disco-niversário, uma tradução: “Parabolicamará” \\|// “Satellite companion” (Janeiro de 1992)

          este artigo celebra o aniversário de Gilberto Gil, nome de escritor de Gilberto Passos Gil Moreira, nascido no vigésimo sexto dia de Junho do ano de 1946, na capital da Bahia. na música tupiniquim, Gil é a outra metade do inconsciente coletivo brasileño da virada das décadas de 1960 para 1970 – a outra metade logicamente significando Caê, seu meio-irmão de alma & percurso.
          filho primogênito do médico José Gil Moreira & da professora primária Claudina Passos Gil Moreira, neto de dona Lídia Moreira, a família vivia num ir & vir da capital para o interior, do bairro do Tororó para cidades como Ituaçú, resultado da procura do provedor por emprego.
          aos 9 anos de idade ganha o primeiro instrumento musical, um acordeão – a fabulosa sanfona de outros recantos. por muito tempo, sua principal influência popular foi Luiz Gonzaga, por achar assemelhado o Brasil que Luiz Gonzaga cantava protagonizando suas letras. aos 12 anos organiza “Os desafinados”, primeira reunião musical de amigos. por volta dos 13 anos já é apadrinhado no grupo de Dorival Caymmi & Jorge Amado, seguindo a correnteza lógica da música que vinha com as areias das Dunas & o marulhar do Oceano. em 1958 João Gilberto lança o paradigmático “Chega de saudade”: está marcada assim a santíssima trindade sob a qual Gil vai erigir sua obra.
          foi também em 1958 que Jorge Amado publicou o livro que o alçou ao mundo, “Gabriela cravo e canela”. em 1960, Gil adentra a Universidade Federal da Bahia, de onde sai com o diploma de bacharel em administração pública, em 1964. o diploma o leva para São Paulo, a capital-cinza, para trabalhar como estagiário de publicidade na Gessy-Lever, mas seus contatinhos de faculdade (tais como José Capinan, Rogério Duprat, o próprio Caê & o grupo Os Mutantes) insistem em levá-lo ao mundo musical.
          chega o Maio de 1967. Gilberto Gil publica “Louvação”, primeiro disco de longa-duração – saíram como divulgação em single as faixas “Procissão” & “Ensaio geral”. produção da Philips/RCA de João Neto, com arranjos de Dori Caymmi, Carlos Monteiro Souza, Bruno Ferreira, nas letras parceirando com Caê, Capinan, Torquato Neto, João Augusto, o disco traz 14 faixas em que o autor visita suas raízes nordestinas, o carnaval, o frevo&o baião, as baladas dos anos cinqoenta, a bossa nova, o samba. talvez o passo mais ousado de todo o disco seja a faixa três deste disco, “Lunik 9” – parceria com Torquato Neto. em “Água de meninos”, é parceria com Caê, que a cantava como “Beira-mar”, música que narra um incêndio & pedra fundamental do que há de comum entre os dois – assim como Gilberto Gil, Caê sobreviveu ao horror da raiva hidrofóbica dos verdugos! vale a pena lembrar: este era só o disco de estréia, em uma carreira que contabiliza 27 discos de estúdio, até o momento de publicação deste artigo. em Agosto deste mesmo ano de 67, acontece o terceiro festival de Música da Rede Record, de onde Gil sai laureado com o segundo lugar & a faixa final do seu próximo disco, “Domingo no parque”.
          o disco seguinte, “Frevo rasgado” (Maio de 1968), é considerado a pedra fundamental da Tropicália, porque une de vez fotógrafos, musicistas, coreógrafos, pintores & escritores querendo digerir “Sargeant Peppers” para aqueles que vivem ao Sul da linha do Equador: “Luzia Luluza” é a faixa principal deste Manifesto; e onde “Domingo no parque” funciona como introdução ao léxico do grupo; nos dias de hoje, este disco finaliza com “Questão de ordem”, que só foi adicionada à playlist para o relançamento comemorativo das bodas de ouro do disco, numa total compactuação com as guitarras elétricas ou quaisquer outros instrumentos musicais.
          em 1967, Gil comete casamento com a da filha de Dorival e de dona Stella Maris, Dinahir Caymmi – Nana, a primogênita, irmã mais velha de Dori e de Danilo. é decretada sua prisão em Dezembro de 1968, quando Gil tinha um programa na televisão & encontrava-se em excursão pelo país com seus amigos tropica-valentes. uma presença era constante no palco: a bandeira nacional com a intervenção de Hélio Oiticica, “Seja marginal, seja herói”, transformam Caê e Gil em prêmios principais do Ato Institucional número cinco: os dois são presos alguns dias depois do Natal de 1968, e amarguram até a Quarta-feira de Cinzas em um quartel, no Rio de Janeiro, quando são liberados para prisão domiciliar. suportam esta situação até Julho de 1969, quando realizam um show de despedida do Brëzyl no Teatro Castro Alves, optando por um exílio nas Zooropas, primeiro em Lisboa, depois em Paris,  finalmente fixando residência em Londres.
          para o país, Gil retornará somente no ano de 1972. dono de uma carreira musical mundialmente premiada, amplia sua ação ao plano político, agindo diretamente na vida das pessoas para quem cantava: assume a vereança em sua cidade de origem no período 1989 ~1992; em 1997, é condecorado com a Ordem Nacional ao Mérito do governo francês; em 1999, é nomeado “Artista pela Paz” pela UNESCO; finalmente, de 2003 a 2008, trabalha como Ministro da Cultura, implementando mais de 2500 Pontos de Cultura em 1122 cidades do país.
          para o exercício de tradução de hoje escolhi o 13o disco de Gil, “Parabolicamará”, de 1992. neste disco, “Um sonho” é a faixa que primeiro puxou minha atenção, onde o eu-lírico narra um sonho que teve, um discurso para muitos gravatas importantes em um grande fórum mundial – um sonho que lhe veio quase 13 anos antes de acontecer de verdade!

 

PARABOLICAMARÁ (lançamento de Janeiro de 1992, Warner Music)

 

 

A.01-MADALENA (ENTRA EM BECO SAI EM BECO) (Isidoro)
Fui passear na roça

Encontrei Madalena

Sentada numa pedra

Comendo farinha seca

Olhando a produção agrícola

E a pecuária

 

Madalena chorava

Sua mãe consolava

Dizendo assim

Pobre não tem valor

Pobre é sofredor

E que ajuda é Senhor do Bonfim

 

Entra em beco sai em beco

Há um recurso Madalena
Entra em beco sai em beco

Há uma santa com seu nome

 

Entra em beco sai em beco

Vai na próxima capela
E acende uma vela

Pra não passar fome

 

 

A.02-PARABOLICAMARÁ (Gilberto Gil)
Antes mundo era pequeno
Porque Terra era grande
Hoje o mundo é muito grande
Porque Terra é pequena
De tamanho da antena parabolicamará

Ê, volta do mundo camará
Ê, mundo dá volta, camará

Antes longe era distante
Perto só quando dava
Quando muito ali defronte
Eo horizonte acabava
Hoje lá trás dos montes dende casa camará

De jangada leva uma eternidade
De saveiro leva uma encarnação
De avião o tempo de uma saudade

Pela onda luminosa
Leva o tempo de um raio
Tempo que levava rosa
Pra aprumar o balaio
Quando sentia que o balaio ia escorregar

 

Esse tempo nunca passa

Não é de ontem nem de hoje

Mora no som da cabaça

Nem está preso nem foge

No instante que tange o berimbau, meu camará

Esse tempo não tem rédea

Vem nas asas do vento

O momento da tragédia

Chico Ferreira e Bento

Só souberam na hora do destino apresentar

 

A.03-UM SONHO (Gilberto Gil)
Eu tive um sonho Que eu estava certo dia
Num congresso mundial Discutindo economia

Argumentava em favor de mais trabalho, mais

empenho, mais esforço, mais controle, mais valia

 

Demonstrei de mil maneiras
Como que um país crescia
E me bati pela pujança econômica

Baseada na tônica da tecnologia

 

Apresentei estatísticas e gráficos

Demonstrando os maléficos efeitos da teoria
Principalmente a do lazer, do descanso

Da ampliação do espaço cultural da poesia

Disse por fim para todos os presentes
Que o pais só vai pra frente se trabalhar todo dia
Estava certo de que tudo o que  eu dizia
Representava a verdade pra todo mundo

Foi quando um velho levantou-se da cadeira
E saiu assoviando numa triste melodia

Que parecia um prelúdio bachiano
Um frevo pernambucano, um choro do Pixinguinha

E no salão todas as bocas sorriram,
Todos os olhos me olharam, todos os homens saíram
Um por um,

Um por um,

Um por um,

Um por um.

 

Fiquei ali naquele salão vazio,

de repente senti frio e reparei que estava nú!
Me despertei, assustado e ainda tonto,

Me levantei e fui de pronto pra calçada ver o céu azul
E os operários escolares que

passavam Davam risada

e gritavam

Viva o índio do Xingú!

 

Viva o indio do Xingú,

Viva o índio do Xingú,

Viva o índio do Xingú.

 

A.04-BUDA NAGÔ (Gilberto Gil)
Dorival é ímpar
Dorival é par

Dorival é terra

Dorival é mar

 

Dorival tá no pé

Dorival tá na mão

Dorival tá no céu

Dorival tá no chão

 

Dorival é belo

Dorival é bom

Dorival é udo

Que estiver no tom

 

Dorival vai cantar

Dorival em CD

Dorival vai smbar

Dorival na TV

 

Dorival é um buda nagô

Filho da casa real da inspiração

Como príncie principiou

A nova idade de ouro da canção

Mas um dia Sanhô

Deu-lhe a iluminação

Lá na beira do mar (foi)

Na praia de armação (foi não)

Lá no jardim de Alá (foi)

Lá no alto sertão (foi não)

Lá na mesa de um bar (foi)

Dentro do coração

 

Dorival é Eva
Dorival é Adão

Dorival é lima

Dorival limão

 

Dorival é a mãe

Dorival é o pai

Dorival é o peão

Balançamas não cai

 

Dorival é um monge chinês

Nascido na Roma negra, Salvador

Se é que ele fez fortuna ele a fez

Apostando tudo na carta do amor

Azes, damas e reis

Ele teve e passou

Teve o mundo aos seus pés

Ele viu e nem ligou

Seguidores fiéis

E ele se adiantou

Só levou seus pincéis
A viola e uma flor

 

Dorival é índio

Desse que anda nú

Que bebe garapa

Que come beijú

 

Dorival no Japão

Dorival samurai

Dorival é anação

Balança mas não cai

A.05-SERAFIM (Gilberto Gil)
Quando o agogô soar

O som do ferro sobre o ferro

Será como o berro do carneiro

Sangrado em agrado ao grande Ogum

 

Quando a mão tocar o tambor

Será pele sobre pele

Vida e morte para que se zele

Pelo orixá e pelo ogum

 

Kabiêcile vai cantando o ijexa pro pai Xangô

Eparrei oraieié pra Iansã e mãe Oxum

Obabi olorum kozi como deus não há nenhum

 

Será sempre axé

Será paz será guerra Serafim

Através das travessuras de Exu

Apesar da travessia ruim

 

Há de ser assim

Há de ser sempre pedra sobre pedra

Há de ser tijolo sobre tijolo

E o consolo é saber que não tem fim

 

 

B.01-QUERO SER TEU FUNK (Gilberto Gil, De e Liminha)
Quero ser teu funk
Ja sou teu fa numero um

Agora quero ser teu funk

Ja sou teu fa numero um

 

Funk do teu samba

Funk do teu choro

Funk do teu primeiro amor

 

Rio de Janeiro

Bela Guanabara

Quem te viu primeiro pirou

 

Chefe Arariboia que andava

De Araruama a Itaipava
Nao cansava de te adorar

 

Depois te fizeram cidade

Te fizeram tanta maldade

E um Cristo pra te guardar

 

Funk do teu morro

Funk do socorro

Que o pivete espera de alguem

 

Rio de Janeiro

Sou teu companheiro

Mesmo que nao fique ninguem

 

Mesmo que Sao Paulo te xingue

Porque te cobica o suingue

O mar, a preguica, o calor

 

Lembra da Bahia que um dia

Ja mandou Ciata, a tia

Te ensinar kizomba nago

 

Funk da madrugada

Funk qualquer hora

Funk do teu eterno fa

 

Funk do portuga

Que te amava outrora

Agora funk da turista alema

 

Rio de Janeiro, Rocinha

Sempre a te zelar, Pixinguinha

Jamelao, Vadico e Noel

 

Funk sao teus arcos da Lapa

Funk e tua foto na capa

Da revista amiga do ceu

 

 

B.02-NEVE NA BAHIA (Gilberto Gil)
Xuxa

Bruxa

Ducha de agua fria

No fogo do meu plexo solar

 

Loura

Moura

Neve na Bahia

Um furacao sem furia no meu marulhar

 

Agri

Doce

Tal um sal de fruta

Vos me agredais quanto vos me agredis

 

Ouca

Garca

Inocente e astuta

Clareza absoluta e mil ardis

 

Gueixa disfarcada de boneca

Sudanesa travestida de alema

Porque sois o misterio a luz do dia?

Porque sois sempre a noite de manha?

 

Ainda bem que sois fruta no meu sonho

A velha obviedade da maca

Que escolho e colho e mordo na bochecha, Xuxa

E tendes travo e gosto de avela

 

Vick
Vapor

Lenta anestesia

Pimenta na garrafa de isopor

 

Xuxa

Bruxa

Ouro de alquimia

Sois flecha de um cupido pos-amor

 
B.03-YA OLOKUN (Monica Millet e Fred Vieira)
Ribeira eu peco licenca

Pra as aguas do mar, Olokun

Ye Olokun, Ya Olokun

 

Sao pontos de areia

Os destinos brilhando num so Olokun

Ye Olokun, Ya Olokun

 

As aguas salgadas

Os homens sujaram o mar, Olokun

Ye Olokun, Ya Olokun

 

Vamos salvar o dique do tororo

Bahia de todos os santos

Sol e areia, ea, ea, ea

 

Perpetuar aqueles que nos dao

A mare vazia e tambem a mare cheia

 

B.04-O FIM DA HISTORIA (Gilberto Gil)
Nao creio que o tempo

venha comprovar

nem negar que a historia

possa se acabar

 

Basta ver que um povo

Derruba um czar

Derruba de novo

Quem pos no lugar

 

E como se o livro dos tempos

Pudesse ser lido traz pra frente

frente pra traz

 

Vem a historia, escreve um capitulo

Cujo titulo pode ser “Nunca Mais”

 

Vem o tempo e elege outra historia

Que escreve outra parte

Que se chama “Nunca E Demais”

 

“Nunca Mais”, “Nunca E Demais”, “Nunca Mais”

“Nunca E Demais” e assim por diante tanto faz

 

Indiferente se o livro e lido

De traz pra frente

Ou lido de frente pra traz

 

Quantos muros ergam

Como o de Berlim

Por mais que perdurem

Sempre terao fim

 

E assim por diante

Nunca vai parar

Seja neste mundo

Ou em qualquer lugar

 

Por isso e que um cangaceiro

Sera sempre anjo e capeta, bandido e heroi

 

Deu-se noticia do fim do cangaco

E a noticia foi o estardalhaco que foi

 

Passaram-se os anos eis que um plebicito

Ressucita o mito que nao se destroi

 

Oi Lampiao sim, Lampiao nao, Lampiao talvez

Lampiao faz bem, Lampiao doi

 

Sempre o pirao de farinha da historia

E a farinha e o moinho que o tempo moi

 

Tantos cangaceiros

Como Lampiao

Por mais que se matem

Sempre voltarao

 

E assim por diante

Nunca vai parar

Inferno de Dante

Ceu de Jeova

 

B.05-DE ONDE VEM O BAIAO (Gilberto Gil)
Debaixo

Do barro do chao

Da pista onde se danca

Suspira uma sustanca

Sustentada por um sopro divino

Que sobe pelos pes da gente

E de repente se lanca

Pela sanfona afora

Ate o coracao do menino

Debaixo

Do barro do chao

Da pista onde se danca

E como se Deus

Irradiasse uma forte energia

Que sobre pelo chao

E se transforma

Em ondas de baiao

Xaxado e xote

Que balanca tranca

Do cabelo da menina

E quanta alegria

De onde e que vem o baiao?

Vem debaixo

Do barro do chao

De onde e que vem

O xote e o xaxado?

Vem deibaixo

Do barro do chao

De onde vem a esperanca

A sustanca espalhando

O verde dos teus olhos

Pela plantacao

O o vem debaixo do barro do chao

 

 

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Disco VIII {(1967)}: Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band \\|// Sarja Péppers & os Lou Nílli Rértz clube/banda #thebeatlesemportugues

 

 

 

 

08 A-01 Sal Pimenta
Já faz mais de vinte anos atrás
Sarja Pépper ensinou a uns rapaz
Eles tinham problema com o progresso
e era o que pagava o ingresso
[Deixe-me trazer para a gente agora
[o número muito nosso conhecido do
[Sal Pimenta &t Os Lou Nílli Rérz clube/banda

É o Sarja Pepper &t Os Lou Nílli Rérz clube/banda
tomara que gostem do show
É o SP&LNRC/B
Relaxe e deixe a Sol se pôr
SP&LN, SP&LN, SP&LNRC/B

Foi ótimo poder vir
Dá um certo arrepio
Vocês são um público especial
Queremos levar vocês pra casa conosco
Queremos levar vocês ((conosco))

Não quero mesmo ter que estragar o som
Fica pra vocês mais esta informação
Nesta nossa próxima canção
É pra todos, juntos, cantarem o refrão
É isso o que vai anunciar
o primeiro e único Billy Shears
dos Sarja Pépper &t Os Lou Nílli Rérz clube/banda

08 A-02 Com uma mãozinha de todos meus irmãozões
O que ia parecer             cantar desafinado
Se levantem e                me deixem falando sozinho aqui?
Se me permitem               vou cantar para a gente
Vou tentar ser meu melhor    e o mais competente

Só vai dar certo        com uma mãozinha dos meus irmãos
Só chego longe          com uma mãozinha dos meus irmãos
Se tem um jeito é       com aquela mãozinha dos meus irmãoszãos

O que eu faço                sem meu amor por perto?
Se me queima as fuça         ficar completamente só?
O que eu penso               quando o dia acaba?
É a depressão                por estar completamente só?

Não, eu sempre tenho    uma mãozinha dos meus irmãos
Só chego longe          com uma mãozinha dos meus irmãos
Se tem um jeito é       aquela mãozinha dos meus irmãoszãos

De quem você      sente falta?
Preciso de alguém       para amar
Pode ser          qualquer pessoa?
Só quero alguém         pra eu amar

Você ainda acredita          em amor de primeira?
Tenho certeza                de que é o que acontece sempre
E o que você vê              quando a luz se apaga?
Não sei o que é isso         mas eu sei que é meu

Só vai dar certo        com uma mãozinha dos meus irmãos
Só chego longe          com uma mãozinha dos meus irmãos
Vou tentar assim        com uma pequena, uma ajudazinha de todos
meus grandes irmãoszãos

08 A-03 Lúzia do Céu Diamantes
Imagine que desce um caiaque a vereda
Árvores tangerina e céu de marmelada
Alguém lhe chama, devagar atende
É a garota de caleidoscópio n’olhar

Flores celofane verdes&amarelas
Deslizam na tua cabeça
Cadê a garota com a Sol nos olhos
Já foi

Lúzia do Céu Diamantes!

A segue até a ponte bem perto da fonte onde
Cavalos de pau manjam mexericas
Todos te sorriem e navega entre as flores
Que crescem a perder de vista

Táxis de papelão estacionam na costa
Querem te levar com eles
Aceita a carona a cabeça nas nuvens
Partiu

Imagine que está em um trem numa estação
Dos porteiros de plástico com gravatas borboleta
De repente nota alguém lá na catraca
É a garota de caleidoscópio n’olhar

08 A-04 A vida é só melhora
A vida é só melhora

Passava os dias em mau humor
(reclamar de nada!)
Na escola só tinha gente ruim
(reclamar de nada!)
Repetir de ano, te virar do avesso
te forçar a engolir seus malignos planos
(malignos planos!)

Eu vou te admitir, é melhor assim
(melhor!)
Melhor um pouquinho de cada vez

Tenho que admitir, a vida é só melhora
(melhor!)
Desde que estamos juntos

A vida é só melhora desde que estamos juntos
A vida é só melhora

Mim sempre nervoso, velhinho
Mim dorme co’a cabeça dentro do oco
Quando me chamou, pude te ouvir
Demos o nosso melhor de si

😐

Eu já fui ruim com mulher
As humilhei e afastei do que lhes importava
Eu já fui covarde, mas me entendi
Estamos aqui para dar o melhor de si

08 A-05 Tampando um buraco
Tampando um buraco           onde o vento faz a curva
Me enerva e me interrompe                o raciocínio
Pra onde vou

Fechando umas fendas         o rangido da porta
Corta minha brisa            de imaginar
Pra onde vai

E não faz mais nenhum sentido
Se foi bola dentro ou fora
Daqui não vou-me embora
Daqui não vou…

Ali ficam as pessoas
que só discordam e não dão as mãos
e ainda reclamam que nunca as convido à discussão

Pintando as paredes do       meu colorido quarto
Foi quando eu                pude imaginar
Prá lá que vou

😐

E não faz mais nenhum sentido
Se foi bola dentro ou fora
Daqui não vou embora
Daqui não vou…

Pessoas ocupadas
e estabanadas me metem medo
e me fazem pensar aonde é que este mundo vai parar

Dedicando meu tempo          a mais de um bilhão de coisas
Que ainda ontem              me eram bem fúteis
Ainda vou

08 A-06 Indo embora de casa
Quarta-feira o dia começou de manhã bem cedo
Fez nenhum barulho, arrumava o quarto
Deixou num bilhete o endereço novo

E desceu, pra cozinha e deixou o molho de chaves na parede
Tinha também um lenço de mão
Saía de casa e da prisão

Ela
(Demos nossa vida por ela)
vai deixar
(Sacrifício de planos por ela)
o lar
(Lhe demos tudo do bom e do que era melhor)
Ela vai nos deixar depois de morar sozinha desde sempre
(Já vai)

O pai chorava no quarto, foi ele quem encontrou a carta
A mãe entra e deita ao seu lado
Abraça o marido e soluça seu choro

Se recompõe e diz, “viu, meu pai o que sua filhinha aprontou?
Como ela pôde ser tão egoísta?
Não é isso o que ensinamos aqui!”

Ela
(Ela sempre em primeiro lugar)
vai deixar
(Não sobrava nenhum tempo para nós)
o lar
(Ralamos muito para chegar até onde chegamos)
Ela vai nos deixar depois de morar sozinha desde sempre
(Já vai!)

Sexta-feira, tarde da noite ela já está lonjão
Torcia para na sua nova vida correr tudo muito bem
Ela e um amigo que conheceu no trem

Ela
(Onde foi que nós erramos)
vai deixar
(Ainda não sabemos aonde erramos)
o lar
(A paz é algo que o dinheiro não pode comprar)
Talvez fosse algo dentro dela que ela quisesse fazer desde sempre
(Já vai)
Vai deixar seu lar
Já vai!

08-07 Em homenagem ao Senhor Vagem

 

08-08 sem você mas com
a conversa              era do espaço que nos envolve
e das pessoas que se escondem por entre barreiras de enganação,
sem suportar ao outro        até quando for muito tarde
a gente morre de repente

a conversa              era do amor que nos rodeia
que se descobre              e que se tenta ao máximo manter para só você
e com o amor,     isto muda o mundo,      a gente vai aprender

tente entender que tudo já está dentro de si
parte de entender que tudo está em si mesmo
só se muda a si mesmo
é quando aprende o tamanho da partícula pequena
que a vida flue         por dentro de           e até sem ti

😐

a conversa              era do amor que adormece
e das pessoas do mundo da troca que corrói
eles não sabem nem entendem, qual destes é você?
quando se vê o contexto,           além de si está

a paz de espírito                  é ali que habita
e vai vir o tempo                  que saberá estar só
já viu que a vida flue       por dentro de     e até sem ti

08-09 Quando eu tiver Sessenta e quatro
Quando eu virar velho              sem nenhum mais cabelo
O futuro                           daqui a algum tempo
Será que vai lembrar               além do dia em que nasci
Com cartão de lembrança            ou garrafa de vinho?

Quando eu for para uma festa       não voltar até as seis horas
Vai trancar                        a nossa casa?
Ainda vai se importar,             vai me dar comida
quando um velhote                  eu virar?

Ficar velho é normal
E só converse comigo
Se eu moro com você

Eu sei fazer várias coisas         já construí usinas
quando você                        estava na escola

Eu sei fazer várias coisas         trocar um fusível queimado
Ir pagar                           suas contas

Você lê o jornal                   quieto de manhazinha
Todo dia de manhã                  ir andar com os cachorros

Faço o jardim
Quem poderia querer mais?

08-10 Louve-lhe Rita
Louve-lhe Rita               minha Leide
Não existe nada              que vá nos separar
Mesmo muito longe eu sei dizer      que você está bem

Pondo moedas em um parquimétro
Foi lá que eu vi a minha Rita
Escreve bilhetinhos na caderneta de mão!

Usa um chapéu com óculos escuros
Carteira de couro e mala de rodinhas
Ela adora fingir que é da Polícia Federal!

Louve-lhe Rita, minha leide
Será que posso fazer uma pergunta de cunho pessoal?
Será que está livre para tomar um café comigo?

A convenci, saímos juntos
Tiramos um sarro, comemos juntos
E quando estava no fim eu disse que queria ter mais

Na hora da conta, ela pagou tudo
Lhe dei carona, e o gol foi quase
Estava eu no sofá com ela os gatos e as irmãs

Louve-lhe Rita, minha leide!
Nunca ia ter feito sem você
Me mande um beijinho pra saber que se lembra de mim

08-11 Um bom dia, um dia bom
Não vai mais ter como salvar este aqui, podem levar embora
Não vai ter o que se dizer, além de “olha que bom, meu, foi tudo bem!”
Não vai ter o que se fazer, é só você
Não tenho nada pra ti, mas é isso aí

Depois de um tempo, é que sentiu, bateu o vento
Foi aí que lembrou, ia ser bom andar por lá de novo
Nada mudou, e o tempo parou
to sem nada pra ti, mas é isso aí

Porque alguém tinha que saber da hora, por isso eu vim junto
E pra ver umas coxas, a dessas moças, cara isso faz bem!
E se está aqui, é porque ela quer curtir!
Não tenho nada pra ti, mas é isso aí

08-13 Um dia numa vida
Tenho uma triste, irmão                  agora
Daquele outro meu irmão                  que cavou a própria cova
Esta não é nenhuma                       boa nova
Não vai ter como                         não sofrer
Já vi essa imagem                        acontecer

Eu vi o carro                            se espatifar
Ninguém nunca que viu                    sinal fechado
O mundaréu de gente                      que foi lá olhar
Ele achavam o conhecer mas ninguém nunca lembrava quem era
o cara do Jornal das Nove

É hora do filme agora                   irmão
Estavam lá todos os cáubóis              de cús nas mãos
O mundaréu de gente                       que desistiu
Eu estava lá pra olhar
Era minha mão jurando, parada,           em cima do livrão
Eu estou aqui           só    pra         vo    cê

De pé                                    caiu do catre
Levava a kombi                           e mais badulaques
Descobre um atalho para casa             e ganha mais uns tragos
Foi bem na hora que notei                já era a minha vez
Acha o casaco                      toma o chapéu

Lembrei do trampo                  que escarcéu!
Lembra onde foi que guardou a escada     e fuma mais um cigarro
Alguém mais falou                  e eu caí dentro de um sonho

😐

Ouvi ao jornal, irmão                    agora
4mil covas em                            Blackburn, Lancashire
As covas eram bem rasas                  e cada foi cavada
Agora eles já sabem quantos mortos       enchem o Albert Hall
Fui eu quem             te                de                dou