dylanniversário, uma tradução: Highway 61 revisited \\|// Bê Érre 101 revisitada (30 de Agosto de 1965)

mais um dylanniversário, minha boa pova & meu sagrado povo: Highway 61 revisited, no agitado ano de 1965 – 20 dias antes,  tinha chegado às prateleiras mais um dos Brittos!

quanta loucura!!

 

=)

 

Highway 61 revisited \\|// Bê Érre 101 revisitada

30 de Agosto de 1965

notas de rodapé:

No trem devagar o tempo não interfere & na cruzada Arábe espera Pilha Branca, o homem do jornal & ao seu lado a centena de Inevitáveis feitos de sólidas pedra & rocha — o Juiz Creme & o Palhaço — a casinha de bonecas em que Selvagem Rosè & Fixável moram humildes em sua selvagem e maliciosa natureza . . . . Autono, que tem dois zeros acima das fuças e argumenta acerca do sol estar escuro ou ser Bach tão famoso quanto seu distúrbio & que é ela mesmo — e não Orfeu — a poeta lógica “Eu sou a poeta lógica” ela gritava “Primavera? A Primavera é só o começo!” ela tentava deixar o Juiz Creme com inveja contando a ele sobre o povo que mora debaixo-da-terra & enquanto o universo explodia, ela apontava para o trem devagar & rezava para que a chuva e o tempo interferissem — ela não está tão gorda assim mas sim progressivamente infeliz. . . .a centena de Inevitáveis esconde suas previsões & vão para os bares & bebem & ficam bebassos de sua maneira particularmente especial & quando tom dooley, o tipo de gente que você se lembra de já ter visto antes, chega do rolê com Pilha Branca, a centena de Inevitáveis só diz “quem é esse cara branco por demais?” & o garçom, um menino bom & um outro que sempre mantém os brios à flor da pele, dizem, “eu posso estar errado, mas é certeza que já ví o outro camarada n’algum outro lugar” & quando Paulo Sargento, homem de gostos simples de lá da Rua 4, aparece às três da manhã & prende todo mundo por estarmos todos sendo incríveis, ninguém ficou brabo de verdade – – foi só até o mínimo de anafalbetismo que a maioria das pessoas chega & Roma, um da centena de Inevitáveis segreda “eu te avisei” a Madama João . . . . Selvagem Rosè & Fixável assopram beijocas corajosas em direção ao Hexagrama Jade da 25 de Março & para todos as jovens incógnitas & o Juiz Creme escreve um livro sobre o puro significado de uma pêra — ano passado, foi um sobre os ilustres cachorros da guerra civil & agora ele tem dentes falsos & nenhum filho. . . . quando o Creme conheceu Selvagem Rosè & Fixável, ele lhes foi apresentado por ninguém menos que Futilidade — Futilidade é o Grande Inimigo & sempre usa um protetor nos quadris — ele é muito dos protetores de quadris . . . . Futilidade disse quando apresentava o pessoal “vá e salve o mundo” & “envolvimento! esta é a questão!” & coisas assim & Selvagem Rosè piscou para Fixável & o Creme com o braço numa tipóia foi embora, cantando “summertime & the linvin is easy” . . . . o Palhaço aparece – – veste com uma mordaça a boca de Autono dizendo “existem dois tipos de gente – – as simples & as normais” isto normalmente extraía grandes risadas dos buracos na areia & Pilha Branca espirrava — desmaiava & rasgava a mordaça de Autono & diz “Que conversa é essa que você é Autono e que sem você não haveria a primavera! sua tola! sem a primavera, você não existiria! o que você achou desta?” e daí Selvagem Rosè & Fixável vêm também & chutam seus miolos & pintam-no de rosa por ser um filósofo de mentirinha –- e daí o Palhaço vem também, gritava “Seu filósofo de mentirinha” & pulava sobre a sua cabeça — Paulo Sargento surge mais uma vez vestindo roupa de árbitro & algum moleque da escola que já leu tudo do Nietzsche surge & diz “Nietzsche nunca vestiu roupas de árbitro” & Paulo diz “Quer comprar umas roupas, meninão?” & então Roma & João saem do bar & vão até Osasco . . . . hoje cantamos sobre a GANGUE DO ARRASTÃO — a GANGUE DO ARRASTÃO compra, é dona & opera a Fábrica da Insanidade — quem não sabe aonde está a Fábrica da Insanidade, deve, por causa disto, dar dois passos para a direita, pintar os dentes & ir dormir . . . . as músicas neste disco em particular não são exatamente músicas, mas, ao invés disto, exercícios de respiração para controle tonal. . . . o assunto importa — e por mais insignificante que seja — tem alguma coisa a ver com os belíssimos estranhos. . . . os belíssimos estranhos, a jaqueta verde de Vivaldi & o santíssimo trem devagar.

você está certo john cohen — quazimodo acertou — mozart acertou . . . não consigo mais dizer a palavra olho. . . . quando falo esta palavra olho, é como se falasse do olho de alguém que vagamente me recordo. . . . não existe olho algum — existe apenas várias bocas — vida longa às bocas — o seu telhado — se ainda não percebeu — foi demolido. . . . o olho é um plasma & você acertou sobre esta também — você tem sorte — você não tem que pensar sobre coisas tais como olhos & telhados & quazimodo.

 

 

 

 

 

 

Bob Dylan – guitarra, gaita, piano e viatura da polícia
Michael Bloomfield – guitarra
Alan Kooper – órgão e piano
Paul Griffin – piano e órgão
Bobby Gregg – bateria
Harvey Goldstein – baixo
Charles McCoy – guitarra
Frank Owens – piano
Russ Savakus – baixo

 

02-01. Igual a um Rolling Stone

Há muito muito tempo atrás você era até bem vestido

Sobrava até para os pinga, você era a alta, não era não?

Pessoas ligando, “vai, veja bem meu bem, olha o degrau aí Vê se não vai cair”

Você achava que era tudo sacanagem

Você gostava de rir de tudo

De todo mundo estando só curtindo

Agora você já não fala mais tão alto

Agora você já não é mais um birradinho

Sobre ter que ralar muito

Pra poder ter um rango

Como é pra você

Como é você ser

Estar sem nada de lar

Com nenhum amigo teu

Igual a uma pedra a rolar

Você fez certinho as melhores escolinhas, legal!, Senhorita Caretinha

Mas você sabe que lá você só conseguiu se estrepar

E ninguém nunca te ensinou como sobreviver das ruas

E agora você vai ter que se acostumar

Você diz nunca ter se comprometido

Com o bebum misterioso e só agora que você percebeu

Ele não te fornece nenhum desses tais alibis

Vê-se no vazio de seus olhos

E lhe diz e aí nós vamos fechar negócio?

Como é pra você

COmo é você ser

Ter só você pra mandar

Não saber qual o lugar do lar

Com nenhum amigo teu

Igual a uma pedra a rolar

Você nunca se virou para olhar as caras feias dos fanfarrões e dos palhaços

QUando todos vinham trucar pra ti

Nunca te desceu pela cabeça que isso não era nada bom

Não se deve deixar as outras pessoas chutar seus tiros no seu lugar

Você cavalgava seu cavalo de cromo com sua diplomata

Ela carregando no ombro um gato chinês siamês

Eu sei que é bem ruim quando se descobre assim

Ele nunca estava onde deveris estar

Depois de levar tudo o que se tinha aqui pra roubar

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A princesa no pedestal e todas as pessoas bonitas

Todos bebendo e pensando que elas todas tiveram sucesso

Trocando entre si preciosas lembranças

Melhor levar este anel de diamantes, é melhor o empenhar, neném

Você ficava tão inspiradão

Vendo Napoleão em trapos e o seu palavreado

Volte-se a ele, ele já te chama, não o vá esquecer

Quando se tem nada, não vai conseguir perder // só tem nada a perder

Você é invisível agora, sem nenhum mais feitiço a conjurar

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02-02.

Lundú de Tômsbistúne

As criaturas bonitinhas já estão na cama e dormem bem

Os padres da cidade eles tentam defender

A reencarnação da montaria do mensageiro

Mas a cidade não precisa exaltar is nervos

A fantasma de Bele STar ela desistiu de ter humor

E para Jezebel, a freira, que tricoteia com violência

Uma peruca de careca para Jack o estripador que senta

de cabeça em toda a Câmara do Comércio

Mãe está na fábrica ela está descalça

Pai está no beco ele procura o pavio

Eu estou na cozinha, ouvindo o Tombstone blues

A noivinha histérica joga o caça-níqueis

Ela grita e murmura “acabei de fazer”

Daí chama pelo médico, ele só descalça os óculos

E diz, “Meu conselho é melhor deixar as crianças para fora”

Chegou agora o curandeiro, ele se arrastou para dentro

Ele tem um auê de garbo, e diz para a noiva

“Pare todas suas lágrimas, engula o seu orgulho

Você não vai morrer, isto não é veneno”

:||

Tem um João Baptista, que depois de torturar meliantes

Encarou bem seu herói, o Comandante que é o chefe

E diz, “O meu Grande herói, e por favor seja breve

Temos aqui algum buraco que me dê sumisso?”

O comandante, que é chefe, responde enquanto caça uma mosca

Dia “Morte a todos que só choram e esperneiam”

Deixa cair um barbelho e aponta para o céu

e diz, “O Sol não é amarelo, ele é um frango!”.

:||

O rei dos Filisteus tem soldados para salvar

Põe maxilares em seus túmulos, nivela as covas

Põe os flautistas malhados nas prisões e engorda os escravos

E manda todo mundo para as selvas

Davey o cigano com um lampião tocou fogo nos campos

Ele e seu escraco crente Pedro ao lado ele vagueia

Com uma fantástica coleção de selos

Para ganhar amigos einfluenciar ao seu tio.

:||

A geometria do sangue inocente escorre pelos ossos

Faz com que o livro de aritmética deGalileu seja arremessado

Em Dalila, sentada inútil e à toa

Essa lágrimas em suas bochechas são de risada

Quem dera eu desse agora ao irmão Willa sua grande pilha

Acorrentál-o nas correntes bem no alto de uma montanha

Presenteá-lo com alguns pilares e o velho Cecil B e Mille

Por mim, ele que morrese para todo o sempre.

:||

Onde Ma Reiney e Beethoven já deitaram acampamento

Tocadores de tuba agora ensaiam envolvidos por bandeiras

E o Banco Mundial se tiver lucro troca mapas por almas

Mas somente para os fundadores da cidade e para a escola

Quem dera pudesse escrever agora uma música certinha

Para impedir a você, linda dama, de enlouquecer

Pra te tranquilizar e te acalmar, parar com o seu pânico

De deter todos este conhecimento inútil e sem sentido.

02-03

É preciso muito para sorrir, é só preciso um trem para chorar

Eu ando no furgão das cartas, neném

Não compro nem um arrepio

Fiquei de pé a noite inteira

Segurando o peitoril

Mas vai que eu morro lá no alto, longe daqui?

Mesmo se eu não der um jeito

Já sabe, meu neném faz sim

Viu como a Lua está bonita, mãe,

Brilhando por dentro dos galhos?

Viu que motorista bonito, mãe,

mostrando lá os “duplo E”?

Viu como o Sol está bonito

Desce espelhando todas essas águas?

Viu só minha mulher, ela é linda

Correndo atrás de mim?

Agora que o Inverno chega

As janelas se enchem de muito frio

Tentei a todo mundo avisar

Não tive como andar

Eu só quero amar você, neném,

Não quero ser seu dono, não!

Não vem agora reclamar

Só porque seu trem cruza outros mares.

02-04

De um Buick6

Eu conheço essa mulher do cemitério, já viu que ela pastora meus filhos todos

Mas minha mãe de alma, já viu que ela me guarda bem escondido

Ela é o anjo da guarda do lixão e ela sempre me dá pão

|E quando eu acabar morrendo

|já viu que ela dá seus pulos

|pra vir cobrir o meu colchão

Quando o fio da meada se perde e se está sozinho na ponte sobre o rio

Se está chumbado no alto da pista ou nas margens do correguinho

Ela desce toda a estrada, sempre pronta para nos costurar com linha de coser

:||

Ela não me deixa nervoso, ela não é nada tagarela

Ela anda igual a Bo Diddley, e ela nem precisa de muletas

Ela tem uma ponto 41 carregada com muita experiência

:||

Eu preciso de mulher igual a uma pá a gás para os mortos afastar

Eu preciso de uma caçamba de entulhos para minha cabeça jogar

Ela me traz isso tudo e muito mais, e as coisas são como eu já disse antes.

02-04

Ballada de um magro homem

Você entrou no quarto

Segura um lápis nas mãos

Você viu alguém pelado e diz,

“quem será o irmão”

Você já tentou muito mas

não entendeu nada não

O que se vai dizer lá pra patroa?

Porque alguma coisa acontece aqui

E vocẽ não sabe bem o que é

Sabe, senhor Jones?

Você levantou a cabeça

Pergunta “É aqui que é aqui?”

Mais alguém aponta pra você e diz,

“É dele ali”

E você “Bem, qual o meu?” e ainda um outro alguém

“Então, e aí?”

E você, “Ó meu Deus, será que sou eu só?”

Mas alguma coisa acontece aqui

E você não sabe bem o que é

Sabe, senhor Jones?

Vocẽ entregou a entrada

E foi ver a aberração

Que imediatamente anda até vocẽ ele

Ouviu sua respiração

E te diz, “como é pra você ser

Assim tão esquisitão?”

E vocẽ, “impossível!” Ele te estende um ossão

E alguma coisa acontece aqui

E você não sabe bem o que é

Será que sabe, senhor Jones?

Você tem muitos fornecedores

Entre os tais dos lenhadores

Pra lhe dizer verdades quando

agridem a sua imaginação

Mas ninguém quer mais nada, não!

Todos eles só querem saber se

Vocẽ já assinou o cheque Doou toda a renda Pra organização

Vocẽ esteve com os estudados e

Todos curtiram teu perfil

Com grande advogados sobre a lepra e o escorbuto

Você discutiu

Você já leu tudo do Éf Scott FitzGERALDÔ

Você é muito bem lido, sabe-se bem disso

Mas alguma coisa acontece aqui…

Sabe o engole-espadas, ele

Vem até você e se ajoelha.

Se faz o sinal da cruz e

Bem alto tamaqueia

E sem ninguém mais notar te pergunta

“Como vai você?

“Toma tua garganta agradeço o uso”

Você já sabe que alguma coisa acontece aqui…

Você viu o anão de um olho

Ele grita a palavra “tão!”

E você, “Pra que isso?”

Ele diz, “Vão!”

E você, qual o sentido [de tudo] isso?”

Ele grita “volta você é uma vaca!

Dê-me um leite ou volte pra casa!”

E já sabe que alguma coisa acontece aqui…

Você entrou no quarto

Igual a um camelo se jogou no chão

Guardou os olhos no bolso, e

Deixou o nariz no porão

Deve tar alguma coisa que

Não te deixa aparecer, não!

A gente tinha que usar um rádio bem no meio das fuças

Porque alguma coisa está acontecendo aqui, mas

Você não sabe bem, o que é

Será que sabe, senhor Jones?

02-06

Nobre Jane aproximadamente

Assim que sua mãe me devolveu todos seus convites

E o seu pai pra sua irmã assim ele explicou

Você cansou de si mesma e de todas as suas criações

Não vais vir me ver, nobre Jane?

Por que não vem me ver, rainha Jane?

Agora que todas as floristas querem de volta o que lhe emrpestaram

E que o cheiro de suas flores não mais lhe retém

E que todos os seus filhos só lhe repudiam

Não vais vir me ver, nobre Jone?

Por que não vem me ver, rainha Jane?

Agora que todos os palhaços que você nomeu

Ele morreram em luta ou em vão

E você está de saco com toda essa repetição

:||

Assim que seus patrocinadores agoitam o plástico

Até seus pés pra te convencer de sua dor

Tentam provar que suas conclusões podem ser mais drásticas

:||

Agora que todos os bandidod pra quem virou a outra face

Todos despiram suas máscaras e lamentos

E você só quer alguém com quem não tem que falar

:||

02-07

Bê Érre 101 revisitada

Disse Deus a Abrahão: “mate-me um dos seus”

Abra disse, “Deus, você deve me achar com cara de filisteu”

Deus disse, Não”. Abra disse, “O quê?”

Deus disse” Olha, Abra, faça o que vocẽ querer mas da próxima vez que me ver é melhor correr!”

E aí Abra disse, “Aonde é pra ser essa tal matança?”

Deus disse, “Lá pra frente, no meio da BR 101”.

Tinha o Georgia Sam de nariz que sangrava

Assistencia social nunca nem lhe dava banho

Pediu ao pobre Lombardi se tinha aqui um lugar pra se ir

Lombardi disse, “só tem um lugar que eu sei aui”

Sam disse, “Logo meu eu tenho que ir!”

O velho Lomba só apontou com o berro

e disse “é por aqui, lá para baixo da BR 101”

Tinha o Mack Dedo Duro, ele disse ao Luis, um dos Reis

“Eu tenho 41 cadarços, todos vermelhos brancos e azuis

e quase uns mil telefones que não faem barulho

Será que o senhor imagina como me livro de tudo isso?”

E Luis, um dos reis, disse, “Aguarde, meu filho, deixe-me pensar por um momento”

E daí ele disse, “Sim, eu acho que vai ser bem facinho,

é só levar tudinho lá para baixo da BR 101”.

Uma destas 5as. Filhas, que na 10a. Noite

disse ao Bispado que as coisas não eram corretas

“A minha epiderme”, ele disse, “é branca por demais”

Ele disse, “Venha para cá e deixe-me vê-la na luz”. Ele disse, “É, você está bem certa,

deixe-me aletar as freiras de que isso é assim”

Mas a freira do dia estava com o 7o. Filho

E os dois estavam lá para frente, no meio da BR 101.

Um destes apostadores itinerantes estava muito aborrecido

Ele estava bem perto de conseguir uma Nova Grande Guerra

Ele encontrou um promotor que, mal tombou o chão

lhe fez pensar que nunca tinha enfrentado coisa dessas.

Mas sim, eu achoque vai ser bem facinho,

grudamos as sangue-sugas pelo caminho e

levamos tudo lá para baixo, na BR 101.

02-08

Igualzinho ao banzo de Dom Dedão

Se você se perder na chuva de Juarez

E também for tempos de festividades

E a sua gravidade falhar

E a negatividade não te deixar ir em frente

Não respire nenhum dos ares

se estiver na avenida e rua do necrotério

Guardamos lás amulheres famintas

e eles vão te deixar em pedaços

Se você vir Santa Annie

Diga a ela que lhe sou muito grato

Ainda não me mexo

Meus dedos estão todos amarrotados

Ainda me falta a força

Para levantar e tomar uma outra dessas

O meu melhor amigo é meu médico

E ele não vai me dizer o que é isso que peguei

Doce Melinda

os pedintes a chamar Deusa do Glume

Ela fala muito bem o inglês

E te convida para entrar em casa.

E voê vai se esforçar

E tomar cuidado para não ir cedo demais até ela

Ela acredita em suavez

E te deixa sozinho a uivar para a Lua

Na montanha do Projeto Habitar

É o caso de ter ou não ter Fortuna nem Fama.

É preciso escolher um ou outro

Mesmo que nenhum seja o que diz ser

Se você vai tentar sair limpo dessa

É melhor voltar de aonde vocẽ veio

Porque polícia alguma precisa de vocẽ.

E eles também esperam que você parta.

Agora todas as autoridades

Estão se exibindo e se orgulhando de si

De como chantagearam o Sargento e as Armas

Até que deixassem seus postos

E de terem prendio o Anjo, que

Tinha acabado de chegar de seu vôo.

Ele parecia muito bem no começo

Mas foi embora parecendo um morto.

Eu comecei com a mendicância

E bem rápido cheguei ao fundo do poço.

Todos me diziam que sempre estariam juntos de mim

Quando o jogo ficasse pesado.

Mas a piada era sobre mim

Não tinha lá mais ninguém para ouvir ao meu blefe

Vou voltar para o Rio de Janeiro

Acredito muito que para mim já deu.

02-09

Caminho da desolação

Estão vendendo postais dos enforcados

Estão pintando os passaportes de marrom

Salões de beleza estão cheio de marinheiros

O circo está pelo bairro

Vem aí o encarregado cego

Deixaram o homem em um transe

Uma mão está amarrada ao passador de cabos

A outra segura suas calças

O esquadrão anti-terror nunca descansa

Sempre buscam algum lugar para ir

Enquanto a Mulher e eu ficamos bem longes

Do Caminho da Desolação

Cinderela, ela parece bem calma

“Maluco reconhece maluco”, ela sorri

Ela guarda as mãos nos bolso de trás,

Betty Davis, igual.

Então entra Romeu, urrando

“Você pertence a mim, acredito”

Um ou outro alguém diz, “Você está no lugar errado, amigão,

É bem melhor você sumir”.

O único som que ainda resta

Depois que a ambulância partiu

É o de Cinderela, que varre as ruas

Do Caminho da Desolação

Agora a Lua já quase se escondeu

E as estrelas começam a desaparecer

A moça que adivinha o futuro

Também já guardou suas coisas

Todo mundo menos Caim e Abel

E o Corcunda de Notre Dame

Todos estão fazendo amor

Ou então só esperando chover

E o Bom Samaritano, ele veste suas roupas

Ele se apronta para o show

Ele vai para o Carnaval da noite

No Caminho da Desolação

Agora Ofélia, ela está pertinhoda janela

Por ela é que tenho muito medo

Ainda no seu vigésimo segundo aniversário

Ela já é uma das criadas antigas

Para ela, morrer é bastante romântico

Ela usa um cinto de castidade

Sua profissão é sua fé

Seu pecado é não viver

E ainda que mantenha os olhos fixos

No grande arco-íris de Noé

Ela gasta um pouco de seu tempo espiando

O Caminho da Desolação.

Einstein, disfarçado de Robin Hood

Leva as memórias em um trunque

Passou por aqui bem agorinha há pouco

Ele e seu amigo, um monge ciumento

Ele estava branco de medo

Enquanto montava um cigano

Depois foi embora, saiu para cheirar os ralos

E recitar o abecedário.

Quem o vê, nem imagina mais

Ele já foi famoso há um tempo atrás

Porque tocava o violino amplificado

No caminho da Desolação

Doutor Sujo, ele guarda seu universo

Dentro de um copo de osso

Mas todas suas pacientes carentes

Tentam estragar a receita

Hoje sua enfermeira, uma perdedora local

É quem cuida do pote do cianeto

Ela também é a guardiã da placa de

“Tenha piedade desta alma”

Todos tocam flautas doces

Dá pra ouvir cada um dos assopros

Somente quando se leva bem longe a cabeça

Do Caminho da Desolação

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