dylanniversário, uma tradução: Bringing it all back home \\|// Pra levar tudo de volta pra casa (22 de março de 1965)

 

 

 

  1. Pra levar tudo de volta pra casa

                                                                 22 de Março de 1965

 

 

 

 

 

notas de rodapé:

produzido por Tom Wilson                       fotografia de Daniel Kramer

 

 

 

 

 

resta só eu ali assistindo ao desfile

sentindo uma combinação de dormentes john estes.

jayne mansfield, humphry bogart /morti-

mer snerd, murphy do surfe e por aí vai /

caroneiro erótico vestindo casaco

japonês. prendeu minha atenção quando perguntou será

que ele não me viu naquela pousadaria de bairro em

puerto vallarta, méxico / disse que não você deve

ter se confundido. acontece que sou um dos

Supremes / daí ele rasga o casaco

e muito de repente torna-se num farmaceuta de meia idade.

que trabalha para o ministério público. ele começa uma grita-

ria comigo você é o tal. você é o cara

que tem deixado um montão de gente louca sobre as revoltas lá do

vietnam. imediatamente dirige-se a mais um bocado de

gente dizendo se for eleito, vai mandar me

eletrocutar em praça pública no próximo 7 de alguma coisa.

olhei em volta e toda esta gente

com quem ele conversava portando maçaricos /

desnecessário dizer, vazei fora rapidão de volta ao

velho e bom sertão. lá só resta eu, que escreve

O QUÊÊE? em minha parede predileta quando eis

quem passa num jatinho ninguém menos que meu engenheiro de

gravação “vim para buscar o senhor & as suas

últimas obras de arte. precisa de ajuda

com um’as coisas?”

 

(pausa)

 

minhas músicas são escritas com os batuques

em consideração/ o toque de qualquer cor ansiosa. não

mencionável. óbvia. e talvez as pessoas

iguais a uma suave cantora do bräzyl.  .  . já

desisti de fazer das tentativas uma perfeição /

o fato de que a casa branca está recheada de

líderes que nunca foram a Bibliotecas&Museus causa-

me espanto. por que allen ginsberg

não foi chamado na inauguração para declamar poesia

me deixou ruinzasso / se tem mais alguém achando que norman

mailer é mais importante do que hank williams

isto é bom. acabaram meus argumentos e

nunca bebo leite. prefiro modelar cabi-

des para gaitas do que discutir antropologia asteca /

literatura inglesa. ou a história das nações

unidas. aceito o caos. não tenho tanta certeza

se ele me aceita. sei de algumas pessoas que têm sofrido terrores
por causa da bomba. tem ainda outras que sofrem terrores

de serem vistas levando revistas sobre música ligeira.

a experiência ensina que o silêncio é o que mais aterroriza

as pessoas  .  .  .  estou convencido de que todas as almas têm

algum superior para se reportar / igual ao sistema

escolar, um círculo invisível onde ninguém

pode pensar sem antes se reportar a alguém / perante

estes fatos, responsabilidade / segurança, e o sucesso

significa absolutamente nada  .  .  .  não gostaria

de ser bach. mozart. tolstoy. joe hill. gertrude

stein ou james dean / todos estão mortos. os

Grandes livros já foram escritos. os Grandes ditos

já foram todos beneditos / o que vim Lhes desenhar

é uma foto do que às vezes acontece

por estes lados. e eu também não percebo muito bem

as coisas que estão acontecendo. já sei

que vamos todos morrer algum dia e que nunca teve morto

que fez parar o mundo. meus poemas

estão escritos no ritmo da distorção não poética /

dividido por ouvidos furados. sobreancelhas falsas / sub-

tracionadas por pessoas que gratuitamente torturam umas

às outras. com uma linha de ronronar melódica de descrição

sem sombra – – vistos algumas vezes através do óculos de sol escuro

e por outras formas de explosão psíquica. uma música é aquilo

que sabe o passo a passo do seu andar / dizem que

escrevo canções. e um poema é a pessoa desnuda  .  .  .  há quem

diga que sou poeta

 

(fim da pausa)

 

e daí respondi ao meu engenheiro de gravação

sim. acho que podia ter uma ajudinha para entrar

co´esta parede no avião”

 

 

  1. subterranean homesick blues
  2. ela me pertence
  3. maggie´s farm
  4. love minus zero / no limit
  5. outlaw blues
  6. on the road again
  7. bob dylan´s 115th dream
  8. mr tambourine man
  9. gates of eden
  10. it´s allright, ma (i´m only bleeding)
  11. it´s all over now, baby blue

 

  1. 8LU35 D4 F38R3 C4531R4 N0 P0RÃ0

    1.
    Johnny mora dentro de um porão
    Trabalha misturando erva medicinal
    Eu ando pelo minhocão
    Lembro do gravatas de então
    Do governo bolsa paletó importado
    Cuidado aí, menino4.
    As se aqueça e me esqueça
    Descalço romanceia beije a sereia
    Se cubra, olha a bênção
    Tente virar sensação
    Agrade a um, agrade ao outro, brindes grátis

    Vinte anos de ensino
    Pra te darem o turno diurno
    Cuidado aí, criança
    O esconderijo não é aí não
    É melhor evitar o atalho
    Traga aceso seu candel´[ario
    Não venha de sandálias
    Não provoque bate-bocas
    Não me parece que gosta de bafões
    Mas é melhor escovar os dntres
    A caixa d´água não funciona porque o putos
    Rapelaram as manivelas.

    02. 3L4 P3RT3NC3 4 M1M

    Ela já tem tudo o que precisa
    É uma artista e não guarda rancor
    Ela escurece as cenas diurnas
    E nas noturnas pinta o fulgor
    Ela faz brilhar a noite mais escura
    E escurece os dias de Sol

    Você faz questão que ela veja o seu
    Orgulho em roubar tudo o que ela vê
    Você vai terminar a jornada
    A observar no monitor de tevê
    Você quer espiar o buraco da fechadura
    Pra saber o que ela pensa de você

    Ela não dá nenhum passo em falso
    Ela não tem aonde cair morta
    Ela não é filha de nenhum figurão
    O sistema a vê com,o peça solta
    Ela não tem nem pai nem mãe
    O sistema não sabe como ela existe

    Ela veste um anel egípcio
    E se ela fala, ele brilha
    Ela tem fama de hipnotista
    É mesmo uma antiguidade ambulante

    Abrace-a nos domingos
    E nos aniversários com mais ardor
    Nos dias das Bruxas, dê-lhe um trompete
    E nos Natais, dois tambores

    03. NÃO QUERO MAIS TRABALHAR DE SITIÃO

    04. 0 4M0R: M3N0S Z3R0 / S3M L1M1T3S

    1.
    Meu amor age como o silêncio
    Recusa os ideais de violência
    Ela não precisa nos lembrar da sua fidelidade
    E ela é real, como o vinho ou a água
    As pessoas trazem flores
    A cada hora ainda mais promessas
    Meu amor ela é a franqueza das rosas
    Presentinhos não vã convence-la

    2.
    Nos supermercados e nas baldeações
    As pessoas relembram de situações
    Lêem os livros pra decorar sitações
    Com as conclusões riscam os muros
    Outros falam de um futuro
    Meu amor age com sinceridade
    Ela diz que não existe acerto igual ao erro
    E um erro não é acerto nenhum

    3.
    Balançam o sobretudo e o facão
    Madames acendem os lampiões
    Nas cerimõnias dos Cavaleiuros Templários
    Até o peão tem que dar um lance
    Estátuas feitas com palitos
    Derretem-se umas nas outras
    Meu amor só pisca, isso não importa
    Ela sabe demais para julgar ou convencer

    4.
    à meia-noite a ponte treme
    O médico da cidade, ele só geme
    A sobrinha do banqueiro busca a perfeição
    Espera os prsentes de seus sábios pretendentes
    Uiva o vento igual a uma marreta
    Durante a noite sopra uma chuva
    Meu amor na janela me lembra do poema
    De um corvo com a asa quebrada m meu umbral

    05. MÚ51C4 D4 T3RR4 D3 N1N6UÉM

É bem ruim dar um passo em falso
E aterrisar em uma lagoa qyue você não conhece
É bem ruim dar um palso em falso
E aterrisar em uma lagoa em que voc~e enlamece/emudece
Pior ainda se estiver nove graus negativos
E forem 4 e 20 da tarde

Não vou pendurar fotinhas
Não vou pendurar fotinhas d ecanhão
Olha eu pareco o Francisco Cuoco
Mas já me disseram que estou mais para o Tarcisão

Quem dera eu estivesse
Em uma planície no Planalto Central
Eu não tenho mpotivo para estar lá
A não ser a mudança no meu astral

Trouxe meus óculos escuros
Tive sorte e trouxe o pé de coelho também
Não sei o sentido das coisas
Nem quero dizer a verdade a ninguém

Tenho uma namorada n avila
Por motivos óbivios não posso dizer quem é
É uma mulher de pele morena
E ama muito pelo que ela é

08. S3NH0R H0M3M D05 T4M80R1N5
Ei, sr. homem dos tamborins, põe aí um som pra mim
Estou sem sono e não tenho lugar nenhum  pra ir
Ei,s r. homem dos tamborins, põe aí um som pra mim
Assim sendo a cada novo dia é só pra te agradecer / eu vou te seguir

Eu sei bem que o império do amanhã já volta a ser só cinzas
Assopradas vento adentro
Me deixou cego aqui assim e ainda sem dormir
Meu amor próprio me surpreende me faz plantar os pés no chão
Sem ter nenhum lugar pra ir
E as velhas ruas vazias estão uqietas demais pra rir

2.
Me leve em uma viagem // pra viajar em seu amarelo submarino
Tropicália ou uma transa ando meio
Desligado dominguinhos da vida
Espero um cometa passar pra me levar com ele
Pronto pra ir a qualquer lugar, pra desaparecer,
Tentar se explicar, gravar o jeito que dfança
Pra tentar te deixar ir // te entender // te esquecer

10. F4R03ST3 C480CL0 (C4LM4, MÃ3, É 5Ó UM 54N6U3)

11. 357Á QU453 N0 F1M, M3U 7R1573 4M0R
1.
Melhor já ir embora & levo o que for durar
É teu o que bem entender, melhor se apressar
Tem em teu passado um menor abandonado
Que chora igual a incêndio em descampado
Melhor tomar cuidado os santos vêm aí
Está quse no fim, meu triste amor // meu amor já póde ir

2.
A pista é pra quem gosta de tomar chuva
Não fique assim encabreirado tome um gole desta uva
O pintor que conheceu  mora na rua
Desenha enlouquecidamente em nossas vias
O céu sobre nossas cabeças já vai cair
Está quse no fim, meu triste amor // meu amor já póde ir

3.
Os marinheiros tarimbados, todos remam pra cas // deixaram a briga
O teu exército de aliados, todos rumam pra o lar // foi curar feridas
O namorado que saiu do teu apartamento
Levou tudo embora, sem ressentimentos
O tapete também quer te ver cair
Está quse no fim, meu triste amor // meu amor já póde ir

4.Declare outro fecha, vamos nos repetir
Está quse no fim, meu triste amor

Disco I {(1963)}: Please, please me \\|// Vai, me honre sim #thebeatlesemportugues

          salve, salve minha melódica & ritmada bloguesfera descolada nossa de cada dia. mais um artigo aqui no PíLuLaS De PéRoLaS LiTeRáRiaS no ar, o seu canal de tradução, hoje para apresentar mais um disco da banda britânica The Beatles & sua versão integral em português tupiniquim, Herbert Richards saúda!
          o #beatleniversário de hoje homenageia o primeiro disco de longa duração publicado pelos digníssimos cavaleiros de Liverpool: “Please, please me!”, que apareceu pela primeira vez nos balcões das lojas na manhã de uma sexta-feira, 22 de Março de 1963.
          o que temos aqui é a banda em seu primeiro momento, que vai até o Rubber Soul. a dupla de escritores John Lennon & Paul McCartney ainda divide o conteúdo do disco com outros sucessos das rádios, particularmente artistas do catálogo Parlophone / EMI – um elenco seleto, como Burt Baccharacch, Carole King ou Phil Medley: das 14 faixas do disco, oito foram criadas pelo quarteto. nas letras, o primeiro disco já apresenta a característica auto-citação do grupo a si mesmo, entre as faixas – como a faixa 6, “Ask me why” \\|// “Me pergunta o por quê” referenciando à faixa 2, “Misery” \\|// “Miserê!”. outra caraterística marcante do quarteto já está nos vocais, onde sobrou espaço para todos os integrantes: John canta sozinho, & também Paul, & também Ringo, & também George, & a própria dobradinha Lennon & McCartney.
          este primeiro disco surgiu depois do estrondoso sucesso que dois singles tiveram, o de Outubro de 1962 & o de Janeiro de 1963. o produtor George Martin chegou para o grupo & perguntou o que eles tinham que podia ser gravado imediatamente. a resposta foi uma só: “Olha, Georgie, a gente podia gravar o número que temos levado para aos noitadas nos clubes”. nos palcos, dividem composições autorais com grandes nomes. a inclusão de Baccarach não soa tão estranha, já que os The Beatles excursionaram como banda de apoio a Tony Sheridan, coisa de 18 meses antes pelas pradarias de Hamburgo, ainda junto ao baterista numero um, Pete Best, e ao mentor & primeiro mestre Jedi do grupo, Stuart Stuttcliffe: à época, um repertório mais popular, com “Jambalaya”, com “When the saints go marching in”, com “Bésame mucho”.
          as gravações duraram cerca de 15 horas, divididas entre uma sessão principal nos estúdios Abbey Road de 12 horas, e mais cinco sessões, com as outras 3 horas. Para a foto da capa, chamaram Angus McBean, e colocaram o grupo lá do alto do sétimo andar do prédio da EMI – foto revisitada em 1970, para um disco que nunca saiu como queriam.
          & agora posso anunciar o número muito nosso conhecido do Sal Pimmenta & os Lou Nilli Rertz clube/banda, com vocês: ooooooooooooos Briiiiittos!

front
Disco 01: Please, please me \\|// Vai, me honre sim! – 22 de Março de 1973.

 

01.A-01 4 V1 53M 4ND4R 4L1 (transcriação de r.la.lmeida @846r3, letras & música de John Lennon & Paul McCartney, direitos protegidos por Sony ATV Muzyc Inc)

Ela era uma das novinha
Aí vira caso de polícia
E como ela estava não tem o que comparar
Não tem como dançar com mais ninguém
Depois que a vi ali sem andar.

Depois de ela me ver
Eu já pude entender
Que não ia levar muito tempo pra eu me apaixonar
Ela não dançou com mais ninguém
Depois que a vi ali sem andar

Meu coração fez um barulhão
atravessei todo o salão
Pra segurar com a minha mão a dela
Não tem como dançar com mais ninguém
Depois que a vi ali sem andar.

Nós dançamos a noite inteira
Como era bela minha companheira
E não levou muito tempo pra eu me apaixonar
Não tem como dançar com mais ninguém
Depois que a vi ali sem andar.
01.A-02 M153RÊ!()

O mundo só me trata mal…miserê!

Do tipo de rapaz
que não sabe o que é chorar
O mundo só me trata mal…um miserê!

Perdi ela pra sempre
Não vai ter volta, não
Vai virar um inferno…um miserê!

r.
Lembro de cada noite nós dois sozinhos
Ela se lembra e tem saudade do seu docinho

Devolva-a agora pra mim
Não vou ter paz assim
Sem ela eu vivo assim…um miserê!

01.A-03 4NN4 (V41 C0M 3L3) (versão r.l.almeida @846r3, letras de Arthur Alexander)

Anna
Você veio me dizer
Agora estava livre
Ele diz te amar mais do que eu
Vou te deixar ser livre
Vai com ele!

Anna
Antes de ir embora, amor
Eu preciso que você saiba
Por ti ainda sou muito louco
Mas se ele te ama mais,
Vai com ele!

r.
A minha vida toda
Só procuro por um amor
Pra me amar igual te amo
Oh, não! Mas cada amor que eu já tive
vai te dizer agora
me parte o chão e chuta a bunda

Anna
Só tem mais um assunto
Devolve o que me prometeu
Daí você está livre,
Vai com ele!

01.A-04 4C0RR3N74D0 (versão r.la.lmeida @846r3, letras de miss Carole King)

Preso
Meu neném me prendeu nas algemas
Esta corrente a gente não pode ver
Ah, é, acorrentado de amor, é coisa pra mim, sim!

Preso
Ela enfeitiçou estas correias
Não posso andar por aí, não estou livre, não
Ah, é, acorrentado de amor, não é vida assim, não!

r1.
Vou te dizer minha nenenzinha
Eu te acho um tesouro
Nós dois juntos é estouro
Mas eu não posso, alguém fez mandinga pra mim

r2.
Vou te dizer minha nenenzinha
O teu beijo é gostoso
Nós dois juntos tempo precioso
Mas você não pode, alguém fez mandinga em ti
01.A-05 M3N1N05 (versão r.l.almeida @846r3, letras de Luther Dixon & Wes Farrel)

Me disseram quando um cara beija sua pequena
Isso é tão bom que se disparam por aí
Ei ei, (bop shiop quero zoar)
diz aí, como é isso aí

Minha mina diz e eu acredito
A gente se beija ela espirra o espírito
Ei, ei, (bop shiop quero zoar)
diz aí, como é isso aí

r.
Bom, eu falo sobre os caras
Já sabe como é que são os caras
Bom, eu falo sobre os caras,
Ahhhh
Bom, eu falo sobre os caras
Com aquele montão de vigor
Dá a letra, George!
01.A-06 M3 P3R6UN74 0 P0R QUÊ (transcriação de r.la.lmeida @846r3, letras & música de John Lennon & Paul McCartney, direitos protegidos por Sony ATV Muzyc Inc)

Te quero
você me diz tudo o que quero saber
Só você
é tudo o que eu preciso ter pra entender
Que eu já sei
que eu nunca, nunca
iria conseguir
te perder

Já é minha
de feliz vou até chorar
E com o tempo
você não vai me afastar
Se eu chorar
não estou mal
É só você
que um dia eu já amei

r1.
Não posso crer que isso me aconteceu
Não vou querer nada desse miserê

r2.
Por quê? Por quê? Você me pergunta
E eu sempre digo eu te amo.

01.A-07 V41, M3 H0NR3 51M (transcriação de r.la.lmeida @846r3, letras & música de John Lennon & Paul McCartney, direitos protegidos por Sony ATV Muzyc Inc)

Conversei ontem com a minha namoradinha
Por que nunca me dá uma deixa
[ Vamos lá, vamos embora (x4)
[ E vai, me honre, sim, como eu honro a ti

Não tem que me mostrar seu jeito
Um de nós veio com defeito
[ Vamos lá, vamos embora (x4)
[ E vai, me honre, sim, como eu honro a ti

r.
É meu ponto negativo
Mas pra mim é impossível me alegrar
Eu só faço o que lhe faz bem, mas não tem como você
entender, ó!, é!, por que me deixa triste?

01.B-01 4M0R 16U4L 40 73U (transcriação de r.la.lmeida @846r3, letras & música de John Lennon & Paul McCartney, direitos protegidos por Sony ATV Muzyc Inc)

Um amor igual ao teu
Já sabe é só teu
Sou inteiro teu
Um amor igual ao amor igual ao amor
Igual ao teu

r.
Alguém pra amar
Alguém que não é você
Alguém pra querer
Alguém que só é você

01.B-02 D0 53U QU3 73 4M4 (transcriação de r.l.almeida @846r3, letras & música de John Lennon & Paul McCartney, direitos protegidos por Sony ATV Muzyc Inc)

Escrevo esta carta
Te mando todo meu amor
Se lembre, é eterno
Todo o amor que tivemos

Guarde estas palavras e não a distância
É teu o meu amor
Do seu que te ama
A você, e a você só

r.
Um dia volto pra você, meu amor
Até que chegue o dia
Do seu que te ama
A você e a você só
01.B-03 M3U 4M0R É V0CÊ (versão r.l.almeida @846r3, letras de Burt Bacharach)

a.
Não é só o teu sorriso que me chega ao coração
Não é só o teu beijo que me divide em um milhão

Muitas das noites se passam
Eu fico sozinho, em casa choro por você
É só o que faço
Não dá pra evitar, meu amor é você

b.
Você já deve saber da sua fama por aqui (chifre, chifre)
Só o que dizem é que não sabe nem nunca soube ser só de um

Não me importo com o que dizem por aí
Eu vou te amar acima de todas as coisas
É só o que faço, é verdade
Não quero nenhuma outra, meu amor é você
01.B-04 QU3M 4QU1 QU3R 5483R D3 UM 536R3D0 (transcriação de r.l.almeida @846r3, letras & música de John Lennon & Paul McCartney, direitos protegidos por Sony ATV Muzyc Inc)

r.
Você ainda há de saber o quanto eu já te amo
Você ainda há de saber o quanto eu já te quis

Ouça
Quem quer saber de um segredo
Que promete não contar

Perto
Sussurro onda que se alastra
As palavras pra ouvir

[ Eu amo você

01.B-05 P4R3C3 M3L (versão r.l.almeida @846r3, letras de Bobby Scott & Phillip Marlowe)

a.
Parece mel!
Melhor que o mais doce dos vinhos

No sonho eu vejo o teu beijo
Colando nos meu lábios de novo

[ Eu volto, já sabe, volto sim
[ Te buscar, ao teu mel e você

É teu o beijo que me desperta
Ainda o sinto, olha estou distante

01.B-06 T3M UM LU64R (transcriação de r.l.almeida @846r3, letras & música de John Lennon & Paul McCartney, direitos protegidos por Sony ATV Muzyc Inc)

Tem um lugar
Que dá pra ir
Tudo acabou
Tudo está tão só
A culpa é minha
E não tem mais tempo, eu vou sozinho

Eu penso em ti
Nas tuas coisas
É só o que eu lembro
Quantas vezes me disse
“Eu te amo para todo o sempre”

r.
Não ficou culpa para mim.
Não sabia que eu era assim?
O amanhã não é ruim
Não sabia que eu era assim?

01.B-07 TU1574 3 54L74 (versão r.l.almeida @846r3, letras de Phil Medley & John Russell)

r.
Sacode a poeira agora irmão
Tuísta e salta
Vai lá agora é a hora, irmãzinha
Vamos sacudir este poeirão

Sacode a poeira, gata
Você tá um filézinho
Você me botou no seu caminho
Já não me sinto sozinho

Você sabe, tuísta essa, gatinha
Você tuísta bem devagar
Chega mais e tuísta bem de pertinho
Quero a minha garotinha olhar

 

Duas canções, duas traduções

          salve, salve, minha azul & ingrata bloguesfera nossa de cada dia! mais um episódio do “Duas canções, duas tradudogs” no ar, hoje rememorando a mulher & as mulheres que tanta vida dão para que a Vida do mundo aconteça. hoje a experiência é verter do Espanhol ao Português, & do Português ao Inglês: de um lado, a folclorista Violeta Parra; do outro, o jornalista Adoniram Barbosa.

          Violeta Parra é o nome de escritora de Violeta del Carmen Parra Sandoval, nascida no quarto dia de Outubro de 1917, em San Fabián ou talvez em San Carlos, no Chile, a terceira filha numa linhagem de nove (a primeira das três mulheres da prole). os filhos do casal Parra-Sandoval desde muito crianças já se inclinavam aos dotes artísticos, imitando artistas que itineravam pelo vilarejo: as crianças realizavam frequentes reuniões & soirées nas cercanias do bairro, naturalmente cobrando por suas performances para complementar a renda da família. Violeta já toca violão aos nove, & aos doze compõe sua primeira música. Violeta é sobrevivente de varíola, que só foi considerada erradicada em 1980. a família Parra teve que dar muito duro depois da perca do patriarca em 1929. Violeta torna mais frequente as apresentações em clubes, às vezes com as irmãs Hilda & Clara, e normalmente com os irmãos Eduardo & Roberto, interpretando boleros, rancheras & toadas do cancioneiro popular chileno. seu irmão, Nicanor, vai crescer para tornar-se um dos expoentes da corrente poesia chi-chi-chi-chilena!

          casa-se em 1938, tendo dois filhos (de um total de quatro) que não demoram a adentrar o mundo artístico com o sobrenome da mãe. deste primeiro casamento separa-se em 1948, mas levou como herança do marido, membro do Partido Comunista local, a militância política velada, que seguirá até o final de sua vida. Violeta apresenta-se em boates, em clubes de bolero, em programas de rádio, junta-se a um grupo de teatro mambembe. começa uma pesquisa de compilação das histórias do imaginário popular de seu país, recolhendo a tradição oral & consolidando-a em textos. Violeta anda o país inteiro para isso, & foram nestas primeiras andanças que conheceu Pablo Neruda, Pedro Massone & Alberto Zapiacán. publica em 1959 o livro “Cantos folclóricos chilenos”, com mais de 3000 canções, seguindo o exemplo de Charles Peraux & os irmãos Jacob e Wilhelm Grimm, ainda nos anos 1800s, & compartilhando da receita do sucesso com Luis da Câmara Cascudo e seu “Contos tradicionais do Brëzyl” (livro em 1946). em 1954, Violeta ganha o prêmio Caupolicán de artista popular do ano, o que lhe credencia para viajar até a Polônia & se apresentar em um festival para jovens expoentes mundiais. nesta viagem aproveita para conhecer a Rússia & algumas partes da Europa.

          a estadia em Paris foi particularmente proveitosa, já que registra em disco de longa duração várias canções que compilara no cancioneiro chileno. seu primeiro trabalho solo & de maior fôlego, pedra fundamental de tudo que virá depois, é de 1956, “Guitare et chant: chants et danses du Chili”, onde já constam “Violeta ausente”, & o grande sucesso que cantaria até o fim de sua vida, “La jardinera”. O sucesso deste trabalho foi grande, inédito para qualquer artista fora das Zooropas & EUA, o que encheu a escritora de inspiração & criatividade. gravou mais quatro discos (“Canto y guitarra”, de 1957; “Acompañada de guitarra”, de 1958; “La tonada” e “La cueca”, de 1959), todos com temas sociais, canções em décimas ou composições poéticas, & também adaptações de poesia. depois destes discos, diversifica ainda mais sua arte, & começa esculpir em cerâmica, a pintar com tinta óleo, a costurar em estopa, sempre retratando as origens mapuches.

          criada longe do academicismo (um tanto por razões econômicas da família, outro tanto pelo pouco interesse que tinha na escola), Violeta tem um estilo inocente & autodidata. foi a primeira artista da América do Sul a realizar uma exposição individual no Museu do Louvre, em Paris, aos 47 anos de idade. A cantautora inaugurou uma casa, onde recebia amigos e outras pessoas para tardes de poesia, que segue firme & forte até hoje – o Museu Violeta Parra. mata-se com um tiro na cabeça, aos 49 anos de idade, um ano depois de escrever o hino humanitário que desde que foi escrito não parou de ser cantado, “Gracias a la vida”. ainda hoje, os motivos que a levaram a saída tão trágica são desconhecidos.

          escolhi como exercício de tradução um de seus primeiros sucessos, “Violeta ausente”, considerada um hino à situação de chileno longe de casa. aproveito a oportunidade de Violeta ser assunto hoje aqui no blogue para fugir à tradição que eu mesmo criei: publico junto uma segunda letra, a minha versão de “Gracias a la vida”, que já fez sucesso na voz de Mercedes Sosa, Chico Buarque, Joan Baez, Milton Nascimento, Elis Regina & muitos outros. na verdade: ainda faz sucesso!

V10L3T4 4US3N73 (letra de Violeta Parra)
1.
¿Por qué me vine de Chile
tan bien que yo estaba allá?
Ahora ando en tierras extrañas,
ay, cantando como apenada.

2.
Tengo en mi pecho una espina
que me clava sin cesar
en mi corazón que sufre,
ay, por su tierra chilena.

r.
Quiero bailar cueca,
quiero tomar chicha,
ir al mercado
y comprarme un pequén.
Ir a Matucana
y pasear por la quinta
y al Santa Lucía
contigo mi bien.

3.
Antes de salir de Chile
yo no supe comprender
lo que vale ser chilena:
ay, ahora sí que lo sé.

4.
Igual que lloran mis ojos
al cantar esta canción,
así llora mi guitarra
ay, penosamente el bordón.

5.
Qué lejos está mi Chile,
lejos mi media mitad,
qué lejos mis ocho hermanos,
ay, mi comadre y mi mamá.

6.
Parece que hiciera un siglo
que de Chile no se nada,
por eso escribo esta carta,
ay, la mando de aquí pa’ allá.

\\|//

V10L3T4 4US3N73 (tradução de r.l.almeida)
1.
Por que fui deixar o Chile
Tão bem passava por lá?
Agora ando em terras estranhas,
Ai, canto igual alma penada.

2.
No meu peito existe um espinho
Que machuca e não vai parar
O meu coração só sofre
Ai, por sua terra chilena

r.
Quero dançar a cueca
Quero beber a chicha
Ir ao mercado
Me comprar um pássaro.
Conhecer a Matucana
E passear pelo bairro
Ir até Santa Lucia
Você e eu juntos, meu bem.

3.
Antes de sair do Chile
Não soube como entender
Quanto vale ser chilena
Ai, agora acho que sei.

4.
Igual ao quanto choram meus olhos
Quando canta esta canção
É o quanto chora minha guitarra
Ai, sofredora no refrão

5.
Que longe está meu Chile,
Que longe minha metade está,
Que longe meus oito irmãos,
Ai, e minha comadre e minha mamãe.

6.
Parece que já faz 100 anos
Que do Chile não sei nada,
Por isso escrevo esta carta,
Ai, a mando daquí para lá

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14.xicara
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GR4C145 4 L4 V1D4 (letra de Violeta Parra)
1.
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio dos luceros que cuando los abro
Perfecto distingo lo negro del blanco
Y en el alto cielo su fondo estrellado
Y en las multitudes el hombre que yo amo

2.
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado el oído que en todo su ancho
Cada noche y días, Grillos y canarios,
Martillos, turbinas, ladridos, chubascos
Y la voz tan tierna de mi bien amado
3.
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado el sonido y el abecedario
Con el las palabras que pienso y declaro
Madre, amigo, hermano y luz alumbrando
La ruta del alma del que estoy amando
4.
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado la marcha de mis pies cansados
Con ellos anduve ciudades y charcos
Playas y desiertos, montañas y llanos
Y la casa tuya, tu calle y tu patio
5.
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio el corazón que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano
Cuando miro el bueno tan lejos del malo
Cuando miro el fondo de tus ojos claros
6.
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto
Así yo distingo dicha de quebranto
Los dos materiales que forman mi canto
Y el canto de ustedes que es el mismo canto
Y el canto de todos que es mi propio canto
\\|//

4GR4D3Ç0 À V1D4 (versão de r.l.almeida)
1.
Agradeço à vida que já me deu tanto
Deu-me dois olhos e quando os abro
Distingo perfeito o preto e o branco
Também o alto dos céus, até o fim estrelado
Também nas multidões a pessoa amada

2.
Agradeço à vida que já me deu tanto
Fez-me ser sensível a tudo que desconheço
A cada noite e dias, grilos e canários
Martelos, turbinas, latidos, borrascas
E à voz tão terna da pessoa amada

3.
Agradeço à vida que já me deu tanto
Deu-me os barulhos e o abecedário
Com ele as palavras com que penso e falo
Mãe, amigo, irmão, luz iluminando
Mapa para a alma de quem eu amo

4.
Agradeço à vida que já me deu tanto
Deu-me até a marcha de meus pés cansados
Com eles andei por cidades e mangues
Praias e desertos, montanhas, planaltos
Também a casa tua, teu jardim, teu quarto

5.
Agradeço à vida que já me deu tanto
Fez-me um coração que sente tua presença
Quando vejo o fruto do cérebro humano
Quando vejo o bem tão longe do mal
Quando vejo o fundo de teus olhos claros

6.
Agradeço à vida que já me deu tanto
Deu-me a risada, me deu também o canto
Assim eu distinguo dito de encanto
Duas das matérias que compõe meu canto
E o canto de vocês todos que é o mesmo canto
E o canto de todos que é meu próprio canto

Adoniran-1974-capa
capa do disco de 1974

          o que nos traz de volta ao Brazyl. sabe-se menos da época primeira do Cinema (1896, até 1914) do que sobre a Pré-História da Humanidade (2 bilhões até uns 10 mil anos atrás, antes do Marco Zero de Jesus Cristo & a Cristandade). o Rádio, descoberto pelos anos 1860s, e com um Nobel em Física em 1901, só foi tornado massivo após 1927 (depois das chegadas das vitrolas tocadoras de discos que podiam ser acopladas diretamente ao aparato transmissor). até então, a Arte acontecia nos Jornais, & nos Palcos, & nas Ruas: onde pudesse ser reproduzida & apreciada. o átomo de Rutherford já dava as caras, mas só vai começar a ser levado a sério depois dos atentados de Hiroshima & Nagasaki: os que nasceram depois de 1945 são Filhos do Átomo; os que nasceram antes, Filhos do Rádio.

          Adoniran Barbosa é legítimo Filho do Rádio, nascido em Valinhos, SP, Brazyl, no sexto dia de Agosto de 1910, & era o nome de escritor de João Rubinato. filho dos Rubbinato & Rucchini italianatos chegados ao país na primeira leva dos anos 1890s, sua família percorre a tríade de cidades Jundiaí – Santo André – São Paulo, partindo das lavouras para chegar à capital paulista. o menino João é o caçula dos sete filhos da família. de surrupiador de marmitas, na juvenília campineira, ascende aos palcos como ator. só ganhou sua porção de luz na ribalta porque este primeiro momento do Rádio estava em plena ascensão, já que tinha acabado de ganhar um irmão de peso: o cinema da década de 1920s, chamado comumente de “Sistema de Estrelas”.

          porque o Rádio acontecia ao vivo, em pequenos estúdios (para a equipe técnica) com enormes anfiteatros (para o público, que comparecia em peso para assistir aos programas). Adoniran trabalha na rádio a partir da década de 1930, primeiro pela Cruzeiro do Sul, depois pela Rádio São Paulo, depois pela Difusora. inclusive, Adoniran é o nome de seu personagem mais adorado pelos ouvintes: era difícil para João sair da personagem. casa-se em 1936 com Olga Krum, de onde vem a primeira & única filha, hoje tradutora, Maria Helena Rubinato, em 1937. depois do desquite, acerta no segundo casamento com Mathilde de Lutiis (em 1949), que dura até sua morte, em 1982. em 1941 sua condição financeira começa a melhorar, graças ao contrato com a Rádio Record, onde ficará até 1972, quando se aposenta da rádio & inicia sua carreira enquanto musicista. na Rádio Record, atua em peças humorísticas escritas pelo produtor/escritor Osvaldo Moles, encarnando tipos como Zé Cunversa, o malandro; Jean Rubinet, o galã do cinema francês; Moisés Rabinovic, o judeu das prestações; Richard Morris, o professor de inglês; Dom Segundo Sombra, o cantor de tango-paródia; Perna Fina, o chofer italiano; e o sambista paulistano Charutinho.

          o jovem Adoniran encontra dificuldades & ostracismo entre os anos 1930s – 1970s. o próprio artista se vê como escritor & não como cantor, mas ainda um escritor que poucos querem comprar. de uma época em que as rádios tocavam ostensivamente o romantismo & a dor de cotovelo de Aracy De Almeida, Nelson Gonçalves, Chiquinha Gonzaga, Ary Barroso & Orestes Barbosa, Adoniran tenta aumentar sua popularidade & mostrar que suas composições são mesmo boas, gravando em 1951 seu primeiro compacto, onde está sua “Saudosa maloca” (e, no outro lado, “Os mimosos colibri”, de Moles & Hervê Cordovil). de acordo com o artista, este single vendeu apenas duas cópias. a soma de experiências vividas, de doses de humor & da observação afiada dá ao país um de seus maiores & mais sensíveis cronistas, onde a construção linguística, pontuada pela escolha exata do ritmo da fala paulistana, transforma suas letras de sambas em poesia legítima. O uso do português falado nas ruas, e não o idioma formal, é uma das suas características: “escrevo samba para as pessoas comuns”, é uma das suas clássicas defesas da corruptela do idioma. mais uma das grandes citações, esta dentro da letra de samba: “eu gosto dos meninos deste tal de ie-ie-iê porque com eles canta a voz do povo”. o grande tema cantado pelo poeta foi a vida comum em meio à miséria & à especulação imobiliária na capital paulista (entre os anos 1930 e 1960), o que vai ecoar na capital brazuca-fluminense como samba de pedigree 100% vindo do alto dos morros. um Ira Gershwin nascido nos trópicos, por assim dizer.

          a amizade com os Demônios da Garoa começa em 1943, nos corredores das Rádios Unidas (onde o grupo também fazia parte do elenco). em 1949 gravam cenas para o filme “O cangaceiro”, de Lima Barreto (lançado em 1953, ganhador do prêmio do Festival de Cannes daquele ano, na categoria de Melhor Filme de Aventura). “Saudosa maloca” & “O samba do Arnesto” foram seu passaporte para o estrelato, na gravação do disco dos Demônios em 1954, vendendo 90mil cópias à época e levando-os para o programa de Abelardo Barbosa, o Chacrinha (o disco contém também “Iracema” e “Apaga o fogo, Mané!”) . em 1964 veio “Trem das onze”, que ganha prêmio no carnaval carioca de 1965, confirmando Adoniran no time de colaboradores dos Demônios e como um dos grandes nomes do samba tupiniquim.

          Adoniran só vai virar referência obrigatória no compêndio da Escola da Vida em 1974, quando lança seu primeiro disco de longa duração. Neste disco fulguram pérolas como “Bom dia, tristeza”, “As mariposas” e “Prova de carinho”. “Samba do Arnesto” também deveria estar no primeiro disco, mas foi barrada pela Censura, pelos erros de português (sic) (((ha! haha! hahahaha! cês nunca ensinam nada, tão nem aí pra m3rd4 toda e vem agora arrotar o que é certo do que é errado! hahahaha!))) e pelo alto teor de deboche frente à marcha do progresso. não se passam nem seis meses do primeiro lançamento &, com as vendas só crescendo, a gravadora encomenda um segundo disco a Adoniran. o produtor Pelão convida para escrever o texto de contracapa nada mais, nada menos do que Antonio Cândido, celebrado professor da Universidade de São Paulo, que escreve (e eu transcrevo e mostro a contracapa): ”tenho lido que Adoniran usa uma língua misturada de Italiano & Português. Não concordo. Da mistura, que é o sal da nossa terra, Adoniran colheu a flor & produziu uma obra radicalmente brasileira, em que as melhores cadências do samba & da canção, alimentadas inclusive pelo terreno fértil das Escolas, se alia com naturalidade às deformações normais de português brasileiro, onde Ernesto vira Arnesto, em cuja casa nós fumo & não encontremo ninguém, exatamente como por todo esse país”. com o Candinho é que a gente aprende as coisas, diz aí! no segundo disco, ainda figuram peças já celebradas do autor, como “Pafunça” e “Joga a chave”.

adoniran-1975-contracapa
contracapa do disco de 1975

          escolhi para o exercício de tradução do dia “Apaga o fogo, Mané!”, do disco de 1974, inspirado pelas celebrações do Dia Internacional das Mulheres. tem uma mulher na letra, vocês devem ter notado. ela se chama Inês. ou Inêz. pode ser uma intertextualidade com Inês de Castro, “aquela que depois de morta foi Rainha”. com S ou com Z, tanto faz: o fato é que o nome da música é “Apaga o fogo, Mané!”. Inês (ou Inêz) é irmã de “Irene no Céu”, de Manuel Bandeira. são poucas as mulheres que estão nas nossas cenas ficcionais. são ainda menos as mulheres que aparecem sorrindo. em Bandeira, Irene entra no céu, bonachona, porque ela sabe que é lá que pertence. aqui com Adoniran, vamos relembrar: é o país nos anos 60, numa cena (comum?) de relacionamento abusivo. se em briga de marido & mulher não se mete a colher, Adoniram deve ter testemunhado pelo menos uma vez essa história acontecendo, & resolveu escrever a letra enquanto manifestação de denúncia. a menina não pode nem ir ao mercado, que o cara fica esperando no portão. & ele só vai descobrir o fim do dito relacionamento num bilhete, no chão da cozinha, no final da noite, ou do dia, sabe-se lá quanto tempo depois que passou que Inês (ou Inêz) se foi, mas sabemos que Inesz ainda não voltou! e nem vai voltar!

4P4G4 0 F0G0, M4NÉ (letra de Adoniran Barbosa)
1.
Inês saiu
Dizendo que ia
comprar um pavio pro lampião
Pode me esperar, Mané, que eu já volto já

2.
Acendi o fogão
Botei água pra esquentar
E fui pro portão
Só pra ver Inês chegar

3.
Anoiteceu
E ela não voltou
Fui pra rua feito louco
Pra saber o que aconteceu

r1.
Procurei na Central
Procurei no Hospital e no xadrez
Andei a cidade inteira
E não encontrei Inês

r2.
Voltei pra casa
Triste demais
O que Inês me fez
Não se faz

4.
E no chão bem perto do fogão
Encontrei um papel escrito assim:
“Pode apagar o fogo, Mané!,
que eu não volto mais!”

\\|//

UNL1T Y0UR F1R3, MY L0V3 (tradução de r.l.almeida)
1.
Ignez has flee, she said
she would bought refil to the gas lamp
“Will you wait me here, my love?
I do not think I will be long”

2.
Water in the can
And then I lit the fire
Looking in the streets
Waiting Ignez arrive

3.
Falling the night
She did not came back
I hit the streets like a maniac
To understand what was happening

r1.
Searched the bus stations
Searched into the prisons and infirmaries
Walked around the whole town
Ignez could not be found

r2.
Went back to my place
Sad and lonely
What she did to me
Just can not be

4.
I saw in the ground nearing our stove
I have found a note, look how it was written
“You will unlit your fire, my love!
I will never more go home.”

          depois disso tudo, Adoniran Barbosa empresta seu nome a escola municipal, a rua no bairro do Bexiga, a praças, ganha cinco vezes o prêmio Roquette Pinto. quase ganhou um Museu, mas o acervo do escritor ainda está não tem rumo certo, & por enquanto vive alojado em caixas na Galeria do Rock. calma aí, meu amigo, porque ainda vai chegar o dia em que o Brazyl vai compreender que a História vale quanto pesa.

Duas canções, duas traduções

 

 

 

“La vie en ròse” X Dolores Duran, Maysa

IV

La vie en rose – Edith Piaf, Louiguy, Robert Chauvigny

Mayza? Dolores Duran?

 

 

L4 V13 3N R053

A-I

Des yeux qui font baisser les miens

Un rire que se perd sur sa bouche

Voilà le portrait sans retouche

De l´homme auquel j´appartiens

 

1.

Quand il me prend dans ses bras

Il me parle tout bas

Je vois la vie en rose

 

2.

Il me dit des mots d´amour

Des mots de tout les jours

Et ça me fait quelque chose

 

3.

Il est entré dans mon coeur

Une part de bonheur

Dont je connais le cause

 

r.

C´est lui pour moi

Moi pour lui dans la vie

Il me la dit

La juré pour la vie

 

4.

Et dès que je l´aperçois

Alor je sens en moi

Mon coeur qui bat

 

A-II

Des nuits d´amour à plus finir

Un grand bonheur qui prend sa place

Des ennuis, des chagrins s´effacent

Heureux, heureux à en morrir

 

 

 

L4 V13 3N R053, versão de Neil Armstrong

1.

Hold me close and hold me fast

The magic spell you cast

This is la vie en rose

 

2.

When you kiss me heaven sights

And though I close my eyes

I see la vie en rose

 

3.

When you press me to your heart

I´m in a world apart

A world where roses bloom

 

r.

And when you speak, angels sing from above

Everyday worlds seem to turn into love songs

 

4.

Give your heart and soul to me

And life will always be

La vie en rose

 

 

A V1D4 3M R054, versão Max Brandão
A-I
Os olhos que fazem baixar os meus
Um riso que se perde em vossa boca
Eis o retrato sem retoque
De meu homem

1.
Quando estou em seus braços
Ele me fala todo baixo
Eu vejo a vida em rosa

2.
Me fala palavras de amor
Palavras de todos os dias
E isso me faz alguma coisa

3.
Que atinge meu coração
Um pouco de felicidade
Que conheço a causa

r.
É ele por mim, eu por ele na vida
Ele me disse, me jurou pela vida

4.
E então que eu o percebo
E sinto em mim
Meu coração pulsar

A-II
Das noites de amor a não mais findar
A grande felicidade que toma lugar
Os tédios, e as tristezas desfazem
Feliz, feliz até morrer

 

A V1D4 3M R05É, versão rlalmeida

A-I

Seu olhar que quando encontra me beija

Um riso que salta de dentro dos dentes

Você é o retrato sem nenhum retoque

De uma pessoa que mal e mal me lembro

 

1.

Quando nos descruzamos os braços

Saudades de teus abraços

Vejo a vida en rosè

 

2.

Você disse que ia me amar

O simples que era gostar

O querer bem que me faz bem

 

3.

Você meu coração ganhou

No labirinto que adentrou

Fui eu quem deu as deixas

 

r.

Você vive por mim e eu vivo por você

Nós dois juntos dure a nossa vida inteira

 

4.

Antes achava que ia morrer

Agora já sinto bater

De volta o meu coração

 

A-II

As nossas noites juntos não parecem ter fim

A quantidade de paz que decide ficar

O tédio e a tristexa parecem vagar

A loucura, a alegria em morrer