem fôlego, se não se cuidar ainda vai morrer
         Cada ano tem menos tempo, não sobra espaco pra oportunidade
         Planos são sem fundamentos, pagina e meia de palavras pra sorteio
         Vai levando em muito desespero silencioso, o jeito inglês de ser
         Passou o momento, acabou a cancao, talvez tivesse mais a dizer

A.4.ii R35P1R4 (reprise)
Ao lar, de volta ao lar
É bom poder estar aqui e descansar
Se eu volto pra casa, gelado e cansado
Ligo o fogão a lenha, estou em casa
          Além das marés, bem longe daqui
          Ouço os sinos tocar
          Faz os fiéis se ajoelhar
          Sussurro doces palavras de magia

A.5 0 6R4ND3 7R4MP0 N05 CÉU5 (Wright, Clare Torry)
instrumental

B.1 6R4N4 (Waters)
I.
Grana, cai fora
Arranja alguém que te paga, e fica tudo muito bem
Grana, é um barato
Dá para usar nas duas mãos, sem parecer um chato
          Carro novo, viagem e pescar caviar
          Talvez eu compre pra mim uma equipe de stock car

II.
Grana, não me toque
Eu estou muito bem, acabe a intervenção no meu banco
Grana, é só sucesso
Não me vem com papo besta, “fazer o bem sem olhar a quem”
          Ando de primeira classe, alta fidelidade
          Quem sabe chegou a hora de tirar meu lear jet

III.
Grana, é sujeira
Divida o quanto quiser, mas não mexa com a minha parte
Grana, já se sabe
Origina o mal de todo mundo e ninguém está nem aí pra nada
          Tenta aí, e pede aumento
          Te querem te ver muito contente e vão te dar só mais um por cento

B.2 NÓ5 3 05 0U7R05 (Waters, Wright)
I.
Nós e os outros
Ao fim do jogo, sáo só pessoas comuns
Você e eu e
Só Deus sabe o que cada um não quer fazer
          Mais tarde vai chorar o leite derramado
          Morto de todos os lados
          Sentou o general e as linhas sobre o mapa
          Desenharam um novo traçado

II.
Azul e preto
Vai saber quem sabe o que, e quem é quem
Sobe e desce e
Quando acabar, sobrou só o vai e volta de volta
          Não ouviu dizer da batalha verborrágica
          Gritou o fiscal da fronteira
          Ouça bem meu filho, disse o homem com o cano,
          O que é teu está guardado aí dentro

III.
Desce e sai
Não dá pra parar, e há ainda muito mais para chegar
Tem, não tem mais
Quem ainda duvida se aquilo não era motivo para brigar?
          Lá fora segue a vida, mais um dia corrido
          Doze leões pra cuidar
          Pelo o peso em recompensa, em chá e uma penca
          Morreu o velhote

 

B.3 QU4LQU3R C0R QU3 LH3 4PR0UV3R

 

B.4 53QÜ3L4D0 C3R38R4L (Waters)
I.
O lunatic@ está no pasto
O lunático está no mato
Lembrando rodas tongas e milongas
Mostrar pros maluquinhos o caminho

II.
O lunatica na minha sala
Os lunaticas nas minhas salas
O jornal estampa caretices em sua capa
E todo dia o editor pede mais

r1.
E se a represa arrebenta muito cedo
E não há mais espaço colina acima?
E se a cabeça explode em negras vibrações
Te vejo no lado escuro da Lua

III.
O maluco na minha mente
O lunática na minha mente
Afia a faca, muda tudo
Me re-amonta até eu ficar bem
          Tranca a porta e joga fora a chave
          Tem alguém na minha mente e não sou eu

r2.
E se faísca a nuvem e trovões em sua vista
Você grita e ninguém te olha
E se a banda em que tocas segue fazendo novo som
Nos vemos do lado escuro da Lua

B.5 3CL1P53 (Waters)

Tudo o que tocas
Tudo o que vês
Tudo o que provas
O que sente

Tudo o que amas
Tudo o que odeias
O que não confias
O que não usa

II.
Tudo o que ofereces
Tudo o que negocias
Tudo o que compras
Imploras, empresta e rouba

Aquilo que crias
Aquilo que destróis
Tudo o que dizes
Tudo o que constrói

III.
Tudo o que comes
E todos os que conheces
Tudo o que descartas
E todos com os quais mata

Tudo o que é agora
Tudo o que já foi
Tudo o que está por vir
E tudo o que está sob a Sol é impune
mas a Sol está no eclipse do Lua

dylanniversário, uma tradução: Bringing it all back home \\|// Pra levar tudo de volta pra casa (22 de março de 1965)

 

 

 

  1. Pra levar tudo de volta pra casa

                                                                 22 de Março de 1965

 

 

 

 

 

notas de rodapé:

produzido por Tom Wilson                       fotografia de Daniel Kramer

 

 

 

 

 

resta só eu ali assistindo ao desfile

sentindo uma combinação de dormentes john estes.

jayne mansfield, humphry bogart /morti-

mer snerd, murphy do surfe e por aí vai /

caroneiro erótico vestindo casaco

japonês. prendeu minha atenção quando perguntou será

que ele não me viu naquela pousadaria de bairro em

puerto vallarta, méxico / disse que não você deve

ter se confundido. acontece que sou um dos

Supremes / daí ele rasga o casaco

e muito de repente torna-se num farmaceuta de meia idade.

que trabalha para o ministério público. ele começa uma grita-

ria comigo você é o tal. você é o cara

que tem deixado um montão de gente louca sobre as revoltas lá do

vietnam. imediatamente dirige-se a mais um bocado de

gente dizendo se for eleito, vai mandar me

eletrocutar em praça pública no próximo 7 de alguma coisa.

olhei em volta e toda esta gente

com quem ele conversava portando maçaricos /

desnecessário dizer, vazei fora rapidão de volta ao

velho e bom sertão. lá só resta eu, que escreve

O QUÊÊE? em minha parede predileta quando eis

quem passa num jatinho ninguém menos que meu engenheiro de

gravação “vim para buscar o senhor & as suas

últimas obras de arte. precisa de ajuda

com um’as coisas?”

 

(pausa)

 

minhas músicas são escritas com os batuques

em consideração/ o toque de qualquer cor ansiosa. não

mencionável. óbvia. e talvez as pessoas

iguais a uma suave cantora do bräzyl.  .  . já

desisti de fazer das tentativas uma perfeição /

o fato de que a casa branca está recheada de

líderes que nunca foram a Bibliotecas&Museus causa-

me espanto. por que allen ginsberg

não foi chamado na inauguração para declamar poesia

me deixou ruinzasso / se tem mais alguém achando que norman

mailer é mais importante do que hank williams

isto é bom. acabaram meus argumentos e

nunca bebo leite. prefiro modelar cabi-

des para gaitas do que discutir antropologia asteca /

literatura inglesa. ou a história das nações

unidas. aceito o caos. não tenho tanta certeza

se ele me aceita. sei de algumas pessoas que têm sofrido terrores
por causa da bomba. tem ainda outras que sofrem terrores

de serem vistas levando revistas sobre música ligeira.

a experiência ensina que o silêncio é o que mais aterroriza

as pessoas  .  .  .  estou convencido de que todas as almas têm

algum superior para se reportar / igual ao sistema

escolar, um círculo invisível onde ninguém

pode pensar sem antes se reportar a alguém / perante

estes fatos, responsabilidade / segurança, e o sucesso

significa absolutamente nada  .  .  .  não gostaria

de ser bach. mozart. tolstoy. joe hill. gertrude

stein ou james dean / todos estão mortos. os

Grandes livros já foram escritos. os Grandes ditos

já foram todos beneditos / o que vim Lhes desenhar

é uma foto do que às vezes acontece

por estes lados. e eu também não percebo muito bem

as coisas que estão acontecendo. já sei

que vamos todos morrer algum dia e que nunca teve morto

que fez parar o mundo. meus poemas

estão escritos no ritmo da distorção não poética /

dividido por ouvidos furados. sobreancelhas falsas / sub-

tracionadas por pessoas que gratuitamente torturam umas

às outras. com uma linha de ronronar melódica de descrição

sem sombra – – vistos algumas vezes através do óculos de sol escuro

e por outras formas de explosão psíquica. uma música é aquilo

que sabe o passo a passo do seu andar / dizem que

escrevo canções. e um poema é a pessoa desnuda  .  .  .  há quem

diga que sou poeta

 

(fim da pausa)

 

e daí respondi ao meu engenheiro de gravação

sim. acho que podia ter uma ajudinha para entrar

co´esta parede no avião”

 

 

  1. subterranean homesick blues
  2. ela me pertence
  3. maggie´s farm
  4. love minus zero / no limit
  5. outlaw blues
  6. on the road again
  7. bob dylan´s 115th dream
  8. mr tambourine man
  9. gates of eden
  10. it´s allright, ma (i´m only bleeding)
  11. it´s all over now, baby blue

 

  1. 8LU35 D4 F38R3 C4531R4 N0 P0RÃ0

    1.
    Johnny mora dentro de um porão
    Trabalha misturando erva medicinal
    Eu ando pelo minhocão
    Lembro do gravatas de então
    Do governo bolsa paletó importado
    Cuidado aí, menino4.
    As se aqueça e me esqueça
    Descalço romanceia beije a sereia
    Se cubra, olha a bênção
    Tente virar sensação
    Agrade a um, agrade ao outro, brindes grátis

    Vinte anos de ensino
    Pra te darem o turno diurno
    Cuidado aí, criança
    O esconderijo não é aí não
    É melhor evitar o atalho
    Traga aceso seu candel´[ario
    Não venha de sandálias
    Não provoque bate-bocas
    Não me parece que gosta de bafões
    Mas é melhor escovar os dntres
    A caixa d´água não funciona porque o putos
    Rapelaram as manivelas.

    02. 3L4 P3RT3NC3 4 M1M

    Ela já tem tudo o que precisa
    É uma artista e não guarda rancor
    Ela escurece as cenas diurnas
    E nas noturnas pinta o fulgor
    Ela faz brilhar a noite mais escura
    E escurece os dias de Sol

    Você faz questão que ela veja o seu
    Orgulho em roubar tudo o que ela vê
    Você vai terminar a jornada
    A observar no monitor de tevê
    Você quer espiar o buraco da fechadura
    Pra saber o que ela pensa de você

    Ela não dá nenhum passo em falso
    Ela não tem aonde cair morta
    Ela não é filha de nenhum figurão
    O sistema a vê com,o peça solta
    Ela não tem nem pai nem mãe
    O sistema não sabe como ela existe

    Ela veste um anel egípcio
    E se ela fala, ele brilha
    Ela tem fama de hipnotista
    É mesmo uma antiguidade ambulante

    Abrace-a nos domingos
    E nos aniversários com mais ardor
    Nos dias das Bruxas, dê-lhe um trompete
    E nos Natais, dois tambores

    03. NÃO QUERO MAIS TRABALHAR DE SITIÃO

    04. 0 4M0R: M3N0S Z3R0 / S3M L1M1T3S

    1.
    Meu amor age como o silêncio
    Recusa os ideais de violência
    Ela não precisa nos lembrar da sua fidelidade
    E ela é real, como o vinho ou a água
    As pessoas trazem flores
    A cada hora ainda mais promessas
    Meu amor ela é a franqueza das rosas
    Presentinhos não vã convence-la

    2.
    Nos supermercados e nas baldeações
    As pessoas relembram de situações
    Lêem os livros pra decorar sitações
    Com as conclusões riscam os muros
    Outros falam de um futuro
    Meu amor age com sinceridade
    Ela diz que não existe acerto igual ao erro
    E um erro não é acerto nenhum

    3.
    Balançam o sobretudo e o facão
    Madames acendem os lampiões
    Nas cerimõnias dos Cavaleiuros Templários
    Até o peão tem que dar um lance
    Estátuas feitas com palitos
    Derretem-se umas nas outras
    Meu amor só pisca, isso não importa
    Ela sabe demais para julgar ou convencer

    4.
    à meia-noite a ponte treme
    O médico da cidade, ele só geme
    A sobrinha do banqueiro busca a perfeição
    Espera os prsentes de seus sábios pretendentes
    Uiva o vento igual a uma marreta
    Durante a noite sopra uma chuva
    Meu amor na janela me lembra do poema
    De um corvo com a asa quebrada m meu umbral

    05. MÚ51C4 D4 T3RR4 D3 N1N6UÉM

É bem ruim dar um passo em falso
E aterrisar em uma lagoa qyue você não conhece
É bem ruim dar um palso em falso
E aterrisar em uma lagoa em que voc~e enlamece/emudece
Pior ainda se estiver nove graus negativos
E forem 4 e 20 da tarde

Não vou pendurar fotinhas
Não vou pendurar fotinhas d ecanhão
Olha eu pareco o Francisco Cuoco
Mas já me disseram que estou mais para o Tarcisão

Quem dera eu estivesse
Em uma planície no Planalto Central
Eu não tenho mpotivo para estar lá
A não ser a mudança no meu astral

Trouxe meus óculos escuros
Tive sorte e trouxe o pé de coelho também
Não sei o sentido das coisas
Nem quero dizer a verdade a ninguém

Tenho uma namorada n avila
Por motivos óbivios não posso dizer quem é
É uma mulher de pele morena
E ama muito pelo que ela é

08. S3NH0R H0M3M D05 T4M80R1N5
Ei, sr. homem dos tamborins, põe aí um som pra mim
Estou sem sono e não tenho lugar nenhum  pra ir
Ei,s r. homem dos tamborins, põe aí um som pra mim
Assim sendo a cada novo dia é só pra te agradecer / eu vou te seguir

Eu sei bem que o império do amanhã já volta a ser só cinzas
Assopradas vento adentro
Me deixou cego aqui assim e ainda sem dormir
Meu amor próprio me surpreende me faz plantar os pés no chão
Sem ter nenhum lugar pra ir
E as velhas ruas vazias estão uqietas demais pra rir

2.
Me leve em uma viagem // pra viajar em seu amarelo submarino
Tropicália ou uma transa ando meio
Desligado dominguinhos da vida
Espero um cometa passar pra me levar com ele
Pronto pra ir a qualquer lugar, pra desaparecer,
Tentar se explicar, gravar o jeito que dfança
Pra tentar te deixar ir // te entender // te esquecer

10. F4R03ST3 C480CL0 (C4LM4, MÃ3, É 5Ó UM 54N6U3)

11. 357Á QU453 N0 F1M, M3U 7R1573 4M0R
1.
Melhor já ir embora & levo o que for durar
É teu o que bem entender, melhor se apressar
Tem em teu passado um menor abandonado
Que chora igual a incêndio em descampado
Melhor tomar cuidado os santos vêm aí
Está quse no fim, meu triste amor // meu amor já póde ir

2.
A pista é pra quem gosta de tomar chuva
Não fique assim encabreirado tome um gole desta uva
O pintor que conheceu  mora na rua
Desenha enlouquecidamente em nossas vias
O céu sobre nossas cabeças já vai cair
Está quse no fim, meu triste amor // meu amor já póde ir

3.
Os marinheiros tarimbados, todos remam pra cas // deixaram a briga
O teu exército de aliados, todos rumam pra o lar // foi curar feridas
O namorado que saiu do teu apartamento
Levou tudo embora, sem ressentimentos
O tapete também quer te ver cair
Está quse no fim, meu triste amor // meu amor já póde ir

4.Declare outro fecha, vamos nos repetir
Está quse no fim, meu triste amor

Disco I [(1963)]: Please, please me \\|// Vai, me honre sim #thebeatlesemportugues

          salve, salve minha melódica & ritmada bloguesfera descolada nossa de cada dia. mais um artigo aqui no PíLuLaS De PéRoLaS LiTeRáRiaS no ar, o seu canal de tradução, hoje para apresentar mais um disco da banda britânica The Beatles & sua versão integral em português tupiniquim, Herbert Richards saúda!
          o #beatleniversário de hoje homenageia o primeiro disco de longa duração publicado pelos digníssimos cavaleiros de Liverpool: “Please, please me!”, que apareceu pela primeira vez nos balcões das lojas na manhã de uma sexta-feira, 22 de Março de 1963.
          o que temos aqui é a banda em seu primeiro momento, que vai até o Rubber Soul. a dupla de escritores John Lennon & Paul McCartney ainda divide o conteúdo do disco com outros sucessos das rádios, particularmente artistas do catálogo Parlophone / EMI – um elenco seleto, como Burt Baccharacch, Carole King ou Phil Medley: das 14 faixas do disco, oito foram criadas pelo quarteto. nas letras, o primeiro disco já apresenta a característica auto-citação do grupo a si mesmo, entre as faixas – como a faixa 6, “Ask me why” \\|// “Me pergunta o por quê” referenciando à faixa 2, “Misery” \\|// “Miserê!”. outra caraterística marcante do quarteto já está nos vocais, onde sobrou espaço para todos os integrantes: John canta sozinho, & também Paul, & também Ringo, & também George, & a própria dobradinha Lennon & McCartney.
          este primeiro disco surgiu depois do estrondoso sucesso que dois singles tiveram, o de Outubro de 1962 & o de Janeiro de 1963. o produtor George Martin chegou para o grupo & perguntou o que eles tinham que podia ser gravado imediatamente. a resposta foi uma só: “Olha, Georgie, a gente podia gravar o número que temos levado para aos noitadas nos clubes”. nos palcos, dividem composições autorais com grandes nomes. a inclusão de Baccarach não soa tão estranha, já que os The Beatles excursionaram como banda de apoio a Tony Sheridan, coisa de 18 meses antes pelas pradarias de Hamburgo, ainda junto ao baterista numero um, Pete Best, e ao mentor & primeiro mestre Jedi do grupo, Stuart Stuttcliffe: à época, um repertório mais popular, com “Jambalaya”, com “When the saints go marching in”, com “Bésame mucho”.
          as gravações duraram cerca de 15 horas, divididas entre uma sessão principal nos estúdios Abbey Road de 12 horas, e mais cinco sessões, com as outras 3 horas. Para a foto da capa, chamaram Angus McBean, e colocaram o grupo lá do alto do sétimo andar do prédio da EMI – foto revisitada em 1970, para um disco que nunca saiu como queriam.
          & agora posso anunciar o número muito nosso conhecido do Sal Pimmenta & os Lou Nilli Rertz clube/banda, com vocês: ooooooooooooos Briiiiittos!

front
Disco 01: Please, please me \\|// Vai, me honre sim! – 22 de Março de 1973.

01-A.01 4 V1 53M 4ND4R 4L1 (letras de John Lennon & Paul McCartney, transcriação de r.l.almeida)
1.
Ela era uma das novinha
Aí vira caso de polícia
E como ela estava não tem o que comparar
Não tem como dançar com mais ninguém
Depois que a vi ali sem andar.

2.
Depois de ela me ver
Eu já pude entender
Que não ia levar muito tempo pra eu me apaixonar
Ela não dançou com mais ninguém
Depois que a vi ali sem andar

3.
Meu coração fez um barulhão
atravessei todo o salão
Pra segurar com a minha mão a dela
Não tem como dançar com mais ninguém
Depois que a vi ali sem andar.

4.
Nós dançamos a noite inteira
Como era bela minha companheira
E não levou muito tempo pra eu me apaixonar
Não tem como dançar com mais ninguém
Depois que a vi ali sem andar.

01-A.02 M153RÊ!(letras de John Lennon & Paul McCartney, transcriação de r.l.almeida)
O mundo só me trata mal…miserê!
1.
Do tipo de rapaz
que não sabe o que é chorar
O mundo só me trata mal…um miserê!

2.
Perdi ela pra sempre
Não vai ter volta, não
Vai virar um inferno…um miserê!

r.
Lembro de cada noite nós dois sozinhos
Ela se lembra e tem saudade do seu docinho

3.
Devolva-a agora pra mim
Não vou ter paz assim
Sem ela eu vivo assim…um miserê!

01-A.03 4NN4 (V41 C0M 3L3) (letras de Arthur Alexander, versão r.l.almeida)
1.
Anna
Você veio me dizer
Agora estava livre
Ele diz te amar mais do que eu
Vou te deixar ser livre
Vai com ele!

2.
Anna

Antes de ir embora, amor
Eu preciso que você saiba
Por ti ainda sou muito louco
Mas se ele te ama mais,
Vai com ele!

r.
A minha vida toda

Só procuro por um amor
Pra me amar igual te amo
Oh, não! Mas cada amor que eu já tive
vai te dizer agora
me parte o chão e chuta a bunda

3.
Anna

Só tem mais um assunto
Devolve o que me prometeu
Daí você está livre,
Vai com ele!

01-A.04 4C0RR3N74D0 (letras de Carole King, versão r.l.almeida)
1.
Correntes
Meu neném me deixou preso em algemas
Esta corrente a gente não pode ver
Ah, é, correntes de amor, é coisa feita pra mim, sim!

2.
Correntes
Ela enfeitiçou estas correias
Não posso andar por aí, não estou livre não
Ah, é, correntes de amor, não é vida assim, não!

r1.
Vou te dizer meu bebê
Eu te acho um tesouro
Nós dois juntos é estouro
Mas eu não posso, alguém fez mandinga pra mim

r2.
Vou te dizer meu bebê
O teu beijo é gostoso
Nós dois juntos tempo precioso
Mas você não pode, alguém fez mandinga em ti

01-A.05 M3N1N05 (letras de Luther Dixon & Wes Farrel, versão r.l.almeida)
1.
Me disseram quando um cara beija sua pequena
Isso pé tão bom que se disparam por aí
Ei ei, (bop shiop quero zoar)
diz aí, como é isso aí

2.
Minha mina diz e eu acredito
A gente se beija ela espirra o espírito
Ei, ei, (bop shiop quero zoar)
diz aí, como é isso aí

r.
Bom, eu falo sobre os caras
Já sabe como é que são os caras
Bom, eu falo sobre os caras,
Ahhhh
Bom, eu falo sobre os caras
Com aquele montão de vigor
Fala aí George!

01-A.06 M3 P3R6UN74 0 P0R QUÊ (letras de John Lennon & Paul McCartney, transcriação de r.l.almeida)
1.
Te quero você me diz tudo o que quero saber
Só você é tudo o que eu preciso ter pra entender
Que eu já sei que eu nunca, nunca
iria conseguir te perder

2.
Já é minha de feliz vou até chorar
E com o tempo você não vai me afastar
Se eu chorar não estou mal
É só você que um dia eu já amei

r1.
Não posso crer que isso me aconteceu
Não vou querer nada desse miserê

r2.
Por quê? Por quê? Você me pergunta
E eu sempre digo eu te amo.

01-A.07 V41, M3 H0NR3 51M (letras de John Lennon & Paul McCartney, transcriação de r.l.almeida)
1.
Conversei ontem com a minha namoradinha
Por que nunca me dá uma deixa
Vamos lá, vamos embora (x4)
E vai, me honre, sim, como eu honro a ti

2.
Não tem que me mostrar seu jeito
Um de nós veio com defeito
Vamos lá, vamos embora (x4)
E vai, me honre, sim, como eu honro a ti

r.
É meu ponto negativo
Mas pra mim é impossível me alegrar
Eu só faço o que lhe faz bem, mas não tem como você
entender, ó!, é!, por que me deixa triste?

01-B.08 4M0R 16U4L 40 73U (letras de Lennon & McCartney, transcriação de r.l.almeida)
1.
Um amor igual ao teu
Já sabe é só teu
Sou inteiro teu
Um amor igual ao amor igual ao amor igual ao teu

r.
Alguém pra amar
Alguém que não é você
Alguém pra querer
Alguém que só é você

01-B.09 D0 53U QU3 73 4M4 (letras de Lennon & McCartney, transcriação de r.l.almeida)
1.
Escrevo esta carta
Te mando todo meu amor
Se lembre, é eterno
Todo o amor que tivemos

2.
Guarde estas palavras e não a distância
É teu o meu amor
Do seu que te ama
A você, e a você só

r.
Um dia volto pra você, meu amor
Até que chegue o dia
Do seu que te ama
A você e a você só

01-B.10 M3U 4M0R É V0CÊ (letras de Burt Bacharach, versão r.l.almeida)
a.
Não é só o teu sorriso que me chega ao coração
Não é só o teu beijo que me divide em um milhão

1.
Muitas das noites se passam
Eu fico sozinho, em casa choro por você
É só o que faço
Não dá pra evitar, meu amor é você

b.
Você já deve saber da sua fama por aqui (chifre, chifre)
Só o que dizem é que não sabe, nem nunca soube ser só de um

2.
Não me importo com o que dizem por aí
Eu vou te amar acima de todas as coisas
É só o que faço, é verdade
Não quero nenhuma outra, meu amor é você

01-B.11 QU3M 4QU1 QU3R 5483R D3 UM 536R3D0 (letras de Lennon & McCartney, versão r.l.almeida)
r.
Você ainda há de saber o quanto eu já te amo
Você ainda há de saber o quanto eu já te quis

1.
Ouça
Quem quer saber de um segredo
Que promete não contar

2.
Perto
Sussurro onda que se alastra
As palavras pra ouvir

Eu amo você

01-B.12 P4R3C3 M3L (letras de Bobby Scott & Phillip Marlowe, versão r.l.almeida)
a.
Parece mel!
Melhor que o mais doce dos vinhos

1.
No sonho eu vejo o teu beijo
Colando nos meu lábios de novo

b.
Eu volto, já sabe, volto sim
Te buscar, ao teu mel e você

2.
É teu o beijo que me desperta
Ainda o sinto, olha estou distante

01-B.13 T3M UM LU64R (letras de Lennon & McCartney, transcriação de r.l.almeida)
1.
Tem um lugar
Que dá pra ir
Tudo acabou
Tudo está tão só
A culpa é minha
E não tem mais tempo, eu vou sozinho

2
Eu penso em ti
Nas tuas coisas
É só o que eu lembro
Quantas vezes me disse
“Eu te amo para todo o sempre”

r.
Não ficou culpa para mim.
Não sabia que eu era assim?
O amanhã não é ruim
Não sabia que eu era assim?

01-B.14 TU1574 3 54L74 (letras de Phil Medley & John Russell, versão r.l.almeida)
r.
Sacode a poeira agora irmão
Tuísta e salta
Vai lá agora é a hora, irmão
Vamos sacudir este poeirão

1.
Sacode a poeira, gata
Você tá um filézinho
Você me botou no seu caminho
Já não me sinto sozinho

2.
Você sabe, tuísta essa, gatinha
Você tuísta bem devagar
Chega mais e tuísta bem de pertinho
Quero a minha garotinha olhar