dylanniversário, uma tradução: Highway 61 revisited \\|// Bê Érre 101 revisitada (30 de Agosto de 1965)

mais um dylanniversário, minha boa pova & meu sagrado povo: Highway 61 revisited, no agitado ano de 1965 – 20 dias antes,  tinha chegado às prateleiras mais um dos Brittos!

quanta loucura!!

 

=)

 

Highway 61 revisited \\|// Bê Érre 101 revisitada

30 de Agosto de 1965

notas de rodapé:

No trem devagar o tempo não interfere & na cruzada Arábe espera Pilha Branca, o homem do jornal & ao seu lado a centena de Inevitáveis feitos de sólidas pedra & rocha — o Juiz Creme & o Palhaço — a casinha de bonecas em que Selvagem Rosè & Fixável moram humildes em sua selvagem e maliciosa natureza . . . . Autono, que tem dois zeros acima das fuças e argumenta acerca do sol estar escuro ou ser Bach tão famoso quanto seu distúrbio & que é ela mesmo — e não Orfeu — a poeta lógica “Eu sou a poeta lógica” ela gritava “Primavera? A Primavera é só o começo!” ela tentava deixar o Juiz Creme com inveja contando a ele sobre o povo que mora debaixo-da-terra & enquanto o universo explodia, ela apontava para o trem devagar & rezava para que a chuva e o tempo interferissem — ela não está tão gorda assim mas sim progressivamente infeliz. . . .a centena de Inevitáveis esconde suas previsões & vão para os bares & bebem & ficam bebassos de sua maneira particularmente especial & quando tom dooley, o tipo de gente que você se lembra de já ter visto antes, chega do rolê com Pilha Branca, a centena de Inevitáveis só diz “quem é esse cara branco por demais?” & o garçom, um menino bom & um outro que sempre mantém os brios à flor da pele, dizem, “eu posso estar errado, mas é certeza que já ví o outro camarada n’algum outro lugar” & quando Paulo Sargento, homem de gostos simples de lá da Rua 4, aparece às três da manhã & prende todo mundo por estarmos todos sendo incríveis, ninguém ficou brabo de verdade – – foi só até o mínimo de anafalbetismo que a maioria das pessoas chega & Roma, um da centena de Inevitáveis segreda “eu te avisei” a Madama João . . . . Selvagem Rosè & Fixável assopram beijocas corajosas em direção ao Hexagrama Jade da 25 de Março & para todos as jovens incógnitas & o Juiz Creme escreve um livro sobre o puro significado de uma pêra — ano passado, foi um sobre os ilustres cachorros da guerra civil & agora ele tem dentes falsos & nenhum filho. . . . quando o Creme conheceu Selvagem Rosè & Fixável, ele lhes foi apresentado por ninguém menos que Futilidade — Futilidade é o Grande Inimigo & sempre usa um protetor nos quadris — ele é muito dos protetores de quadris . . . . Futilidade disse quando apresentava o pessoal “vá e salve o mundo” & “envolvimento! esta é a questão!” & coisas assim & Selvagem Rosè piscou para Fixável & o Creme com o braço numa tipóia foi embora, cantando “summertime & the linvin is easy” . . . . o Palhaço aparece – – veste com uma mordaça a boca de Autono dizendo “existem dois tipos de gente – – as simples & as normais” isto normalmente extraía grandes risadas dos buracos na areia & Pilha Branca espirrava — desmaiava & rasgava a mordaça de Autono & diz “Que conversa é essa que você é Autono e que sem você não haveria a primavera! sua tola! sem a primavera, você não existiria! o que você achou desta?” e daí Selvagem Rosè & Fixável vêm também & chutam seus miolos & pintam-no de rosa por ser um filósofo de mentirinha –- e daí o Palhaço vem também, gritava “Seu filósofo de mentirinha” & pulava sobre a sua cabeça — Paulo Sargento surge mais uma vez vestindo roupa de árbitro & algum moleque da escola que já leu tudo do Nietzsche surge & diz “Nietzsche nunca vestiu roupas de árbitro” & Paulo diz “Quer comprar umas roupas, meninão?” & então Roma & João saem do bar & vão até Osasco . . . . hoje cantamos sobre a GANGUE DO ARRASTÃO — a GANGUE DO ARRASTÃO compra, é dona & opera a Fábrica da Insanidade — quem não sabe aonde está a Fábrica da Insanidade, deve, por causa disto, dar dois passos para a direita, pintar os dentes & ir dormir . . . . as músicas neste disco em particular não são exatamente músicas, mas, ao invés disto, exercícios de respiração para controle tonal. . . . o assunto importa — e por mais insignificante que seja — tem alguma coisa a ver com os belíssimos estranhos. . . . os belíssimos estranhos, a jaqueta verde de Vivaldi & o santíssimo trem devagar.

você está certo john cohen — quazimodo acertou — mozart acertou . . . não consigo mais dizer a palavra olho. . . . quando falo esta palavra olho, é como se falasse do olho de alguém que vagamente me recordo. . . . não existe olho algum — existe apenas várias bocas — vida longa às bocas — o seu telhado — se ainda não percebeu — foi demolido. . . . o olho é um plasma & você acertou sobre esta também — você tem sorte — você não tem que pensar sobre coisas tais como olhos & telhados & quazimodo.

 

 

 

 

 

 

Bob Dylan – guitarra, gaita, piano e viatura da polícia
Michael Bloomfield – guitarra
Alan Kooper – órgão e piano
Paul Griffin – piano e órgão
Bobby Gregg – bateria
Harvey Goldstein – baixo
Charles McCoy – guitarra
Frank Owens – piano
Russ Savakus – baixo

 

02-01. Igual a um Rolling Stone

Há muito muito tempo atrás você era até bem vestido

Sobrava até para os pinga, você era a alta, não era não?

Pessoas ligando, “vai, veja bem meu bem, olha o degrau aí Vê se não vai cair”

Você achava que era tudo sacanagem

Você gostava de rir de tudo

De todo mundo estando só curtindo

Agora você já não fala mais tão alto

Agora você já não é mais um birradinho

Sobre ter que ralar muito

Pra poder ter um rango

Como é pra você

Como é você ser

Estar sem nada de lar

Com nenhum amigo teu

Igual a uma pedra a rolar

Você fez certinho as melhores escolinhas, legal!, Senhorita Caretinha

Mas você sabe que lá você só conseguiu se estrepar

E ninguém nunca te ensinou como sobreviver das ruas

E agora você vai ter que se acostumar

Você diz nunca ter se comprometido

Com o bebum misterioso e só agora que você percebeu

Ele não te fornece nenhum desses tais alibis

Vê-se no vazio de seus olhos

E lhe diz e aí nós vamos fechar negócio?

Como é pra você

COmo é você ser

Ter só você pra mandar

Não saber qual o lugar do lar

Com nenhum amigo teu

Igual a uma pedra a rolar

Você nunca se virou para olhar as caras feias dos fanfarrões e dos palhaços

QUando todos vinham trucar pra ti

Nunca te desceu pela cabeça que isso não era nada bom

Não se deve deixar as outras pessoas chutar seus tiros no seu lugar

Você cavalgava seu cavalo de cromo com sua diplomata

Ela carregando no ombro um gato chinês siamês

Eu sei que é bem ruim quando se descobre assim

Ele nunca estava onde deveris estar

Depois de levar tudo o que se tinha aqui pra roubar

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A princesa no pedestal e todas as pessoas bonitas

Todos bebendo e pensando que elas todas tiveram sucesso

Trocando entre si preciosas lembranças

Melhor levar este anel de diamantes, é melhor o empenhar, neném

Você ficava tão inspiradão

Vendo Napoleão em trapos e o seu palavreado

Volte-se a ele, ele já te chama, não o vá esquecer

Quando se tem nada, não vai conseguir perder // só tem nada a perder

Você é invisível agora, sem nenhum mais feitiço a conjurar

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02-02.

Lundú de Tômsbistúne

As criaturas bonitinhas já estão na cama e dormem bem

Os padres da cidade eles tentam defender

A reencarnação da montaria do mensageiro

Mas a cidade não precisa exaltar is nervos

A fantasma de Bele STar ela desistiu de ter humor

E para Jezebel, a freira, que tricoteia com violência

Uma peruca de careca para Jack o estripador que senta

de cabeça em toda a Câmara do Comércio

Mãe está na fábrica ela está descalça

Pai está no beco ele procura o pavio

Eu estou na cozinha, ouvindo o Tombstone blues

A noivinha histérica joga o caça-níqueis

Ela grita e murmura “acabei de fazer”

Daí chama pelo médico, ele só descalça os óculos

E diz, “Meu conselho é melhor deixar as crianças para fora”

Chegou agora o curandeiro, ele se arrastou para dentro

Ele tem um auê de garbo, e diz para a noiva

“Pare todas suas lágrimas, engula o seu orgulho

Você não vai morrer, isto não é veneno”

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Tem um João Baptista, que depois de torturar meliantes

Encarou bem seu herói, o Comandante que é o chefe

E diz, “O meu Grande herói, e por favor seja breve

Temos aqui algum buraco que me dê sumisso?”

O comandante, que é chefe, responde enquanto caça uma mosca

Dia “Morte a todos que só choram e esperneiam”

Deixa cair um barbelho e aponta para o céu

e diz, “O Sol não é amarelo, ele é um frango!”.

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O rei dos Filisteus tem soldados para salvar

Põe maxilares em seus túmulos, nivela as covas

Põe os flautistas malhados nas prisões e engorda os escravos

E manda todo mundo para as selvas

Davey o cigano com um lampião tocou fogo nos campos

Ele e seu escraco crente Pedro ao lado ele vagueia

Com uma fantástica coleção de selos

Para ganhar amigos einfluenciar ao seu tio.

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A geometria do sangue inocente escorre pelos ossos

Faz com que o livro de aritmética deGalileu seja arremessado

Em Dalila, sentada inútil e à toa

Essa lágrimas em suas bochechas são de risada

Quem dera eu desse agora ao irmão Willa sua grande pilha

Acorrentál-o nas correntes bem no alto de uma montanha

Presenteá-lo com alguns pilares e o velho Cecil B e Mille

Por mim, ele que morrese para todo o sempre.

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Onde Ma Reiney e Beethoven já deitaram acampamento

Tocadores de tuba agora ensaiam envolvidos por bandeiras

E o Banco Mundial se tiver lucro troca mapas por almas

Mas somente para os fundadores da cidade e para a escola

Quem dera pudesse escrever agora uma música certinha

Para impedir a você, linda dama, de enlouquecer

Pra te tranquilizar e te acalmar, parar com o seu pânico

De deter todos este conhecimento inútil e sem sentido.

02-03

É preciso muito para sorrir, é só preciso um trem para chorar

Eu ando no furgão das cartas, neném

Não compro nem um arrepio

Fiquei de pé a noite inteira

Segurando o peitoril

Mas vai que eu morro lá no alto, longe daqui?

Mesmo se eu não der um jeito

Já sabe, meu neném faz sim

Viu como a Lua está bonita, mãe,

Brilhando por dentro dos galhos?

Viu que motorista bonito, mãe,

mostrando lá os “duplo E”?

Viu como o Sol está bonito

Desce espelhando todas essas águas?

Viu só minha mulher, ela é linda

Correndo atrás de mim?

Agora que o Inverno chega

As janelas se enchem de muito frio

Tentei a todo mundo avisar

Não tive como andar

Eu só quero amar você, neném,

Não quero ser seu dono, não!

Não vem agora reclamar

Só porque seu trem cruza outros mares.

02-04

De um Buick6

Eu conheço essa mulher do cemitério, já viu que ela pastora meus filhos todos

Mas minha mãe de alma, já viu que ela me guarda bem escondido

Ela é o anjo da guarda do lixão e ela sempre me dá pão

|E quando eu acabar morrendo

|já viu que ela dá seus pulos

|pra vir cobrir o meu colchão

Quando o fio da meada se perde e se está sozinho na ponte sobre o rio

Se está chumbado no alto da pista ou nas margens do correguinho

Ela desce toda a estrada, sempre pronta para nos costurar com linha de coser

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Ela não me deixa nervoso, ela não é nada tagarela

Ela anda igual a Bo Diddley, e ela nem precisa de muletas

Ela tem uma ponto 41 carregada com muita experiência

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Eu preciso de mulher igual a uma pá a gás para os mortos afastar

Eu preciso de uma caçamba de entulhos para minha cabeça jogar

Ela me traz isso tudo e muito mais, e as coisas são como eu já disse antes.

02-04

Ballada de um magro homem

Você entrou no quarto

Segura um lápis nas mãos

Você viu alguém pelado e diz,

“quem será o irmão”

Você já tentou muito mas

não entendeu nada não

O que se vai dizer lá pra patroa?

Porque alguma coisa acontece aqui

E vocẽ não sabe bem o que é

Sabe, senhor Jones?

Você levantou a cabeça

Pergunta “É aqui que é aqui?”

Mais alguém aponta pra você e diz,

“É dele ali”

E você “Bem, qual o meu?” e ainda um outro alguém

“Então, e aí?”

E você, “Ó meu Deus, será que sou eu só?”

Mas alguma coisa acontece aqui

E você não sabe bem o que é

Sabe, senhor Jones?

Vocẽ entregou a entrada

E foi ver a aberração

Que imediatamente anda até vocẽ ele

Ouviu sua respiração

E te diz, “como é pra você ser

Assim tão esquisitão?”

E vocẽ, “impossível!” Ele te estende um ossão

E alguma coisa acontece aqui

E você não sabe bem o que é

Será que sabe, senhor Jones?

Você tem muitos fornecedores

Entre os tais dos lenhadores

Pra lhe dizer verdades quando

agridem a sua imaginação

Mas ninguém quer mais nada, não!

Todos eles só querem saber se

Vocẽ já assinou o cheque Doou toda a renda Pra organização

Vocẽ esteve com os estudados e

Todos curtiram teu perfil

Com grande advogados sobre a lepra e o escorbuto

Você discutiu

Você já leu tudo do Éf Scott FitzGERALDÔ

Você é muito bem lido, sabe-se bem disso

Mas alguma coisa acontece aqui…

Sabe o engole-espadas, ele

Vem até você e se ajoelha.

Se faz o sinal da cruz e

Bem alto tamaqueia

E sem ninguém mais notar te pergunta

“Como vai você?

“Toma tua garganta agradeço o uso”

Você já sabe que alguma coisa acontece aqui…

Você viu o anão de um olho

Ele grita a palavra “tão!”

E você, “Pra que isso?”

Ele diz, “Vão!”

E você, qual o sentido [de tudo] isso?”

Ele grita “volta você é uma vaca!

Dê-me um leite ou volte pra casa!”

E já sabe que alguma coisa acontece aqui…

Você entrou no quarto

Igual a um camelo se jogou no chão

Guardou os olhos no bolso, e

Deixou o nariz no porão

Deve tar alguma coisa que

Não te deixa aparecer, não!

A gente tinha que usar um rádio bem no meio das fuças

Porque alguma coisa está acontecendo aqui, mas

Você não sabe bem, o que é

Será que sabe, senhor Jones?

02-06

Nobre Jane aproximadamente

Assim que sua mãe me devolveu todos seus convites

E o seu pai pra sua irmã assim ele explicou

Você cansou de si mesma e de todas as suas criações

Não vais vir me ver, nobre Jane?

Por que não vem me ver, rainha Jane?

Agora que todas as floristas querem de volta o que lhe emrpestaram

E que o cheiro de suas flores não mais lhe retém

E que todos os seus filhos só lhe repudiam

Não vais vir me ver, nobre Jone?

Por que não vem me ver, rainha Jane?

Agora que todos os palhaços que você nomeu

Ele morreram em luta ou em vão

E você está de saco com toda essa repetição

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Assim que seus patrocinadores agoitam o plástico

Até seus pés pra te convencer de sua dor

Tentam provar que suas conclusões podem ser mais drásticas

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Agora que todos os bandidod pra quem virou a outra face

Todos despiram suas máscaras e lamentos

E você só quer alguém com quem não tem que falar

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02-07

Bê Érre 101 revisitada

Disse Deus a Abrahão: “mate-me um dos seus”

Abra disse, “Deus, você deve me achar com cara de filisteu”

Deus disse, Não”. Abra disse, “O quê?”

Deus disse” Olha, Abra, faça o que vocẽ querer mas da próxima vez que me ver é melhor correr!”

E aí Abra disse, “Aonde é pra ser essa tal matança?”

Deus disse, “Lá pra frente, no meio da BR 101”.

Tinha o Georgia Sam de nariz que sangrava

Assistencia social nunca nem lhe dava banho

Pediu ao pobre Lombardi se tinha aqui um lugar pra se ir

Lombardi disse, “só tem um lugar que eu sei aui”

Sam disse, “Logo meu eu tenho que ir!”

O velho Lomba só apontou com o berro

e disse “é por aqui, lá para baixo da BR 101”

Tinha o Mack Dedo Duro, ele disse ao Luis, um dos Reis

“Eu tenho 41 cadarços, todos vermelhos brancos e azuis

e quase uns mil telefones que não faem barulho

Será que o senhor imagina como me livro de tudo isso?”

E Luis, um dos reis, disse, “Aguarde, meu filho, deixe-me pensar por um momento”

E daí ele disse, “Sim, eu acho que vai ser bem facinho,

é só levar tudinho lá para baixo da BR 101”.

Uma destas 5as. Filhas, que na 10a. Noite

disse ao Bispado que as coisas não eram corretas

“A minha epiderme”, ele disse, “é branca por demais”

Ele disse, “Venha para cá e deixe-me vê-la na luz”. Ele disse, “É, você está bem certa,

deixe-me aletar as freiras de que isso é assim”

Mas a freira do dia estava com o 7o. Filho

E os dois estavam lá para frente, no meio da BR 101.

Um destes apostadores itinerantes estava muito aborrecido

Ele estava bem perto de conseguir uma Nova Grande Guerra

Ele encontrou um promotor que, mal tombou o chão

lhe fez pensar que nunca tinha enfrentado coisa dessas.

Mas sim, eu achoque vai ser bem facinho,

grudamos as sangue-sugas pelo caminho e

levamos tudo lá para baixo, na BR 101.

02-08

Igualzinho ao banzo de Dom Dedão

Se você se perder na chuva de Juarez

E também for tempos de festividades

E a sua gravidade falhar

E a negatividade não te deixar ir em frente

Não respire nenhum dos ares

se estiver na avenida e rua do necrotério

Guardamos lás amulheres famintas

e eles vão te deixar em pedaços

Se você vir Santa Annie

Diga a ela que lhe sou muito grato

Ainda não me mexo

Meus dedos estão todos amarrotados

Ainda me falta a força

Para levantar e tomar uma outra dessas

O meu melhor amigo é meu médico

E ele não vai me dizer o que é isso que peguei

Doce Melinda

os pedintes a chamar Deusa do Glume

Ela fala muito bem o inglês

E te convida para entrar em casa.

E voê vai se esforçar

E tomar cuidado para não ir cedo demais até ela

Ela acredita em suavez

E te deixa sozinho a uivar para a Lua

Na montanha do Projeto Habitar

É o caso de ter ou não ter Fortuna nem Fama.

É preciso escolher um ou outro

Mesmo que nenhum seja o que diz ser

Se você vai tentar sair limpo dessa

É melhor voltar de aonde vocẽ veio

Porque polícia alguma precisa de vocẽ.

E eles também esperam que você parta.

Agora todas as autoridades

Estão se exibindo e se orgulhando de si

De como chantagearam o Sargento e as Armas

Até que deixassem seus postos

E de terem prendio o Anjo, que

Tinha acabado de chegar de seu vôo.

Ele parecia muito bem no começo

Mas foi embora parecendo um morto.

Eu comecei com a mendicância

E bem rápido cheguei ao fundo do poço.

Todos me diziam que sempre estariam juntos de mim

Quando o jogo ficasse pesado.

Mas a piada era sobre mim

Não tinha lá mais ninguém para ouvir ao meu blefe

Vou voltar para o Rio de Janeiro

Acredito muito que para mim já deu.

02-09

Caminho da desolação

Estão vendendo postais dos enforcados

Estão pintando os passaportes de marrom

Salões de beleza estão cheio de marinheiros

O circo está pelo bairro

Vem aí o encarregado cego

Deixaram o homem em um transe

Uma mão está amarrada ao passador de cabos

A outra segura suas calças

O esquadrão anti-terror nunca descansa

Sempre buscam algum lugar para ir

Enquanto a Mulher e eu ficamos bem longes

Do Caminho da Desolação

Cinderela, ela parece bem calma

“Maluco reconhece maluco”, ela sorri

Ela guarda as mãos nos bolso de trás,

Betty Davis, igual.

Então entra Romeu, urrando

“Você pertence a mim, acredito”

Um ou outro alguém diz, “Você está no lugar errado, amigão,

É bem melhor você sumir”.

O único som que ainda resta

Depois que a ambulância partiu

É o de Cinderela, que varre as ruas

Do Caminho da Desolação

Agora a Lua já quase se escondeu

E as estrelas começam a desaparecer

A moça que adivinha o futuro

Também já guardou suas coisas

Todo mundo menos Caim e Abel

E o Corcunda de Notre Dame

Todos estão fazendo amor

Ou então só esperando chover

E o Bom Samaritano, ele veste suas roupas

Ele se apronta para o show

Ele vai para o Carnaval da noite

No Caminho da Desolação

Agora Ofélia, ela está pertinhoda janela

Por ela é que tenho muito medo

Ainda no seu vigésimo segundo aniversário

Ela já é uma das criadas antigas

Para ela, morrer é bastante romântico

Ela usa um cinto de castidade

Sua profissão é sua fé

Seu pecado é não viver

E ainda que mantenha os olhos fixos

No grande arco-íris de Noé

Ela gasta um pouco de seu tempo espiando

O Caminho da Desolação.

Einstein, disfarçado de Robin Hood

Leva as memórias em um trunque

Passou por aqui bem agorinha há pouco

Ele e seu amigo, um monge ciumento

Ele estava branco de medo

Enquanto montava um cigano

Depois foi embora, saiu para cheirar os ralos

E recitar o abecedário.

Quem o vê, nem imagina mais

Ele já foi famoso há um tempo atrás

Porque tocava o violino amplificado

No caminho da Desolação

Doutor Sujo, ele guarda seu universo

Dentro de um copo de osso

Mas todas suas pacientes carentes

Tentam estragar a receita

Hoje sua enfermeira, uma perdedora local

É quem cuida do pote do cianeto

Ela também é a guardiã da placa de

“Tenha piedade desta alma”

Todos tocam flautas doces

Dá pra ouvir cada um dos assopros

Somente quando se leva bem longe a cabeça

Do Caminho da Desolação

disco-niversário, uma tradução: “Parabolicamará” \\|// “Satellite companion” (Janeiro de 1992)

          este artigo celebra o aniversário de Gilberto Gil, nome de escritor de Gilberto Passos Gil Moreira, nascido no vigésimo sexto dia de Junho do ano de 1946, na capital da Bahia. na música tupiniquim, Gil é a outra metade do inconsciente coletivo brasileño da virada das décadas de 1960 para 1970 – a outra metade logicamente significando Caê, seu meio-irmão de alma & percurso.
          filho primogênito do médico José Gil Moreira & da professora primária Claudina Passos Gil Moreira, neto de dona Lídia Moreira, a família vivia num ir & vir da capital para o interior, do bairro do Tororó para cidades como Ituaçú, resultado da procura do provedor por emprego.
          aos 9 anos de idade ganha o primeiro instrumento musical, um acordeão – a fabulosa sanfona de outros recantos. por muito tempo, sua principal influência popular foi Luiz Gonzaga, por achar assemelhado o Brasil que Luiz Gonzaga cantava protagonizando suas letras. aos 12 anos organiza “Os desafinados”, primeira reunião musical de amigos. por volta dos 13 anos já é apadrinhado no grupo de Dorival Caymmi & Jorge Amado, seguindo a correnteza lógica da música que vinha com as areias das Dunas & o marulhar do Oceano. em 1958 João Gilberto lança o paradigmático “Chega de saudade”: está marcada assim a santíssima trindade sob a qual Gil vai erigir sua obra.
          foi também em 1958 que Jorge Amado publicou o livro que o alçou ao mundo, “Gabriela cravo e canela”. em 1960, Gil adentra a Universidade Federal da Bahia, de onde sai com o diploma de bacharel em administração pública, em 1964. o diploma o leva para São Paulo, a capital-cinza, para trabalhar como estagiário de publicidade na Gessy-Lever, mas seus contatinhos de faculdade (tais como José Capinan, Rogério Duprat, o próprio Caê & o grupo Os Mutantes) insistem em levá-lo ao mundo musical.
          chega o Maio de 1967. Gilberto Gil publica “Louvação”, primeiro disco de longa-duração – saíram como divulgação em single as faixas “Procissão” & “Ensaio geral”. produção da Philips/RCA de João Neto, com arranjos de Dori Caymmi, Carlos Monteiro Souza, Bruno Ferreira, nas letras parceirando com Caê, Capinan, Torquato Neto, João Augusto, o disco traz 14 faixas em que o autor visita suas raízes nordestinas, o carnaval, o frevo&o baião, as baladas dos anos cinqoenta, a bossa nova, o samba. talvez o passo mais ousado de todo o disco seja a faixa três deste disco, “Lunik 9” – parceria com Torquato Neto. em “Água de meninos”, é parceria com Caê, que a cantava como “Beira-mar”, música que narra um incêndio & pedra fundamental do que há de comum entre os dois – assim como Gilberto Gil, Caê sobreviveu ao horror da raiva hidrofóbica dos verdugos! vale a pena lembrar: este era só o disco de estréia, em uma carreira que contabiliza 27 discos de estúdio, até o momento de publicação deste artigo. em Agosto deste mesmo ano de 67, acontece o terceiro festival de Música da Rede Record, de onde Gil sai laureado com o segundo lugar & a faixa final do seu próximo disco, “Domingo no parque”.
          o disco seguinte, “Frevo rasgado” (Maio de 1968), é considerado a pedra fundamental da Tropicália, porque une de vez fotógrafos, musicistas, coreógrafos, pintores & escritores querendo digerir “Sargeant Peppers” para aqueles que vivem ao Sul da linha do Equador: “Luzia Luluza” é a faixa principal deste Manifesto; e onde “Domingo no parque” funciona como introdução ao léxico do grupo; nos dias de hoje, este disco finaliza com “Questão de ordem”, que só foi adicionada à playlist para o relançamento comemorativo das bodas de ouro do disco, numa total compactuação com as guitarras elétricas ou quaisquer outros instrumentos musicais.
          em 1967, Gil comete casamento com a da filha de Dorival e de dona Stella Maris, Dinahir Caymmi – Nana, a primogênita, irmã mais velha de Dori e de Danilo. é decretada sua prisão em Dezembro de 1968, quando Gil tinha um programa na televisão & encontrava-se em excursão pelo país com seus amigos tropica-valentes. uma presença era constante no palco: a bandeira nacional com a intervenção de Hélio Oiticica, “Seja marginal, seja herói”, transformam Caê e Gil em prêmios principais do Ato Institucional número cinco: os dois são presos alguns dias depois do Natal de 1968, e amarguram até a Quarta-feira de Cinzas em um quartel, no Rio de Janeiro, quando são liberados para prisão domiciliar. suportam esta situação até Julho de 1969, quando realizam um show de despedida do Brëzyl no Teatro Castro Alves, optando por um exílio nas Zooropas, primeiro em Lisboa, depois em Paris,  finalmente fixando residência em Londres.
          para o país, Gil retornará somente no ano de 1972. dono de uma carreira musical mundialmente premiada, amplia sua ação ao plano político, agindo diretamente na vida das pessoas para quem cantava: assume a vereança em sua cidade de origem no período 1989 ~1992; em 1997, é condecorado com a Ordem Nacional ao Mérito do governo francês; em 1999, é nomeado “Artista pela Paz” pela UNESCO; finalmente, de 2003 a 2008, trabalha como Ministro da Cultura, implementando mais de 2500 Pontos de Cultura em 1122 cidades do país.
          para o exercício de tradução de hoje escolhi o 13o disco de Gil, “Parabolicamará”, de 1992. neste disco, “Um sonho” é a faixa que primeiro puxou minha atenção, onde o eu-lírico narra um sonho que teve, um discurso para muitos gravatas importantes em um grande fórum mundial – um sonho que lhe veio quase 13 anos antes de acontecer de verdade!

 

PARABOLICAMARÁ (lançamento de Janeiro de 1992, Warner Music)

 

 

A.01-MADALENA (ENTRA EM BECO SAI EM BECO) (Isidoro)
Fui passear na roça

Encontrei Madalena

Sentada numa pedra

Comendo farinha seca

Olhando a produção agrícola

E a pecuária

 

Madalena chorava

Sua mãe consolava

Dizendo assim

Pobre não tem valor

Pobre é sofredor

E que ajuda é Senhor do Bonfim

 

Entra em beco sai em beco

Há um recurso Madalena
Entra em beco sai em beco

Há uma santa com seu nome

 

Entra em beco sai em beco

Vai na próxima capela
E acende uma vela

Pra não passar fome

 

 

A.02-PARABOLICAMARÁ (Gilberto Gil)
Antes mundo era pequeno
Porque Terra era grande
Hoje o mundo é muito grande
Porque Terra é pequena
De tamanho da antena parabolicamará

Ê, volta do mundo camará
Ê, mundo dá volta, camará

Antes longe era distante
Perto só quando dava
Quando muito ali defronte
Eo horizonte acabava
Hoje lá trás dos montes dende casa camará

De jangada leva uma eternidade
De saveiro leva uma encarnação
De avião o tempo de uma saudade

Pela onda luminosa
Leva o tempo de um raio
Tempo que levava rosa
Pra aprumar o balaio
Quando sentia que o balaio ia escorregar

 

Esse tempo nunca passa

Não é de ontem nem de hoje

Mora no som da cabaça

Nem está preso nem foge

No instante que tange o berimbau, meu camará

Esse tempo não tem rédea

Vem nas asas do vento

O momento da tragédia

Chico Ferreira e Bento

Só souberam na hora do destino apresentar

 

A.03-UM SONHO (Gilberto Gil)
Eu tive um sonho Que eu estava certo dia
Num congresso mundial Discutindo economia

Argumentava em favor de mais trabalho, mais

empenho, mais esforço, mais controle, mais valia

 

Demonstrei de mil maneiras
Como que um país crescia
E me bati pela pujança econômica

Baseada na tônica da tecnologia

 

Apresentei estatísticas e gráficos

Demonstrando os maléficos efeitos da teoria
Principalmente a do lazer, do descanso

Da ampliação do espaço cultural da poesia

Disse por fim para todos os presentes
Que o pais só vai pra frente se trabalhar todo dia
Estava certo de que tudo o que  eu dizia
Representava a verdade pra todo mundo

Foi quando um velho levantou-se da cadeira
E saiu assoviando numa triste melodia

Que parecia um prelúdio bachiano
Um frevo pernambucano, um choro do Pixinguinha

E no salão todas as bocas sorriram,
Todos os olhos me olharam, todos os homens saíram
Um por um,

Um por um,

Um por um,

Um por um.

 

Fiquei ali naquele salão vazio,

de repente senti frio e reparei que estava nú!
Me despertei, assustado e ainda tonto,

Me levantei e fui de pronto pra calçada ver o céu azul
E os operários escolares que

passavam Davam risada

e gritavam

Viva o índio do Xingú!

 

Viva o indio do Xingú,

Viva o índio do Xingú,

Viva o índio do Xingú.

 

A.04-BUDA NAGÔ (Gilberto Gil)
Dorival é ímpar
Dorival é par

Dorival é terra

Dorival é mar

 

Dorival tá no pé

Dorival tá na mão

Dorival tá no céu

Dorival tá no chão

 

Dorival é belo

Dorival é bom

Dorival é udo

Que estiver no tom

 

Dorival vai cantar

Dorival em CD

Dorival vai smbar

Dorival na TV

 

Dorival é um buda nagô

Filho da casa real da inspiração

Como príncie principiou

A nova idade de ouro da canção

Mas um dia Sanhô

Deu-lhe a iluminação

Lá na beira do mar (foi)

Na praia de armação (foi não)

Lá no jardim de Alá (foi)

Lá no alto sertão (foi não)

Lá na mesa de um bar (foi)

Dentro do coração

 

Dorival é Eva
Dorival é Adão

Dorival é lima

Dorival limão

 

Dorival é a mãe

Dorival é o pai

Dorival é o peão

Balançamas não cai

 

Dorival é um monge chinês

Nascido na Roma negra, Salvador

Se é que ele fez fortuna ele a fez

Apostando tudo na carta do amor

Azes, damas e reis

Ele teve e passou

Teve o mundo aos seus pés

Ele viu e nem ligou

Seguidores fiéis

E ele se adiantou

Só levou seus pincéis
A viola e uma flor

 

Dorival é índio

Desse que anda nú

Que bebe garapa

Que come beijú

 

Dorival no Japão

Dorival samurai

Dorival é anação

Balança mas não cai

A.05-SERAFIM (Gilberto Gil)
Quando o agogô soar

O som do ferro sobre o ferro

Será como o berro do carneiro

Sangrado em agrado ao grande Ogum

 

Quando a mão tocar o tambor

Será pele sobre pele

Vida e morte para que se zele

Pelo orixá e pelo ogum

 

Kabiêcile vai cantando o ijexa pro pai Xangô

Eparrei oraieié pra Iansã e mãe Oxum

Obabi olorum kozi como deus não há nenhum

 

Será sempre axé

Será paz será guerra Serafim

Através das travessuras de Exu

Apesar da travessia ruim

 

Há de ser assim

Há de ser sempre pedra sobre pedra

Há de ser tijolo sobre tijolo

E o consolo é saber que não tem fim

 

 

B.01-QUERO SER TEU FUNK (Gilberto Gil, De e Liminha)
Quero ser teu funk
Ja sou teu fa numero um

Agora quero ser teu funk

Ja sou teu fa numero um

 

Funk do teu samba

Funk do teu choro

Funk do teu primeiro amor

 

Rio de Janeiro

Bela Guanabara

Quem te viu primeiro pirou

 

Chefe Arariboia que andava

De Araruama a Itaipava
Nao cansava de te adorar

 

Depois te fizeram cidade

Te fizeram tanta maldade

E um Cristo pra te guardar

 

Funk do teu morro

Funk do socorro

Que o pivete espera de alguem

 

Rio de Janeiro

Sou teu companheiro

Mesmo que nao fique ninguem

 

Mesmo que Sao Paulo te xingue

Porque te cobica o suingue

O mar, a preguica, o calor

 

Lembra da Bahia que um dia

Ja mandou Ciata, a tia

Te ensinar kizomba nago

 

Funk da madrugada

Funk qualquer hora

Funk do teu eterno fa

 

Funk do portuga

Que te amava outrora

Agora funk da turista alema

 

Rio de Janeiro, Rocinha

Sempre a te zelar, Pixinguinha

Jamelao, Vadico e Noel

 

Funk sao teus arcos da Lapa

Funk e tua foto na capa

Da revista amiga do ceu

 

 

B.02-NEVE NA BAHIA (Gilberto Gil)
Xuxa

Bruxa

Ducha de agua fria

No fogo do meu plexo solar

 

Loura

Moura

Neve na Bahia

Um furacao sem furia no meu marulhar

 

Agri

Doce

Tal um sal de fruta

Vos me agredais quanto vos me agredis

 

Ouca

Garca

Inocente e astuta

Clareza absoluta e mil ardis

 

Gueixa disfarcada de boneca

Sudanesa travestida de alema

Porque sois o misterio a luz do dia?

Porque sois sempre a noite de manha?

 

Ainda bem que sois fruta no meu sonho

A velha obviedade da maca

Que escolho e colho e mordo na bochecha, Xuxa

E tendes travo e gosto de avela

 

Vick
Vapor

Lenta anestesia

Pimenta na garrafa de isopor

 

Xuxa

Bruxa

Ouro de alquimia

Sois flecha de um cupido pos-amor

 
B.03-YA OLOKUN (Monica Millet e Fred Vieira)
Ribeira eu peco licenca

Pra as aguas do mar, Olokun

Ye Olokun, Ya Olokun

 

Sao pontos de areia

Os destinos brilhando num so Olokun

Ye Olokun, Ya Olokun

 

As aguas salgadas

Os homens sujaram o mar, Olokun

Ye Olokun, Ya Olokun

 

Vamos salvar o dique do tororo

Bahia de todos os santos

Sol e areia, ea, ea, ea

 

Perpetuar aqueles que nos dao

A mare vazia e tambem a mare cheia

 

B.04-O FIM DA HISTORIA (Gilberto Gil)
Nao creio que o tempo

venha comprovar

nem negar que a historia

possa se acabar

 

Basta ver que um povo

Derruba um czar

Derruba de novo

Quem pos no lugar

 

E como se o livro dos tempos

Pudesse ser lido traz pra frente

frente pra traz

 

Vem a historia, escreve um capitulo

Cujo titulo pode ser “Nunca Mais”

 

Vem o tempo e elege outra historia

Que escreve outra parte

Que se chama “Nunca E Demais”

 

“Nunca Mais”, “Nunca E Demais”, “Nunca Mais”

“Nunca E Demais” e assim por diante tanto faz

 

Indiferente se o livro e lido

De traz pra frente

Ou lido de frente pra traz

 

Quantos muros ergam

Como o de Berlim

Por mais que perdurem

Sempre terao fim

 

E assim por diante

Nunca vai parar

Seja neste mundo

Ou em qualquer lugar

 

Por isso e que um cangaceiro

Sera sempre anjo e capeta, bandido e heroi

 

Deu-se noticia do fim do cangaco

E a noticia foi o estardalhaco que foi

 

Passaram-se os anos eis que um plebicito

Ressucita o mito que nao se destroi

 

Oi Lampiao sim, Lampiao nao, Lampiao talvez

Lampiao faz bem, Lampiao doi

 

Sempre o pirao de farinha da historia

E a farinha e o moinho que o tempo moi

 

Tantos cangaceiros

Como Lampiao

Por mais que se matem

Sempre voltarao

 

E assim por diante

Nunca vai parar

Inferno de Dante

Ceu de Jeova

 

B.05-DE ONDE VEM O BAIAO (Gilberto Gil)
Debaixo

Do barro do chao

Da pista onde se danca

Suspira uma sustanca

Sustentada por um sopro divino

Que sobe pelos pes da gente

E de repente se lanca

Pela sanfona afora

Ate o coracao do menino

Debaixo

Do barro do chao

Da pista onde se danca

E como se Deus

Irradiasse uma forte energia

Que sobre pelo chao

E se transforma

Em ondas de baiao

Xaxado e xote

Que balanca tranca

Do cabelo da menina

E quanta alegria

De onde e que vem o baiao?

Vem debaixo

Do barro do chao

De onde e que vem

O xote e o xaxado?

Vem deibaixo

Do barro do chao

De onde vem a esperanca

A sustanca espalhando

O verde dos teus olhos

Pela plantacao

O o vem debaixo do barro do chao

 

 

dylanniversário, uma tradução: Blonde on blonde \\|// Cara a cara (16 de Maio de 1966)

01.MULH3R36 D3 D145 CHUV0505 #12 & 35
Eles te pilham se você tenta ser do bem
eles te pilham, já disseram que iriam
eles te pilham se você volta pra casa
eles te pilham quando você está sozinho
mas eu não me sinto tão sozinho
todo mundo devia chapar só um pouquinho

Eles te pilham se você anda pela rua
eles te pilham se você guarda um lugar
eles te pilham se você não sabe qual é o andar
eles te pilham quando voc~e tentar ir embora
mas eu não me sinto tão sozinho
todo mundo devia chapar só um pouquinho

Eles te pilham se você toma um café
eles te pilham se você está jovem e sozinho
eles te pilham se você está dando duro
eles te pilham e só então te dão um “boa sorte”
mas eu não me sinto tão sozinho
todo mundo devia chapar só um pouquinho

Eles te pilham e dizem que isso é o fim
eles te pilham e voltam para mais uma vez
eles te pilham se você dirige o carro
eles te pilham quando você toca a guitarra
mas eu não me sinto tão sozinho
todo mundo devia chapar só um pouquinho

Eles te pilham mesmo se você está só andando
eles te pilham quando você parte pra casa
eles te pilham e depois dizem que você tem coragem,
eles te pilham com você quietinho na sua cova
mas eu não me sinto tão sozinho
todo mundo devia chapar só um pouquinho

04. UM D3 NÓ5 V41 V3R (C3D0 0U T4RD3)
eu nunca quis te tratar mal assim
não era pra você ter levado pro lado da emoção
eu nuynca quis te deixar mal assim
coincidiu de você estar lá e foi só isso
quando eu vi, você deu tchau” pro teu camarada e sorriu
isto pra mi já era sinal de cumplicidade
voê ia dar uma volta, já voltava rapidinho
nem imaginava que era um “tchau” pra nunca mais voltar

cedo ou tarde um de nós vai ver
você foi embora fazer o que tinha que fazer
é questão de tempo pra um de nós saber
você nem imagina o que eu fiz pra chegar até você

05.T3 QU3R0
Carrascos quase se arrependem
O piano de sopro é o que suspende
O saxofone é claro e me diz pra te recusar
Sinos rachados e tubas partidas
Jogam na minha cara a verdade
Não é pra ser assim
Eu não nasci pra te perder

te quero, te quero
te quero demais mesmo
benzinho, como te quero

Políticos bêbados saltam de um lado
ao outro nas ruas em que mães secam seu pranto
e os sábios que são os primeiros a dormir, esperam por ti
eu só espero a interrupção
do gole do drinque na minha mão
eles vão vir e pedir pra eu
abrir os portões pra ti

          Igual aos meus antepassados, todos eles falharam
          passar por uma vida inteira sem um amor de verdade
por que as suas filhas todas, nunca me escolheram
eu não queria nem saber

Agora voltei pra Rainha de Espadas
no quarto cozinhava marmelada
ela sabe que não vou achá-la esquisita
Ela é muito boa pra mim
e não existe nada que ela não saiba ver
ela entende onde eu queria estar
e isso não importa

Sua cria criativa, de crina chinesa
ralhou comigo, lhe tomei a flauta
com isso mostrei a quantas andava minha educação
Só fiz isso porque ele é um mentiroso
ele te levou para comer miojo
Ainda mais porque o tempo lhe foi vantajoso
Ainda…

 

06.F1C4R PR350 D3NTR0 D0 C4RRO 0UV1ND0 A0 MEMPHIS BLU35 T0C4R
O andarilho anda em círculos
De um lado ao outro da quadra
Até lhe perguntaria qual é o problema
Eu já sei, ele não sabe falar
E as garotas me tratam com candura
E me floreiam com adesivos
Lá bem dentro de mim
Já entendei, não tem mais jeito

Ai, minha mamãe, será que o fim é mesmo assim?
ficar preso dentro de um carro
ouvindo ao Memphis Blues tocar

Então Shaguespear, ele fica nas ruelas
Vestes sapatos pontudos & harpas
Falando com uma francesinha
Ela diz me conhecer muito bem
Até que enviava uma carta
Para saber que ela dedurou agora
Mas os correios sofreram um roubo
A caixa de cartas está lacrada

Mona tentou me avisar
fique longe dos trilhos do trem
Ela disse que todos os operários
Bebem todo seu sangue, igual a um vinho
Daí eu disse, “olha só, eu não sabia disso
então tem só um deles que eu conheci
ele fumou minhas duas pálpebras
e socou minha cigarrilha”

Vovô morreu na última semana
e agora está enterrado sobre as pedras
mas todo mundo ainda só fala sobre
o quanto mal isso lhes fez
Pra mim, só esperava isso acontecer
eu já sabioa que ele ia surtar
antes de ele atear fogo na rua inteira
ficando lá, com suas armas a descarregar

Hoje o senador veio aqui pra baixo
mostrou a todo mundo usas armas
ele entregou um monte de entrada grátis
pro casamento de seu filho
Foi quando eu quase fui pra prisão
e nem para ter nenhuma sorte
de estar sem nenhum bilhete
ser encontrado embaixo de um caminhão

Hoje o padre parecia sem fôlego
quando lhe perguntei porque ele vestia
vinte quilos de manchetes
carimbados em seu peito
Mas ele me jogou um xingo quando eu provei
e depois sussurrei “Nem mesmo você pode se esconder
já viu, você é igual a mim
espero que isso lhe satisfaça”

Agora o pajé me dá duas curas
e depois disse ”Cai bem dentro”
um era remédio dos Texanos
o outro era só dos trilhos, um gim
Inocentemente misturei as duas
e isso estrangulou minha mente
e agora as pessoas só ficam mais feias
e eu perdi a noção das horas

Quando Ruthie me pediu para ir ter com ela
no meio de seu pesqueiro caipira
ir lá pra assistir suas danças grátis
bem ao lado do Panamá, e da Lua
E eu disse, “Ah, mas qualé agora!
você deve ter ouvido da minha debutante”
E ela, “Sua debutante só sabe do que você precisa,
já eu, sei do que você gosta”

Colocaram paralelepípedos pela Grand Street
onde os malucos de neon escalam
eles todos caem de lá com perfeição
até parece estão ensaiados
E eu fico aqui, sentado pacientemente
para adivinhar quanto é que custa
para conseguir sair daqui
depois de passar por tudo, duas vezes

08. 16U4L 4 UM4 MULH3R
Ninguém sente dor nenhuma
É hoje que me benzo nessa chuva
O mundo já percebeu
Como você cresceu
E já faz tempo que as presilhas&os elásticos
Abandonaram os teus cachos
      Ela aceita igual a uma mulher
      Ela ama igual a uma mulher
      Ela se ressente igual a uma mulher
      Mas ela briga igual a uma garotinha

Queen Mary, esta é uma amiga
Vamos sair de novo, dá até pra acreditar
Ninguém ia adivinhar
O padre não quis casar
E ela entendeu que faz parte de um grande resto
com sua imprecisão, suas anfentas&suas bolinhas
      Ela aceita igual a uma mulher
      Ela ama igual a uma mulher
      Ela se ressente igual a uma mulher
      Mas ela briga igual a uma garotinha

De começo foi uma chuva, e eu lá
Morrendo de sede e não
Conseguia beber.
E tua cicatriz antiga ainda não sarou
Vai ver até que piorou
Tudo o que dói em mim
Não posso ficar aqui!
E ainda não sei se…

Eu não sirvo, não!
Acho que chegou a hora da nossa separação
Se nos vermos de novo
Talvez um amigo em comum
Vê se não vai agir como se não me conhecesse
Era só fome e era do teu mundo
      Fingida! Igual a uma mulher
      Tú até faz amor igual a uma mulher
      E até se ressente igual a uma mulher
      Mas daí briga igual a uma menininha.

13. Ó8V105 C1NC0 CR3NT35
Cedo manhãzinha
cedo manhãzinha
te chamo para
te chamo para
ir lá em casa
Acho que não preciso de você,
mas não gosto nem um pouco dessa solidão

Não me deixe mal
não me deixe mal
não vou te deixar
não vou te deixar
passar mal
Eu também posso se você também pode
mas não me faça isso amor benzinho nunca, não

Meu cachorro preto late
o cachorro preto late
está lá fora
ele está lá fora
no meu quintal
Só de ouvir dá para entender o que ele diz
mas tem muita gente que não cansa de nem querer saber, não!

Tua mãe no trampo
tua mãe no parto
ela chora por ti
ela tenta por ti
é melhor ir embora
Sei te dizer bem o que ela quer
mas não sei por onde começar a te dizer tudo isso agora, não!

Quinze 171
quinze 171
cinco dos crentes
cinco dos crentes
vestidos de gente
Diz pra sua mãe não precisa cabeça quente
cada um dos meus amigos me têm quase que nem a um irmão

Duas canções, duas traduções

“POR UNA CABEZA”, de Carlos Gardel e Alfredo de La Pera

I.
Por una cabeza de un noble potrillo
Que justo en la raya afloja al llegar
Y que al regresar parece decir
No olvides, hermano
Vos sabes, no hay que jugar

II.
Por una cabeza metejón de un día
De aquella coqueta y risueña mujer
Que al jurar sonriendo el amor que está mintiendo
Quema en una hoguera
Todo mi querer

rI.
Por una cabeza
Todas las locuras
Su boca que besa
Borra la tristeza
Calma la amargura

rII.
Por una cabeza
Si ella me olvida
Qué importa perderme
Mil veces la vida
Para qué vivir

III.
Cuántos desengaños, por una cabeza
Yo juré mil veces no vuelvo a insistir
Pero si un mirar me hiere al pasar
Su boca de fuego
Otra vez quiero besar

IV.
Basta de carreras, se acabo la timba
Un final reñido ya no vuelvo a ver
Pero si algún pingo llega a ser fija el domingo
Yo me juego entero
Qué le voy a hacer

\\|//

“POR UMA CABEÇA”, de Gardel & La Pera, versão de r.l.almeida

1.
Por uma cabeça de um nobre potrinho
Bem perto da raia afrouxa o chegar
E que ao regressar parece até dizer
Não se esqueça irmão, ninguém tem que jogar

2.
Por uma cabeça decidi um dia
Ter com aquela coquete risonha mulher
Que jura sorrindo o amor que está mentindo
Queima em uma fogueira todo o meu querer

r1.
Por uma cabeça
Todas essas loucuras
Sua boca que beija
Apaga a tristeza
Acalma a margura

r2.
Por uma cabeça
Se ela me esquece
Não me importa perder
Mil vezes a vida
Para que viverei?

3.
Quantos desencantos por uma cabeça
Me jurei mil vezes não mais insistir
Quando um só olhar me fere ao passar
Sua boca de fogo outraa vez quero beijar

4.
Basta de jogatina, não tem mais cachaça
Um final sonhado não quero mais ver
E quando um dos pinguços chega em casa, fim de domingo
Eu me jogo inteiro, é só o que sei fazer!

 

 

 

“ALEGRIA, ALEGRIA”, de Caê

I.
Caminhando contra o vento
Sem lenço e sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou

II.
O sol se reparte em crimes
Espaçonaves, guerrilhas
Em Cardinales bonitas
Eu vou

III
Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bomba e Brigitte Bardot

IV
O sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia
Eu vou

V
Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores
Vãos

r.
Eu vou
Por que não?
Por que não?

VI.
Ela pensa em casamento
E eu nunca mais fui à escola
Sem lenço e sem documento
Eu vou

VII.
Eu tomo uma Coca-Cola
Ela pensa em casamento
E uma canção me consola
Eu vou

VIII.
Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome, sem telefone
No coração do Brasil

IX.
Ela nem sabe até pensei
Em cantar na televisão
O sol é tão bonito
Eu vou

X.
Sem lenço, sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo
Amor

\\|//

“JOY, JOY”, versão de r.l.almeida

1.
We all walk against the winds
No tissue, no paper in my hands
It is summer, look at the sun
I go

2.
The Sun is parted by crimes
Spaceshuttles, guerrilas
And so handsome Cardinales
I go

3.
It is my dear president
So huge kisses with love
My flag, my leg and my teeth
Nuke and Brigitte Bardot

4.
The Sun is shinning crazy diamonds
Fullfill me with joy and lazyness
Who care with what the news says
I go

5.
Inbetween names and pictures
My eyes are fullfilled with them colors
My chest is fullfilled with a disdained
Love

r.
I go
And why not?
And why not?

6.
She thinks she is going to get marry
I never more saw my school
No tissue, no paper in my hands
I go

7.
I drink a coca-cola
She thinks she is going to get marry
A little song makes me merry
I go

8.
Among the pictures and names
No thing to read nor to aim
No thing to eat nor to say
We are inside my home land

9.
She does not know, I have already figured out
I know I got to make a living
The Sun it is so very beautiful
I go

10.
No tissue, no papper in my hands
Nothing in pockets or arms
I only want to live my life
With love

 

 

 

 

 

 

 

floydniversário, uma tradução: [{1975}] THE DARK SIDE OF THE MOON \\|// O LADO ESCURO DA LUA

          salve, salve minha aquosa & transtornada bloguesfera nossa de cada dia. no artigo de hoje, uma tradução em homenagem ao aniversário de lançamento de disco dos Pink Floyd.

          “The dark side of the moon” é o oitavo e maior sucesso de vendas em disco de estúdio do grupo (mais de 7 milhões à época do lançamento). já contabilizavam seis anos trabalhando pela gravadora EMI & oito anos de banda se apresentando ao vivo, com apenas uma perturbação na sua formação original. o mentor do grupo, responsável pela primeira vestimenta, foi mesmo Syd Barret: rapaz inquieto que no calor dos 19 anos conseguiu inovar a música & o próprio conceito de performance musical.

          Syd é o nome de escritor de Roger Keith Barret, nascido em Cambridge, na Inglaterra, ao sexto dia de Janeiro de 1946. aos 17 anos de idade, viu um novo horizonte se abrir primeiro com os The Beatles, depois com os The Rolling Stones, e finalmente com Bob Dylan. Multiinstrumentista desde pequeno (com passagens pelo piano & o ukulelê), foi o próprio Syd que construiu seu primeiro amplificador quando ganhou sua primeira guitarra elétrica, aos 12 anos. aos 19 anos foi admitido na Camberwell Escola de Artes, de Londres, para estudar pintura. & foi lá que juntou-se definitivamente ao grupo, que já conhecia desde moleque, em apresentações esporádicas utilizando nomes variados, até conseguirem se definir como os Pink Floyd.

          inicialmente tocando clássicos do cancioneiro r&b estadunidense, aos poucos o grupo foi adicionando letras de Syd a um ritmo que corria natural & acidentalmente, do caos à improvisação numa mistura de jazz & roquenrou, os elementos embrionários da banda rumo ao rock progressivo. junto de Syd, estavam Roger Waters (baixo), Nick Mason (bateria) & Richard Wright (teclado), que tinha um amigo com um estúdio de som, que gentilmente concedeu algumas horas de gravação para que o quarteto pudesse gravar algumas faixas. foi neste fabuloso Verão de 1966 que uma nova casa de shows abriu em Londres, a UFO. de lá emanava para o mundo a cena psicodélica da cidade, e os Floyd, carne nova no mercado, eram presenças quase constantes no palco principal. por mais seis meses iriam fazer apresentações que misturavam as sensações da escuta & da visão (em projeções sobre a banda com filmes em 16mm recheados de imagens experimentais & abstratas das aulas da faculdade de Syd), enquanto procuravam um contratinho para assinar o primeiro disco de longa duração. Firmaram com a EMI, que os levou para os estúdios de Abbey Road, onde gravaram entre Fevereiro & Julho de 1967 o material para o primeiro disco, que seria lançado em Agosto de 1967, “The piper at the gates of dawn” \\|// “O flautista nos portais da alvorada”.

          o problema é que nestes seis meses a performance de Syd no palco, & fora dele, começou a deteriorar, em virtude do artista estar se dedicando cada vez mais às suas pesquisas de cosmonauta psíquico com drogas lícitas (cimbalina & mandrax)  e ilícitas (LSD & peiote). não se sabia se Syd apareceria para o show; se aparecesse, não se sabia se Syd saberia o que estava fazendo, nem se seria capaz de seguir o roteiro, nem se conseguiria segurar a própria palheta. um segundo guitarrista foi trazido para suprir as eventuais necessidades de guitarra: entra David Gilmour. Syd esteve na tournée pelos EUA, mas relatos dizem que ele apenas vagava pelo palco: a gota d´água veio em uma apresentação em que Barret desafinou seu instrumento, vagarosamente & sempre derretendo. os fãs pareciam adorar este tipo de comportamento, mas a banda ficava sem saber o que fazer.

          uma primeira decisão, tomada em comum acordo com a gravadora e os membros ativos da banda, foi para manter Syd na banda, similar ao estado que Brian Wilson tinha dentro dos The Beach Boys: mentor & produtor, às vezes letrista. mas essa decisão durou apenas 20 dias, já que Syd não dava sinais de melhora de seu estado visivelmente debilitado, nem de gratidão aos amigos. o segundo disco veio em Junho de 1968, & embora tenha tido uma recepção menos entusiasta da crítica, colocou definitivamente a banda no panteão dos gigantes da música, & deixou claro que Syd tinha um lugar importante no grupo, mas estava afastado desde Janeiro de 1968.

          viriam depois ainda várias contendas entre os membros, fundadores & agregados, entre si mesmos & com a sociedade que os contorna. viriam vivências com a indústria do Cinema, para fazer trilhas sonoras (como em “More”, de 1969, e em “Obscured by clouds”, de 1972, ambos para filmes de Barbet Schroeder, e na participação no “Zabriskie point”, de Michelangelo Antonioni, em 1970). ainda no Cinema, duas homenagens que a banda não assume & nem rechassa: a faixa incidental no último capítulo do “2001, uma Odisséia no espaço” (1968), de Stanley Kubrick, e a trilha alternativa para “O mágico de Oz” (1939), de Victor Flemming. viriam também demandas mundiais pela liberdade, como a crítica ao muro de Berlim e a situação no Leste Europeu com “The wall” \\||// “O muro” (Novembro de 1979), e o próprio “The dark side of the Moon” \\|// “O lado escuro da Lua”, talvez uma homenagem ao pessoal da Apollo XVII, a missão de Dezembro de 1972 que encerra o programa espacial do governo dos EUA.

          o disco já estava pronto desde o ano anterior, & vez ou outra tinha sido apresentado. o grande tema é a passagem do tempo pela vida das pessoas: cada lado do disco começa & termina com o pulsar de um coração, & em cada faixa encontra-se resquícios da música concreta, a saber: mistura da musica instrumental com a musica cantada; ruídos em aparente desconexâo com silêncios, e esta dupla utilizada enquanto recurso melódico. Refroes longos, repetidos sequencialmente para, um pouco mais a frente, transmutarem em milhões de tons.

 

Pink Floyd - The Dark Side Of The Moon - Book p.2

 

[{1975}] THE DARK SIDE OF THE MOON \\|// O LADO ESCURO DA LUA

 

A.1 F4L3 C0M1G0 (Mason)
instrumental

A.2 R3SP1R4 (Waters, Gilmour, Wright)
I.
Respira, respira esse ar
Sem medo em se importar
Vai, mas não me deixe
Olha em volta, escolha sua origem
          Se é pra viver ou alto voar
          Se pra sorrir tem que fazer chorar
          O que é sólido mas não se vê
          É só isso o que restou pra viver

II.
Foge, coelho corre
O chão cavoca, esquece o que é iluminação
Quando achar que acabou o trabalho
Descanse não, pode cavocar de novo
          Se é pra viver ou alto sonhar
          De adestrar as marés tem que manjar
          Balançar sobre as maiores ondas
          Assim só se cavoca a rasa cova

 

A.3 N0 C0RR3-C0RR3 (Waters, Gilmour)
instrumental

 

A.4.i 73MP0 (Mason, Waters, Gilmour, Wright)
I.
Mandando ir embora os momentos que fazem um dia ruim
A bagaceira das horas desperdiça de uma maneira nada comum
Um vadio à toa, ele anda só por onde nasceu
Quer achar algo ou alguém que lhe mostre o caminho
          Cansado de esperar respostas, ficar em casa, a rua olhar
          Você está jovem, a vida é longa, vamos fazer a hora passar
          Daí um dia, já viu, dez anos passam voando,
          Ninguém avisa a hora da partida, foi perder logo a largada

Correndo você foge, tenta alcançar o Sol que se esconde
Vai dar mais uma volta e surgir atrás de você outra vez
Porque o Sol ainda é o mesmo, e você cada dia mais velho
Cada vez mais sem fôlego, se não se cuidar ainda vai morrer
         Cada ano tem menos tempo, não sobra espaco pra oportunidade
         Planos são sem fundamentos, pagina e meia de palavras pra sorteio
         Vai levando em muito desespero silencioso, o jeito inglês de ser
         Passou o momento, acabou a cancao, talvez tivesse mais a dizer

A.4.ii R35P1R4 (reprise)
Ao lar, de volta ao lar
É bom poder estar aqui e descansar
Se eu volto pra casa, gelado e cansado
Ligo o fogão a lenha, estou em casa
          Além das marés, bem longe daqui
          Ouço os sinos tocar
          Faz os fiéis se ajoelhar
          Sussurro doces palavras de magia

A.5 0 6R4ND3 7R4MP0 N05 CÉU5 (Wright, Clare Torry)
instrumental

B.1 6R4N4 (Waters)
I.
Grana, cai fora
Arranja alguém que te paga, e fica tudo muito bem
Grana, é um barato
Dá para usar nas duas mãos, sem parecer um chato
          Carro novo, viagem e pescar caviar
          Talvez eu compre pra mim uma equipe de stock car

II.
Grana, não me toque
Eu estou muito bem, acabe a intervenção no meu banco
Grana, é só sucesso
Não me vem com papo besta, “fazer o bem sem olhar a quem”
          Ando de primeira classe, alta fidelidade
          Quem sabe chegou a hora de tirar meu lear jet

III.
Grana, é sujeira
Divida o quanto quiser, mas não mexa com a minha parte
Grana, já se sabe
Origina o mal de todo mundo e ninguém está nem aí pra nada
          Tenta aí, e pede aumento
          Te querem te ver muito contente e vão te dar só mais um por cento

B.2 NÓ5 3 05 0U7R05 (Waters, Wright)
I.
Nós e os outros
Ao fim do jogo, sáo só pessoas comuns
Você e eu e
Só Deus sabe o que cada um não quer fazer
          Mais tarde vai chorar o leite derramado
          Morto de todos os lados
          Sentou o general e as linhas sobre o mapa
          Desenharam um novo traçado

II.
Azul e preto
Vai saber quem sabe o que, e quem é quem
Sobe e desce e
Quando acabar, sobrou só o vai e volta de volta
          Não ouviu dizer da batalha verborrágica
          Gritou o fiscal da fronteira
          Ouça bem meu filho, disse o homem com o cano,
          O que é teu está guardado aí dentro

III.
Desce e sai
Não dá pra parar, e há ainda muito mais para chegar
Tem, não tem mais
Quem ainda duvida se aquilo não era motivo para brigar?
          Lá fora segue a vida, mais um dia corrido
          Doze leões pra cuidar
          Pelo o peso em recompensa, em chá e uma penca
          Morreu o velhote

 

B.3 QU4LQU3R C0R QU3 LH3 4PR0UV3R

 

B.4 53QÜ3L4D0 C3R38R4L (Waters)
I.
O lunatic@ está no pasto
O lunático está no mato
Lembrando rodas tongas e milongas
Mostrar pros maluquinhos o caminho

II.
O lunatica na minha sala
Os lunaticas nas minhas salas
O jornal estampa caretices em sua capa
E todo dia o editor pede mais

r1.
E se a represa arrebenta muito cedo
E não há mais espaço colina acima?
E se a cabeça explode em negras vibrações
Te vejo no lado escuro da Lua

III.
O maluco na minha mente
O lunática na minha mente
Afia a faca, muda tudo
Me re-amonta até eu ficar bem
          Tranca a porta e joga fora a chave
          Tem alguém na minha mente e não sou eu

r2.
E se faísca a nuvem e trovões em sua vista
Você grita e ninguém te olha
E se a banda em que tocas segue fazendo novo som
Nos vemos do lado escuro da Lua

B.5 3CL1P53 (Waters)

Tudo o que tocas
Tudo o que vês
Tudo o que provas
O que sente

Tudo o que amas
Tudo o que odeias
O que não confias
O que não usa

II.
Tudo o que ofereces
Tudo o que negocias
Tudo o que compras
Imploras, empresta e rouba

Aquilo que crias
Aquilo que destróis
Tudo o que dizes
Tudo o que constrói

III.
Tudo o que comes
E todos os que conheces
Tudo o que descartas
E todos com os quais mata

Tudo o que é agora
Tudo o que já foi
Tudo o que está por vir
E tudo o que está sob a Sol é impune
mas a Sol está no eclipse do Lua

dylanniversário, uma tradução: Bringing it all back home \\|// Pra levar tudo de volta pra casa (22 de março de 1965)

 

 

 

  1. Pra levar tudo de volta pra casa

                                                                 22 de Março de 1965

 

 

 

 

 

notas de rodapé:

produzido por Tom Wilson                       fotografia de Daniel Kramer

 

 

 

 

 

resta só eu ali assistindo ao desfile

sentindo uma combinação de dormentes john estes.

jayne mansfield, humphry bogart /morti-

mer snerd, murphy do surfe e por aí vai /

caroneiro erótico vestindo casaco

japonês. prendeu minha atenção quando perguntou será

que ele não me viu naquela pousadaria de bairro em

puerto vallarta, méxico / disse que não você deve

ter se confundido. acontece que sou um dos

Supremes / daí ele rasga o casaco

e muito de repente torna-se num farmaceuta de meia idade.

que trabalha para o ministério público. ele começa uma grita-

ria comigo você é o tal. você é o cara

que tem deixado um montão de gente louca sobre as revoltas lá do

vietnam. imediatamente dirige-se a mais um bocado de

gente dizendo se for eleito, vai mandar me

eletrocutar em praça pública no próximo 7 de alguma coisa.

olhei em volta e toda esta gente

com quem ele conversava portando maçaricos /

desnecessário dizer, vazei fora rapidão de volta ao

velho e bom sertão. lá só resta eu, que escreve

O QUÊÊE? em minha parede predileta quando eis

quem passa num jatinho ninguém menos que meu engenheiro de

gravação “vim para buscar o senhor & as suas

últimas obras de arte. precisa de ajuda

com um’as coisas?”

 

(pausa)

 

minhas músicas são escritas com os batuques

em consideração/ o toque de qualquer cor ansiosa. não

mencionável. óbvia. e talvez as pessoas

iguais a uma suave cantora do bräzyl.  .  . já

desisti de fazer das tentativas uma perfeição /

o fato de que a casa branca está recheada de

líderes que nunca foram a Bibliotecas&Museus causa-

me espanto. por que allen ginsberg

não foi chamado na inauguração para declamar poesia

me deixou ruinzasso / se tem mais alguém achando que norman

mailer é mais importante do que hank williams

isto é bom. acabaram meus argumentos e

nunca bebo leite. prefiro modelar cabi-

des para gaitas do que discutir antropologia asteca /

literatura inglesa. ou a história das nações

unidas. aceito o caos. não tenho tanta certeza

se ele me aceita. sei de algumas pessoas que têm sofrido terrores
por causa da bomba. tem ainda outras que sofrem terrores

de serem vistas levando revistas sobre música ligeira.

a experiência ensina que o silêncio é o que mais aterroriza

as pessoas  .  .  .  estou convencido de que todas as almas têm

algum superior para se reportar / igual ao sistema

escolar, um círculo invisível onde ninguém

pode pensar sem antes se reportar a alguém / perante

estes fatos, responsabilidade / segurança, e o sucesso

significa absolutamente nada  .  .  .  não gostaria

de ser bach. mozart. tolstoy. joe hill. gertrude

stein ou james dean / todos estão mortos. os

Grandes livros já foram escritos. os Grandes ditos

já foram todos beneditos / o que vim Lhes desenhar

é uma foto do que às vezes acontece

por estes lados. e eu também não percebo muito bem

as coisas que estão acontecendo. já sei

que vamos todos morrer algum dia e que nunca teve morto

que fez parar o mundo. meus poemas

estão escritos no ritmo da distorção não poética /

dividido por ouvidos furados. sobreancelhas falsas / sub-

tracionadas por pessoas que gratuitamente torturam umas

às outras. com uma linha de ronronar melódica de descrição

sem sombra – – vistos algumas vezes através do óculos de sol escuro

e por outras formas de explosão psíquica. uma música é aquilo

que sabe o passo a passo do seu andar / dizem que

escrevo canções. e um poema é a pessoa desnuda  .  .  .  há quem

diga que sou poeta

 

(fim da pausa)

 

e daí respondi ao meu engenheiro de gravação

sim. acho que podia ter uma ajudinha para entrar

co´esta parede no avião”

 

 

  1. subterranean homesick blues
  2. ela me pertence
  3. maggie´s farm
  4. love minus zero / no limit
  5. outlaw blues
  6. on the road again
  7. bob dylan´s 115th dream
  8. mr tambourine man
  9. gates of eden
  10. it´s allright, ma (i´m only bleeding)
  11. it´s all over now, baby blue

 

  1. 8LU35 D4 F38R3 C4531R4 N0 P0RÃ0

    1.
    Johnny mora dentro de um porão
    Trabalha misturando erva medicinal
    Eu ando pelo minhocão
    Lembro do gravatas de então
    Do governo bolsa paletó importado
    Cuidado aí, menino4.
    As se aqueça e me esqueça
    Descalço romanceia beije a sereia
    Se cubra, olha a bênção
    Tente virar sensação
    Agrade a um, agrade ao outro, brindes grátis

    Vinte anos de ensino
    Pra te darem o turno diurno
    Cuidado aí, criança
    O esconderijo não é aí não
    É melhor evitar o atalho
    Traga aceso seu candel´[ario
    Não venha de sandálias
    Não provoque bate-bocas
    Não me parece que gosta de bafões
    Mas é melhor escovar os dntres
    A caixa d´água não funciona porque o putos
    Rapelaram as manivelas.

    02. 3L4 P3RT3NC3 4 M1M

    Ela já tem tudo o que precisa
    É uma artista e não guarda rancor
    Ela escurece as cenas diurnas
    E nas noturnas pinta o fulgor
    Ela faz brilhar a noite mais escura
    E escurece os dias de Sol

    Você faz questão que ela veja o seu
    Orgulho em roubar tudo o que ela vê
    Você vai terminar a jornada
    A observar no monitor de tevê
    Você quer espiar o buraco da fechadura
    Pra saber o que ela pensa de você

    Ela não dá nenhum passo em falso
    Ela não tem aonde cair morta
    Ela não é filha de nenhum figurão
    O sistema a vê com,o peça solta
    Ela não tem nem pai nem mãe
    O sistema não sabe como ela existe

    Ela veste um anel egípcio
    E se ela fala, ele brilha
    Ela tem fama de hipnotista
    É mesmo uma antiguidade ambulante

    Abrace-a nos domingos
    E nos aniversários com mais ardor
    Nos dias das Bruxas, dê-lhe um trompete
    E nos Natais, dois tambores

    03. NÃO QUERO MAIS TRABALHAR DE SITIÃO

    04. 0 4M0R: M3N0S Z3R0 / S3M L1M1T3S

    1.
    Meu amor age como o silêncio
    Recusa os ideais de violência
    Ela não precisa nos lembrar da sua fidelidade
    E ela é real, como o vinho ou a água
    As pessoas trazem flores
    A cada hora ainda mais promessas
    Meu amor ela é a franqueza das rosas
    Presentinhos não vã convence-la

    2.
    Nos supermercados e nas baldeações
    As pessoas relembram de situações
    Lêem os livros pra decorar sitações
    Com as conclusões riscam os muros
    Outros falam de um futuro
    Meu amor age com sinceridade
    Ela diz que não existe acerto igual ao erro
    E um erro não é acerto nenhum

    3.
    Balançam o sobretudo e o facão
    Madames acendem os lampiões
    Nas cerimõnias dos Cavaleiuros Templários
    Até o peão tem que dar um lance
    Estátuas feitas com palitos
    Derretem-se umas nas outras
    Meu amor só pisca, isso não importa
    Ela sabe demais para julgar ou convencer

    4.
    à meia-noite a ponte treme
    O médico da cidade, ele só geme
    A sobrinha do banqueiro busca a perfeição
    Espera os prsentes de seus sábios pretendentes
    Uiva o vento igual a uma marreta
    Durante a noite sopra uma chuva
    Meu amor na janela me lembra do poema
    De um corvo com a asa quebrada m meu umbral

    05. MÚ51C4 D4 T3RR4 D3 N1N6UÉM

É bem ruim dar um passo em falso
E aterrisar em uma lagoa qyue você não conhece
É bem ruim dar um palso em falso
E aterrisar em uma lagoa em que voc~e enlamece/emudece
Pior ainda se estiver nove graus negativos
E forem 4 e 20 da tarde

Não vou pendurar fotinhas
Não vou pendurar fotinhas d ecanhão
Olha eu pareco o Francisco Cuoco
Mas já me disseram que estou mais para o Tarcisão

Quem dera eu estivesse
Em uma planície no Planalto Central
Eu não tenho mpotivo para estar lá
A não ser a mudança no meu astral

Trouxe meus óculos escuros
Tive sorte e trouxe o pé de coelho também
Não sei o sentido das coisas
Nem quero dizer a verdade a ninguém

Tenho uma namorada n avila
Por motivos óbivios não posso dizer quem é
É uma mulher de pele morena
E ama muito pelo que ela é

08. S3NH0R H0M3M D05 T4M80R1N5
Ei, sr. homem dos tamborins, põe aí um som pra mim
Estou sem sono e não tenho lugar nenhum  pra ir
Ei,s r. homem dos tamborins, põe aí um som pra mim
Assim sendo a cada novo dia é só pra te agradecer / eu vou te seguir

Eu sei bem que o império do amanhã já volta a ser só cinzas
Assopradas vento adentro
Me deixou cego aqui assim e ainda sem dormir
Meu amor próprio me surpreende me faz plantar os pés no chão
Sem ter nenhum lugar pra ir
E as velhas ruas vazias estão uqietas demais pra rir

2.
Me leve em uma viagem // pra viajar em seu amarelo submarino
Tropicália ou uma transa ando meio
Desligado dominguinhos da vida
Espero um cometa passar pra me levar com ele
Pronto pra ir a qualquer lugar, pra desaparecer,
Tentar se explicar, gravar o jeito que dfança
Pra tentar te deixar ir // te entender // te esquecer

10. F4R03ST3 C480CL0 (C4LM4, MÃ3, É 5Ó UM 54N6U3)

11. 357Á QU453 N0 F1M, M3U 7R1573 4M0R
1.
Melhor já ir embora & levo o que for durar
É teu o que bem entender, melhor se apressar
Tem em teu passado um menor abandonado
Que chora igual a incêndio em descampado
Melhor tomar cuidado os santos vêm aí
Está quse no fim, meu triste amor // meu amor já póde ir

2.
A pista é pra quem gosta de tomar chuva
Não fique assim encabreirado tome um gole desta uva
O pintor que conheceu  mora na rua
Desenha enlouquecidamente em nossas vias
O céu sobre nossas cabeças já vai cair
Está quse no fim, meu triste amor // meu amor já póde ir

3.
Os marinheiros tarimbados, todos remam pra cas // deixaram a briga
O teu exército de aliados, todos rumam pra o lar // foi curar feridas
O namorado que saiu do teu apartamento
Levou tudo embora, sem ressentimentos
O tapete também quer te ver cair
Está quse no fim, meu triste amor // meu amor já póde ir

4.Declare outro fecha, vamos nos repetir
Está quse no fim, meu triste amor

Duas canções, duas traduções

          salve, salve, minha azul & ingrata bloguesfera nossa de cada dia! mais um episódio do “Duas canções, duas tradudogs” no ar, hoje rememorando a mulher & as mulheres que tanta vida dão para que a Vida do mundo aconteça. hoje a experiência é verter do Espanhol ao Português, & do Português ao Inglês: de um lado, a folclorista Violeta Parra; do outro, o jornalista Adoniram Barbosa.

          Violeta Parra é o nome de escritora de Violeta del Carmen Parra Sandoval, nascida no quarto dia de Outubro de 1917, em San Fabián ou talvez em San Carlos, no Chile, a terceira filha numa linhagem de nove (a primeira das três mulheres da prole). os filhos do casal Parra-Sandoval desde muito crianças já se inclinavam aos dotes artísticos, imitando artistas que itineravam pelo vilarejo: as crianças realizavam frequentes reuniões & soirées nas cercanias do bairro, naturalmente cobrando por suas performances para complementar a renda da família. Violeta já toca violão aos nove, & aos doze compõe sua primeira música. Violeta é sobrevivente de varíola, que só foi considerada erradicada em 1980. a família Parra teve que dar muito duro depois da perca do patriarca em 1929. Violeta torna mais frequente as apresentações em clubes, às vezes com as irmãs Hilda & Clara, e normalmente com os irmãos Eduardo & Roberto, interpretando boleros, rancheras & toadas do cancioneiro popular chileno. seu irmão, Nicanor, vai crescer para tornar-se um dos expoentes da corrente poesia chi-chi-chi-chilena!

          casa-se em 1938, tendo dois filhos (de um total de quatro) que não demoram a adentrar o mundo artístico com o sobrenome da mãe. deste primeiro casamento separa-se em 1948, mas levou como herança do marido, membro do Partido Comunista local, a militância política velada, que seguirá até o final de sua vida. Violeta apresenta-se em boates, em clubes de bolero, em programas de rádio, junta-se a um grupo de teatro mambembe. começa uma pesquisa de compilação das histórias do imaginário popular de seu país, recolhendo a tradição oral & consolidando-a em textos. Violeta anda o país inteiro para isso, & foram nestas primeiras andanças que conheceu Pablo Neruda, Pedro Massone & Alberto Zapiacán. publica em 1959 o livro “Cantos folclóricos chilenos”, com mais de 3000 canções, seguindo o exemplo de Charles Peraux & os irmãos Jacob e Wilhelm Grimm, ainda nos anos 1800s, & compartilhando da receita do sucesso com Luis da Câmara Cascudo e seu “Contos tradicionais do Brëzyl” (livro em 1946). em 1954, Violeta ganha o prêmio Caupolicán de artista popular do ano, o que lhe credencia para viajar até a Polônia & se apresentar em um festival para jovens expoentes mundiais. nesta viagem aproveita para conhecer a Rússia & algumas partes da Europa.

          a estadia em Paris foi particularmente proveitosa, já que registra em disco de longa duração várias canções que compilara no cancioneiro chileno. seu primeiro trabalho solo & de maior fôlego, pedra fundamental de tudo que virá depois, é de 1956, “Guitare et chant: chants et danses du Chili”, onde já constam “Violeta ausente”, & o grande sucesso que cantaria até o fim de sua vida, “La jardinera”. O sucesso deste trabalho foi grande, inédito para qualquer artista fora das Zooropas & EUA, o que encheu a escritora de inspiração & criatividade. gravou mais quatro discos (“Canto y guitarra”, de 1957; “Acompañada de guitarra”, de 1958; “La tonada” e “La cueca”, de 1959), todos com temas sociais, canções em décimas ou composições poéticas, & também adaptações de poesia. depois destes discos, diversifica ainda mais sua arte, & começa esculpir em cerâmica, a pintar com tinta óleo, a costurar em estopa, sempre retratando as origens mapuches.

          criada longe do academicismo (um tanto por razões econômicas da família, outro tanto pelo pouco interesse que tinha na escola), Violeta tem um estilo inocente & autodidata. foi a primeira artista da América do Sul a realizar uma exposição individual no Museu do Louvre, em Paris, aos 47 anos de idade. A cantautora inaugurou uma casa, onde recebia amigos e outras pessoas para tardes de poesia, que segue firme & forte até hoje – o Museu Violeta Parra. mata-se com um tiro na cabeça, aos 49 anos de idade, um ano depois de escrever o hino humanitário que desde que foi escrito não parou de ser cantado, “Gracias a la vida”. ainda hoje, os motivos que a levaram a saída tão trágica são desconhecidos.

          escolhi como exercício de tradução um de seus primeiros sucessos, “Violeta ausente”, considerada um hino à situação de chileno longe de casa. aproveito a oportunidade de Violeta ser assunto hoje aqui no blogue para fugir à tradição que eu mesmo criei: publico junto uma segunda letra, a minha versão de “Gracias a la vida”, que já fez sucesso na voz de Mercedes Sosa, Chico Buarque, Joan Baez, Milton Nascimento, Elis Regina & muitos outros. na verdade: ainda faz sucesso!

V10L3T4 4US3N73 (letra de Violeta Parra)
1.
¿Por qué me vine de Chile
tan bien que yo estaba allá?
Ahora ando en tierras extrañas,
ay, cantando como apenada.

2.
Tengo en mi pecho una espina
que me clava sin cesar
en mi corazón que sufre,
ay, por su tierra chilena.

r.
Quiero bailar cueca,
quiero tomar chicha,
ir al mercado
y comprarme un pequén.
Ir a Matucana
y pasear por la quinta
y al Santa Lucía
contigo mi bien.

3.
Antes de salir de Chile
yo no supe comprender
lo que vale ser chilena:
ay, ahora sí que lo sé.

4.
Igual que lloran mis ojos
al cantar esta canción,
así llora mi guitarra
ay, penosamente el bordón.

5.
Qué lejos está mi Chile,
lejos mi media mitad,
qué lejos mis ocho hermanos,
ay, mi comadre y mi mamá.

6.
Parece que hiciera un siglo
que de Chile no se nada,
por eso escribo esta carta,
ay, la mando de aquí pa’ allá.

\\|//

V10L3T4 4US3N73 (tradução de r.l.almeida)
1.
Por que fui deixar o Chile
Tão bem passava por lá?
Agora ando em terras estranhas,
Ai, canto igual alma penada.

2.
No meu peito existe um espinho
Que machuca e não vai parar
O meu coração só sofre
Ai, por sua terra chilena

r.
Quero dançar a cueca
Quero beber a chicha
Ir ao mercado
Me comprar um pássaro.
Conhecer a Matucana
E passear pelo bairro
Ir até Santa Lucia
Você e eu juntos, meu bem.

3.
Antes de sair do Chile
Não soube como entender
Quanto vale ser chilena
Ai, agora acho que sei.

4.
Igual ao quanto choram meus olhos
Quando canta esta canção
É o quanto chora minha guitarra
Ai, sofredora no refrão

5.
Que longe está meu Chile,
Que longe minha metade está,
Que longe meus oito irmãos,
Ai, e minha comadre e minha mamãe.

6.
Parece que já faz 100 anos
Que do Chile não sei nada,
Por isso escrevo esta carta,
Ai, a mando daquí para lá

=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*
14.xicara
=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*

GR4C145 4 L4 V1D4 (letra de Violeta Parra)
1.
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio dos luceros que cuando los abro
Perfecto distingo lo negro del blanco
Y en el alto cielo su fondo estrellado
Y en las multitudes el hombre que yo amo

2.
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado el oído que en todo su ancho
Cada noche y días, Grillos y canarios,
Martillos, turbinas, ladridos, chubascos
Y la voz tan tierna de mi bien amado
3.
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado el sonido y el abecedario
Con el las palabras que pienso y declaro
Madre, amigo, hermano y luz alumbrando
La ruta del alma del que estoy amando
4.
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado la marcha de mis pies cansados
Con ellos anduve ciudades y charcos
Playas y desiertos, montañas y llanos
Y la casa tuya, tu calle y tu patio
5.
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio el corazón que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano
Cuando miro el bueno tan lejos del malo
Cuando miro el fondo de tus ojos claros
6.
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto
Así yo distingo dicha de quebranto
Los dos materiales que forman mi canto
Y el canto de ustedes que es el mismo canto
Y el canto de todos que es mi propio canto
\\|//

4GR4D3Ç0 À V1D4 (versão de r.l.almeida)
1.
Agradeço à vida que já me deu tanto
Deu-me dois olhos e quando os abro
Distingo perfeito o preto e o branco
Também o alto dos céus, até o fim estrelado
Também nas multidões a pessoa amada

2.
Agradeço à vida que já me deu tanto
Fez-me ser sensível a tudo que desconheço
A cada noite e dias, grilos e canários
Martelos, turbinas, latidos, borrascas
E à voz tão terna da pessoa amada

3.
Agradeço à vida que já me deu tanto
Deu-me os barulhos e o abecedário
Com ele as palavras com que penso e falo
Mãe, amigo, irmão, luz iluminando
Mapa para a alma de quem eu amo

4.
Agradeço à vida que já me deu tanto
Deu-me até a marcha de meus pés cansados
Com eles andei por cidades e mangues
Praias e desertos, montanhas, planaltos
Também a casa tua, teu jardim, teu quarto

5.
Agradeço à vida que já me deu tanto
Fez-me um coração que sente tua presença
Quando vejo o fruto do cérebro humano
Quando vejo o bem tão longe do mal
Quando vejo o fundo de teus olhos claros

6.
Agradeço à vida que já me deu tanto
Deu-me a risada, me deu também o canto
Assim eu distinguo dito de encanto
Duas das matérias que compõe meu canto
E o canto de vocês todos que é o mesmo canto
E o canto de todos que é meu próprio canto

Adoniran-1974-capa
capa do disco de 1974

          o que nos traz de volta ao Brazyl. sabe-se menos da época primeira do Cinema (1896, até 1914) do que sobre a Pré-História da Humanidade (2 bilhões até uns 10 mil anos atrás, antes do Marco Zero de Jesus Cristo & a Cristandade). o Rádio, descoberto pelos anos 1860s, e com um Nobel em Física em 1901, só foi tornado massivo após 1927 (depois das chegadas das vitrolas tocadoras de discos que podiam ser acopladas diretamente ao aparato transmissor). até então, a Arte acontecia nos Jornais, & nos Palcos, & nas Ruas: onde pudesse ser reproduzida & apreciada. o átomo de Rutherford já dava as caras, mas só vai começar a ser levado a sério depois dos atentados de Hiroshima & Nagasaki: os que nasceram depois de 1945 são Filhos do Átomo; os que nasceram antes, Filhos do Rádio.

          Adoniran Barbosa é legítimo Filho do Rádio, nascido em Valinhos, SP, Brazyl, no sexto dia de Agosto de 1910, & era o nome de escritor de João Rubinato. filho dos Rubbinato & Rucchini italianatos chegados ao país na primeira leva dos anos 1890s, sua família percorre a tríade de cidades Jundiaí – Santo André – São Paulo, partindo das lavouras para chegar à capital paulista. o menino João é o caçula dos sete filhos da família. de surrupiador de marmitas, na juvenília campineira, ascende aos palcos como ator. só ganhou sua porção de luz na ribalta porque este primeiro momento do Rádio estava em plena ascensão, já que tinha acabado de ganhar um irmão de peso: o cinema da década de 1920s, chamado comumente de “Sistema de Estrelas”.

          porque o Rádio acontecia ao vivo, em pequenos estúdios (para a equipe técnica) com enormes anfiteatros (para o público, que comparecia em peso para assistir aos programas). Adoniran trabalha na rádio a partir da década de 1930, primeiro pela Cruzeiro do Sul, depois pela Rádio São Paulo, depois pela Difusora. inclusive, Adoniran é o nome de seu personagem mais adorado pelos ouvintes: era difícil para João sair da personagem. casa-se em 1936 com Olga Krum, de onde vem a primeira & única filha, hoje tradutora, Maria Helena Rubinato, em 1937. depois do desquite, acerta no segundo casamento com Mathilde de Lutiis (em 1949), que dura até sua morte, em 1982. em 1941 sua condição financeira começa a melhorar, graças ao contrato com a Rádio Record, onde ficará até 1972, quando se aposenta da rádio & inicia sua carreira enquanto musicista. na Rádio Record, atua em peças humorísticas escritas pelo produtor/escritor Osvaldo Moles, encarnando tipos como Zé Cunversa, o malandro; Jean Rubinet, o galã do cinema francês; Moisés Rabinovic, o judeu das prestações; Richard Morris, o professor de inglês; Dom Segundo Sombra, o cantor de tango-paródia; Perna Fina, o chofer italiano; e o sambista paulistano Charutinho.

          o jovem Adoniran encontra dificuldades & ostracismo entre os anos 1930s – 1970s. o próprio artista se vê como escritor & não como cantor, mas ainda um escritor que poucos querem comprar. de uma época em que as rádios tocavam ostensivamente o romantismo & a dor de cotovelo de Aracy De Almeida, Nelson Gonçalves, Chiquinha Gonzaga, Ary Barroso & Orestes Barbosa, Adoniran tenta aumentar sua popularidade & mostrar que suas composições são mesmo boas, gravando em 1951 seu primeiro compacto, onde está sua “Saudosa maloca” (e, no outro lado, “Os mimosos colibri”, de Moles & Hervê Cordovil). de acordo com o artista, este single vendeu apenas duas cópias. a soma de experiências vividas, de doses de humor & da observação afiada dá ao país um de seus maiores & mais sensíveis cronistas, onde a construção linguística, pontuada pela escolha exata do ritmo da fala paulistana, transforma suas letras de sambas em poesia legítima. O uso do português falado nas ruas, e não o idioma formal, é uma das suas características: “escrevo samba para as pessoas comuns”, é uma das suas clássicas defesas da corruptela do idioma. mais uma das grandes citações, esta dentro da letra de samba: “eu gosto dos meninos deste tal de ie-ie-iê porque com eles canta a voz do povo”. o grande tema cantado pelo poeta foi a vida comum em meio à miséria & à especulação imobiliária na capital paulista (entre os anos 1930 e 1960), o que vai ecoar na capital brazuca-fluminense como samba de pedigree 100% vindo do alto dos morros. um Ira Gershwin nascido nos trópicos, por assim dizer.

          a amizade com os Demônios da Garoa começa em 1943, nos corredores das Rádios Unidas (onde o grupo também fazia parte do elenco). em 1949 gravam cenas para o filme “O cangaceiro”, de Lima Barreto (lançado em 1953, ganhador do prêmio do Festival de Cannes daquele ano, na categoria de Melhor Filme de Aventura). “Saudosa maloca” & “O samba do Arnesto” foram seu passaporte para o estrelato, na gravação do disco dos Demônios em 1954, vendendo 90mil cópias à época e levando-os para o programa de Abelardo Barbosa, o Chacrinha (o disco contém também “Iracema” e “Apaga o fogo, Mané!”) . em 1964 veio “Trem das onze”, que ganha prêmio no carnaval carioca de 1965, confirmando Adoniran no time de colaboradores dos Demônios e como um dos grandes nomes do samba tupiniquim.

          Adoniran só vai virar referência obrigatória no compêndio da Escola da Vida em 1974, quando lança seu primeiro disco de longa duração. Neste disco fulguram pérolas como “Bom dia, tristeza”, “As mariposas” e “Prova de carinho”. “Samba do Arnesto” também deveria estar no primeiro disco, mas foi barrada pela Censura, pelos erros de português (sic) (((ha! haha! hahahaha! cês nunca ensinam nada, tão nem aí pra m3rd4 toda e vem agora arrotar o que é certo do que é errado! hahahaha!))) e pelo alto teor de deboche frente à marcha do progresso. não se passam nem seis meses do primeiro lançamento &, com as vendas só crescendo, a gravadora encomenda um segundo disco a Adoniran. o produtor Pelão convida para escrever o texto de contracapa nada mais, nada menos do que Antonio Cândido, celebrado professor da Universidade de São Paulo, que escreve (e eu transcrevo e mostro a contracapa): ”tenho lido que Adoniran usa uma língua misturada de Italiano & Português. Não concordo. Da mistura, que é o sal da nossa terra, Adoniran colheu a flor & produziu uma obra radicalmente brasileira, em que as melhores cadências do samba & da canção, alimentadas inclusive pelo terreno fértil das Escolas, se alia com naturalidade às deformações normais de português brasileiro, onde Ernesto vira Arnesto, em cuja casa nós fumo & não encontremo ninguém, exatamente como por todo esse país”. com o Candinho é que a gente aprende as coisas, diz aí! no segundo disco, ainda figuram peças já celebradas do autor, como “Pafunça” e “Joga a chave”.

adoniran-1975-contracapa
contracapa do disco de 1975

          escolhi para o exercício de tradução do dia “Apaga o fogo, Mané!”, do disco de 1974, inspirado pelas celebrações do Dia Internacional das Mulheres. tem uma mulher na letra, vocês devem ter notado. ela se chama Inês. ou Inêz. pode ser uma intertextualidade com Inês de Castro, “aquela que depois de morta foi Rainha”. com S ou com Z, tanto faz: o fato é que o nome da música é “Apaga o fogo, Mané!”. Inês (ou Inêz) é irmã de “Irene no Céu”, de Manuel Bandeira. são poucas as mulheres que estão nas nossas cenas ficcionais. são ainda menos as mulheres que aparecem sorrindo. em Bandeira, Irene entra no céu, bonachona, porque ela sabe que é lá que pertence. aqui com Adoniran, vamos relembrar: é o país nos anos 60, numa cena (comum?) de relacionamento abusivo. se em briga de marido & mulher não se mete a colher, Adoniram deve ter testemunhado pelo menos uma vez essa história acontecendo, & resolveu escrever a letra enquanto manifestação de denúncia. a menina não pode nem ir ao mercado, que o cara fica esperando no portão. & ele só vai descobrir o fim do dito relacionamento num bilhete, no chão da cozinha, no final da noite, ou do dia, sabe-se lá quanto tempo depois que passou que Inês (ou Inêz) se foi, mas sabemos que Inesz ainda não voltou! e nem vai voltar!

4P4G4 0 F0G0, M4NÉ (letra de Adoniran Barbosa)
1.
Inês saiu
Dizendo que ia
comprar um pavio pro lampião
Pode me esperar, Mané, que eu já volto já

2.
Acendi o fogão
Botei água pra esquentar
E fui pro portão
Só pra ver Inês chegar

3.
Anoiteceu
E ela não voltou
Fui pra rua feito louco
Pra saber o que aconteceu

r1.
Procurei na Central
Procurei no Hospital e no xadrez
Andei a cidade inteira
E não encontrei Inês

r2.
Voltei pra casa
Triste demais
O que Inês me fez
Não se faz

4.
E no chão bem perto do fogão
Encontrei um papel escrito assim:
“Pode apagar o fogo, Mané!,
que eu não volto mais!”

\\|//

UNL1T Y0UR F1R3, MY L0V3 (tradução de r.l.almeida)
1.
Ignez has flee, she said
she would bought refil to the gas lamp
“Will you wait me here, my love?
I do not think I will be long”

2.
Water in the can
And then I lit the fire
Looking in the streets
Waiting Ignez arrive

3.
Falling the night
She did not came back
I hit the streets like a maniac
To understand what was happening

r1.
Searched the bus stations
Searched into the prisons and infirmaries
Walked around the whole town
Ignez could not be found

r2.
Went back to my place
Sad and lonely
What she did to me
Just can not be

4.
I saw in the ground nearing our stove
I have found a note, look how it was written
“You will unlit your fire, my love!
I will never more go home.”

          depois disso tudo, Adoniran Barbosa empresta seu nome a escola municipal, a rua no bairro do Bexiga, a praças, ganha cinco vezes o prêmio Roquette Pinto. quase ganhou um Museu, mas o acervo do escritor ainda está não tem rumo certo, & por enquanto vive alojado em caixas na Galeria do Rock. calma aí, meu amigo, porque ainda vai chegar o dia em que o Brazyl vai compreender que a História vale quanto pesa.

Duas canções, duas traduções

 

 

 

“La vie en ròse” X Dolores Duran, Maysa

IV

La vie en rose – Edith Piaf, Louiguy, Robert Chauvigny

Mayza? Dolores Duran?

 

 

L4 V13 3N R053

A-I

Des yeux qui font baisser les miens

Un rire que se perd sur sa bouche

Voilà le portrait sans retouche

De l´homme auquel j´appartiens

 

1.

Quand il me prend dans ses bras

Il me parle tout bas

Je vois la vie en rose

 

2.

Il me dit des mots d´amour

Des mots de tout les jours

Et ça me fait quelque chose

 

3.

Il est entré dans mon coeur

Une part de bonheur

Dont je connais le cause

 

r.

C´est lui pour moi

Moi pour lui dans la vie

Il me la dit

La juré pour la vie

 

4.

Et dès que je l´aperçois

Alor je sens en moi

Mon coeur qui bat

 

A-II

Des nuits d´amour à plus finir

Un grand bonheur qui prend sa place

Des ennuis, des chagrins s´effacent

Heureux, heureux à en morrir

 

 

 

L4 V13 3N R053, versão de Neil Armstrong

1.

Hold me close and hold me fast

The magic spell you cast

This is la vie en rose

 

2.

When you kiss me heaven sights

And though I close my eyes

I see la vie en rose

 

3.

When you press me to your heart

I´m in a world apart

A world where roses bloom

 

r.

And when you speak, angels sing from above

Everyday worlds seem to turn into love songs

 

4.

Give your heart and soul to me

And life will always be

La vie en rose

 

 

A V1D4 3M R054, versão Max Brandão
A-I
Os olhos que fazem baixar os meus
Um riso que se perde em vossa boca
Eis o retrato sem retoque
De meu homem

1.
Quando estou em seus braços
Ele me fala todo baixo
Eu vejo a vida em rosa

2.
Me fala palavras de amor
Palavras de todos os dias
E isso me faz alguma coisa

3.
Que atinge meu coração
Um pouco de felicidade
Que conheço a causa

r.
É ele por mim, eu por ele na vida
Ele me disse, me jurou pela vida

4.
E então que eu o percebo
E sinto em mim
Meu coração pulsar

A-II
Das noites de amor a não mais findar
A grande felicidade que toma lugar
Os tédios, e as tristezas desfazem
Feliz, feliz até morrer

 

A V1D4 3M R05É, versão rlalmeida

A-I

Seu olhar que quando encontra me beija

Um riso que salta de dentro dos dentes

Você é o retrato sem nenhum retoque

De uma pessoa que mal e mal me lembro

 

1.

Quando nos descruzamos os braços

Saudades de teus abraços

Vejo a vida en rosè

 

2.

Você disse que ia me amar

O simples que era gostar

O querer bem que me faz bem

 

3.

Você meu coração ganhou

No labirinto que adentrou

Fui eu quem deu as deixas

 

r.

Você vive por mim e eu vivo por você

Nós dois juntos dure a nossa vida inteira

 

4.

Antes achava que ia morrer

Agora já sinto bater

De volta o meu coração

 

A-II

As nossas noites juntos não parecem ter fim

A quantidade de paz que decide ficar

O tédio e a tristexa parecem vagar

A loucura, a alegria em morrer

Duas canções, \\|// duas traduções

          salve, salve, bloguesfera a cada dia mais profana nossa de cada dia! mais um “Duas tradussas” no ar, hoje para trazer do inglês para o português mestre Bob Marley, & realizar o caminho inverso com Cazuza.

          Robert Nesta Marley é nascido em 06 de Fevereiro de 1945, em Saint Ann Parish, na Jamaica. Desde cedo praticava música na escola, inclusive com o primo Neville Livingston (que mais tarde adotaria o nome artístico de Bunny Wailer). Depois da morte do pai, muda-se com sua mãe para Trenchtown, subúrbio ao sul da capital do país, Kingstoned. Agora Robert & Neville moravam na mesma casa, o que facilitou suas experimentações musicais, que passaram a incluir o R&B e o ska que chegava pelas ondas das rádios estadunidenses. Joe Higgs já era um músico de renome, vizinho da rua de baixo de Robert & Neville. os ensaios da banda de Higgs logo viraram ponto de encontro & de congregação a todos os interessados em música do bairro. os garotos montaram um grupo vocal – o embrião dos The Wailers. foi Joe Higgs quem começou a ensinar o jovem Robert a tocar guitarra, desenvolvendo o estilo do musicista que cresceria para tornar-se o campeão de vendas de reggae.

          Bob Marley é considerado um porta-voz dos estilos de vida Ragamuffin e Ras Tafari. o Ragamuffin é mais contemporâneo, anos 80 da Jamaica; o Ras Tafaráia vem dos anos 1900, & o nome da religião é derivado do rei da Etiópia, o senhor Ras Tafari Makonnen (1892 ~1975), rei do primeiro estado independente da África, entre os anos 1916-30, & imperador reencarnado como divindade no século XX, quando foi renomeado Haile Selassie. a religião Ras Tafari é o resultado da digestão de um banquete farto em fontes judias & cristãs. têm apenas um Deus, chamado de Jah – o equivalente ao Yeshuah, no aramaico. legitimamente avessos ao estilo capitalista do Ocidente, são vegetarianos & contrários a quaisquer mudanças no corpo – o que explica evitar tatuagens na pele & cortes nos pelos corporais. o grande mote da religião é ver a África unida.

          Higgs & Wilson, Derrick Morgan e seu “Fat man” de 1968, The Maytals, I Threes, são outras bandas que também praticavam o estilo Ras de vida, antes de Bob Marley aparecer na cena. depois de Marley, ainda identificamos este estilo de vida principalmente em George Clinton & os Parliament Funkadelic, nos The Wailers, em Ziggy Marley & seus The Melody Makers. era ainda 1963 quando Bob Marley juntou-se a Peter Tosh & Bunny Wailer em uma banda, continuando juntos até 1974, quando as partes mencionadas partiram em carreiras de vôo solo, ou melhor dizendo, Bunny Wailer & Peter Tosh deixam os The Wailers, que continua sendo a banda do vocalista até sua morte, em 1991.

          Marley e seu cancioneiro completo estão nos meus planos de tradução, para incorporar decendetemente a mensagem aos falantes do português. por enquanto, trouxe hoje “Redemption song”, uma das últimas gravações de Marley, que faleceu em 11 de Maio de 1981, por complicações de um câncer no pé. “Redemption song” foi lançada em single & no nono álbum de estúdio dos The Wailers com Marley, “Uprising” (seu último disco de estúdio). as letras deste disco são consideradas hinos, & é o disco mais abertamente religioso, com cada uma das músicas endereçando as crenças no Ras Tafari, que culmina com “Redemption song”, na minha versão, o “Blues da piedade”.

R3D3MP710N 50N6 (música de Bob Marley) \\|// 8LU35 D4 P13D4D3 (trasncriação de r.l.almeida)

1.
Old pirates, yes, they rob I
Sold I to the merchant ships
Minutes after they took I
From the bottomless pit
But my hand was made strong
By the hand of the Almighty
We forward in this generation
Triumphantly

Foi piratas que raptaram eu
Me venderam como mercadoria
Segundos depois de me resgatar
Do inferno que caíra
Sabem quem fez minha mão forte?
O Todo Poderoso passou por aqui
Podem dizer que esta leva vai
Crescer forte e triunfante

r.
Won’t you help to sing
These songs of freedom?
Cause all I ever have
Redemption Songs
Redemption Songs

Ajudem-me a cantar
A música que liberta
É só o que vai ter pra hoje
O blues da piedade
O blues da piedade

2.
Emancipate yourselves from mental slavery
None but ourselves can free our minds
Have no fear for atomic energy
‘Cause non of them can stop the time
How long shall they kill our prophets
While we stand aside and look?
Some say it’s just a part of it
We have got to fulfill the Book

Emancipar-se da prisão da própria cabeça
Cada um de nós sabe o que vai fazer
Pode aceitar a energia atômica
Senão o tempo não vai mais bater
Quantos profetas mais vamos deixar morrer?
Vamos sair e deixar-nos ouvir
Há quem diga “isto é parte do plano,
A profecia vai se cumprir”.

14.xicara

uma rápida pausa para um expresso e voltamos a seguir!

          o que nos traz de volta ao Brazyl, ao caso de um letrista e vocalista tupiniquim que também não gostava de dividir nada, muito menos o palco. nascido em 04 de Abril de 1958, Agenor de Miranda Araújo Neto é o nome civil do escritor Cazuza, ou o Exagerado, ou o Cajú, ou ainda o Poeta do Rock: aparece na cena com a banda Barão Vermelho, gravando junto deles os três primeiros discos, para depois trilhar sua carreira meteórica em vôo solo.

          desde criancinha chamado em casa pelo apelido de Cazuza, Agenor é filho de Maria Lúcia e João Araújo (um dos executivos da gravadora Som Livre). influenciado desde cedo pela música brasileira, Cazuza demonstrava especial interesse pelos tons líricos & dramáticos das músicas de Lupicínio Rodrigues, Dolores Duran e Cartola. o grande cronista Cartola, inclusive, compartilhava o mesmo primeiro nome que Cazuza, & é um dos motivos pelos quais o autor passa a aceitar o seu primeiro nome civil. mas já era tarde para se dar um nome: Cazuza vendeu mais de 5 milhões de cópias em apenas nove anos de carreira, interrompida pela vida louca, vida que levava.

          Cazuza começou a escrever seus primeiros poemas em 1965. no final de 1974, passa uma temporada em Londres, onde toma conhecimento e gosto pelo roquenrou de Janis Joplin, dos Led Zeppelin e dos The Rolling Stones. mais tarde muda-se para São Francisco, já trabalhando pela Som Livre, e aproxima-se da poesia dos beats. quando retorna para o Rio de Janeiro, em 1980, começa a se apresentar junto do grupo multiplataforma Asdrúbal Trouxe o Trombone. é aí que Léo Jaime o conhece (amigos de sala de aula), apresentando-o a uma banda de garagem que procurava vocalista.

          a formação original do Barão Vermelho contava com Guto Goffi (bateria), Maurício Barros (teclados), Roberto Frejat (guitarra) & André Cunha (baixo), & se dedicavam a fazer versões de músicas famigeradas. quando Cazuza entra no time, mostra algumas letras antigas & começam a gravar composições próprias. gravam o primeiro disco, com dez faixas, em quatro dias. lançam em Setembro de 1982, & tinha um nome auto-explicativo, “Barão Vermelho”. São deste disco as pérolas “Todo amor que houver nesta vida”, “Bilhetinho azul” & “Down em mim”.

          o segundo disco foi lançado em Julho de 1983, também com dez faixas. neste disco está a pedrada “Pro dia nascer feliz”, mas ela não impulsionou as vendas, nem fez a banda tocar nas rádios. A banda estava quase se desintegrando devido a pressões de baixas vendagens, até o momento em que Ney Matogrosso grava sua versão de “Pro dia nascer feliz” & a música vira febre: isto põe os letristas originais, Cazuza e Frejat, no foco da fogueira das vaidades midiática. o grupo é convidado para fazer trilhas em filmes & novelas, o que ampliou consideravelmente seu público. em Julho de 1984, o Barão Vermelho entra novamente no estúdio, agora com um mês inteiro dedicado às gravações. quando lançam o disco em Outubro deste ano, seu terceiro disco, “Maior abandonado” (que contém as faixas “Maior abandonado”, “Por que a gente é assim?” & “Bete Balanço”), vira faixa obrigatória em todas as rádios e bailinhos pelo país adentro. o resultado é levar o Barão Vermelho para os palcos, como atração do primeiro festival Rock in Rio, em janeiro de 1985, quando vieram ao Brasil James Taylor, AC/DC, Whitesnake e o Queen, pela segunda vez. o grande detalhe deste show é que era dia de eleição indireta no colégio eleitoral de Brasília, para decidir se abria de vez ou fechava novamente a cortina da dita-frouxa. Frejat vestia verde-amarelo, e Cajú finaliza a apresentação tocando “Pro dia nascer feliz”!

          o grupo começaria então os preparativos para o seu quarto disco de estúdio, mas Cazuza abandona as gravações, alegando ser muito egoísta para dividir os palcos. a parceria Cajú e Frejat duraria até o fim da vida de Cazuza: quando Cazuza faleceu devido a complicações com a Imuno Deficiência Adquirida, em Julho de 1990, é escoltado até a cova pelos membros da sua primeira banda.

          o novo disco do Barão, “Declare guerra”, só sairia em 1986. em Novembro de 1985 Cazuza lança o primeiro disco em vôo solo, “Exagerado”. Neste disco, as pedradas “Exagerado” (parceria com Leoni e Ezequiel Neves), Balada de um vagabundo” (letra de Frejat & o poeta Wally Salomão), “Só as mães são felizes” (letra de Cajú & Frejat), “Codinome Beija-flor” (parceria de Cazuza, Ezequiel Neves & Reinaldo Arias). em Março de 1987 veio “Só se for a dois”, & em Março de 1988, “Ideologia”- este sim, consenso de crítica & público como o melhor de Cazuza. neste terceiro disco estão as pedradas “Ideologia”, “Faz parte do meu show” e “Brasil” (que surgiu depois de uma inveja criativa pelo “Que país é esse?, de Renato Russo). é também do terceiro disco a música de Cazuza que trouxe para fazer uma versa em inglês aqui hoje, o “Blues da piedade”, na minha versão chamada de “Redemption blues”.

          Cazuza ainda gravaria um show no Canecão, dirigido por Ney Matogrosso, lançado em disco com o nome de “O tempo não pára” (1988), e um disco de estúdio em 1989, “Burguesia”, antes de tombar vítima da AIDS.

          para saber mais sobre Agenor de Miranda Araújo Neto, o Cajú, o Poeta do Rock, o Exagerado, uma entrevista concedida à extinta Rádio Nacional FM do Rio de janeiro foi transcrita e disponibilizada no endereço sublinhado a seguir:
http://www.ebc.com.br/cultura/2015/07/programa-terca-especial-com-cazuza

BLU35 D4 P13D4D3 (música de Cazuza e Frejat) \\|// R3D3MP710N 8LU3S (versão r.l.almeida)

1.
Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo derrotados
Pra essas sementes mal plantadas
Que já nascem com cara de abortadas
Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo que não têm

And now I wanna sing the miserables
Who wonder the world, they are so lonelly
Sing the seeds so poorly plainted
If they born, they will sure do look like abortations
To those people with such a tiny soul
Let themselves to be slaved by their tiny problems
Always wanting the one thing they never have

2.
Pra quem vê a luz
Mas não ilumina suas minicertezas
Vive contando dinheiro
E não muda quando é lua cheia
Pra quem não sabe amar
Fica esperando
alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada

Sing who has seen the light and yet
There is only shades in what they are sure about
Who lives only to count someone else´s money
And that does not shivers when it’s full moon midnite
Who does not know to love
And only waits for
That someone who is made for his dreams
Like varixes that highly increases
Or flying bugs round and round electricity

r.
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem

Let us all pray for redemption
My Lord show us some yours redemption
They are only old red necks with no courage
Let me hear you pray for some mercy
My Lord show us yours redemption
Make them no more cowards and some distinctness
3.
Quero cantar só para as pessoas fracas
Que tão no mundo e perderam a viagem
Quero cantar o blues
Com o pastor e o bumbo na praça
Vamos pedir piedade
Pois há um incêndio sob a chuva rala
Somos iguais em desgraça
Vamos cantar o blues da piedade

I wanna sing only for the weaked people
Those that are in this world, and have missed they journeys
Let me sing the blues
In the streets with the preacher and the kettle drums
Lets all pray for some redemption
They have been burned out under the thin rain
We are all the same with our disgrace
Lets all sing to our redemption

06.JeVousSalue

          o nome desta seção deveria sim ser “Montado nos ombros dos gigantes”

 

=D