Duas canções, duas traduções

          salve, salve, minha azul & ingrata bloguesfera nossa de cada dia! mais um episódio do “Duas canções, duas tradudogs” no ar, hoje rememorando a mulher & as mulheres que tanta vida dão para que a Vida do mundo aconteça. hoje a experiência é verter do Espanhol ao Português, & do Português ao Inglês: de um lado, a folclorista Violeta Parra; do outro, o jornalista Adoniram Barbosa.

          Violeta Parra é o nome de escritora de Violeta del Carmen Parra Sandoval, nascida no quarto dia de Outubro de 1917, em San Fabián ou talvez em San Carlos, no Chile, a terceira filha numa linhagem de nove (a primeira das três mulheres da prole). os filhos do casal Parra-Sandoval desde muito crianças já se inclinavam aos dotes artísticos, imitando artistas que itineravam pelo vilarejo: as crianças realizavam frequentes reuniões & soirées nas cercanias do bairro, naturalmente cobrando por suas performances para complementar a renda da família. Violeta já toca violão aos nove, & aos doze compõe sua primeira música. Violeta é sobrevivente de varíola, que só foi considerada erradicada em 1980. a família Parra teve que dar muito duro depois da perca do patriarca em 1929. Violeta torna mais frequente as apresentações em clubes, às vezes com as irmãs Hilda & Clara, e normalmente com os irmãos Eduardo & Roberto, interpretando boleros, rancheras & toadas do cancioneiro popular chileno. seu irmão, Nicanor, vai crescer para tornar-se um dos expoentes da corrente poesia chi-chi-chi-chilena!

          casa-se em 1938, tendo dois filhos (de um total de quatro) que não demoram a adentrar o mundo artístico com o sobrenome da mãe. deste primeiro casamento separa-se em 1948, mas levou como herança do marido, membro do Partido Comunista local, a militância política velada, que seguirá até o final de sua vida. Violeta apresenta-se em boates, em clubes de bolero, em programas de rádio, junta-se a um grupo de teatro mambembe. começa uma pesquisa de compilação das histórias do imaginário popular de seu país, recolhendo a tradição oral & consolidando-a em textos. Violeta anda o país inteiro para isso, & foram nestas primeiras andanças que conheceu Pablo Neruda, Pedro Massone & Alberto Zapiacán. publica em 1959 o livro “Cantos folclóricos chilenos”, com mais de 3000 canções, seguindo o exemplo de Charles Peraux & os irmãos Jacob e Wilhelm Grimm, ainda nos anos 1800s, & compartilhando da receita do sucesso com Luis da Câmara Cascudo e seu “Contos tradicionais do Brëzyl” (livro em 1946). em 1954, Violeta ganha o prêmio Caupolicán de artista popular do ano, o que lhe credencia para viajar até a Polônia & se apresentar em um festival para jovens expoentes mundiais. nesta viagem aproveita para conhecer a Rússia & algumas partes da Europa.

          a estadia em Paris foi particularmente proveitosa, já que registra em disco de longa duração várias canções que compilara no cancioneiro chileno. seu primeiro trabalho solo & de maior fôlego, pedra fundamental de tudo que virá depois, é de 1956, “Guitare et chant: chants et danses du Chili”, onde já constam “Violeta ausente”, & o grande sucesso que cantaria até o fim de sua vida, “La jardinera”. O sucesso deste trabalho foi grande, inédito para qualquer artista fora das Zooropas & EUA, o que encheu a escritora de inspiração & criatividade. gravou mais quatro discos (“Canto y guitarra”, de 1957; “Acompañada de guitarra”, de 1958; “La tonada” e “La cueca”, de 1959), todos com temas sociais, canções em décimas ou composições poéticas, & também adaptações de poesia. depois destes discos, diversifica ainda mais sua arte, & começa esculpir em cerâmica, a pintar com tinta óleo, a costurar em estopa, sempre retratando as origens mapuches.

          criada longe do academicismo (um tanto por razões econômicas da família, outro tanto pelo pouco interesse que tinha na escola), Violeta tem um estilo inocente & autodidata. foi a primeira artista da América do Sul a realizar uma exposição individual no Museu do Louvre, em Paris, aos 47 anos de idade. A cantautora inaugurou uma casa, onde recebia amigos e outras pessoas para tardes de poesia, que segue firme & forte até hoje – o Museu Violeta Parra. mata-se com um tiro na cabeça, aos 49 anos de idade, um ano depois de escrever o hino humanitário que desde que foi escrito não parou de ser cantado, “Gracias a la vida”. ainda hoje, os motivos que a levaram a saída tão trágica são desconhecidos.

          escolhi como exercício de tradução um de seus primeiros sucessos, “Violeta ausente”, considerada um hino à situação de chileno longe de casa. aproveito a oportunidade de Violeta ser assunto hoje aqui no blogue para fugir à tradição que eu mesmo criei: publico junto uma segunda letra, a minha versão de “Gracias a la vida”, que já fez sucesso na voz de Mercedes Sosa, Chico Buarque, Joan Baez, Milton Nascimento, Elis Regina & muitos outros. na verdade: ainda faz sucesso!

V10L3T4 4US3N73 (letra de Violeta Parra)
1.
¿Por qué me vine de Chile
tan bien que yo estaba allá?
Ahora ando en tierras extrañas,
ay, cantando como apenada.

2.
Tengo en mi pecho una espina
que me clava sin cesar
en mi corazón que sufre,
ay, por su tierra chilena.

r.
Quiero bailar cueca,
quiero tomar chicha,
ir al mercado
y comprarme un pequén.
Ir a Matucana
y pasear por la quinta
y al Santa Lucía
contigo mi bien.

3.
Antes de salir de Chile
yo no supe comprender
lo que vale ser chilena:
ay, ahora sí que lo sé.

4.
Igual que lloran mis ojos
al cantar esta canción,
así llora mi guitarra
ay, penosamente el bordón.

5.
Qué lejos está mi Chile,
lejos mi media mitad,
qué lejos mis ocho hermanos,
ay, mi comadre y mi mamá.

6.
Parece que hiciera un siglo
que de Chile no se nada,
por eso escribo esta carta,
ay, la mando de aquí pa’ allá.

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V10L3T4 4US3N73 (tradução de r.l.almeida)
1.
Por que fui deixar o Chile
Tão bem passava por lá?
Agora ando em terras estranhas,
Ai, canto igual alma penada.

2.
No meu peito existe um espinho
Que machuca e não vai parar
O meu coração só sofre
Ai, por sua terra chilena

r.
Quero dançar a cueca
Quero beber a chicha
Ir ao mercado
Me comprar um pássaro.
Conhecer a Matucana
E passear pelo bairro
Ir até Santa Lucia
Você e eu juntos, meu bem.

3.
Antes de sair do Chile
Não soube como entender
Quanto vale ser chilena
Ai, agora acho que sei.

4.
Igual ao quanto choram meus olhos
Quando canta esta canção
É o quanto chora minha guitarra
Ai, sofredora no refrão

5.
Que longe está meu Chile,
Que longe minha metade está,
Que longe meus oito irmãos,
Ai, e minha comadre e minha mamãe.

6.
Parece que já faz 100 anos
Que do Chile não sei nada,
Por isso escrevo esta carta,
Ai, a mando daquí para lá

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14.xicara
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GR4C145 4 L4 V1D4 (letra de Violeta Parra)
1.
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio dos luceros que cuando los abro
Perfecto distingo lo negro del blanco
Y en el alto cielo su fondo estrellado
Y en las multitudes el hombre que yo amo

2.
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado el oído que en todo su ancho
Cada noche y días, Grillos y canarios,
Martillos, turbinas, ladridos, chubascos
Y la voz tan tierna de mi bien amado
3.
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado el sonido y el abecedario
Con el las palabras que pienso y declaro
Madre, amigo, hermano y luz alumbrando
La ruta del alma del que estoy amando
4.
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado la marcha de mis pies cansados
Con ellos anduve ciudades y charcos
Playas y desiertos, montañas y llanos
Y la casa tuya, tu calle y tu patio
5.
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio el corazón que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano
Cuando miro el bueno tan lejos del malo
Cuando miro el fondo de tus ojos claros
6.
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto
Así yo distingo dicha de quebranto
Los dos materiales que forman mi canto
Y el canto de ustedes que es el mismo canto
Y el canto de todos que es mi propio canto
\\|//

4GR4D3Ç0 À V1D4 (versão de r.l.almeida)
1.
Agradeço à vida que já me deu tanto
Deu-me dois olhos e quando os abro
Distingo perfeito o preto e o branco
Também o alto dos céus, até o fim estrelado
Também nas multidões a pessoa amada

2.
Agradeço à vida que já me deu tanto
Fez-me ser sensível a tudo que desconheço
A cada noite e dias, grilos e canários
Martelos, turbinas, latidos, borrascas
E à voz tão terna da pessoa amada

3.
Agradeço à vida que já me deu tanto
Deu-me os barulhos e o abecedário
Com ele as palavras com que penso e falo
Mãe, amigo, irmão, luz iluminando
Mapa para a alma de quem eu amo

4.
Agradeço à vida que já me deu tanto
Deu-me até a marcha de meus pés cansados
Com eles andei por cidades e mangues
Praias e desertos, montanhas, planaltos
Também a casa tua, teu jardim, teu quarto

5.
Agradeço à vida que já me deu tanto
Fez-me um coração que sente tua presença
Quando vejo o fruto do cérebro humano
Quando vejo o bem tão longe do mal
Quando vejo o fundo de teus olhos claros

6.
Agradeço à vida que já me deu tanto
Deu-me a risada, me deu também o canto
Assim eu distinguo dito de encanto
Duas das matérias que compõe meu canto
E o canto de vocês todos que é o mesmo canto
E o canto de todos que é meu próprio canto

Adoniran-1974-capa
capa do disco de 1974

          o que nos traz de volta ao Brazyl. sabe-se menos da época primeira do Cinema (1896, até 1914) do que sobre a Pré-História da Humanidade (2 bilhões até uns 10 mil anos atrás, antes do Marco Zero de Jesus Cristo & a Cristandade). o Rádio, descoberto pelos anos 1860s, e com um Nobel em Física em 1901, só foi tornado massivo após 1927 (depois das chegadas das vitrolas tocadoras de discos que podiam ser acopladas diretamente ao aparato transmissor). até então, a Arte acontecia nos Jornais, & nos Palcos, & nas Ruas: onde pudesse ser reproduzida & apreciada. o átomo de Rutherford já dava as caras, mas só vai começar a ser levado a sério depois dos atentados de Hiroshima & Nagasaki: os que nasceram depois de 1945 são Filhos do Átomo; os que nasceram antes, Filhos do Rádio.

          Adoniran Barbosa é legítimo Filho do Rádio, nascido em Valinhos, SP, Brazyl, no sexto dia de Agosto de 1910, & era o nome de escritor de João Rubinato. filho dos Rubbinato & Rucchini italianatos chegados ao país na primeira leva dos anos 1890s, sua família percorre a tríade de cidades Jundiaí – Santo André – São Paulo, partindo das lavouras para chegar à capital paulista. o menino João é o caçula dos sete filhos da família. de surrupiador de marmitas, na juvenília campineira, ascende aos palcos como ator. só ganhou sua porção de luz na ribalta porque este primeiro momento do Rádio estava em plena ascensão, já que tinha acabado de ganhar um irmão de peso: o cinema da década de 1920s, chamado comumente de “Sistema de Estrelas”.

          porque o Rádio acontecia ao vivo, em pequenos estúdios (para a equipe técnica) com enormes anfiteatros (para o público, que comparecia em peso para assistir aos programas). Adoniran trabalha na rádio a partir da década de 1930, primeiro pela Cruzeiro do Sul, depois pela Rádio São Paulo, depois pela Difusora. inclusive, Adoniran é o nome de seu personagem mais adorado pelos ouvintes: era difícil para João sair da personagem. casa-se em 1936 com Olga Krum, de onde vem a primeira & única filha, hoje tradutora, Maria Helena Rubinato, em 1937. depois do desquite, acerta no segundo casamento com Mathilde de Lutiis (em 1949), que dura até sua morte, em 1982. em 1941 sua condição financeira começa a melhorar, graças ao contrato com a Rádio Record, onde ficará até 1972, quando se aposenta da rádio & inicia sua carreira enquanto musicista. na Rádio Record, atua em peças humorísticas escritas pelo produtor/escritor Osvaldo Moles, encarnando tipos como Zé Cunversa, o malandro; Jean Rubinet, o galã do cinema francês; Moisés Rabinovic, o judeu das prestações; Richard Morris, o professor de inglês; Dom Segundo Sombra, o cantor de tango-paródia; Perna Fina, o chofer italiano; e o sambista paulistano Charutinho.

          o jovem Adoniran encontra dificuldades & ostracismo entre os anos 1930s – 1970s. o próprio artista se vê como escritor & não como cantor, mas ainda um escritor que poucos querem comprar. de uma época em que as rádios tocavam ostensivamente o romantismo & a dor de cotovelo de Aracy De Almeida, Nelson Gonçalves, Chiquinha Gonzaga, Ary Barroso & Orestes Barbosa, Adoniran tenta aumentar sua popularidade & mostrar que suas composições são mesmo boas, gravando em 1951 seu primeiro compacto, onde está sua “Saudosa maloca” (e, no outro lado, “Os mimosos colibri”, de Moles & Hervê Cordovil). de acordo com o artista, este single vendeu apenas duas cópias. a soma de experiências vividas, de doses de humor & da observação afiada dá ao país um de seus maiores & mais sensíveis cronistas, onde a construção linguística, pontuada pela escolha exata do ritmo da fala paulistana, transforma suas letras de sambas em poesia legítima. O uso do português falado nas ruas, e não o idioma formal, é uma das suas características: “escrevo samba para as pessoas comuns”, é uma das suas clássicas defesas da corruptela do idioma. mais uma das grandes citações, esta dentro da letra de samba: “eu gosto dos meninos deste tal de ie-ie-iê porque com eles canta a voz do povo”. o grande tema cantado pelo poeta foi a vida comum em meio à miséria & à especulação imobiliária na capital paulista (entre os anos 1930 e 1960), o que vai ecoar na capital brazuca-fluminense como samba de pedigree 100% vindo do alto dos morros. um Ira Gershwin nascido nos trópicos, por assim dizer.

          a amizade com os Demônios da Garoa começa em 1943, nos corredores das Rádios Unidas (onde o grupo também fazia parte do elenco). em 1949 gravam cenas para o filme “O cangaceiro”, de Lima Barreto (lançado em 1953, ganhador do prêmio do Festival de Cannes daquele ano, na categoria de Melhor Filme de Aventura). “Saudosa maloca” & “O samba do Arnesto” foram seu passaporte para o estrelato, na gravação do disco dos Demônios em 1954, vendendo 90mil cópias à época e levando-os para o programa de Abelardo Barbosa, o Chacrinha (o disco contém também “Iracema” e “Apaga o fogo, Mané!”) . em 1964 veio “Trem das onze”, que ganha prêmio no carnaval carioca de 1965, confirmando Adoniran no time de colaboradores dos Demônios e como um dos grandes nomes do samba tupiniquim.

          Adoniran só vai virar referência obrigatória no compêndio da Escola da Vida em 1974, quando lança seu primeiro disco de longa duração. Neste disco fulguram pérolas como “Bom dia, tristeza”, “As mariposas” e “Prova de carinho”. “Samba do Arnesto” também deveria estar no primeiro disco, mas foi barrada pela Censura, pelos erros de português (sic) (((ha! haha! hahahaha! cês nunca ensinam nada, tão nem aí pra m3rd4 toda e vem agora arrotar o que é certo do que é errado! hahahaha!))) e pelo alto teor de deboche frente à marcha do progresso. não se passam nem seis meses do primeiro lançamento &, com as vendas só crescendo, a gravadora encomenda um segundo disco a Adoniran. o produtor Pelão convida para escrever o texto de contracapa nada mais, nada menos do que Antonio Cândido, celebrado professor da Universidade de São Paulo, que escreve (e eu transcrevo e mostro a contracapa): ”tenho lido que Adoniran usa uma língua misturada de Italiano & Português. Não concordo. Da mistura, que é o sal da nossa terra, Adoniran colheu a flor & produziu uma obra radicalmente brasileira, em que as melhores cadências do samba & da canção, alimentadas inclusive pelo terreno fértil das Escolas, se alia com naturalidade às deformações normais de português brasileiro, onde Ernesto vira Arnesto, em cuja casa nós fumo & não encontremo ninguém, exatamente como por todo esse país”. com o Candinho é que a gente aprende as coisas, diz aí! no segundo disco, ainda figuram peças já celebradas do autor, como “Pafunça” e “Joga a chave”.

adoniran-1975-contracapa
contracapa do disco de 1975

          escolhi para o exercício de tradução do dia “Apaga o fogo, Mané!”, do disco de 1974, inspirado pelas celebrações do Dia Internacional das Mulheres. tem uma mulher na letra, vocês devem ter notado. ela se chama Inês. ou Inêz. pode ser uma intertextualidade com Inês de Castro, “aquela que depois de morta foi Rainha”. com S ou com Z, tanto faz: o fato é que o nome da música é “Apaga o fogo, Mané!”. Inês (ou Inêz) é irmã de “Irene no Céu”, de Manuel Bandeira. são poucas as mulheres que estão nas nossas cenas ficcionais. são ainda menos as mulheres que aparecem sorrindo. em Bandeira, Irene entra no céu, bonachona, porque ela sabe que é lá que pertence. aqui com Adoniran, vamos relembrar: é o país nos anos 60, numa cena (comum?) de relacionamento abusivo. se em briga de marido & mulher não se mete a colher, Adoniram deve ter testemunhado pelo menos uma vez essa história acontecendo, & resolveu escrever a letra enquanto manifestação de denúncia. a menina não pode nem ir ao mercado, que o cara fica esperando no portão. & ele só vai descobrir o fim do dito relacionamento num bilhete, no chão da cozinha, no final da noite, ou do dia, sabe-se lá quanto tempo depois que passou que Inês (ou Inêz) se foi, mas sabemos que Inesz ainda não voltou! e nem vai voltar!

4P4G4 0 F0G0, M4NÉ (letra de Adoniran Barbosa)
1.
Inês saiu
Dizendo que ia
comprar um pavio pro lampião
Pode me esperar, Mané, que eu já volto já

2.
Acendi o fogão
Botei água pra esquentar
E fui pro portão
Só pra ver Inês chegar

3.
Anoiteceu
E ela não voltou
Fui pra rua feito louco
Pra saber o que aconteceu

r1.
Procurei na Central
Procurei no Hospital e no xadrez
Andei a cidade inteira
E não encontrei Inês

r2.
Voltei pra casa
Triste demais
O que Inês me fez
Não se faz

4.
E no chão bem perto do fogão
Encontrei um papel escrito assim:
“Pode apagar o fogo, Mané!,
que eu não volto mais!”

\\|//

UNL1T Y0UR F1R3, MY L0V3 (tradução de r.l.almeida)
1.
Ignez has flee, she said
she would bought refil to the gas lamp
“Will you wait me here, my love?
I do not think I will be long”

2.
Water in the can
And then I lit the fire
Looking in the streets
Waiting Ignez arrive

3.
Falling the night
She did not came back
I hit the streets like a maniac
To understand what was happening

r1.
Searched the bus stations
Searched into the prisons and infirmaries
Walked around the whole town
Ignez could not be found

r2.
Went back to my place
Sad and lonely
What she did to me
Just can not be

4.
I saw in the ground nearing our stove
I have found a note, look how it was written
“You will unlit your fire, my love!
I will never more go home.”

          depois disso tudo, Adoniran Barbosa empresta seu nome a escola municipal, a rua no bairro do Bexiga, a praças, ganha cinco vezes o prêmio Roquette Pinto. quase ganhou um Museu, mas o acervo do escritor ainda está não tem rumo certo, & por enquanto vive alojado em caixas na Galeria do Rock. calma aí, meu amigo, porque ainda vai chegar o dia em que o Brazyl vai compreender que a História vale quanto pesa.

Duas canções, duas traduções

 

 

 

“La vie en ròse” X Dolores Duran, Maysa

IV

La vie en rose – Edith Piaf, Louiguy, Robert Chauvigny

Mayza? Dolores Duran?

 

 

L4 V13 3N R053

A-I

Des yeux qui font baisser les miens

Un rire que se perd sur sa bouche

Voilà le portrait sans retouche

De l´homme auquel j´appartiens

 

1.

Quand il me prend dans ses bras

Il me parle tout bas

Je vois la vie en rose

 

2.

Il me dit des mots d´amour

Des mots de tout les jours

Et ça me fait quelque chose

 

3.

Il est entré dans mon coeur

Une part de bonheur

Dont je connais le cause

 

r.

C´est lui pour moi

Moi pour lui dans la vie

Il me la dit

La juré pour la vie

 

4.

Et dès que je l´aperçois

Alor je sens en moi

Mon coeur qui bat

 

A-II

Des nuits d´amour à plus finir

Un grand bonheur qui prend sa place

Des ennuis, des chagrins s´effacent

Heureux, heureux à en morrir

 

 

 

L4 V13 3N R053, versão de Neil Armstrong

1.

Hold me close and hold me fast

The magic spell you cast

This is la vie en rose

 

2.

When you kiss me heaven sights

And though I close my eyes

I see la vie en rose

 

3.

When you press me to your heart

I´m in a world apart

A world where roses bloom

 

r.

And when you speak, angels sing from above

Everyday worlds seem to turn into love songs

 

4.

Give your heart and soul to me

And life will always be

La vie en rose

 

 

A V1D4 3M R054, versão Max Brandão
A-I
Os olhos que fazem baixar os meus
Um riso que se perde em vossa boca
Eis o retrato sem retoque
De meu homem

1.
Quando estou em seus braços
Ele me fala todo baixo
Eu vejo a vida em rosa

2.
Me fala palavras de amor
Palavras de todos os dias
E isso me faz alguma coisa

3.
Que atinge meu coração
Um pouco de felicidade
Que conheço a causa

r.
É ele por mim, eu por ele na vida
Ele me disse, me jurou pela vida

4.
E então que eu o percebo
E sinto em mim
Meu coração pulsar

A-II
Das noites de amor a não mais findar
A grande felicidade que toma lugar
Os tédios, e as tristezas desfazem
Feliz, feliz até morrer

 

A V1D4 3M R05É, versão rlalmeida

A-I

Seu olhar que quando encontra me beija

Um riso que salta de dentro dos dentes

Você é o retrato sem nenhum retoque

De uma pessoa que mal e mal me lembro

 

1.

Quando nos descruzamos os braços

Saudades de teus abraços

Vejo a vida en rosè

 

2.

Você disse que ia me amar

O simples que era gostar

O querer bem que me faz bem

 

3.

Você meu coração ganhou

No labirinto que adentrou

Fui eu quem deu as deixas

 

r.

Você vive por mim e eu vivo por você

Nós dois juntos dure a nossa vida inteira

 

4.

Antes achava que ia morrer

Agora já sinto bater

De volta o meu coração

 

A-II

As nossas noites juntos não parecem ter fim

A quantidade de paz que decide ficar

O tédio e a tristexa parecem vagar

A loucura, a alegria em morrer