dylanniversário, uma tradução: Highway 61 revisited \\|// Bê Érre 101 revisitada (30 de Agosto de 1965)

mais um dylanniversário, minha boa pova & meu sagrado povo: Highway 61 revisited, no agitado ano de 1965 – 20 dias antes,  tinha chegado às prateleiras mais um dos Brittos!

quanta loucura!!

 

=)

 

Highway 61 revisited \\|// Bê Érre 101 revisitada

30 de Agosto de 1965

notas de rodapé:

No trem devagar o tempo não interfere & na cruzada Arábe espera Pilha Branca, o homem do jornal & ao seu lado a centena de Inevitáveis feitos de sólidas pedra & rocha — o Juiz Creme & o Palhaço — a casinha de bonecas em que Selvagem Rosè & Fixável moram humildes em sua selvagem e maliciosa natureza . . . . Autono, que tem dois zeros acima das fuças e argumenta acerca do sol estar escuro ou ser Bach tão famoso quanto seu distúrbio & que é ela mesmo — e não Orfeu — a poeta lógica “Eu sou a poeta lógica” ela gritava “Primavera? A Primavera é só o começo!” ela tentava deixar o Juiz Creme com inveja contando a ele sobre o povo que mora debaixo-da-terra & enquanto o universo explodia, ela apontava para o trem devagar & rezava para que a chuva e o tempo interferissem — ela não está tão gorda assim mas sim progressivamente infeliz. . . .a centena de Inevitáveis esconde suas previsões & vão para os bares & bebem & ficam bebassos de sua maneira particularmente especial & quando tom dooley, o tipo de gente que você se lembra de já ter visto antes, chega do rolê com Pilha Branca, a centena de Inevitáveis só diz “quem é esse cara branco por demais?” & o garçom, um menino bom & um outro que sempre mantém os brios à flor da pele, dizem, “eu posso estar errado, mas é certeza que já ví o outro camarada n’algum outro lugar” & quando Paulo Sargento, homem de gostos simples de lá da Rua 4, aparece às três da manhã & prende todo mundo por estarmos todos sendo incríveis, ninguém ficou brabo de verdade – – foi só até o mínimo de anafalbetismo que a maioria das pessoas chega & Roma, um da centena de Inevitáveis segreda “eu te avisei” a Madama João . . . . Selvagem Rosè & Fixável assopram beijocas corajosas em direção ao Hexagrama Jade da 25 de Março & para todos as jovens incógnitas & o Juiz Creme escreve um livro sobre o puro significado de uma pêra — ano passado, foi um sobre os ilustres cachorros da guerra civil & agora ele tem dentes falsos & nenhum filho. . . . quando o Creme conheceu Selvagem Rosè & Fixável, ele lhes foi apresentado por ninguém menos que Futilidade — Futilidade é o Grande Inimigo & sempre usa um protetor nos quadris — ele é muito dos protetores de quadris . . . . Futilidade disse quando apresentava o pessoal “vá e salve o mundo” & “envolvimento! esta é a questão!” & coisas assim & Selvagem Rosè piscou para Fixável & o Creme com o braço numa tipóia foi embora, cantando “summertime & the linvin is easy” . . . . o Palhaço aparece – – veste com uma mordaça a boca de Autono dizendo “existem dois tipos de gente – – as simples & as normais” isto normalmente extraía grandes risadas dos buracos na areia & Pilha Branca espirrava — desmaiava & rasgava a mordaça de Autono & diz “Que conversa é essa que você é Autono e que sem você não haveria a primavera! sua tola! sem a primavera, você não existiria! o que você achou desta?” e daí Selvagem Rosè & Fixável vêm também & chutam seus miolos & pintam-no de rosa por ser um filósofo de mentirinha –- e daí o Palhaço vem também, gritava “Seu filósofo de mentirinha” & pulava sobre a sua cabeça — Paulo Sargento surge mais uma vez vestindo roupa de árbitro & algum moleque da escola que já leu tudo do Nietzsche surge & diz “Nietzsche nunca vestiu roupas de árbitro” & Paulo diz “Quer comprar umas roupas, meninão?” & então Roma & João saem do bar & vão até Osasco . . . . hoje cantamos sobre a GANGUE DO ARRASTÃO — a GANGUE DO ARRASTÃO compra, é dona & opera a Fábrica da Insanidade — quem não sabe aonde está a Fábrica da Insanidade, deve, por causa disto, dar dois passos para a direita, pintar os dentes & ir dormir . . . . as músicas neste disco em particular não são exatamente músicas, mas, ao invés disto, exercícios de respiração para controle tonal. . . . o assunto importa — e por mais insignificante que seja — tem alguma coisa a ver com os belíssimos estranhos. . . . os belíssimos estranhos, a jaqueta verde de Vivaldi & o santíssimo trem devagar.

você está certo john cohen — quazimodo acertou — mozart acertou . . . não consigo mais dizer a palavra olho. . . . quando falo esta palavra olho, é como se falasse do olho de alguém que vagamente me recordo. . . . não existe olho algum — existe apenas várias bocas — vida longa às bocas — o seu telhado — se ainda não percebeu — foi demolido. . . . o olho é um plasma & você acertou sobre esta também — você tem sorte — você não tem que pensar sobre coisas tais como olhos & telhados & quazimodo.

 

 

 

 

 

 

Bob Dylan – guitarra, gaita, piano e viatura da polícia
Michael Bloomfield – guitarra
Alan Kooper – órgão e piano
Paul Griffin – piano e órgão
Bobby Gregg – bateria
Harvey Goldstein – baixo
Charles McCoy – guitarra
Frank Owens – piano
Russ Savakus – baixo

 

02-01. Igual a um Rolling Stone

Há muito muito tempo atrás você era até bem vestido

Sobrava até para os pinga, você era a alta, não era não?

Pessoas ligando, “vai, veja bem meu bem, olha o degrau aí Vê se não vai cair”

Você achava que era tudo sacanagem

Você gostava de rir de tudo

De todo mundo estando só curtindo

Agora você já não fala mais tão alto

Agora você já não é mais um birradinho

Sobre ter que ralar muito

Pra poder ter um rango

Como é pra você

Como é você ser

Estar sem nada de lar

Com nenhum amigo teu

Igual a uma pedra a rolar

Você fez certinho as melhores escolinhas, legal!, Senhorita Caretinha

Mas você sabe que lá você só conseguiu se estrepar

E ninguém nunca te ensinou como sobreviver das ruas

E agora você vai ter que se acostumar

Você diz nunca ter se comprometido

Com o bebum misterioso e só agora que você percebeu

Ele não te fornece nenhum desses tais alibis

Vê-se no vazio de seus olhos

E lhe diz e aí nós vamos fechar negócio?

Como é pra você

COmo é você ser

Ter só você pra mandar

Não saber qual o lugar do lar

Com nenhum amigo teu

Igual a uma pedra a rolar

Você nunca se virou para olhar as caras feias dos fanfarrões e dos palhaços

QUando todos vinham trucar pra ti

Nunca te desceu pela cabeça que isso não era nada bom

Não se deve deixar as outras pessoas chutar seus tiros no seu lugar

Você cavalgava seu cavalo de cromo com sua diplomata

Ela carregando no ombro um gato chinês siamês

Eu sei que é bem ruim quando se descobre assim

Ele nunca estava onde deveris estar

Depois de levar tudo o que se tinha aqui pra roubar

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A princesa no pedestal e todas as pessoas bonitas

Todos bebendo e pensando que elas todas tiveram sucesso

Trocando entre si preciosas lembranças

Melhor levar este anel de diamantes, é melhor o empenhar, neném

Você ficava tão inspiradão

Vendo Napoleão em trapos e o seu palavreado

Volte-se a ele, ele já te chama, não o vá esquecer

Quando se tem nada, não vai conseguir perder // só tem nada a perder

Você é invisível agora, sem nenhum mais feitiço a conjurar

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02-02.

Lundú de Tômsbistúne

As criaturas bonitinhas já estão na cama e dormem bem

Os padres da cidade eles tentam defender

A reencarnação da montaria do mensageiro

Mas a cidade não precisa exaltar is nervos

A fantasma de Bele STar ela desistiu de ter humor

E para Jezebel, a freira, que tricoteia com violência

Uma peruca de careca para Jack o estripador que senta

de cabeça em toda a Câmara do Comércio

Mãe está na fábrica ela está descalça

Pai está no beco ele procura o pavio

Eu estou na cozinha, ouvindo o Tombstone blues

A noivinha histérica joga o caça-níqueis

Ela grita e murmura “acabei de fazer”

Daí chama pelo médico, ele só descalça os óculos

E diz, “Meu conselho é melhor deixar as crianças para fora”

Chegou agora o curandeiro, ele se arrastou para dentro

Ele tem um auê de garbo, e diz para a noiva

“Pare todas suas lágrimas, engula o seu orgulho

Você não vai morrer, isto não é veneno”

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Tem um João Baptista, que depois de torturar meliantes

Encarou bem seu herói, o Comandante que é o chefe

E diz, “O meu Grande herói, e por favor seja breve

Temos aqui algum buraco que me dê sumisso?”

O comandante, que é chefe, responde enquanto caça uma mosca

Dia “Morte a todos que só choram e esperneiam”

Deixa cair um barbelho e aponta para o céu

e diz, “O Sol não é amarelo, ele é um frango!”.

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O rei dos Filisteus tem soldados para salvar

Põe maxilares em seus túmulos, nivela as covas

Põe os flautistas malhados nas prisões e engorda os escravos

E manda todo mundo para as selvas

Davey o cigano com um lampião tocou fogo nos campos

Ele e seu escraco crente Pedro ao lado ele vagueia

Com uma fantástica coleção de selos

Para ganhar amigos einfluenciar ao seu tio.

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A geometria do sangue inocente escorre pelos ossos

Faz com que o livro de aritmética deGalileu seja arremessado

Em Dalila, sentada inútil e à toa

Essa lágrimas em suas bochechas são de risada

Quem dera eu desse agora ao irmão Willa sua grande pilha

Acorrentál-o nas correntes bem no alto de uma montanha

Presenteá-lo com alguns pilares e o velho Cecil B e Mille

Por mim, ele que morrese para todo o sempre.

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Onde Ma Reiney e Beethoven já deitaram acampamento

Tocadores de tuba agora ensaiam envolvidos por bandeiras

E o Banco Mundial se tiver lucro troca mapas por almas

Mas somente para os fundadores da cidade e para a escola

Quem dera pudesse escrever agora uma música certinha

Para impedir a você, linda dama, de enlouquecer

Pra te tranquilizar e te acalmar, parar com o seu pânico

De deter todos este conhecimento inútil e sem sentido.

02-03

É preciso muito para sorrir, é só preciso um trem para chorar

Eu ando no furgão das cartas, neném

Não compro nem um arrepio

Fiquei de pé a noite inteira

Segurando o peitoril

Mas vai que eu morro lá no alto, longe daqui?

Mesmo se eu não der um jeito

Já sabe, meu neném faz sim

Viu como a Lua está bonita, mãe,

Brilhando por dentro dos galhos?

Viu que motorista bonito, mãe,

mostrando lá os “duplo E”?

Viu como o Sol está bonito

Desce espelhando todas essas águas?

Viu só minha mulher, ela é linda

Correndo atrás de mim?

Agora que o Inverno chega

As janelas se enchem de muito frio

Tentei a todo mundo avisar

Não tive como andar

Eu só quero amar você, neném,

Não quero ser seu dono, não!

Não vem agora reclamar

Só porque seu trem cruza outros mares.

02-04

De um Buick6

Eu conheço essa mulher do cemitério, já viu que ela pastora meus filhos todos

Mas minha mãe de alma, já viu que ela me guarda bem escondido

Ela é o anjo da guarda do lixão e ela sempre me dá pão

|E quando eu acabar morrendo

|já viu que ela dá seus pulos

|pra vir cobrir o meu colchão

Quando o fio da meada se perde e se está sozinho na ponte sobre o rio

Se está chumbado no alto da pista ou nas margens do correguinho

Ela desce toda a estrada, sempre pronta para nos costurar com linha de coser

:||

Ela não me deixa nervoso, ela não é nada tagarela

Ela anda igual a Bo Diddley, e ela nem precisa de muletas

Ela tem uma ponto 41 carregada com muita experiência

:||

Eu preciso de mulher igual a uma pá a gás para os mortos afastar

Eu preciso de uma caçamba de entulhos para minha cabeça jogar

Ela me traz isso tudo e muito mais, e as coisas são como eu já disse antes.

02-04

Ballada de um magro homem

Você entrou no quarto

Segura um lápis nas mãos

Você viu alguém pelado e diz,

“quem será o irmão”

Você já tentou muito mas

não entendeu nada não

O que se vai dizer lá pra patroa?

Porque alguma coisa acontece aqui

E vocẽ não sabe bem o que é

Sabe, senhor Jones?

Você levantou a cabeça

Pergunta “É aqui que é aqui?”

Mais alguém aponta pra você e diz,

“É dele ali”

E você “Bem, qual o meu?” e ainda um outro alguém

“Então, e aí?”

E você, “Ó meu Deus, será que sou eu só?”

Mas alguma coisa acontece aqui

E você não sabe bem o que é

Sabe, senhor Jones?

Vocẽ entregou a entrada

E foi ver a aberração

Que imediatamente anda até vocẽ ele

Ouviu sua respiração

E te diz, “como é pra você ser

Assim tão esquisitão?”

E vocẽ, “impossível!” Ele te estende um ossão

E alguma coisa acontece aqui

E você não sabe bem o que é

Será que sabe, senhor Jones?

Você tem muitos fornecedores

Entre os tais dos lenhadores

Pra lhe dizer verdades quando

agridem a sua imaginação

Mas ninguém quer mais nada, não!

Todos eles só querem saber se

Vocẽ já assinou o cheque Doou toda a renda Pra organização

Vocẽ esteve com os estudados e

Todos curtiram teu perfil

Com grande advogados sobre a lepra e o escorbuto

Você discutiu

Você já leu tudo do Éf Scott FitzGERALDÔ

Você é muito bem lido, sabe-se bem disso

Mas alguma coisa acontece aqui…

Sabe o engole-espadas, ele

Vem até você e se ajoelha.

Se faz o sinal da cruz e

Bem alto tamaqueia

E sem ninguém mais notar te pergunta

“Como vai você?

“Toma tua garganta agradeço o uso”

Você já sabe que alguma coisa acontece aqui…

Você viu o anão de um olho

Ele grita a palavra “tão!”

E você, “Pra que isso?”

Ele diz, “Vão!”

E você, qual o sentido [de tudo] isso?”

Ele grita “volta você é uma vaca!

Dê-me um leite ou volte pra casa!”

E já sabe que alguma coisa acontece aqui…

Você entrou no quarto

Igual a um camelo se jogou no chão

Guardou os olhos no bolso, e

Deixou o nariz no porão

Deve tar alguma coisa que

Não te deixa aparecer, não!

A gente tinha que usar um rádio bem no meio das fuças

Porque alguma coisa está acontecendo aqui, mas

Você não sabe bem, o que é

Será que sabe, senhor Jones?

02-06

Nobre Jane aproximadamente

Assim que sua mãe me devolveu todos seus convites

E o seu pai pra sua irmã assim ele explicou

Você cansou de si mesma e de todas as suas criações

Não vais vir me ver, nobre Jane?

Por que não vem me ver, rainha Jane?

Agora que todas as floristas querem de volta o que lhe emrpestaram

E que o cheiro de suas flores não mais lhe retém

E que todos os seus filhos só lhe repudiam

Não vais vir me ver, nobre Jone?

Por que não vem me ver, rainha Jane?

Agora que todos os palhaços que você nomeu

Ele morreram em luta ou em vão

E você está de saco com toda essa repetição

:||

Assim que seus patrocinadores agoitam o plástico

Até seus pés pra te convencer de sua dor

Tentam provar que suas conclusões podem ser mais drásticas

:||

Agora que todos os bandidod pra quem virou a outra face

Todos despiram suas máscaras e lamentos

E você só quer alguém com quem não tem que falar

:||

02-07

Bê Érre 101 revisitada

Disse Deus a Abrahão: “mate-me um dos seus”

Abra disse, “Deus, você deve me achar com cara de filisteu”

Deus disse, Não”. Abra disse, “O quê?”

Deus disse” Olha, Abra, faça o que vocẽ querer mas da próxima vez que me ver é melhor correr!”

E aí Abra disse, “Aonde é pra ser essa tal matança?”

Deus disse, “Lá pra frente, no meio da BR 101”.

Tinha o Georgia Sam de nariz que sangrava

Assistencia social nunca nem lhe dava banho

Pediu ao pobre Lombardi se tinha aqui um lugar pra se ir

Lombardi disse, “só tem um lugar que eu sei aui”

Sam disse, “Logo meu eu tenho que ir!”

O velho Lomba só apontou com o berro

e disse “é por aqui, lá para baixo da BR 101”

Tinha o Mack Dedo Duro, ele disse ao Luis, um dos Reis

“Eu tenho 41 cadarços, todos vermelhos brancos e azuis

e quase uns mil telefones que não faem barulho

Será que o senhor imagina como me livro de tudo isso?”

E Luis, um dos reis, disse, “Aguarde, meu filho, deixe-me pensar por um momento”

E daí ele disse, “Sim, eu acho que vai ser bem facinho,

é só levar tudinho lá para baixo da BR 101”.

Uma destas 5as. Filhas, que na 10a. Noite

disse ao Bispado que as coisas não eram corretas

“A minha epiderme”, ele disse, “é branca por demais”

Ele disse, “Venha para cá e deixe-me vê-la na luz”. Ele disse, “É, você está bem certa,

deixe-me aletar as freiras de que isso é assim”

Mas a freira do dia estava com o 7o. Filho

E os dois estavam lá para frente, no meio da BR 101.

Um destes apostadores itinerantes estava muito aborrecido

Ele estava bem perto de conseguir uma Nova Grande Guerra

Ele encontrou um promotor que, mal tombou o chão

lhe fez pensar que nunca tinha enfrentado coisa dessas.

Mas sim, eu achoque vai ser bem facinho,

grudamos as sangue-sugas pelo caminho e

levamos tudo lá para baixo, na BR 101.

02-08

Igualzinho ao banzo de Dom Dedão

Se você se perder na chuva de Juarez

E também for tempos de festividades

E a sua gravidade falhar

E a negatividade não te deixar ir em frente

Não respire nenhum dos ares

se estiver na avenida e rua do necrotério

Guardamos lás amulheres famintas

e eles vão te deixar em pedaços

Se você vir Santa Annie

Diga a ela que lhe sou muito grato

Ainda não me mexo

Meus dedos estão todos amarrotados

Ainda me falta a força

Para levantar e tomar uma outra dessas

O meu melhor amigo é meu médico

E ele não vai me dizer o que é isso que peguei

Doce Melinda

os pedintes a chamar Deusa do Glume

Ela fala muito bem o inglês

E te convida para entrar em casa.

E voê vai se esforçar

E tomar cuidado para não ir cedo demais até ela

Ela acredita em suavez

E te deixa sozinho a uivar para a Lua

Na montanha do Projeto Habitar

É o caso de ter ou não ter Fortuna nem Fama.

É preciso escolher um ou outro

Mesmo que nenhum seja o que diz ser

Se você vai tentar sair limpo dessa

É melhor voltar de aonde vocẽ veio

Porque polícia alguma precisa de vocẽ.

E eles também esperam que você parta.

Agora todas as autoridades

Estão se exibindo e se orgulhando de si

De como chantagearam o Sargento e as Armas

Até que deixassem seus postos

E de terem prendio o Anjo, que

Tinha acabado de chegar de seu vôo.

Ele parecia muito bem no começo

Mas foi embora parecendo um morto.

Eu comecei com a mendicância

E bem rápido cheguei ao fundo do poço.

Todos me diziam que sempre estariam juntos de mim

Quando o jogo ficasse pesado.

Mas a piada era sobre mim

Não tinha lá mais ninguém para ouvir ao meu blefe

Vou voltar para o Rio de Janeiro

Acredito muito que para mim já deu.

02-09

Caminho da desolação

Estão vendendo postais dos enforcados

Estão pintando os passaportes de marrom

Salões de beleza estão cheio de marinheiros

O circo está pelo bairro

Vem aí o encarregado cego

Deixaram o homem em um transe

Uma mão está amarrada ao passador de cabos

A outra segura suas calças

O esquadrão anti-terror nunca descansa

Sempre buscam algum lugar para ir

Enquanto a Mulher e eu ficamos bem longes

Do Caminho da Desolação

Cinderela, ela parece bem calma

“Maluco reconhece maluco”, ela sorri

Ela guarda as mãos nos bolso de trás,

Betty Davis, igual.

Então entra Romeu, urrando

“Você pertence a mim, acredito”

Um ou outro alguém diz, “Você está no lugar errado, amigão,

É bem melhor você sumir”.

O único som que ainda resta

Depois que a ambulância partiu

É o de Cinderela, que varre as ruas

Do Caminho da Desolação

Agora a Lua já quase se escondeu

E as estrelas começam a desaparecer

A moça que adivinha o futuro

Também já guardou suas coisas

Todo mundo menos Caim e Abel

E o Corcunda de Notre Dame

Todos estão fazendo amor

Ou então só esperando chover

E o Bom Samaritano, ele veste suas roupas

Ele se apronta para o show

Ele vai para o Carnaval da noite

No Caminho da Desolação

Agora Ofélia, ela está pertinhoda janela

Por ela é que tenho muito medo

Ainda no seu vigésimo segundo aniversário

Ela já é uma das criadas antigas

Para ela, morrer é bastante romântico

Ela usa um cinto de castidade

Sua profissão é sua fé

Seu pecado é não viver

E ainda que mantenha os olhos fixos

No grande arco-íris de Noé

Ela gasta um pouco de seu tempo espiando

O Caminho da Desolação.

Einstein, disfarçado de Robin Hood

Leva as memórias em um trunque

Passou por aqui bem agorinha há pouco

Ele e seu amigo, um monge ciumento

Ele estava branco de medo

Enquanto montava um cigano

Depois foi embora, saiu para cheirar os ralos

E recitar o abecedário.

Quem o vê, nem imagina mais

Ele já foi famoso há um tempo atrás

Porque tocava o violino amplificado

No caminho da Desolação

Doutor Sujo, ele guarda seu universo

Dentro de um copo de osso

Mas todas suas pacientes carentes

Tentam estragar a receita

Hoje sua enfermeira, uma perdedora local

É quem cuida do pote do cianeto

Ela também é a guardiã da placa de

“Tenha piedade desta alma”

Todos tocam flautas doces

Dá pra ouvir cada um dos assopros

Somente quando se leva bem longe a cabeça

Do Caminho da Desolação

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dylanniversário, uma tradução: Blonde on blonde \\|// Cara a cara (16 de Maio de 1966)

01.MULH3R36 D3 D145 CHUV0505 #12 & 35
Eles te pilham se você tenta ser do bem
eles te pilham, já disseram que iriam
eles te pilham se você volta pra casa
eles te pilham quando você está sozinho
mas eu não me sinto tão sozinho
todo mundo devia chapar só um pouquinho

Eles te pilham se você anda pela rua
eles te pilham se você guarda um lugar
eles te pilham se você não sabe qual é o andar
eles te pilham quando voc~e tentar ir embora
mas eu não me sinto tão sozinho
todo mundo devia chapar só um pouquinho

Eles te pilham se você toma um café
eles te pilham se você está jovem e sozinho
eles te pilham se você está dando duro
eles te pilham e só então te dão um “boa sorte”
mas eu não me sinto tão sozinho
todo mundo devia chapar só um pouquinho

Eles te pilham e dizem que isso é o fim
eles te pilham e voltam para mais uma vez
eles te pilham se você dirige o carro
eles te pilham quando você toca a guitarra
mas eu não me sinto tão sozinho
todo mundo devia chapar só um pouquinho

Eles te pilham mesmo se você está só andando
eles te pilham quando você parte pra casa
eles te pilham e depois dizem que você tem coragem,
eles te pilham com você quietinho na sua cova
mas eu não me sinto tão sozinho
todo mundo devia chapar só um pouquinho

04. UM D3 NÓ5 V41 V3R (C3D0 0U T4RD3)
eu nunca quis te tratar mal assim
não era pra você ter levado pro lado da emoção
eu nuynca quis te deixar mal assim
coincidiu de você estar lá e foi só isso
quando eu vi, você deu tchau” pro teu camarada e sorriu
isto pra mi já era sinal de cumplicidade
voê ia dar uma volta, já voltava rapidinho
nem imaginava que era um “tchau” pra nunca mais voltar

cedo ou tarde um de nós vai ver
você foi embora fazer o que tinha que fazer
é questão de tempo pra um de nós saber
você nem imagina o que eu fiz pra chegar até você

05.T3 QU3R0
Carrascos quase se arrependem
O piano de sopro é o que suspende
O saxofone é claro e me diz pra te recusar
Sinos rachados e tubas partidas
Jogam na minha cara a verdade
Não é pra ser assim
Eu não nasci pra te perder

te quero, te quero
te quero demais mesmo
benzinho, como te quero

Políticos bêbados saltam de um lado
ao outro nas ruas em que mães secam seu pranto
e os sábios que são os primeiros a dormir, esperam por ti
eu só espero a interrupção
do gole do drinque na minha mão
eles vão vir e pedir pra eu
abrir os portões pra ti

          Igual aos meus antepassados, todos eles falharam
          passar por uma vida inteira sem um amor de verdade
por que as suas filhas todas, nunca me escolheram
eu não queria nem saber

Agora voltei pra Rainha de Espadas
no quarto cozinhava marmelada
ela sabe que não vou achá-la esquisita
Ela é muito boa pra mim
e não existe nada que ela não saiba ver
ela entende onde eu queria estar
e isso não importa

Sua cria criativa, de crina chinesa
ralhou comigo, lhe tomei a flauta
com isso mostrei a quantas andava minha educação
Só fiz isso porque ele é um mentiroso
ele te levou para comer miojo
Ainda mais porque o tempo lhe foi vantajoso
Ainda…

 

06.F1C4R PR350 D3NTR0 D0 C4RRO 0UV1ND0 A0 MEMPHIS BLU35 T0C4R
O andarilho anda em círculos
De um lado ao outro da quadra
Até lhe perguntaria qual é o problema
Eu já sei, ele não sabe falar
E as garotas me tratam com candura
E me floreiam com adesivos
Lá bem dentro de mim
Já entendei, não tem mais jeito

Ai, minha mamãe, será que o fim é mesmo assim?
ficar preso dentro de um carro
ouvindo ao Memphis Blues tocar

Então Shaguespear, ele fica nas ruelas
Vestes sapatos pontudos & harpas
Falando com uma francesinha
Ela diz me conhecer muito bem
Até que enviava uma carta
Para saber que ela dedurou agora
Mas os correios sofreram um roubo
A caixa de cartas está lacrada

Mona tentou me avisar
fique longe dos trilhos do trem
Ela disse que todos os operários
Bebem todo seu sangue, igual a um vinho
Daí eu disse, “olha só, eu não sabia disso
então tem só um deles que eu conheci
ele fumou minhas duas pálpebras
e socou minha cigarrilha”

Vovô morreu na última semana
e agora está enterrado sobre as pedras
mas todo mundo ainda só fala sobre
o quanto mal isso lhes fez
Pra mim, só esperava isso acontecer
eu já sabioa que ele ia surtar
antes de ele atear fogo na rua inteira
ficando lá, com suas armas a descarregar

Hoje o senador veio aqui pra baixo
mostrou a todo mundo usas armas
ele entregou um monte de entrada grátis
pro casamento de seu filho
Foi quando eu quase fui pra prisão
e nem para ter nenhuma sorte
de estar sem nenhum bilhete
ser encontrado embaixo de um caminhão

Hoje o padre parecia sem fôlego
quando lhe perguntei porque ele vestia
vinte quilos de manchetes
carimbados em seu peito
Mas ele me jogou um xingo quando eu provei
e depois sussurrei “Nem mesmo você pode se esconder
já viu, você é igual a mim
espero que isso lhe satisfaça”

Agora o pajé me dá duas curas
e depois disse ”Cai bem dentro”
um era remédio dos Texanos
o outro era só dos trilhos, um gim
Inocentemente misturei as duas
e isso estrangulou minha mente
e agora as pessoas só ficam mais feias
e eu perdi a noção das horas

Quando Ruthie me pediu para ir ter com ela
no meio de seu pesqueiro caipira
ir lá pra assistir suas danças grátis
bem ao lado do Panamá, e da Lua
E eu disse, “Ah, mas qualé agora!
você deve ter ouvido da minha debutante”
E ela, “Sua debutante só sabe do que você precisa,
já eu, sei do que você gosta”

Colocaram paralelepípedos pela Grand Street
onde os malucos de neon escalam
eles todos caem de lá com perfeição
até parece estão ensaiados
E eu fico aqui, sentado pacientemente
para adivinhar quanto é que custa
para conseguir sair daqui
depois de passar por tudo, duas vezes

08. 16U4L 4 UM4 MULH3R
Ninguém sente dor nenhuma
É hoje que me benzo nessa chuva
O mundo já percebeu
Como você cresceu
E já faz tempo que as presilhas&os elásticos
Abandonaram os teus cachos
      Ela aceita igual a uma mulher
      Ela ama igual a uma mulher
      Ela se ressente igual a uma mulher
      Mas ela briga igual a uma garotinha

Queen Mary, esta é uma amiga
Vamos sair de novo, dá até pra acreditar
Ninguém ia adivinhar
O padre não quis casar
E ela entendeu que faz parte de um grande resto
com sua imprecisão, suas anfentas&suas bolinhas
      Ela aceita igual a uma mulher
      Ela ama igual a uma mulher
      Ela se ressente igual a uma mulher
      Mas ela briga igual a uma garotinha

De começo foi uma chuva, e eu lá
Morrendo de sede e não
Conseguia beber.
E tua cicatriz antiga ainda não sarou
Vai ver até que piorou
Tudo o que dói em mim
Não posso ficar aqui!
E ainda não sei se…

Eu não sirvo, não!
Acho que chegou a hora da nossa separação
Se nos vermos de novo
Talvez um amigo em comum
Vê se não vai agir como se não me conhecesse
Era só fome e era do teu mundo
      Fingida! Igual a uma mulher
      Tú até faz amor igual a uma mulher
      E até se ressente igual a uma mulher
      Mas daí briga igual a uma menininha.

13. Ó8V105 C1NC0 CR3NT35
Cedo manhãzinha
cedo manhãzinha
te chamo para
te chamo para
ir lá em casa
Acho que não preciso de você,
mas não gosto nem um pouco dessa solidão

Não me deixe mal
não me deixe mal
não vou te deixar
não vou te deixar
passar mal
Eu também posso se você também pode
mas não me faça isso amor benzinho nunca, não

Meu cachorro preto late
o cachorro preto late
está lá fora
ele está lá fora
no meu quintal
Só de ouvir dá para entender o que ele diz
mas tem muita gente que não cansa de nem querer saber, não!

Tua mãe no trampo
tua mãe no parto
ela chora por ti
ela tenta por ti
é melhor ir embora
Sei te dizer bem o que ela quer
mas não sei por onde começar a te dizer tudo isso agora, não!

Quinze 171
quinze 171
cinco dos crentes
cinco dos crentes
vestidos de gente
Diz pra sua mãe não precisa cabeça quente
cada um dos meus amigos me têm quase que nem a um irmão

dylanniversário, uma tradução: Bringing it all back home \\|// Pra levar tudo de volta pra casa (22 de março de 1965)

 

 

 

  1. Pra levar tudo de volta pra casa

                                                                 22 de Março de 1965

 

 

 

 

 

notas de rodapé:

produzido por Tom Wilson                       fotografia de Daniel Kramer

 

 

 

 

 

resta só eu ali assistindo ao desfile

sentindo uma combinação de dormentes john estes.

jayne mansfield, humphry bogart /morti-

mer snerd, murphy do surfe e por aí vai /

caroneiro erótico vestindo casaco

japonês. prendeu minha atenção quando perguntou será

que ele não me viu naquela pousadaria de bairro em

puerto vallarta, méxico / disse que não você deve

ter se confundido. acontece que sou um dos

Supremes / daí ele rasga o casaco

e muito de repente torna-se num farmaceuta de meia idade.

que trabalha para o ministério público. ele começa uma grita-

ria comigo você é o tal. você é o cara

que tem deixado um montão de gente louca sobre as revoltas lá do

vietnam. imediatamente dirige-se a mais um bocado de

gente dizendo se for eleito, vai mandar me

eletrocutar em praça pública no próximo 7 de alguma coisa.

olhei em volta e toda esta gente

com quem ele conversava portando maçaricos /

desnecessário dizer, vazei fora rapidão de volta ao

velho e bom sertão. lá só resta eu, que escreve

O QUÊÊE? em minha parede predileta quando eis

quem passa num jatinho ninguém menos que meu engenheiro de

gravação “vim para buscar o senhor & as suas

últimas obras de arte. precisa de ajuda

com um’as coisas?”

 

(pausa)

 

minhas músicas são escritas com os batuques

em consideração/ o toque de qualquer cor ansiosa. não

mencionável. óbvia. e talvez as pessoas

iguais a uma suave cantora do bräzyl.  .  . já

desisti de fazer das tentativas uma perfeição /

o fato de que a casa branca está recheada de

líderes que nunca foram a Bibliotecas&Museus causa-

me espanto. por que allen ginsberg

não foi chamado na inauguração para declamar poesia

me deixou ruinzasso / se tem mais alguém achando que norman

mailer é mais importante do que hank williams

isto é bom. acabaram meus argumentos e

nunca bebo leite. prefiro modelar cabi-

des para gaitas do que discutir antropologia asteca /

literatura inglesa. ou a história das nações

unidas. aceito o caos. não tenho tanta certeza

se ele me aceita. sei de algumas pessoas que têm sofrido terrores
por causa da bomba. tem ainda outras que sofrem terrores

de serem vistas levando revistas sobre música ligeira.

a experiência ensina que o silêncio é o que mais aterroriza

as pessoas  .  .  .  estou convencido de que todas as almas têm

algum superior para se reportar / igual ao sistema

escolar, um círculo invisível onde ninguém

pode pensar sem antes se reportar a alguém / perante

estes fatos, responsabilidade / segurança, e o sucesso

significa absolutamente nada  .  .  .  não gostaria

de ser bach. mozart. tolstoy. joe hill. gertrude

stein ou james dean / todos estão mortos. os

Grandes livros já foram escritos. os Grandes ditos

já foram todos beneditos / o que vim Lhes desenhar

é uma foto do que às vezes acontece

por estes lados. e eu também não percebo muito bem

as coisas que estão acontecendo. já sei

que vamos todos morrer algum dia e que nunca teve morto

que fez parar o mundo. meus poemas

estão escritos no ritmo da distorção não poética /

dividido por ouvidos furados. sobreancelhas falsas / sub-

tracionadas por pessoas que gratuitamente torturam umas

às outras. com uma linha de ronronar melódica de descrição

sem sombra – – vistos algumas vezes através do óculos de sol escuro

e por outras formas de explosão psíquica. uma música é aquilo

que sabe o passo a passo do seu andar / dizem que

escrevo canções. e um poema é a pessoa desnuda  .  .  .  há quem

diga que sou poeta

 

(fim da pausa)

 

e daí respondi ao meu engenheiro de gravação

sim. acho que podia ter uma ajudinha para entrar

co´esta parede no avião”

 

 

  1. subterranean homesick blues
  2. ela me pertence
  3. maggie´s farm
  4. love minus zero / no limit
  5. outlaw blues
  6. on the road again
  7. bob dylan´s 115th dream
  8. mr tambourine man
  9. gates of eden
  10. it´s allright, ma (i´m only bleeding)
  11. it´s all over now, baby blue

 

  1. 8LU35 D4 F38R3 C4531R4 N0 P0RÃ0

    1.
    Johnny mora dentro de um porão
    Trabalha misturando erva medicinal
    Eu ando pelo minhocão
    Lembro do gravatas de então
    Do governo bolsa paletó importado
    Cuidado aí, menino4.
    As se aqueça e me esqueça
    Descalço romanceia beije a sereia
    Se cubra, olha a bênção
    Tente virar sensação
    Agrade a um, agrade ao outro, brindes grátis

    Vinte anos de ensino
    Pra te darem o turno diurno
    Cuidado aí, criança
    O esconderijo não é aí não
    É melhor evitar o atalho
    Traga aceso seu candel´[ario
    Não venha de sandálias
    Não provoque bate-bocas
    Não me parece que gosta de bafões
    Mas é melhor escovar os dntres
    A caixa d´água não funciona porque o putos
    Rapelaram as manivelas.

    02. 3L4 P3RT3NC3 4 M1M

    Ela já tem tudo o que precisa
    É uma artista e não guarda rancor
    Ela escurece as cenas diurnas
    E nas noturnas pinta o fulgor
    Ela faz brilhar a noite mais escura
    E escurece os dias de Sol

    Você faz questão que ela veja o seu
    Orgulho em roubar tudo o que ela vê
    Você vai terminar a jornada
    A observar no monitor de tevê
    Você quer espiar o buraco da fechadura
    Pra saber o que ela pensa de você

    Ela não dá nenhum passo em falso
    Ela não tem aonde cair morta
    Ela não é filha de nenhum figurão
    O sistema a vê com,o peça solta
    Ela não tem nem pai nem mãe
    O sistema não sabe como ela existe

    Ela veste um anel egípcio
    E se ela fala, ele brilha
    Ela tem fama de hipnotista
    É mesmo uma antiguidade ambulante

    Abrace-a nos domingos
    E nos aniversários com mais ardor
    Nos dias das Bruxas, dê-lhe um trompete
    E nos Natais, dois tambores

    03. NÃO QUERO MAIS TRABALHAR DE SITIÃO

    04. 0 4M0R: M3N0S Z3R0 / S3M L1M1T3S

    1.
    Meu amor age como o silêncio
    Recusa os ideais de violência
    Ela não precisa nos lembrar da sua fidelidade
    E ela é real, como o vinho ou a água
    As pessoas trazem flores
    A cada hora ainda mais promessas
    Meu amor ela é a franqueza das rosas
    Presentinhos não vã convence-la

    2.
    Nos supermercados e nas baldeações
    As pessoas relembram de situações
    Lêem os livros pra decorar sitações
    Com as conclusões riscam os muros
    Outros falam de um futuro
    Meu amor age com sinceridade
    Ela diz que não existe acerto igual ao erro
    E um erro não é acerto nenhum

    3.
    Balançam o sobretudo e o facão
    Madames acendem os lampiões
    Nas cerimõnias dos Cavaleiuros Templários
    Até o peão tem que dar um lance
    Estátuas feitas com palitos
    Derretem-se umas nas outras
    Meu amor só pisca, isso não importa
    Ela sabe demais para julgar ou convencer

    4.
    à meia-noite a ponte treme
    O médico da cidade, ele só geme
    A sobrinha do banqueiro busca a perfeição
    Espera os prsentes de seus sábios pretendentes
    Uiva o vento igual a uma marreta
    Durante a noite sopra uma chuva
    Meu amor na janela me lembra do poema
    De um corvo com a asa quebrada m meu umbral

    05. MÚ51C4 D4 T3RR4 D3 N1N6UÉM

É bem ruim dar um passo em falso
E aterrisar em uma lagoa qyue você não conhece
É bem ruim dar um palso em falso
E aterrisar em uma lagoa em que voc~e enlamece/emudece
Pior ainda se estiver nove graus negativos
E forem 4 e 20 da tarde

Não vou pendurar fotinhas
Não vou pendurar fotinhas d ecanhão
Olha eu pareco o Francisco Cuoco
Mas já me disseram que estou mais para o Tarcisão

Quem dera eu estivesse
Em uma planície no Planalto Central
Eu não tenho mpotivo para estar lá
A não ser a mudança no meu astral

Trouxe meus óculos escuros
Tive sorte e trouxe o pé de coelho também
Não sei o sentido das coisas
Nem quero dizer a verdade a ninguém

Tenho uma namorada n avila
Por motivos óbivios não posso dizer quem é
É uma mulher de pele morena
E ama muito pelo que ela é

08. S3NH0R H0M3M D05 T4M80R1N5
Ei, sr. homem dos tamborins, põe aí um som pra mim
Estou sem sono e não tenho lugar nenhum  pra ir
Ei,s r. homem dos tamborins, põe aí um som pra mim
Assim sendo a cada novo dia é só pra te agradecer / eu vou te seguir

Eu sei bem que o império do amanhã já volta a ser só cinzas
Assopradas vento adentro
Me deixou cego aqui assim e ainda sem dormir
Meu amor próprio me surpreende me faz plantar os pés no chão
Sem ter nenhum lugar pra ir
E as velhas ruas vazias estão uqietas demais pra rir

2.
Me leve em uma viagem // pra viajar em seu amarelo submarino
Tropicália ou uma transa ando meio
Desligado dominguinhos da vida
Espero um cometa passar pra me levar com ele
Pronto pra ir a qualquer lugar, pra desaparecer,
Tentar se explicar, gravar o jeito que dfança
Pra tentar te deixar ir // te entender // te esquecer

10. F4R03ST3 C480CL0 (C4LM4, MÃ3, É 5Ó UM 54N6U3)

11. 357Á QU453 N0 F1M, M3U 7R1573 4M0R
1.
Melhor já ir embora & levo o que for durar
É teu o que bem entender, melhor se apressar
Tem em teu passado um menor abandonado
Que chora igual a incêndio em descampado
Melhor tomar cuidado os santos vêm aí
Está quse no fim, meu triste amor // meu amor já póde ir

2.
A pista é pra quem gosta de tomar chuva
Não fique assim encabreirado tome um gole desta uva
O pintor que conheceu  mora na rua
Desenha enlouquecidamente em nossas vias
O céu sobre nossas cabeças já vai cair
Está quse no fim, meu triste amor // meu amor já póde ir

3.
Os marinheiros tarimbados, todos remam pra cas // deixaram a briga
O teu exército de aliados, todos rumam pra o lar // foi curar feridas
O namorado que saiu do teu apartamento
Levou tudo embora, sem ressentimentos
O tapete também quer te ver cair
Está quse no fim, meu triste amor // meu amor já póde ir

4.Declare outro fecha, vamos nos repetir
Está quse no fim, meu triste amor

Duas canções, duas traduções

salve salve, meu bom povo & minha boa pova desta querida & neurastênica, mas não plana!, bloguesfera nossa de cada dia! está no ar mais um “Duas canções, duas traduções”.

é tão covarde tirar uma música do contexto em que ela está inserida quanto tirar uma frase do contexto em que foi produzido: os sentidos estão eternamente em rotação&resignificação, e só com todo o material (o tal do ”contexto”) em mãos é possível chegar a um significado mais “correto”, ou pelo menos, mais perto da proposta de quem enunciou. podem ficar tranquilos que, quando apresento alguma música aqui, passei os olhos no disco, ouvi, analisei, interpretei & brinquei pingue-pongue com a budega inteira por um bom tempo, antes de passar à transcriação propriamente dita.

o nome desta seção deveria ser “montado no ombro dos gigantes”!

a atração de hoje é um Bob Dylan, não tão polêmico quanto o anterior, & uma tentativa de levar ao idioma de Shaguespeare as letras de Renato Russo&Sua Real Companhia Ilimitada.

a primeira vez que o mundo ouviu “The ballad of a thin man” foi em 30 Agosto de 1965, quando lançaram o disco “Highway 61 revisited” – que no meu português de caipira ficou “Bê Érre 101 revisitada”. estão neste álbum pedradas importantíssimas da história de Dylan, como “Like a rolling stone” e “Desolation row”. até o fechamento desta edição, o bardo de Duluth, Minnesota, declara 1237 exibições públicas desta música, desde sua primeira exibição pública, em 28 de Agosto de 1965, no estádio de Tenis de Forest Hills, Nova Uórque.

acho que esta foi a primeira música de Dylan que traduzi. do catálogo dele foi a que mais demorou a atingir um estado de maturação – a tal da transcriação. até recentemente, ainda não sabia bem como cantar os versos de refrão, depois de cada uma das 7 estrofes, mas agora acho que já consegui resolver este problema. o vídeo a seguir ilustra a música bem perto de ficar pronta:

ainda sobre o disco: ele é um dos álbuns de Dylan em que o letrista coloca um textão de “notas de rodapé” – quando a gente abre o disco de vinil, & tem um monte de surpresas – quase uma historinha – além da playlist & da ficha técnica. às vezes fotas. quem gravou, quem arranjou, quem produziu quando em qual estúdio. o original, vou deixar neste uébi link direcionado, porque não é o foco do estudo de hoje (clicar em “show all \\|// expandir” da caixinha “liner notes”), mas a minha versão, quem estiver acessando aqui, pode ler e conferir se o que o prêmio Nobel de Literatura do ano de 2016 está fazendo é literatura ou é música. incrusive, quem tiver a resposta, que atire a primeira pedra!
bob-dylan-highway-61-2

No trem devagar o tempo não interfere & na cruzada Arábica espera Pilha Branca, o homem do jornal & ao seu lado a centena de Inevitáveis feitos de sólidas pedra & rocha — o Juiz Creme & o Palhaço — a casinha de bonecas em que Selvagem Rosè & Fixável moram humildes em sua selvagem e maliciosa natureza . . . . Autono, que tem dois zeros acima das fuças e argumenta acerca do sol estar escuro ou ser Bach tão famoso quanto seu distúrbio & que é ela mesmo — e não Orfeu — a poeta lógica “Eu sou a poeta lógica” ela gritava “Primavera? A Primavera é só o começo!” ela tenta deixar o Juiz Creme com inveja contando a ele sobre o povo que mora debaixo-da-terra & enquanto o universo explode, ela aponta para o trem devagar rezando para que a chuva e o tempo interfiram — ela não está muito gorda mas ao contrário disso progressivamente infeliz. . . .a centena de Inevitáveis esconde suas previsões & vão para os bares & bebem & ficam bebassos de sua maneira muito especial e consciente & quando tom dooley, o tipo de gente que você se lembra de já ter visto antes, chega de passeio com Pilha Branca, a centena de Inevitáveis dizem todos “quem é esse cara branco por demais?” & o garçom, menino bom & um outro que sempre mantém os brios à flor da pele, dizem, “eu não o conheço, mas é certeza que já ví o outro camarada n’algum outro lugar” & quando Paulo Sargento, homem de trajes simples de lá da Rua 4, aparece às três da manhã & prende todo mundo por estarmos sendo incríveis, ninguém ficou brabo de verdade — só o mínimo de anafalbetismo que a maioria das pessoas entende & Roma, um da centena de Inevitáveis, segreda “Eu te avisei” a Madama João . . . . Selvagem Rosè & Fixável assopram beijocas corajosas para Hexagrama Jade da Rua Carnaby & para todos as jovens misteriosas & o Juiz Creme escreve um livro sobre o puro significado de uma pêra — ano passado, foi um sobre cachorros ilustres da guerra civil & agora ele tem dentes falsos & nenhum filho. . . . quando o Creme conheceu Selvagem Rosè & Fixável, ele lhes foi apresentado por ninguém menos que Futilidade — Futilidade é o Grande Inimigo & sempre usa um protetor nos quadris — ele é muito dos protetores de quadris . . . . Futilidade disse enquanto apresentava o pessoal “vá salvar o mundo” & “envolvimento! este é o assunto!” & coisas assim & Selvagem Rosè piscou para Fixável & o Creme foi embora com o braço numa tipóia cantando “summertime & the linvin is easy” . . . . o palhaço aparece — veste com uma mordaça a boca de Autono dizendo “existem dois tipos de gente: as simples & as normais” isto normalmente extraía grandes risadas da caixa de areia & Pilha Branca espirra — desmaia & rasga a mordaça de Autono & diz “Que conversa é essa que você é Autono e que sem você não haveria a primavera! sua tola! sem a primavera, você não existiria! o que você acha disto?” e daí Selvagem Rosè & Fixável vêm também & o chutam nos miolos & o pintam de rosa por ser um filósofo de mentirinha — daí surge o Palhaço que grita “Seu filósofo de mentirinha” & pula sobre a sua cabeça — Paulo Sargento surge novamente vestindo roupa de árbitro & algum moleque do colegial que já leu tudo do Nietzsche surge & diz “Nietzsche nunca vestiu roupas de árbitro” & Paulo diz “Quer comprar umas roupas, meninão?” & então Roma & João saem do bar & eles estão indo até o Harlem . . . . hoje cantamos sobre a GANGUE DO ARRASTÃO — a GANGUE DO ARRASTÃO compra, é dona & opera a Fábrica da Insanidade — para quem não sabe onde fica a Fábrica da Insanidade, deve por causa disso dar dois passos para a direita, pintar os dentes & ir dormir . . . . as músicas neste disco em específico não são exatamente músicas mas ao invés disso exercícios de respiração para controle tonal. . . . o assunto é o que importa — e por mais insignificante que seja — tem alguma coisa a ver com os belíssimos estranhos. . . . os belíssimos estranhos, a jaqueta verde de Vivaldi & o santíssimo trem devagar.

você está certo john cohen — quazimodo acertou —  mozart acertou . . . . não consigo mais dizer a palavra olho. . . . quando falo esta palavra olho, é como se falasse do olho de alguém que vagamente me recordo. . . . não existe olho algum — existe apenas várias bocas — vida longa às bocas — o seu telhado — se ainda não percebeu — foi demolido. . . . o olho é um plasma & você está certo sobre esta também — você tem sorte — você não tem que pensar sobre coisas tais como olhos & telhados & quazimodo.

 Bob Dylan – guitarra, gaita, piano e viatura da polícia
Michael Bloomfield – guitarra
Alan Kooper – órgão e piano
Paul Griffin – piano e órgão
Bobby Gregg – bateria
Harvey Goldstein – baixo
Charles McCoy – guitarra
Frank Owens – piano
Russ Savakus – baixo

OoO–OoO

TH3 84LL4D 0F 4 7H1N M4N (Robert Allen Zimmerman, a.k.a. Bob Dylan) &t A 84LL4D4 DUM M46R0 H0M3M (r.l.almeida)
1.
You walk into the room with your pencil in your hand
You see somebody naked and you say, “Who is that man?”
You try so hard but you don´t understand
            Just what you will say when you get home

Você entrou no quarto, segura o lápis nas mãos
Você viu alguém pelado e diz, “Quem será o irmão?”
Você tentou tudo, mas não entendeu nada não
            O que se vai dizer lá pra patroa?

r.
Because something is happening here
But you don´t know what it is
Do you, mister Jones?

Porque alguma coisa acontece aqui
E você não sabe bem o que é
Ou sabe, senhor Jones?

2.
You raise up your head and you ask, “Is this where it is?”
And somebody points to you and says, “It´s his!”
And you say, “What is mine?” and somebody else says, “Where what is?”
            And you say “Oh my God, am I here all alone?”

Você levantou a cabeça e pergunta, “O lugar é este aqui?”
E alguém mais aponta você e diz, “É dele ali!”
E você, “Bem, qual é o meu?” e ainda um outro alguém “Ué, então, e
aí?”
            E você, “Ó meu Deus, será que sou eu só?”

3.
You hand in your ticked and you go watch the geek
Who immediately walks up to you when he hears you speak
A
nd says, “How does it feel to be such a freak?”
            And you say, “Impossible!”, as he hands you a bone.

Você entregou a entrada e vai ver a aberração
Que imediatamente anda até você, ouviu tua respiração
E diz “Como é pra você ser assim tão esquisitão?”
            Impossível: ele te estende um ossão!

b.
You have many contacts among the lumberjacks
To get you facts when somebody attacks your imagination
But nobody has any respect, and anyway they already expect you
            To give a check
            To tax-deductible
            Charity organizations

Você tem muitos fornecedores entre os tais dos lenhadores
Pra te dizer verdades quando agridem a tua imaginação
Mas ninguém respeita nada, não, todos eles só querem saber se
            Você já assinou o cheque
            Doou toda a renda
            Pra organização

4.
You have been with the professors and they all liked you looks
With great lawyers you have discused lepers and crooks
You have been through all of F Scott Fitzgerald´s books
            You are very well read, it is well known

Você esteve com os estudados e todos curtiram teu perfil
Com grandes advogados sobre a lepra e o escorbuto você discutiu
Você já leu tudo do F.  Scot  t   Fitz    geral    dô
            Você é bem lido, sabe-se bem disso

5.
Well, the sword swallower he comes up to you and ten he kneels
He crosses himself and then he clicks his high heels
And without further notice he asks you, “How it feels?”
            And he says, “Here is your throat back, thanks for the loan!”

Lembra do engole-espadas? Ele vem até você e se ajoelha
Se faz o sinal da cruz e bem alto tamanqueia
E sem ninguém notar te pergunta, “Como vai tua orelha?
Aqui tua garganta, agradeço o uso!”

6.
Now you see this one eyed-midget shouting the word “Now!”
And you say, “For what reason?”, and he says, “How?”
And you say, “What does this mean?”, and he screams back, “You
re a cow!
            Give me some milk or else go home

Você viu o anão caolho grita a palavra “Tão!”
E você, “Pra que isso?”, ele diz “Vão!”
E você, “Qual o sentido disso?”, ele grita “Volta! Você é uma vaca!
            Dê-me um leite ou vá pra casa!”

7.
Well, you walk into the room like a camel and then you frown
You put your eyes in your pocket, and your nose on the ground
There oughta be a law against you coming around
            You should be made to wear earphones

Você entrou no quarto igual a um camelo se jogou no chão
Guardou os olhos no bolso, deixou o nariz no porão
Deve existir alguma lei que não te deixa aparecer, não
            A gente tinha que ter os rádios bem no meio das fuças!

01

frontispício original da loucura!


      cito mais uma vez os Nobel para dar continuidade a este artigo, & aproveito a oportunidade para chorar: o Brasil ainda não tem um Nobel de Literatura – nem da Paz, nem da Química, nem da Física, nem da Medicina. e nem da Economia, sr. Supermi-mi-ministro… na seara da Literatura temos uma infinidade de nomes que certamente NÃO ganhariam o prêmio, & um seleto grupo que poderia comover a academia sueca: Lia Luft, Lígia Fagundes Telles, Carlos Heitor Cony, Machadão, Lima Barreto, Ferreira Gullar. se fizermos o paralelo do prêmio com a música, adiciona também Noel Rosa, Cazuza & Renato Manfredini Russo Júnior neste distinto panteão de batalha.

Legião Urbana é um capítulo à parte da música brasileira – uma aventura que vai de 1978 a 1996, com a morte do letrista. existe muita menção ao roquenrou de Brasília, & dos grupos que se encontraram por lá, como Os Paralamas do Sucesso, Plebe Rude e Capital Inicial. era tudo uma grande tribo punk, ou até mesmo uma família punk, que frequentava os shows e ensaios uns dos outros.

a faixa que arrisco uma versão em inglês fecha o terceiro disco da Legião Urbana, “Que país é este (1978/1987)”, lançado em novembro de 1987. esta é uma das poucas faixas que é composta pelo grupo em sua totalidade. neste disco estão pedradas como “Faroeste caboclo”, “Química” & “Tédio (com um T bem grande pra você)”. foi considerado o retorno da banda às origens do bate-cabelo, com letras de denúncia & de consciência, por meio de um olhar afiadamente político. & por falar no idioma inglês, lembro bem do Acústivo MTV, em que o antigo professor de inglês ensinava: “Querem cantar em inglês? Então canta assim!”, & emendava um “Head on”, dos Jesus And Mary Chain.

M415 D0 M35M0 (Renato Rocha, Marcelo Bonfá, Dado Villa-Lobos &t Renato Russo) &t M0R3 FR0M TH3 S4M3 (r.l.almeida)

1.
Ei, menino branco, o que é que você faz aqui
Subindo o morro pra tentar se divertir
Mas já disse que não tem e você ainda quer mais
Por que você não me deixa em paz?

Hey you little white boy, what are you doing right here
You cross valleys when you looking for some fun
A new supply has not arrived, i need a little something more
Would you just leave me alone?

2.
Desses vinte anos nenhum foi feito pra mim
E agora você quer que eu fique assim igual a você
É mesmo, como vou crescer se nada cresce por aqui?
Quem vai tomar conta dos doentes?
Enquanto tem chacina de adolescentes?
Como é que você se sente?

In all those twenty years not a single has been good to me
and yet you want me to let it be like you, just like a rocking rolling stone
And in here we do not roll
Who will take care of those harmed people?
Or of the killing of young children?
Tell me how does you feel it?

r.
Em vez de luz tem tiroteio
No fim do túnel
O ooo o mas é sempre mais do mesmo
Não era isso que você queria ouvir?

Instead of light, we saw gunfighting
Ending the tunnel
O owo o it is always more from the same
It was not this you were willing to hear?

3.
Bondade sua me explicar com tanta determinação
Exatamente o que eu sinto, como eu penso e como sou
Eu realmente não sabia que eu pensava assim
E agora você quer
Um retrato do país
Mas queimaram o filme
E enquanto isso, na enfermaria
Todos os doentes estão cantando
Sucessos populares (todos os índios, índios, índios)
Todos os índios foram mortos

So kind you have explained with all that clarivoiancè
This is exactally how i fell and how i think and what am i
I just have never realised
You have the courage to ask
For a portrait of the nation
But they have burned out the reel
While we are speaking, at the infirmary
All the bruised people, they sing together
The songs they can remember
All of the indians, they were shooted, slaughtered

o nome desta seção definitivamente deveria ser “Assaltaram a gramática!” =b

 

Duas canções, duas traduções

salve salve, minha querida & azul bloguesfera! vem aqui mais um “Duas canções, duas traduções”.

no episódio de hoje, vamos atravessar a ponte para decodificar a mensagem de duas grandes músicas, uma de Bob Dylan & outra dos Secos&Molhados. na segunda parte, realizaremos o caminho inverso, usando de uma canção 100% tupiniquim que faz todas as pessoas cantarem juntas, & levá-la ao ingrêis do tio Donaldo, o Agente Laranja, para que ele entenda como se chacoalha o esqueleto no lado de baixo da linha do Equador, onde não existe o pecado.

o nome desta seção deveria ser “montado nos ombros dos gigantes”!

Bob Dylan, o nome de escritor de Robert Allen Zimmerman, nascido na cidade de Duluth, Minnesota, em 1941, já andou o mundo inteiro para apresentar o que ele chama de “A turnê que nunca acaba”. em terras brasilis, já visitou Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo & Porto Alegre, ao longo de cinco oportunidades para apresentar seu trabalho enquanto musicista: 1990, na segunda edição do festival Hollywood Rock; turnês em 1991, em 2008 & em 2012; & enquanto banda de abertura para os The Rolling Stones, em 1998. o olhar do bardo é ativo também nas artes plásticas, como podemos ver através de uma declaração sobre sua série de pinturas em tinta acrílica (quase 50 telas!), intitulada “The Brazil Series”:

“Existe uma parte na América do Sul onde não se fala espanhol, fala-se português. É um país adorável, com 184 milhões de habitantes vivendo lá. É o gigante da América Latina. Esse país ocupa quase metade do continente. Acredito que seja maior do que os Estados Unidos. Seu lema é “ordem e progresso”. É onde você encontra São Paulo e Rio de Janeiro, dois dos lugares com as melhores festas que conheço. Estou falando do Brasil.”

para abrir os trabalhos aqui no blogue, foi escolhida uma música para aproveitarmos o atual momento de discussão da sociedade falocrata&fratricida que envenena nossas terras. “Just like a woman” apareceu no primeiro disco duplo de rocknroll da história, o “Blonde on blonde” de 16 de Maio de 1966, o sétimo disco de estúdio de Dylan. é neste disco que estão pedradas importantes da história do bardo de Duluth, como “Temporary like Achilles”, “Stuck inside a mobile with the Memphis Blues again”, “One of us must know” & “I want you” (a única de todo o disco que já tinha ganhado uma versão em português, “Tanto”, na tradução de Chico Amaral, para o disco de estréia dos  Skank).

se a gente não tiver tato na hora de traduzir para transcriar, Dylan vira um desses tais monstros machistas, mimados & sem cabeça que se vê por aí. de acordo com o próprio autor, ele escreveu as letras desta música no Kansas, enquanto estava em turnê, no feriado de Ação de Graças de 1965. porém, existem relatos de que o artista chegou em Nashville para as sessões de gravação sem nada escrito além da linha melódica do piano, & começou a improvisar cantando frases desconexas & sem sentido.

desde que surgiu, esta música é criticada por uma misoginia exacerbada, colocando os homens & as mulheres nos lugares comuns de heróis valentes protagonistas VS de sofredoras histéricas subjugadas. acredito ser uma letra sem polêmicas, mas que pode levar a uma interpretação errada, numa leitura rápida: muitos dizem que Dylan é altamente machista neste letra. como dizem meus amigos futebolistas: de elevado teor de testosterona!; o que consegui enxergar foi apenas uma homenagem ao sexo com sexto sentido. não compreende-se as mulheres porque uma palavra tem dois sentidos. como pode um Ser ter seis?

…retomando, se não formos tão longe, no ano de 2016, foi laureado a Dylan o prêmio Nobel de Literatura: Dylan pode não ser um hábil musicista, mas certamente é um escritor talentoso (se você domina duas cozinhas, isto lhe abre precedentes para dizer que faz nada além de um simplório&dedicado exercício de Humanismo!).

a música é estruturada em três estrofes com seis versos,  cada estrofe seguida por um refrão que se repete idêntico nas duas primeiras para, na última, soar suavemente diferente. & ainda, antes do último refrão, um estribilho de ponte. os lugares comuns da música são colocados como ironias, ferramentas para o autor brincar com as pessoas, se não para mudar o mundo, mudar pelo menos as pessoas. no placar que mantém no ar, o artista declara até a data do fechamento desta edição 871 exibições públicas desta música.

JU57 L1K3 4 W0M4N (Robert Zimmerman, a.k.a. Bob Dylan) &t I6U4L 4 UM4 MULH3R (r.l.almeida)

 1.
Nobody feels any pain
Tonight I stand inside the rain
Everybody knows
That baby´s got new clothes
But lately I see her ribbons and her bows
Have fallen from her curls
She takes just like a woman
And she makes love just like a woman
And she aches just like a woman
But she breaks like a little girl

Ninguém sente dor nenhuma
É hoje que me benzo nessa chuva
O mundo já percebeu
Como você cresceu
E já faz tempo que as presilhas&os elásticos
Abandonaram os teus cachos
      Ela aceita igual a uma mulher
      Ela ama igual a uma mulher
      Ela se ressente igual a uma mulher
      Mas ela briga igual a uma garotinha

2.
Queen Mary, she´s my friend
Yes, I believe I´ll go see her again
Nobody has to guess
That baby can´t be blessed
Till she sees finally that she´s like all the rest
With her fog, and her amphetamine and her pearls
      She takes just like a woman
      And she makes love just like a woman
      And she aches just like a woman
      But she breaks like a little girl

Queen Mary, esta é uma amiga
Vamos sair de novo, dá até pra acreditar
Ninguém ia adivinhar
O padre não quis casar
E ela entendeu que faz parte de um grande resto
com sua imprecisão, suas anfentas&suas bolinhas
      Ela aceita igual a uma mulher
      Ela ama igual a uma mulher
      Ela se ressente igual a uma mulher
      Mas ela briga igual a uma garotinha 

r.
It was raining from the first
And I was dying there of thirst
So I came in here
And your long-time curse hurts
But what´s worse
Is this pain in here
I can´t stay in here
Ain´t clear that…

De começo foi uma chuva, e eu lá
Morrendo de sede e não
Conseguia beber.
E tua cicatriz antiga ainda não sarou
Vai ver até que piorou
Tudo o que dói em mim
Não posso ficar aqui!
E ainda não sei se…

3.
…I just can´t fit
Yes I believe it´s time for us to quit
When we meet again
Introduced as friends
Please don´t let on that you knew me when
I was hungry and it was your world
      You fake just like a woman
      You make love just like a woman
      Then you ache just like a woman
      But you break like a little girl

Eu não sirvo, não!
Acho que chegou a hora da nossa separação
Se nos vermos de novo
Talvez um amigo em comum
Vê se não vai agir como se não me conhecesse
Era só fome e era do teu mundo
      Fingida! Igual a uma mulher
      Tú até faz amor igual a uma mulher
      E até se ressente igual a uma mulher
      Mas daí briga igual a uma menininha.

012

      mas Bob Dylan viveu no lado de cima dos trópicos. mesmo com poucas visitas oficiais ao Brazyl, pode-se afirmar que sua influência atingiu ao mundo inteiro. em terras brasilis tupiniquenses, podemos dizer que também retumbaram no grupo Secos&Molhados.

      os Secos&Molhados foram essencialmente um power trio com vários convidados especiais. a formação clássica contava com Gerson Conrad, Ney Matogrosso, Marcelo Frias & João Ricardo (o pensador da banda, filho mais velho do cronista português João Apolinário Teixeira Pinto). esta formação esteve na ativa entre 1970 & 1974, misturando não apenas Dylan: abraçavam declaradamente também o fado português, o glamorous rock & a guitarra elétrica. era um exercício de poesia na música, & nesta toada, puderam gravar algumas músicas em cima de poemas de Apolinário, Fernando Pessoa & Júlio Cortázar. ficaram reconhecidos por suas apresentações ousadas, com figurino & maquiagens extravagantes, além de um rockenrou considerado pesado (utilizando piano, flauta & violão 12 cordas). um flerte com a tropicália & a bossa nova, que sabe que é rock enquanto estilo de vida- & tudo isso em plena época de Dita Frouxa!

      o primeiro disco foi gravado entre Maio & Junho de 1973, em uma mesa de som com 4 canais – o ápice de tecnologia que o país tinha na época, mesmo para um dos grandes estúdios, no caso, a Continental. o disco reflete a condição latino-americana sem dinheiro no banco de cão sem dono caído da mudança em pleno tiroteio no morro da Urca, com músicas como “Rosa de Hiroshima”, “O patrão nosso de cada dia” & “Sangue latino”. o lançamento aconteceu em Agosto deste mesmo ano, & foi um sucesso porque o grupo já realizava apresentações ocasionais. talvez temendo represálias, Marcelo Frias, que operava as baquetas do grupo, pediu para sair depois de eternizado na capa e no som do disco. segundo o jornalista Jorge Tadeu, “o grupo conseguiu com o seu álbum inicial restaurar a liberdade estética & comportamental no Brasil depois do fim do Tropicalismo, num acinte contra a carranca dos verdugos que ocuparam Brasília & ditaram vetos moralizantes, torsurtando gente, insuflando a barbárie”.

para finalizar este artigo, trouxe da mesa de cirurgias a música “Fala”, que encerra o primeiro disco dos Secos. são 4 estrofes, cada uma com três versos curtos. cada uma das estrofes tem o mesmo verso ao final: “Então eu escuto” \\|// “And so i´ll just listen”. a grande polêmica nesta letra ficou por conta de “Se eu não entender, não vou responder”…acho que não existe nenhuma outra opção legítima que rime em inglês “entender” com “responder” além da que apresento (o que me faz prestar reverência aos irmãos Brittos e seu “Sem resposta”). cês lembra quando os Brittos encontraram com o Dylan Thomas, né? lembro à rapeize que escrevo o ingrêis sem contração por puro desprezo à esta atitude bárbara que destrói todo&qualquer código idiomático – no português mesmo, são poucos casos!

F4L4 (João Ricardo Carneiro Teixeira Pinto &t Heloisa Orosco Borges da Fonseca) &t T3LL M3 (r.l.almeida)

1.
Eu não sei dizer
Nada por dizer
Então eu escuto

I do not know how to say
What I do not want to say
And so I will just listen

2.
Se você disser
Tudo o que quiser
Então eu escuto

If you start to talk
The things that you may want
And so I will just listen

r.
Fala!

Tell me!

3.
Se eu não entender
Não vou responder
Então eu escuto

If I not comply
I will give you no reply
And so I will just listen

4.
Eu só vou falar
Na hora que falar
Então eu escuto

The time I start to tell
It is the right time as well
And so I will just listen

011

 

falando sério agora: o nome desta seção deveria ser “Assaltaram a gramática!” =D